Casimiro de Abreu

Popular poeta da segunda geração do Romantismo no Brasil, Casimiro morreu aos 21 anos, em 1860. Teve publicado, em vida, apenas o volume de poemas As primaveras.

Poeta do amor e da saudade, Casimiro de Abreu foi um dos mais populares da segunda geração romântica. Em sua obra o lirismo se afigura como autêntica expressão da sensibilidade; intérprete de sentimentos simples, seus versos cativaram as massas

Biografia

Casimiro de Abreu. Foto: Joaquim José Insley Pacheco (Coleção Dr. Waldyr da Fontoura Cordovil Pires).

Casimiro José Marques de Abreu nasceu em Barra de São João (atual distrito da cidade Casimiro de Abreu), no Rio de Janeiro, em 1839 (mesmo ano em que nasceu Machado de Assis).

Entretanto, controvérsia envolve seu local de nascimento: algumas fontes apontam que teria nascido em Rio das Ostras (há cartas e documentos que atestam que seu pai residiu neste local), mais exatamente no município de Macaé, criado em 1813. O que é certo é que Casimiro nasceu na freguesia da Sacra Família, cuja extensão correspondia à soma dos atuais municípios de Casimiro de Abreu e Rio das Ostras.

Filho de José Marques de Abreu, rico fazendeiro e negociante português, e de Luísa Joaquina das Neves. Passou a primeira infância no campo; recebeu lições escolares iniciais em Cabo Frio, Rio de Janeiro.

Em 1849, ingressou no curso de humanidades no Instituto Freese, internato em Nova Friburgo, onde permaneceu até 1852; antes de completá-lo, foi para a capital, a mando do pai, a fim de que trabalhasse no armazém de um conhecido e praticasse escrituração mercantil, o que fez com que Casimiro se ressentisse, já que esta não era sua vocação.

Seguiu para Lisboa em 1853, onde se iniciou na poesia e na dramaturgia. Lá tornou-se redator de A Ilustração Luso-Brasileira e desenvolveu certa amizade com o escritor português Alexandre Herculano. Nessa mesma capital, em 1856, sua peça Camões e Jaú foi apresentada no Teatro D. Fernando. Voltou ao Rio no ano seguinte, trazendo os manuscritos das Canções do exílio, que, somadas a outras composições escritas no Brasil, integraram seu único livro de poemas, As Primaveras, publicado com apoio financeiro do pai, em dezembro de 1859.

Passou a participar de encontros literários, a partir de 1858, no escritório de advocacia do poeta Caetano Alves de Sousa Figueiras, dos quais também participaram os escritores, José Joaquim Cândido de Macedo Júnior e Machado de Assis. Colaborou, nessa época, com os periódicos Correio Mercantil, A Marmota, O Espelho e Revista Popular; conviveu com o escritor Manuel Antônio de Almeida e com o jornalista e político Quintino Bocaiuva.

Entre fins de 1859 e 1860, morreram vários amigos de Casimiro; o poeta ficou noivo de Joaquina de Alvarenga Silva Peixoto, a Quinquina, a quem ele dedicou alguns poemas. Morreu também seu pai em abril de 60. Em outubro do mesmo ano, morreu Casimiro, vítima de tuberculose, aos 21 anos, na fazenda onde nasceu. Foi sepultado ao lado do pai.

Características literárias

Casimiro de Abreu conheceu alguma glória nos seus três últimos anos de vida. Seus versos – talvez pueris, mas singelos – cativavam as massas, eram recitados por toda parte. Para o crítico Alfredo Bosi, tal popularidade deve ser considerada no nível de entendimento de um público mediano. Quer dizer, Casimiro realizou poesia simples ao sentimento médio dos leitores, talvez por reduzir seu âmbito a temas mais usuais da psicologia humana e a traços mais familiares da paisagem, dando-lhes tratamento menos abrangente. Sua perspectiva corresponde a do burguês brasileiro da época imperial, marcada pela transição entre a vida no campo e a nas cidades.

Ainda segundo Bosi, o poeta empreendeu uma descida de tom relativamente à poesia de Gonçalves Dias e de Álvares de Azevedo, o que o tornaria singular. Entretanto, seria o seu “modo de conhecer a realidade na linguagem e pela linguagem”. Já para Antonio Candido, trata-se do “maior poeta dos modos menores que o nosso Romantismo teve”.

Quer parecer que nunca se ocupou de matérias tais quais a metafísica e a questão social; os índios, por exemplo, caros à primeira geração de românticos, não lhe atraíram; nem tampouco a situação dos negros escravizados, que pungiram a terceira. Nele, o lirismo é autêntica expressão da sensibilidade, desatrelada de pretensões mais intrépidas.

