Romantismo

O Romantismo foi um movimento artístico que privilegiava as emoções e os instintos humanos contra a razão.

O Romantismo foi um movimento na arte e na literatura, nos séculos XVIII e XIX em revolta contra o neoclassicismo dos séculos anteriores.

Na segunda metade do século XVIII, a Europa passa por uma grande reforma: o Iluminismo, uma revolução científica em todos os campos.

Um novo estado de espírito se formava, em que o sentimento se sobrepunha à razão, contrariando o Iluminismo. As primeiras manifestações românticas ocorreram na Alemanha e na Inglaterra.

Da Alemanha foi transportado para a França por meio de Mime Staël. Anos depois os Franceses levaram o Romantismo junto de seus navios para o Brasil. Em 1836 Gonçalvez de Magalhães publicou Suspiros Poéticos e Saudades.

O Romantismo varreu praticamente todos os países da Europa, Estados Unidos e América Latina e durou de cerca de 1750 a 1870.

O movimento também colocou grande valor sobre a beleza da natureza e do deserto e muitas vezes expressando um sentimento de nostalgia de um passado remoto, glorificando o período medieval e cultura popular.

O Romantismo como um movimento diminuiu no final do século XIX e início do século XX com o crescente domínio do realismo na literatura e o rápido avanço da ciência e da tecnologia. No entanto, o romantismo foi muito marcante na maioria dos indivíduos durante o seu tempo.

Origens do Romantismo

Surgido no final do século XVIII e início do século XIX, o Romantismo se desenvolveu na Europa em um momento histórico marcado pela ascensão da burguesia e dos ideais da Revolução Francesa de igualdade, liberdade e fraternidade.

romantismo
Imagem: Reprodução

No Brasil, o seu surgimento foi influenciado pelas últimas produções árcades e pelo sentimento de nacionalismo advindo da situação de independência.

O Romantismo foi a primeira vertente literária ocidental a rejeitar o modelo clássico. Esta ruptura reflete uma busca por uma produção original, baseada em mitos próprios, e não em clichês e imitações.

Também se rejeita o “normativismo” disciplinador da estética e as produções são norteadas fundamentalmente pela liberdade criativa.

Principais características do Romantismo:

  • Substituição dos temas universalistas por temas locais;
  • Perspectiva individual do autor;
  • Predomina a função emotiva (centrada no emissor) e às vezes apelativa ou conativa (centrada no receptor);
  • O autor projeta na obra o seu gosto e o do leitor, muitas vezes furtando-se da análise da realidade;
  • O choque Eu X Mundo: É evidenciado pela visão subjetiva e pessoal da realidade;
  • O nacionalismo, evidenciado por uma imagem mitificada da pátria e pela busca de uma cor local em oposição ao mundo europeu;
  • A idealização da mulher, que é endeusada e associada à figura angelical;
  • O culto à natureza, que aparece dinâmica (diferente da abordagem árcade, em que é estaticamente descrita) e associada aos estados íntimos do artista;
  • O retorno ao passado, também adotado como uma forma de escapismo. Aparece tanto com relação a um passado histórico (resgate medieval ou das origens da pátria), ou a um passado individual (resgate da infância, época feliz e livre de conflitos).

Gerações Românticas na Poesia

1ª Geração (1836 – 1850)

Iniciada pela publicação de “Suspiros Poéticos e Saudades” (obra de temática religiosa e nacionalista), de Gonçalves de Magalhães, esta é a geração nacional-indianista, marcada pela mitificação da natureza (Panteísmo), da pátria (nacionalismo) e do índio (indianismo), símbolo do espírito nacional em oposição à herança portuguesa.

Ocorre no contexto inicial do Romantismo, e apesar de rejeitar a visão iluminista de homem racional, salientando o homem emotivo, psicológico e intuitivo, essa geração sofre influência de Jean-Jacques Rousseau (iluminista), na concepção do “mito do bom selvagem”.

A independência do Brasil (1822), acaba por fortalecer o sentimento nativista. Os principais poetas foram Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias.

2ª Geração (1850 – 1870)

Também denominada de Mal-do-século, Ultra-romantismo ou Byronismo (homenagem ao poeta Lord Byron, da Inglaterra), esta geração foi marcada pela desilusão, pelo egocentrismo, pelo narcisismo, pelo negativismo boêmio e pelo escapismo dos artistas.

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O contexto histórico (frustração das promessas burguesas revolucionárias), reflete nessa atitude, pois ocasiona a desilusão em torno das mudanças sociais. Destacam-se os poetas Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo e Junqueira Freire.

3ª Geração (1870 – 1881)

O seu marco inicial foi a publicação de “Espumas Flutuantes” de Castro Alves. É também conhecida como Geração Condoreira (alusão à altivez do pássaro Condor) ou Hugoana (Influência de Victor Hugo, escritor francês) e é impregnada pela indignação e pela crítica social relacionada às lutas abolicionistas.

