Romantismo em Portugal

Entre a decadência social e a desilusão, os românticos almejam um retorno à origem primordial do ser.

O Romantismo é o movimento literário que precede o Arcadismo. Em Portugal, ele teve início em 1825, com a publicação do poema Camões, de Almeida Garrett, e se estendeu até 1865. Os autores românticos, marcados pela introspecção, mergulham no mistério da vida e em temas que permeiam a fragilidade humana. A seguir, saiba mais sobre esse movimento.

Contexto histórico

No século XVIII e XIX, a Europa passou por grandes transformações, tanto no âmbito social quanto no âmbito cultural. Entre as mudanças ocorridas, destacam-se: a ascensão da burguesia; a crise das monarquias nacionalistas absolutistas; e a disseminação dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ainda, a Revolução Industrial, que desencadeou o êxodo rural, contribuiu para o surgimento de novas formas de expressão.

Nesse período, Portugal enfrentou momentos de turbulência e decadência política. Em 1820, aconteceu a revolta do exército – período que ficou conhecido como Vintismo. E, em 1832, ocorreu a Guerra Civil Portuguesa. Em um cenário desolador, sob grande influência francesa, no berço propagador do Romantismo, muitos escritores portugueses iniciaram um novo ciclo de manifestações artísticas.

Características

  • Subjetivismo: o “eu” torna-se o centro do Universo. Na literatura, o romântico contempla a si mesmo, como se estive, permanentemente, mirando um espelho;
  • Nacionalismo: em um cenário social repleto de injustiças e descontentamentos, busca-se a reestruturação patriótica do orgulho português;
  • Sentimentalismo: a emoção sobrepõe a razão. Os românticos estavam preocupados em desvendar e entender o caos interior do ser humano;
  • Libertação estilística: os românticos repudiam o Neoclassicismo, rompem com os modelos prontos e buscam a liberdade criativa;
  • Idealização: seja o amor, a mulher, o herói ou a vida, tudo passa pelo crivo do exagero, suprimindo os defeitos e buscando a perfeição;
  • Escapismo: a natureza é o maior ponto de fuga para o romântico que busca escapar da amargura da realidade.

Em síntese, o Romantismo foi marcado, principalmente, pelo mergulho interior, o devaneio, o fado existencial e a busca por um paraíso perdido. Além disso, esse movimento passou por três fases, confira, a seguir.

Gerações do romantismo

Além de romper com o Arcadismo e com as ideias do Neoclassicismo, o Romantismo português, dentro do próprio movimento, é marcado por rupturas. Assim, didaticamente, ele é divido em três gerações. Entenda cada uma delas!

  • 1ª Geração: nacionalista
    Essa geração teve início em 1825 e durou até 1838. Os primeiros românticos, ainda sob influência do Neoclassicismo, estavam preocupados com o espírito libertário e a retomada da glória portuguesa por meio dos ideais nacionalistas e liberais.
  • 2ª Geração: ultrarromântica
    De 1838 a 1860, os escritores ultrarromânticos, influenciados pelo cenário de decadência portuguesa, incorporam, em suas produções, o tom melancólico e mórbido. É comum o culto à morte, o sentimentalismo exagerado, bem como a liberdade formal.
  • 3ª Geração: renovação romântica
    Com curta duração, período que durou de 1860 a 1865, essa geração, na verdade, é uma fase de transição para o Realismo. Há o rompimento com o exagero e o pessimismo da geração anterior, e a valorização de um contato mais próximo com a realidade.

Repare que todas as gerações são perpassadas pela necessidade de organizar o mundo real. Assim, seja por meio do escapismo, do sentimentalismo ou da busca pelo equilíbrio, percebe-se o ressoo saudosista de um país que já teve seus dias glórias. Para melhor compreender esse movimento, conheça alguns dos principais escritores românticos.

Principais autores e obras

Um movimento literário só surge e se desenvolve porque existem escritores que, incomodados com as formas ultrapassadas, escrevem de acordo com o período histórico vigente. Sendo assim, confira grandes nomes que foram essenciais para a formação do Romantismo português.

  • Almeida Garrett: poeta, dramaturgo e prosador, considerado o percursor do Romantismo em Portugal.
    Principais obras: Camões (1825); Folhas Caídas (1853).
  • Alexandre Herculano: com fortes inclinações liberais, o escritor, jornalista e poeta, em suas obras, preocupou-se em denunciar os perigos de um retorno à monarquia.
    Principais obras: A Voz do Profeta (1836); A Granja do Calhariz (1851).
  • Camilo Castelo Branco: escritor ultrarromântico que, em suas obras, abordou o amor idealizado e os vícios da burguesia.
    Principais obras: Amor de Perdição (1862); A Mulher Fatal (1870).
  • Soares de Passos: considerado um dos poetas que mais encarnou o mal do século presente no ultrarromantismo. Todo sua obra está reunida em um único volume.
    Principal obra: Poesias (1856).
  • Júlio Dinis: médico e escritor, considerado o criador do romance campesino.
    Principais obras: Um Rei Popular (1858); Serões da Província (1870).
  • Eça de Queirós: escritor e diplomata que participou da transição do Romantismo para o Realismo português.
    Principais obras: O Crime do Padre Amaro (1875); O Primo Basílio (1878).