O poeta do amor e da saudade

O crítico José Veríssimo assevera que “dos poetas da segunda geração romântica, Casimiro de Abreu é o “poeta do amor e da saudade”. Vejamos, no poema de abertura de As primaveras, topamos com a seguinte quadra: “Podes ler o meu livro: – adoro a infância,/Deixo a esmola na enxerga do mendigo,/ Creio em Deus, amo a pátria, e em noites lindas/ Minh’alma – aberta em flor – sonha contigo”. Daí já podemos deduzir os temas mais recorrentes em sua obra, que poderiam ser relacionados da seguinte forma: a saudade da pátria, da infância e dos amores; os ardores de adolescente; a religião sentimental; o patriotismo indefinido e a tristeza da vida.

A sensibilidade do poeta teria exacerbado o drama íntimo de sua vida: a sua inclinação estorvada, os senões do lar paterno etc. Ademais, o sentimento de exílio o teria assaltado em Portugal, onde, como se viu, viveu por durante três anos. Lá teria preparado parte de seu único volume de poesia As Primaveras.

Esse sentimento, comum entre os românticos, é provável que lhe tenha chegado pelo influxo de Gonçalves Dias, tanto assim que Casimiro escreveu série de poemas impregnado de nostalgia pela terra natal intitulada “Canções do exílio” (da qual o primeiro poema é reproduzido integralmente abaixo). Neste, lemos: “Eu nasci além dos mares:/ Os meus lares,/ Meus amores ficam lá!”. E mais: “Oh! que saudades tamanhas/ Das montanhas,/ Daqueles campos natais!”. Donde se depreende a nostalgia, romântica por excelência, relativamente a vivências pretéritas e, a partir dela, a exaltação da paisagem.

Diríamos que é o poeta dos tempos idos, da “aurora da vida”. Seu arquiconhecido poema, “Meus oito anos” (transcrito na sequência), perfaz o paradigma do tema: “Oh! que saudades que tenho/ Da aurora de minha vida,/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!”.

O louvor da meninice dá pistas sobre o sentido do título de seu livro. Por esse ângulo, faz-se esclarecedora sua epígrafe de abertura, extraída do poeta italiano Metastasio: “O Primavera! gioventú dell’anno,/ Gioventú! primavera della vita, isto é, se a primavera é a juventude do ano, a juventude é a primavera da vida.

Vemos, portanto, que é sob a influência da nostalgia e do amor, uma obsessão casimiriana, que o poeta canta o Brasil. A pátria para não se afigura tanto como nação, mas se aproxima mais a uma terra natal, no que há nela de mais íntimo e doméstico. Se compararmos as suas “Canções do exílio” à de Gonçalves Dias, notaremos que a dele (apesar de emular a natureza que há na do precursor, haja vista as palmeiras, o sabiá etc.) se apresenta mais branda e a pátria mesma esbate-se pelas rimas encavaladas e pelas repetições.

Quando As primaveras vieram a lume, talvez já se desafogasse uma atmosfera noturna que grassava no Brasil desde a década de 1840 e que culminou na obra de Álvares de Azevedo. Aliás, quando o compara a este poeta, Bosi aponta que “é pálida, sem garras e exclamativa a sua lira de sombras, faltando-lhe o sarcasmo, a autoironia sem tréguas”.

Não raro se pode observar, no caso dos poetas da segunda geração romântica, o desenvolvimento da obra a partir de uma dinâmica em que se evidencia o sentimento dos contrastes; bem como não é raro deparar, em alguns poemas de Casimiro, o que se poderia chamar de amor romântico de cunho burguês, de modo que ficam dissimulados os aspectos eróticos mais diretos e mais manifesta a idealização da conduta. Em outros, desassociam-se os aspectos carnal e ideal que não raro se afiguram complementares nos versos mais inspirados.

Outro nó temático do qual decorre contraste notável é aquele em que se manifestam vocação e situação. Na quarta seção do poema chamado “Livro negro”, lemos: “Tenta enganar-se p’ra curar as mágoas,/ Cria fantasmas na cabeça em fogo,/ De novo atira o seu batel nas ondas,/ Trabalha, luta e se afadiga embalde/ Até que a morte lhe desmancha os sonhos/ Pobre insensato – quer achar por força/ Pérola fina em lodaçal imundo!”.