A sua linguagem é declamatória, passional, marcada por hipérboles, metáforas e alegorias. Destacam-se Fagundes Varela, Tobias Barreto e principalmente Castro Alves, um dos mais legítimos representantes da atitude condoreira, fundador da poesia social e engajada no Brasil, também conhecido como “O poeta dos escravos”, devido ao tratamento crítico dado à causa dos negros escravos.

O Romance Romântico e Suas Vertentes

O Romance nasce em meio a uma busca pela identidade nacional brasileira e a identificação dos espaços nacionais caracteriza a formação das quatro linhas temáticas: o espaço da selva é retratado pelos Romances Indianista e Histórico; o campo aparece no Romance Regionalista; a vida na cidade é trazida pelo Romance Urbano. Vejamos cada uma destas linhas:

1. Romance Indianista

Caracterizado pela idealização do Índio, que não é visto em sua realidade sócio-antropológica, mas sim de uma maneira lírica e poética, figurando como o protótipo de uma raça ideal.

Materializa-se no índio o “mito do bom selvagem” de Rousseau (o homem é bom por natureza e o mundo é que o corrompe). Há harmonização das diferenças entre as culturas européia e americana.

O índio é mostrado em diversas condições, como é possível notar nas obras de José de Alencar: em “Ubirajara”, aparece o índio primordial, sem o contato urbano; em “O Guarani”, é mostrado o contato o branco e em “Iracema”, aborda-se a miscigenação.

2. Romance Histórico

Revela o resgate da nacionalidade a partir da criação de uma visão poética e heroica das origens nacionais. É comum ocorrer a mistura de mito e realidade. Destacam-se as obras ”As Minas de Prata” e “A guerra dos Mascates”, de José de Alencar.

3. Romance Regionalista

Também conhecido como Sertanista, é marcada pela idealização do homem do campo. O sertanejo é mostrado, não diante dos seus verdadeiros conflitos, mas de uma maneira mitificada, como um protótipo de bravura, honra e lealdade.

Trata-se aqui de um regionalismo sem tensão crítica. Destacam-se obras de José de Alencar (“O Sertanejo”, “O Tronco do Ipê”, “Til”, “O Gaúcho”), Visconde de Taunay (“Inocência”), Bernardo Guimarães (“O Garimpeiro”) e Franklin Távora, que com “O Cabeleira” diferencia-se dos demais apresentando certa tensão social que pode ser enquadrada como pré-realista.

4. Romance Social Urbano

Retrata o ambiente da aristocracia burguesa, seus hábitos e costumes refinados, seus padrões de comportamento, sendo raro interesse pela periferia.

Os enredos são em geral triviais, tratando das tramas amorosas e mexericos da sociedade. Os perfis femininos são temas comuns, como em “Diva”, “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar e em “Helena”, “A Mão e a Luva” e “Iaiá Gracia”, de Machado de Assis.

É importante perceber que alguns desses romances, Tratando do ciclo social urbano, já revelavam características realistas em seus enredos, como algumas análises psicológicas e sintomas de degradação social.

Referências

Romantismo: A Formação da Literatura Brasileira – Júlio Flávio Vanderlan Ferreira

O Romantismo no Brasil – Antonio Candido

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01. [Fuvest]: Poderíamos sintetizar uma das características do Romantismo pela seguinte aproximação de opostos:

a) Aparentemente idealista, foi, na realidade, o primeiro momento do Naturalismo Literário.

b) Cultivando o passado, procurou formas de compreender e explicar o presente.

c) Pregando a liberdade formal, manteve-se preso aos modelos legados pelos clássicos.

d) Embora marcado por tendências liberais, opôs-se ao nacionalismo político.

e) Voltado para temas nacionalistas, desinteressou-se do elemento exótico, incompatível com a exaltação da pátria.

 

02. [UFRR]: A obra romanesca de José de Alencar introduziu na literatura brasileira quatro tipos de romances: indianista, histórico, urbano e regional. Desses quatro tipos, os que tiveram sua vida prolongada, de forma mais clara e intensa, até o Modernismo, ainda que modificados, foram:

a) Indianista e histórico;

b) Histórico e urbano;

c) Urbano e regional;

d) Regional e indianista;

e) Indianista e urbano.

01. [Fuvest]

Resposta: B

O Romantismo nasceu no Brasil poucos anos depois de nossa independência política, ocorrida no ano de 1822. Embora ainda estivessem presentes características dos moldes literários europeus, já era possível identificar na literatura romântica o sentimento de nacionalismo e anticolonialismo, que norteariam a construção de uma identidade literária genuinamente brasileira.

 

02. [UFRR]

Resposta: C

O romance urbano conquistou um enorme prestígio entre os leitores, tornando-se popular em virtude da temática desenvolvida por escritores como José de Alencar e Manuel Antônio de Almeida. Esse êxito não apenas teve como consequência a consolidação e o amadurecimento do romance enquanto gênero, mas também preparou caminhos para voos literários mais altos, que seriam representados posteriormente pelos romances urbanos de Machado de Assis e Mário de Andrade.

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