Thomas Hobbes e o papel do estado

Para Thomas Hobbes, o único papel concebido ao estado seria o de apenas manter a civilidade.

Thomas Hobbes foi um filósofo inglês que tinha como centro principal das suas críticas e pensamentos o papel do estado. Sua obra Leviatã (1651) é considerada por muitos como um antro do liberalismo moderno.

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Nascido na Inglaterra, Hobbes, já desde muito cedo, mostrava-se a frente de seu tempo. Foi educado em casa por um tio na infância. Aos quatorze anos já havia lido grandes clássicos e traduzido Medeia, dos Eurípedes, para traços latinos.

Aos quinze anos, Hobbes alcança a Universidade de Oxford. Lá que o filósofo começa a introduzir os pensamentos de Aristóteles às suas ponderações.

Não obstante, anos mais tarde, o ainda jovem inglês também começa a estudar Galileu, Kepler e Euclides. Mostrava-se, assim, um interessado no funcionamento do Universo; tudo que o circundava; não só ao pensamento e atitudes antropológicas.

thomas hobbes papel do estado
(Imagem: Reprodução)

Ao visitar pessoalmente Galileu, Hobbes viu um mentor. Com influência decisiva na formação dos ideais de Hobbes, Galileu ainda incentiva o jovem inglês a difundir seus pensamentos.

A partir dali, Thomas Hobbes começa a tentar consolidar sua visão quanto ao papel do estado. Para isso, uniu seus ideais filosóficos, preocupações com problemas de natureza político-sociais, ao seu interesse pela geometria. Ainda, embasava cada uma de suas linhas de pensamento com escritos de filósofos mecanicistas.

“Se o princípio de que a soma dos ângulos de um triângulo é igual a dois ângulos retos fosse contrário aos interesses dos proprietários, ter-se-ia tentado anulá-lo, queimando os livros de geometria” (Thomas Hobbes)

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Ideais políticos de Thomas Hobbes

Além de um filósofo, Thomas Hobbes também era um teórico político. Entre suas principais ponderações estavam as críticas ao papel do estado na época.

Ele ainda sugeriria uma nova forma de governar, em que o poder do estado se limitaria a uma função apenas. Diferente de um estado que ele chamaria de “inchado” e “esgotado”, Hobbes acreditava num poder estatal menos presente.

Foi esse conceito, ao lado de Rousseau e outros filósofos iluministas, que Hobbes vira um dos patronos do liberalismo. A teoria política defendia a liberdade a todos os homens por meio do Contrato Social. Esta que Jean Jacques-Rousseau destacou em outrora.

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O papel do estado para Hobbes

Segundo Hobbes, o único papel que seria atribuído ao estado seria o de manter a paz entre os cidadãos. Ou seja, a civilidade e a convivência social pacífica seria a única ação a ser exercida pelo poder.

Um homem pode entrar em conflito com outro por inúmeros motivos, como o desejo por algo que acredita ser necessário. Caso não haja intervenção do estado. e regulamentação de um poder maior (autoridade), os conflitos podem se tornar iminentes.

Assim, caso não exista essa regulamentação, a convivência humana se adaptará à lei do mais forte. Haverá sempre algum indivíduo que coloque a segurança dos outros em risco, caso não exista a sensação de punição.

O estado surge, portanto, como o agente da paz para com a sociedade. As capacidades de autodefesa são renegadas e delegadas ao estado.

Ou seja, as pessoas não deveriam resolver conflitos entre si. Deveria haver confiança no estado para regular, determinar e, se for o caso, punir os indivíduos que fugirem da conduta.

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Para Thomas Hobbes, portanto, o estado seria soberano. Após sua constituição, o controle do estado fugiria das responsabilidades econômicas, e seria inteiramente destinada à “civilização dos civis”.

Para o filósofo, sem estado não há sociedade, não há paz, não há cidadania. Há anarquia.

Referências

AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. Editora Ática, São Paulo-SP, 1ª edição. 2007, 592 p.

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Como referenciar este conteúdo

Bunde, Mateus. Thomas Hobbes e o papel do estado. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/thomas-hobbes-e-o-papel-do-estado. Acesso em: 12 de August de 2022.

Teste seu conhecimento

01. [ENEM] A importância do argumento de Hobbes está em parte no fato de que ele se ampara em suposições bastante plausíveis sobre as condições normais da vida humana. Para exemplificar: o argumento não supõe que todos sejam de fato movidos por orgulho e vaidade para buscar o domínio sobre os outros; essa seria uma suposição discutível que possibilitaria a conclusão pretendida por Hobbes, mas de modo fácil demais. O que torna o argumento assustador e lhe atribui importância e força dramática é que ele acredita que pessoas normais, até mesmo as mais agradáveis, podem ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de situação, que resvalará, então, em um estado de guerra.

RAWLS, J. Conferências sobre a história da filosofia política. São Paulo: WMF, 2012 (adaptado).

O texto apresenta uma concepção de filosofia política conhecida como

a) alienação ideológica.

b) microfísica do poder.

c) estado de natureza.

d) contrato social.

e) vontade geral.

 

02. [ENEM] A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar.

HOBBES, T. Leviatã. São Paulo Martins Fontes, 2003

Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles

a) entravam em conflito.

b) recorriam aos clérigos.

c) consultavam os anciãos.

d) apelavam aos governantes.

e) exerciam a solidariedade.

01. [C]

02. [A]

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