Rousseau e o Contrato Social

Rousseau é um dos precursores do liberalismo, por meio disso ele criaria o conceito do contrato social.

Jean Jacques-Rousseau, ou simplesmente Rousseau, foi um dos grandes pensadores iluministas da Revolução Francesa, cunhando o conceito do Contrato Social. Filósofo, escritor, pensador, teórico político e um liberal – inclusive sendo o precursor do conceito do liberalismo.

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É considerado um dos mais populares filósofos a participarem do movimento intelectual iluminista que se espalhou pela Europa. O fim da Idade das Trevas e o renascimento social por meio do Iluminismo seria o foco para, enfim, atingir a liberdade aos homens.

O pensamento de Rousseau teve forte influência ao longo da Revolução Francesa, quando suas ideias eram propagadas constantemente. Considerava-se um anti-racionalista, tinha crença na natureza boa do homem e a corrupção seria oriunda do grupo (sociedade).

rousseau o contrato social
(Imagem: Reprodução)

Criticava, assim, a população dita civilizada, num conjunto, nunca na unidade do ser. Acusava-a de hipócrita, dissimulada e influenciável.

A partir de tudo isso que cercava Rousseau, ele desenvolveu a teoria que o representaria até seus últimos minutos em vida. Sua obra “O Contrato Social” desenvolvia um raciocínio que buscava estipular dois pontos:

  • A liberdade das pessoas em exercer suas preferências;
  • O povo é o dono de si e a soberania reside na população;

Esta teoria, sobretudo, rendeu a Rousseau o título de patrono do liberalismo moderno. Seria ele que influenciaria precursores críticos do estado como centralizador do poder, tendo a população como regência das decisões principais a serem tomadas.

O Contrato Social, segundo Rousseau

O Contrato Social pressupunha um número de teorias que estipularia o caminho para uma sociedade atingir a ordem. Dessa forma, as liberdades de cada um deveriam ser respeitadas, bem como as decisões deveriam ser em prol da maioria de decisão.

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Deste fato posto, a importância de um contrato social seria indispensável. Isso porque os homens, segundo Rousseau, teriam perdido toda a sua liberdade natural oriunda do estado e da sociedade.

O homem nasce bom, a sociedade é quem o corrompe. (Rousseau)

Tal contrato, portanto, pré-estabeleceria uma liberdade civil ao homem, sendo um contrato uma forma de atingir tal. Afinal, a liberdade natural, que fora corrompida, não seria mais alcançada.

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Para isso, Rousseau estabeleceu que os preceitos seriam uma sociedade ativa e passiva ao mesmo tempo, propondo que:

  • A população seria agente no processo, elaborando leis e estipulando regras;
  • A população seria paciente no processo, respeitando leis e seguindo regras;

Assim, as mesmas regras seriam criadas e obedecidas por aqueles que decidem. A sociedade atingiria a “iluminação” e a consequente prosperidade ao compreender, que ao escrever e obedecer às suas leis, alcançaria a liberdade civil.

Por meio disso, a soberania estaria alinhada ao povo. O Rei, um absoluto no poder, estaria apenas a serviço do povo. Rousseau, assim, sempre se colocava em posição contrária ao poder como centralizador e controlador.

A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. (Rousseau)

Como um precursor liberal, Rousseau até exaltava o papel do estado no estabelecimento do contrato social. Contudo, sempre ressaltava os riscos do poder dado às mãos de alguém ou de um grupo específico.

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O filósofo iluminista, assim, avaliava que se uma pessoa poderia ser corrompida pela sociedade, o estado, com o poder também poderia fazê-lo. Dessa maneira, a vontade coletiva estaria subjugada à vontade de uma pequena parcela controladora.

Referências

AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. Editora Ática, São Paulo-SP, 1ª edição. 2007, 592 p.

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Como referenciar este conteúdo

Bunde, Mateus. Rousseau e o Contrato Social. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/rousseau-e-o-contrato-social. Acesso em: 12 de August de 2022.

Teste seu conhecimento

01. [UFU] A relação homem-natureza consome a maior parte das obras de Rousseau, que seguiu uma direção peculiar assentada na crítica ao progresso das ciências e das artes.

A este respeito, pode-se afirmar que

I – prevalece, nos escritos de Rousseau, a moral fundada na liberdade, a primazia do sentimento sobre a razão e, principalmente, a teoria da bondade natural do homem.

II – o bom selvagem ou o homem natural é dotado de livre arbítrio e sentido de perfeição, sentimentos esses corrompidos com o surgimento da propriedade privada.

III – o bom selvagem, descrito por Rousseau, possui uma sabedoria mais refinada que o conhecimento científico, o que confirma a completa ignorância da cultura letrada.

IV – Rousseau não defende o retorno do homem à animalidade, ao contrário, é preciso conservar a pureza da consciência natural, isto é, alcançar a verdadeira liberdade.

Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas.

A) I, III e IV

B) II, III e IV

C) I, II e IV

D) I, II e III

 

02. [UEL] “Poder-se-ia […] acrescentar à aquisição do estado civil a liberdade moral, única a tornar o homem verdadeiramente senhor de si mesmo, porque o impulso do puro apetite é escravidão, e a obediência à lei que se estatui a si mesma é liberdade”. (ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato

social. Trad. de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 37.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a liberdade em Rousseau, é correto afirmar:

a) As leis condizentes com a liberdade moral dos homens devem atender aos seus apetites.

b) A liberdade adquire sentido para os homens na medida em que eles podem desobedecer às leis.

c) O homem livre obedece a princípios, independentemente de eles também valerem para a sociedade.

d) O homem afirma sua liberdade quando obedece a uma lei que prescreve para si mesmo.

e) É no estado de natureza que o homem pode atingir sua verdadeira liberdade.

01. [C]

02. [D]

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