Já com relação à forma, Casimiro amiúde emprega a métrica regular e o ritmo invariável. Podemos observar, portanto, que àquilo poderíamos chamar abrandamento da matéria poética corresponde o abrandamento da forma. Com isso a musicalidade da melodia fácil prepondera. Bom exemplo disso se encontra nos versos em redondilha maior (de sete sílabas poéticas) do poema intitulado “Borboleta”: “Borboleta dos amores,/ Como a outra sobre as flores,/ Porque és volúvel assim?/ Porque deixas, caprichosa,/ Porque deixas tu a rosa/ E vais beijar o jasmim?”. Antonio Candido diz tratar-se da “anestesia da razão pelo feitiço da sensibilidade”. De todo modo, sua poesia acaba, assim, por atingir público mais amplo.

Em suma, poderíamos dizer que a poética de Casimiro é dotada de senso de ternura, parece ocupar-se de meia dúzia de sentimentos comuns, todavia gozados intensamente; sua poesia é elegíaca, transmite, de maneira excepcional, impressão de franqueza.

Principais obras de Casimiro de Abreu

Primeira edição de “As primaveras”, 1859. Reprodução: sem autoria.

Como vimos, Casimiro morreu aos 21 anos. Seu único livro de poemas, As Primaveras, foi publicado em 1859. No tocante à recepção de seus versos, José Veríssimo afirma que “a fama do nosso poeta confundiu-se com a dos seus poemas recitados nas salas, e que, como uma flor muito cheirada acaba por perder o perfume, tinham acabado por perder a emoção real que neles havia”. A despeito de ter ou não incorrido no que muitos chamam de pieguice, seu mérito concerne à realização de uma poesia acessível e, em última análise, coerente, já que logra uma forma bem-acabada, justamente por conta da delimitação precisa de sua obra.

Poesia

  • As Primaveras (1859)

Prosa e outros gêneros

  • Camões e Jaú (teatro, 1856)
  • Carolina (romance, 1856)
  • Camila (romance inacabado, 1856)
  • A virgem loura (prosa poética, 1857)

Antologias e obras completas

  • Obras completas de Casimiro J. M. de Abreu (organização: J. Norberto de Souza e Silva, 1918)
  • Obras de Casimiro de Abreu (organização, apuração do texto, biografia e notas: Sousa da Silveira, 1940)
  • Em homenagem ao poeta, pelos 150 anos de sua morte, em 19 de outubro de 2010, a Academia Brasileira de Letras lançou sua obra completa, organizada e comentada por Mário Alves de Oliveira, com prefácio de Ivan Junqueira.

Poemas de Casimiro de Abreu

Exílio

Eu nasci além dos mares:
Os meus lares,
Meus amores ficam lá!
— Onde canta nos retiros
Seus suspiros,
Suspiros o sabiá!

Oh que céu, que terra aquela,
Rica e bela
Como o céu de claro anil!
Que seiva, que luz, que galas,
Não exalas
Não exalas, meu Brasil!

Oh! que saudades tamanhas
Das montanhas,
Daqueles campos natais!
Daquele céu de safira
Que se mira,
Que se mira nos cristais!

Não amo a terra do exílio,
Sou bom filho,
Quero a pátria, o meu país,
Quero a terra das mangueiras
E as palmeiras,
E as palmeiras tão gentis!

Como a ave dos palmares
Pelos ares
Fugindo do caçador;
Eu vivo longe do ninho,
Sem carinho;
Sem carinho e sem amor!

Debalde eu olho e procuro…
Tudo escuro
Só vejo em roda de mim!
Falta a luz do lar paterno
Doce e terno,
Doce e terno para mim.

Distante do solo amado
— Desterrado —
A vida não é feliz.
Nessa eterna primavera
Quem me dera,
Quem me dera o meu país!

(As Primaveras, 1859)

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora de minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu é – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto o peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava as Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
– Que amor, que sonhos, que flores.
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Lisboa – 1857

(As Primaveras, 1859)

Meu livro negro (excerto)

A Gonçalves Braga
I
Eu sei que é santo e bom e de almas grandes
Dar ás glorias um hymno, a Deus um canto,
Ao culpado perdão;
Dar ao vicio conselho, ao cego luzes,
Á velhice respeito, arrimo á infância
E aos mendigos o pão!

Obrigado! obrigado! eu beijo a esmola
Do teu canto de fé! Mas não te illudas,
Não te posso seguir.
Eu me assento nas pedras do caminho
E pergunto aos que passam: — “Inda é longe,
Muito longe o porvir ?”

