Neoclassicismo

O Neoclassicismo foi um período que influenciou significativamente as manifestações artísticas e que resgatou a formalidade e as formas clássicas.

O movimento artístico e cultural denominado Neoclassicismo surgiu na Europa durante o século XVIII. Seus objetivos envolviam o resgate das características estéticas e culturais de Roma, Grécia e outras civilizações clássica com intensa expressão na arquitetura, na escultura, na literatura e na pintura.

Conectado ao academicismo, o Neoclassicismo objetivava a retomada das expressões artísticas mais antigas, consideradas por eles modelos de proporção, clareza e equilíbrio.

O movimento contrastava principalmente ao Barroco e ao Rococó, que tinham características mais rebuscadas, com exageros ornamentais, e defendia, entre outras coisas, a necessidade de um esboço desenhado antes da obra ser executada para que fosse possível alcançar a perfeição.

Características

  • Influência intensa das ideias filosóficas iluministas;
  • Foco no racional, deixando o emocional de lado;
  • Utilização de cores frias e valorização da perspectiva;
  • Valorização do simples e da pureza estética;
  • Representação de heróis e seres da mitologia;
  • Retorno ao passado;
  • Influência das formas clássicas presentes no Renascimento nas esculturas;
  • Na literatura, simplicidade, clareza, gramática impecável e síntese.

Contexto Histórico

Segundo historiadores e estudiosos da arte, os primeiros sinais do Neoclassicismo surgiram no século XVIII, época em que diversos fatores contribuíram para o nascimento deste movimento artístico.

Dentre os fatores, alguns especialistas consideram dois como os principais: o esgotamento da fórmula barroca, que já vinha sendo analisada com condenação quanto aos excessos e ao peso das expressões artísticas; e o declínio da influência que a religião tinha na sociedade e a ascensão dos ideais do Iluminismo.

O Neoclassicismo nada mais é do que um “novo Classicismo”, mas com expressões bastante próprias. A grande diferença era que o Neoclassicismo utilizava mais bases científicas e sistemáticas, tendo em vista as recentes descobertas arqueológicas da época, que fizeram renascer o interesse pela tradição puramente grega.

Neoclassicismo no Brasil

O movimento chegou ao Brasil por meio da fundação da Escola Real de Artes e Ofícios com a chegada da Missão artística Francesa ao país. Aqui, entretanto, o movimento encontrou resistência e pouca aderência, resultando em uma baixa representatividade.

Apesar de ter pouco engajamento, podemos citar importantes construções do período neoclássico, como a Casa França-Brasil e a atual PUC do Rio de Janeiro, que era o Solar Grandjean de Montigny.

Principais artistas do Neoclassicismo

Ainda que diversos artistas tenham feito parte do Neoclassicismo, alguns tiveram destaque e são estudados nos dias atuais como os principais representantes do movimento ao redor do mundo.

Jacques-Louis David

Considerado um dos principais pintores da época, Jacques-Louis David era muito valorizado pelo governo, tendo realizado trabalhos de suma importância, como o desenho de trajes e os cenários usados para eventos oficiais. Pintou obras como “O Juramento dos Horácios”, “A Morte de Sócrates” e Retrato de Lavoisier e sua Esposa”.

Madame Réamier – Jacques-Louis David

Jean-Auguste Dominique Igres

Um dos alunos de David, Jean-Auguste Dominique Ingres ficou conhecido por defender o Neoclassicismo em discussões públicas com Delacroix. Entre suas obras mais conhecidas estão “Júpiter e Tétis”, “O sonho de Ossian” e “O Martírio de São Sinforiano”.

Napoleão em seu Trono Imperial – Jean-Auguste Dominique Igres

Pierre Barthelmy Vignon

Pierre Barthelmy Vignon foi um arquiteto do período neoclássico. Inspirou-se em templos coríntios romanos, tendo projetado a Igreja de Maria Madalena com incentivo de Napoleão.

Igreja de Maria Madalena – Pierre Barthelmy Vignon

Antonio Canova

Antonio Canova foi um desenhista, pintor, arquiteto e escultor italiano, mais lembrado por suas esculturas neoclassicas. Dentre suas obras mais conhecidas, podemos destacar “As Três Graças”, que está exposta no Museu Hermitage, em Moscou.

As Três Graças – Antonio Canova

Arquitetura

Na arquitetura, o Neoclassicismo teve sua expressão com a uniformidade de estilo, uma vez que a maioria dos arquitetos do movimento foi formada em universidades cujos ideais, conceitos e ensinamentos transmitidos eram muito parecidos.

Colunas, frontões, fachadas e cúpulas eram detalhes muito valorizados. O período, para os arquitetos, ficou conhecido como “A arquitetura da razão”, e tinha uma grande valorização da funcionalidade da construção. A arquitetura neoclássica era símbolo de poder e autoridade.

Dentre os arquitetos mais conhecidos do movimento neoclássico, podemos citar Jacques-Germain Soufflot, Pierre-Alexandre Vignon, Ledoux, Boullé, Robert Adam, Langans, Leo Von Klenze e Karl Friedrich Schinkel.

Escultura

A escultura neoclássica tinha como características principais a ordem, a clareza, o equilíbrio e o propósito, e buscava evitar ao máximo o Barroco.