Os escritores citados não só foram importantes para a disseminação do Romantismo, como também influenciaram os movimentos posteriores e, até hoje, marcam a literatura portuguesa. Quer saber mais sobre o assunto? Então, confira, no tópico seguinte, os melhores vídeos que te ajudarão nos estudos.

Vídeos sobre o Romantismo em Portugal para saber ainda mais sobre esse movimento

Chegou o momento de fixar o conteúdo. Para tanto, confira essa seleção de vídeos que aborda as principais características do Romantismo, bem como traz curiosidades interessantíssimas sobre o contexto histórico, os escritores e as principais obras desse período.

Romantismo em Portugal: revisando o conteúdo

Nesse vídeo, o professor Noslen aborda o Romantismo em Portugal de forma descontraída e sucinta, apresentando as principais características do movimento. Confira e revise todo o conteúdo apresentado até aqui.

Conheça o livro Viagens Na Minha Terra, de Almeida Garrett

Viagens Na Minha Terra (1846), de Almeida Garrett, é um romance que, frequentemente, está na lista dos vestibulares. Nesse vídeo, o professor Moacir explica o contexto histórico e dá dicas essenciais para a compreensão da obra. Assista!

Saiba tudo sobre o contexto histórico do Romantismo

Para melhor compreender o Romantismo em Portugal, é importante conhecer as primeiras manifestações desse movimento. Desse modo, nesse vídeo, o professor Noslen apresenta um panorama do contexto histórico mundial em que os primeiros românticos se manifestam. Confira!

Camilo Castelo Branco: o escritor ultrarromântico

É impossível falar de Romantismo português sem abordar o nome de Camilo Castelo Branco. Por isso, assista o vídeo e confira as principais características de uma das maiores obras do escritor: Amor de Perdição.

Agora que você já aprendeu sobre o Romantismo em Portugal, confira, também, a matéria sobre o Romantismo no Brasil e continue aprendendo. Bons estudos!

Referências

Romantismo-Realismo (1998) – Massaud Moisés
A Literatura Portuguesa (1999) – Massaud Moisés

Por Suélen Domingues
Como referenciar este conteúdo

Domingues, Suélen. Romantismo em Portugal. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/romantismo-em-portugal. Acesso em: 22 de October de 2021.

Exercícios resolvidos

1. [UFPR]

Alguns dos maiores expoentes da estética romântica em Portugal no século XIX foram:

a) Castro Alves, Almeida Garrett e Alexandre Herculano.
b) Cesário Verde, Álvares de Azevedo e Castro Alves.
c) Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco e Vitor Hugo.
d) Stendhal, Antero de Quental e Fagundes Varela.
e) Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco.

Resposta: E

Essa é a única alternativa correta, pois as outras apresentam escritores que não participaram do Romantismo Português. Tanto Almeida Garrett quanto Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco foram de grande importância à estética romântica.

2. [ENC-SP]

Amor de perdição é uma obra tipicamente romântica porque nela Camilo Castelo Branco valoriza:
a) O sentimento nativista, presente na recusa de Simão e Teresa em fugirem de Portugal, apesar de perseguidos pela justiça.
b) A natureza, como fonte de vida e inspiração, em que Simão se refugia, no final da obra, quando não pode mais ter acesso a Teresa.
c) Os valores espirituais de Cristianismo, a que Simão se apega quando é condenado ao degredo.
d) O mundo das paixões, o excesso de sentimentos, evidentes no modo violento como Simão assassina Baltazar Coutinho.

Resposta: D

Camilo Castelo Branco faz parte da 2º geração do Romantismo português, portanto, é um ultrarromântico, tendo entre as principais características recorrentes em suas obras, inclusive em Amor de Perdição, a emoção exagerada.

3. [FUVEST]

a) Dentre as obras – Camões; Eurico, O Presbítero, Flores sem Frutos – qual é a iniciadora do movimento romântico em Portugal?
b) Qual o seu autor?

Resposta: a) Camões.
Resposta: b) Almeida Garrett.

Publicada em 1825, a obra Camões (um poema lírico-narrativo), de Almeida Garrett, é considerada o marco inicial do Romantismo em Portugal.

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