Obrigado! obrigado! tu respondes,
E queres que eu descubra no horisonte
O que é nuvem talvez!
Obrigado, cantor! rico de crenças,
Que repartes comigo os teus vestidos,
P’ra cobrir-me a nudez!

Levanto á pressa a tenda do descanso,
E, como não prosigo, eu te convido
Á porta do meu lar,
Depois que eu te disser a lenda triste
Do meu livro sem luz, do — Livro Negro
Tu podes caminhar.

II
Escuta: — Tu que tens na voz perfumes,
Chamas sempre ao meu canto — primaveras,
Aos goivos — um jardim!
— Talvez que na charneca, por descuido,
Entre os juncos brotasse á beira d’agua
O tronco d’um jasmim!

É verdade, na mente deslumbrada,
Borbulhou n’outro tempo alguma cousa
De vago e de ideal!
Eram centelhas! mas dormindo ás soltas,
Eu deixei consumir-se o fogo santo
— Estúpida vestal!
Agora em vão procuro aquelles cantos,
As rosas do jardim e o sonho amigo,
Que tanto me embalou!
A minha alma, deserta de esperanças,
Já não pôde sonhar! Meu Deus, é tarde!
A vida já passou!

[…]

Cuspiram-me na fronte e na grinalda,
Vergaram-me a cabeça ao despotismo,
Ás garras da oppressão;
E ao contacto do mármore e do gelo
A lyra emmudeceu, penderam flores,
Extinguiu-se o vulcão!

Por cada canto eu tive offensas duras,
Pelos sonhos — o escarneo que apunhala,
Insultos por cantar!
Deitaram-me na taça o fel que amarga,
Mas a raça dos vis campeia impune
Porque sei perdoar!

Obrigado! obrigado! É doce ao menos
Receber na desgraça o aperto amigo
Do abraço fraternal!
A lagrima a cahir se muda em riso,
E pôde a mão tecer na corda frouxa
Um hymno festival!

Feliz, tu que me acenas p’ro futuro
— Na fronte a inspiração, nas mãos a lyra,
E no teu peito o ardor!
Adeus! eu não te sigo, é longa a estrada,
Assusta-me a tormenta e a noite escura…
Sou fraco luctador!

[…]

A gloria, quanto a mim, é a Messalina
Que vende sem pudor a face e os beijos
Na praça, á luz do sol!
Ama um dia e abandona o favorito
No leito do hospital, por cama — a valla,
Por mortalha — o lençol!
[…]

( Obras completas de Casimiro J. M. de Abreu (organização: J. Norberto de Souza e Silva), 1918 [foi mantida a grafia original]

Mais Casimiro de Abreu!

Após breve exposição da biografia de Casimiro de Abreu, assim como de sua obra e de algumas de suas características, é chegado o momento de consolidarmos alguns tópicos e de nos aprofundarmos em outros:

“A valsa”

O ator Paulo Autran declama o poema “A valsa”. Por meio de sua leitura, podemos perceber, de modo inequívoco, o quanto a musicalidade é um traço pujante na poética de Casimiro.

Uma leitura mais detida: As Primaveras (parte um)

Uma leitura mais detida: As Primaveras (parte dois)

Nos dois vídeos acima, deparamo-nos com uma leitura crítica mais pormenorizada do livro de poemas As Primaveras.

Casimiro talvez seja um dos nossos poetas mais lidos. Isto se deve, em larga medida, à simplicidade, bem como à sensibilidade que seus versos encerram, somadas, como vimos, ao ritmo regular que enseja a declamação. Agora, de modo a tornarmos os estudos mais fecundos, convém investigarmos algo sobre como se deu o Romantismo no Brasil. Não obstante, recomenda-se também conhecermos poetas contemporâneos de Casimiro de Abreu e que o influenciaram, como Gonçalves Dias.

Referências

Correspondência completa de Casimiro de Abreu – Mário Alves de Oliveira (reunião, organização e comentários)
Estudos de Literatura Brasileira (Segunda Série) – José Veríssimo
Formação da Literatura Brasileira (momentos decisivos), segundo volume – Antonio Candido
História Concisa da Literatura Brasileira – Alfredo Bosi
Obras completas de Casimiro J. M. de Abreu (organização: J. Norberto de Souza e Silva) – Casimiro de Abreu
As Primaveras – Casimiro de Abreu

Jefferson Dias
Por Jefferson Dias

Autor dos livros de poesia Último festim (2013), Silenciosa maneira (2015) e Qualquer lugar (2020). Tem poemas, contos, traduções e resenhas publicados em periódicos e portais de literatura do Brasil e de Portugal. Formado em Letras pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar.

