Maquiavel

Nicolau Maquiavel foi um importante filósofo italiano, que dedicou seu trabalho a entender a política, o homem e o próprio estado.

Maquiavel, nascido sob nome de Niccolò di Bernardo dei Machiavelli, foi um filósofo francês de grande renome. No Brasil, é marcado por sua denominação aportuguesada de Nicolau Maquiavel.

Sua produção compreende uma extensa bibliografia que abrange, sobretudo, o estudo sobre política, antropologia e o estado. Entre os séculos XV e XVI dedicou-se a produzir e escrever suas ponderações na região de Florença, na Itália.

Maquiavel, diferentemente dos autores da época, tinha um viés diferente. Ele não tecia críticas ou formulava teorias de como o sistema deveria ser. Para ele, as suas estratégias de escrita e filosofia centravam uma orientação de como perpetuar o poder.

Assim, o filósofo apresentava estratégias, meios e métodos de como os homens que detinham o poder do estado deveriam se comportar, a fim de tirar maior proveito do poder que tinham.

maquiavel
(Imagem: Reprodução)

Maquiavel e as críticas à sua obra

Devido à sua linha de pensamento e produção, Maquiavel não era bem visto pela comunidade filosófica da época. No entanto, atualmente, o filósofo é visto como um dos poucos filósofos a propor uma visão moderna do momento.

Entendendo as formas por onde os aristocratas perpetuavam o poder, Maquiavel passou a ser louvado, sobretudo por sua forma de entender o comportamento humano diante do poder.

Seu trabalho, inclusive, inspirou filósofos modernos, como o francês Michael Foucault.

O pensamento “maquiavélico”

Por meio de seu pensamento muito mais racional, Maquiavel, enfim, separa a filosofia da imaginação/suposição. A partir de seus estudos, ponderou-se uma nova forma de questionar, provocar e instigar.

Ele define que as experiências vividas, sustentadas por fatos históricos, seriam a melhor forma de desenvolver um pensamento filosófico consciente.

Por meio dessa aproximação da realidade à filosofia, e, por consequência, à política, Maquiavel sacramenta, enfim, a separação da política e da teologia.

Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis. (Maquiavel)

Dessa maneira, ele contribui para entender e explicitar o comportamento dos homens do poder antes mesmo de eles deliberarem tais ações. Ou seja, antecipar o que se faz para perpetuar o poder.

Por causa dessas críticas, ele defende em seus escritos as melhores formas de constituir um estado-nação consolidado. Além disso, a compreender os elementos que cernem o passado para evitá-los no futuro.

Curiosidade: o termo maquiavélico

Nos séculos que se passaram após a morte do filósofo, inúmeras dificuldades em estabelecer o posicionamento moral de Maquiavel foram percebidas. A sua posição realista – e de certa forma pessimista – acerca da natureza humana e sua relação com a manutenção do estado era o ponto-chave para estudo.

O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta. (Maquiavel)

Por meio disso, suas supostas defesas à morte de civis e desonestidade para perpetuar poder eram, na maior parte do tempo, criticadas. Em seu Magnum Opus, O Príncipe, por exemplo, Maquiavel descreve como útil aos governantes a morte de quem pensaria o contrário do que estava vigente; rebeldes não teriam vez.

Em O Príncipe, por sinal, Maquiavel foi muito criticado por estudiosos do campo político e teóricos da ética e da moral. Em virtude disso, a criação do adjetivo “maquiavélico” se tornou popular, para definir as atitudes consideradas repudiáveis por aqueles.

Referências

AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. Editora Ática, São Paulo-SP, 1ª edição. 2007, 592 p.

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

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01. [ENEM] 

 Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se.

MAQUIAVEL, N. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.
A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e políticas, Maquiavel define o homem como um ser:
a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros.
b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política.
c) guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes.
d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais.
e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares.
02. [ENEM]

 Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao
a) valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo
b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
c) afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
d) romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
e) redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.

01. [C]

02. [C]

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