Valorizou a história e a mitologia greco-romanas, carregando elementos alegóricos e enaltecendo homens públicos notórios. Os materiais mais utilizados foram o bronze e o mármore branco.

Os principais escultores do período neoclássico são Giuseppe Angelini, Gaetano Monti, Herman Wilheln Bissen, Jens Adolph Jerichau, Jean-Jacques Pradier, Antoine Louis Barye, John Henry Foley, Thomas Woolner, Johann Heinrich von Dannecker, Julius Troschel, Christian Daniel Rauch, entre outros.

Música

Na música, o Neoclassicismo se desenvolveu até os anos 1770 devido a uma mudança significativa nas artes em geral e no interesse das pessoas pelos estilos musicais.

Neste período, os compositores deram enfoque a reagir contra as características musicais do período barroco, e havia uma grande preocupação com o equilíbrio entre a estrutura e a expressão.

Dentre os compositores do período neoclássico, podemos citar Giovanni Battista Sammartini, Carl Philipp Emanuel Bach, Johann Christian Bach, Andrea Luchesi, Michael Haydn, Luigi Boccherini, entre outros.

Pintura

O modelo ideal da pintura neoclássica seguia a cultura clássica da antiguidade, constando em muitas obras a temática política, historicista e moralizante.

O traçado e as pinceladas precisas tinham mais importância do que a cor, e os cenários das pinturas do período normalmente remetem a construções antigas e monumentos, buscando sempre a harmonização entre as formas.

A técnica era muito controlada e, como tudo no Neoclassicismo, valorizava a organização, o racionalismo, a objetividade, buscando sempre a verdade da representação.

O Neoclassicismo conviveu durante o seu período com o Romantismo e, por isso, traços das pinturas dos dois movimentos artísticos podem se confundir para aqueles que não se aprofundam nas técnicas.

As academias do período carregavam rigorosos critérios de disciplina em seu sistema profissionalizante, envolvendo ótica, geometria, anatomia, cópia de obras célebres, entre outros fatores que formavam um pintor profissional.

Literatura

Com o Neoclassicismo, a literatura encontrou seu retorno à simplicidade e à perfeição que já eram almejados no Classicismo. Ademais, havia, também na literatura, a condenação ao estilo barroco.

Usava-se a poesia para transformar as mentes a partir dos critérios da razão e da verdade.

Ademais, explorava-se de forma simples e natural os assuntos. O equilíbrio, o bom senso e a experiência eram constantes nos textos do período, que fazia, ainda, referência ao despotismo esclarecido e ao Iluminismo.

Com linguagem clara, sintética, nobre e gramaticalmente correta, os escritores neoclássicos tinham uma visão equilibrada do mundo.

Aprenda mais sobre o assunto

Vamo assistir a alguns vídeos sobre o Neoclassicismo?

Jacques-Louis David – A morte de Marat – Neoclassicismo

Neste vídeo, Patrícia de Camargo conta alguns fatos interessantes sobre a vida de Jacques-Louis David, pintor do Neoclassicismo, além de características e influências presentes em suas obras.

Literatura Brasileira – Arcadismo/Neoclassicismo

Com explicações sucintas e objetivas, a professora Tati Leite fala sobre o Neoclassicismo na literatura, também chamado de Arcadismo. Narra características do movimento e as influências sofridas pelos acontecimentos do período e o contraste com o Barroco.

Arquitetura – O estilo Neoclássico

Mais objetivamente, Bruno Perenha trata neste vídeo sobre a história da arte focada na arquitetura, fazendo referência à importância do período neoclássico para o estudo da arquitetura e sua influência nos trabalhos atuais.

Referências

A história da Arte – E.H. Gombrich
O Século Dezenove: Do Neoclassicismo ao Modernismo – Raul Mendes Silva

Por Natália Petrin
Exercícios resolvidos

1. [UFSM]

O Iluminismo apostava no uso da razão para a construção de uma nova ordem sociopolítica e, dessa maneira, recuperou os valores da cultura racionalista greco-romana. No campo das artes, esse procedimento resultou no neoclassicismo, que teve em Jacques-Louis David (1748-1825) um dos seus principais expoentes. Em O juramento dos Horácios (1785), David inspirou-se nos lendários irmãos Horácios, os três campeões de Roma que juraram lutar até a morte contra os Curiácios, os campeões da cidade de Alba, inimiga dos romanos.

Assim, David atualizou os valores do mundo romano,

a) condenando a participação dos simples cidadãos na cena política e exaltando a aristocracia como principal pilar do Estado.
b) focando os simples cidadãos da sociedade romana como figuras centrais na defesa do Estado e motivando o povo francês a se engajar nas atividades cívicas.
c) reproduzindo o luxo das cortes do mundo antigo e enaltecendo o esteticismo da arte cortesã como elemento pedagógico para a formação do homem cívico.
d) criticando o patriotismo dos cidadãos-soldados da República romana, capazes de dar a vida para a defesa do Estado em detrimento dos sentimentos das mulheres de suas famílias.
e) enaltecendo um novo pacto social, alicerçado na religião revelada e não na adesão ao Estado como instituição laica central na ordem sociopolítica racional.

B

2. [ENEM]

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte, rico e fino.
Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.
Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,
Aqui descanse a louca fantasia,
E o que até agora se tornava em pranto
Se converta em afetos de alegria.

(Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.)

Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção.

a) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.
b) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.
c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional.
d) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole.
e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

B

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