Como referenciar este conteúdo

Dias, Jefferson. Casimiro de Abreu. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/casimiro-de-abreu. Acesso em: 07 de August de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [UNIFESP]

Casimiro de Abreu pertence à geração dos poetas que morreram prematuramente, na casa dos vinte anos, como Álvares de Azevedo e outros, acometidos do “mal” byroniano. Sua poesia, reflexo autobiográfico dos transes, imaginários e verídicos, que lhe agitaram a curta existência, centra-se em dois temas fundamentais: a saudade e o lirismo amoroso. Graças a tal fundo de juvenilidade e timidez, sua poesia saudosista guarda um não sei quê de infantil.

(Massaud Moisés. A literatura brasileira através dos textos, 2004. Adaptado.)

Os versos de Casimiro de Abreu que se aproximam da ideia de saudade, tal como descrita por Massaud Moisés, encontram-se em:

a) Se eu soubesse que no mundo / Existia um coração, /Que só por mim palpitasse / De amor em terna expansão; / Do peito calara as mágoas, / Bem feliz eu era então!

b) Oh! não me chames coração de gelo! / Bem vês: traí-me no fatal segredo. / Se de ti fujo é que te adoro e muito, / És bela – eu moço; tens amor, eu – medo!…

c) Naqueles tempos ditosos / Ia colher as pitangas, / Trepava a tirar as mangas, / Brincava à beira do mar;/ Rezava às Ave-Marias, / Achava o céu sempre lindo,/ Adormecia sorrindo / E despertava a cantar!

d) Minh’alma é triste como a flor que morre / Pendida à beira do riacho ingrato; / Nem beijos dá-lhe a viração que corre, / Nem doce canto o sabiá do mato!

e) Tu, ontem, / Na dança / Que cansa, / Voavas / Co’as faces / Em rosas / Formosas / De vivo, / Lascivo / Carmim; / Na valsa / Tão falsa, / Corrias, / Fugias, / Ardente, / Contente, / Tranquila, / Serena, / Sem pena / De mim!

Resposta: D.
Os excertos contidos nas outras alternativas não tematizam o saudosismo, mas sim o amor (a, b, e) e a melancolia (d).

2. [UNICAMP]

Casimiro de Abreu é um poeta romântico e Cacaso é um poeta contemporâneo. “E com Vocês a Modernidade”,de Cacaso, remete-nos ao poema “Meus Oito Anos”, de Casimiro de Abreu. Leia com atenção os dois textos abaixo transcritos e, aproximando seus elementos comuns e distinguindo os elementos divergentes, explique como o poema contemporâneo dialoga com a tradição romântica.

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

(Casimiro de Abreu, “Meus Oito Anos”)

Meu verso é profundamente romântico.
Choram cavaquinhos luares se derramam e vai
por aí a longa sombra de rumores e ciganos.
Ai que saudade que tenho de meus negros verdes anos!

(Cacaso, “E com Vocês a Modernidade”, poema de Beijo na Boca, 1975.)

A subjetividade nostálgica se apresenta como elemento comum aos dois poemas; ambos remetem a um tempo passado.
Um elemento divergente notável diz respeito ao aspecto formal: os versos de “Meus Oito Anos” são redondilhas maiores (sete sílabas poéticas) e os do poema de Cacaso são livres. Ademais disso, outra inconsonância pode ser notada no texto de Cacaso, no verso “Ai que saudade que tenho de meus negros verdes anos!”, ao qual o termo “negros”, ambíguo, confere certo peso, um tom meditativo, uma espécie de juízo, o que não ocorre no poema de Casimiro de Abreu.
O diálogo do poema de Cacaso com a tradição romântica é estabelecido pela temática e sobretudo pela referência intertextual explícita.

3. [UERGS]

Sobre a obra poética de Casimiro de Abreu, é correto afirmar que:
a) exalta o índio brasileiro, cuja força, coragem e astúcia são cantadas em longos poemas épicos.
b) critica a violência a que eram submetidos os escravos nas senzalas e nos navios que os traziam da África.
c) exalta a infância, a vida familiar e a natureza brasileira em poemas repletos de lirismo e afetividade.
d) critica a arrogância e o desprezo com que eram tratadas as mulheres na família patriarcal rural brasileira.
e) exalta o bandeirante paulista, cuja perseverança e coragem teriam ampliado as fronteiras da pátria brasileira.

Resposta: C.
Como pudemos observar ao longo de nosso estudo, as outras opções revelam temáticas não condizentes com o projeto poético de Casimiro.

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