Revolução Inglesa

A Revolução Inglesa foi uma revolta do povo, liderada pelo Parlamento, em conflito com a monarquia absolutista de Carlos I.

A Revolução Inglesa foi um conflito entre os partidários inclusos do Parlamento britânico e os defensores da Casa Real dos Stuart. Denominada como Guerra Civil Inglesa ou ainda Revolução Puritana, este confronto teve início em 22 de agosto de 1642. Estendendo-se até 3 de setembro de 1651, o embate foi um marco na história inglesa.

No cenário pré-revolução, a Inglaterra enriquecia exponencialmente às custas da exclusão de parte da população. Gerando uma grande desigualdade social, tem-se preparado o contexto para o estouro dos revolucionários ingleses. Além dos severos problemas econômicos, adversidades de cunho religioso também afetavam o social inglês. Os embates entre protestantes e católicos dividiam a sociedade, fervendo, assim, um universo de provável guerra civil.

(Imagem: Reprodução)

Relações estremecidas e início de conflito

Carlos I (1600-1649), após a morte de rainha Elizabeth I (1533-1602), assume como o segundo monarca da dinastia da Casa Tudor. Os conflitos frios com o Parlamento já eram recorrentes desde a ascensão de Jaime I (1566-1625).

Um exemplo de divergência estava quanto ao imposto sobre a população. O Rei Carlos estava em favor à política absolutista vigente na França de cobrança de impostos. Em 1614, assim, sustentado por sua ideologia, ele aumenta os impostos mesmo sob protestos do Parlamento. Este, então, fora fechado a partir de ordens do rei e assim recolhido por sete anos.

Uma relação outrora amistosa entre a dinastia e a burguesia aristocrata começava a estremecer. O então sucessor Carlos I casa com a francesa Henriqueta (1609-1669), princesa do país. A união não fora popular entre os anglicanos, mas menos entre a corrente do calvinismo, que crescia à época.

Carlos, o novo rei, acreditava no absolutismo, era autoritário e suas atitudes constantemente provocavam atritos com o Parlamento inglês. Depois de praticamente obrigar a aprovação do aumento de impostos pelo mesmo Parlamento ao qual era divergente, o monarca deixaria de convocá-lo por onze anos. No mesmo período, passou a perseguir dissidentes religiosos não alinhados à política absolutista. Os puritanos, sobretudo, foram o alvo principal do soberano.

O estopim da Revolução Inglesa

A matriz para a guerra partiu de uma tentativa de Carlos I em substituir o presbiterianismo escocês pelo culto anglicano. A revolta escocesa não tardou e foi necessário que o monarca solicitasse ao Parlamento a convocação do exército.

Os questionamentos ao absolutismo do Rei fizeram com que Carlos I dissolvesse o Parlamento em 1637. Três anos mais tarde, o monarca tentou mais uma vez solicitar auxílio parlamentar, que resistiu às pressões do Rei. O resultado, no entanto, motivou o dissolvição do mesmo.

Diferentemente de três anos antes, em 1640 o Parlamento decidiu resistir, ocupando o prédio e recusando-se a deixar o recinto. Houve, então, a ordem do rei para que soldados invadissem a Câmara. Uma grande revolta tomaria a cidade de Londres, e Carlos I fugiria. Apesar do apoio da burguesia, o rei se exilaria, mas essa organizaria o chamado Exército dos Cavaleiros. Já o Parlamento, em conflito, formou um exército composto por populares.

O líder dos cidadãos era Oliver Cromwell (1599-1658), um antigo membro da nobreza e puritano. Sob a liderança de Cromwell, a revolta torna-se não apenas política, como também dotada de rancor religioso. Os anos de perseguição seriam cobrados na revolução que emergia.

A Irlanda, então, resolve atacar em 1641. O Parlamento, assim, toma a vantagem na guerra, o que agrava a situação do rei. A vitória veio quatro anos depois, na batalha de Naseby, quando o rei se refugia na Escócia. Contudo, é devolvido à Inglaterra logo em seguida, tendo sua sentença declarada pelo Parlamento. Deliberado seu destino, o monarca acaba sendo condenado à morte.

Estabelecimento de uma República

Com o término da Revolução Inglesa, uma República é estabelecida na Inglaterra. A liderança do puritano Cromwell tem início, perdurando até sua morte. Após também óbito do segundo Cromwell no reinado – no caso, Richard (1628-1712) – um hiato político se criou.

A solução? O filho do antigo monarca assassinado, Carlos II, retorna do exílio. Ele reivindica o trono e tem um reinado tão conturbado como o de seu pai. Sem filhos após a morte, o irmão católico Jaime assume. O reinado do irmão de Carlos II é tumultuado e apenas em 1688 a Revolução Gloriosa, enfim, consolida o poder do Parlamento.

Referências

AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. Editora Ática, São Paulo-SP, 1ª edição. 2007, 592 p.

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Como referenciar este conteúdo

Bunde, Mateus. Revolução Inglesa. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/revolucao-inglesa. Acesso em: 29 de July de 2021.

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01. [MACK] O período em que Oliver Cromwell dirigiu a Inglaterra, decretando, entre outros, o Ato de Navegação que consolidou a marinha inglesa em detrimento da holandesa, ficou conhecido como:

a) Monarquia Absolutista

b) Monarquia Constitucional

c) Restauração Stuart

d) República Puritana

e) Revolução Gloriosa

 

02. [UERJ 2009] “O rei é vencido e preso. O Parlamento tenta negociar com ele, dispondo-se a sacrificar o Exército. A intransigência de Carlos, a radicalização do Exército, a inépcia do Parlamento somam-se para impedir essa saída “moderada”; o rei foge do cativeiro, afinal, e uma nova guerra civil termina com a sua prisão pela segunda vez. O resultado será uma solução, por assim dizer, moderadamente radical (1649): os presbiterianos são excluídos do Parlamento, a câmara dos lordes é extinta, o rei decapitado por traição ao seu povo após um julgamento solene sem precedentes, proclamada a república; mas essas bandeiras radicais são tomadas por generais independentes, Cromwell à testa, que as esvaziam de seu conteúdo social.” (RENATO JANINE RIBEIRO. In: HILL, Christopher. “O mundo de ponta-cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640”. São Paulo: companhia das letras, 1987).

O texto faz menção a um dos acontecimentos mais importantes da Europa no século XVII: a Revolução Puritana (1642-1649). A partir daquele acontecimento, a Inglaterra viveu uma breve experiência republicana, sob a liderança de Oliver Cromwell. Dentre suas realizações mais importantes, destaca-se a decretação do primeiro Ato de Navegação. A determinação do Ato de Navegação consistia em:

a) não permitir que nenhuma matéria-prima de origem asiática entrasse na Inglaterra.

b) não permitir que nenhuma embarcação estrangeira atracasse no litoral inglês;

c) permitir que os portos ingleses fossem usados livremente por outras nações;

d) permitir que os holandeses usufruíssem da frota marítima inglesa.

e) não permitir que as frotas marítimas inglesas trafegassem fora dos mares do norte.

01. [D]

02. [B]

A proibição quanto a navegações estrangeiras de atracar nos portos ingleses foi sob um caráter de flexibilidade. Uma vez que estes só poederiam atracar caso estivesse sob posse de matéria-prima originada da Inglaterra. Com essa medida, a economia da Inglaterra cresceu exponencialmente

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