Grécia Antiga

A Grécia Antiga compreende várias cidades próximas ao Mar Mediterrâneo que possuíam administração própria e independentes, porém compartilhavam dos mesmos costumes e cultura, incluindo a religião politeísta.

Foi na Ilha de Creta por volta do ano 3000 a.C., que surgiu a primeira civilização na região da Grécia. A civilização cretense esteve estreitamente ligada à vida marítima, além de ser um ponto de encontro entre os povos da Grécia Continental e aqueles que ocupavam a Região do Mesopotâmia e do Egito.

Toda essa diversidade de contatos favoreceu o desenvolvimento de uma cultura muito rica que valorizava a beleza e as expressões artísticas.

A civilização cretense também é chamada de civilização minoica, pelo fato de os reis serem chamados de minos. Politicamente caracterizavam-se como uma monarquia que, aliada à classe dos comerciantes, exercia poder sobre todo o Mar Egeu.

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A partir do ano 2000 a.C., a Grécia começou a ser ocupada pelos aqueus, jônios, eólios e dórios, povos indo-europeus que conservaram seus traços culturais próprios em virtude de terem formado cidades independentes entre si, cada uma delas organizada de acordo com as tradições do grupo colonizador.

A formação social primitiva desses grupos eram os genos, pequenos grupos dirigidos pelo patriarca (homem mais velho); viviam da agricultura e do pastoreio, a terra era a propriedade coletiva e havia divisão dos alimentos entre os membros da comunidade.

A criação da pólis

A hipótese mais provável para explicar a evolução dos genos para as cidades-Estado gregas, chamadas de pólis, é que tenha ocorrido uma união entre famílias proprietárias, em busca de autoproteção.

Essa unidade fortaleceu os grupos proprietários, e aqueles que ficaram sem terra passaram a trabalhar aqueles que a possuíam.
A pólis era composta por:

  • uma região urbana, onde ficava a ágora: praça central que servia para reuniões públicas;
  • o templo e o mercado, onde eram realizadas as trocas
  • área rural: formada pelo campos vizinhos à cidade, cultivados por camponeses livres e por escravos.

O poder era exercido pelos donos das terras. Cada cidade-Estado grega era um centro politico, social e religioso autônomo, com uma classe dominante, deuses e um sistema de vida próprios.

A desagregação do sistema fundamentado na solidariedade dos genos e o surgimento das cidades-Estado ocasionaram uma crise social, com reflexo no campo e nas cidades, e que ameaçava o poder das oligarquias dominantes.

Nas cidades, o principal problema foi o crescimento do número de pessoas que não eram proprietárias de terras, mas que haviam enriquecido com as atividades comerciais e que reclamavam participação política, ameaçando o poder das oligarquias.

No campo, o endividamento dos pequenos proprietários rurais provocava a escravização dos devedores (escravos por dívida) e a incorporação dos pequenos lotes às grandes propriedades concentrando ainda mais terras nas mãos dos grandes proprietários.

Os camponeses que perdiam suas terras entravam em luta pela divisão das terras existentes, colocando em risco as propriedades da aristocracia.

O movimento reformador de Drácon e Sólon

A fim de restaurar a paz e garantir a manutenção do poder oligárquico, surgiu em Atenas um movimento reformador, através do qual os legisladores procuravam dar ao antigo Código Civil, criado pela aristocracia, um caráter mais amplo, que cuidasse das novas questões sociais. Dois legisladores destacaram-se nessa tarefa: Drácon e Sólon.

Drácon: trabalhou no sentido de registrar as antigas leis conhecidas apenas pela tradição oral. O código escrito por Drácon reafirmava os privilégios sociais e políticos da elite fundiária.

Sólon: propôs, no início do século VI a.C., a abolição da escravidão por dívidas, a fim de solucionar o problema na área rural; para o conflito urbano, defendeu a ampliação dos privilégios das oligarquias fundiárias para todas as classes ricas. Seu trabalho teve efeito contrário, ou seja, agravou os conflitos, uma vez que nenhum grupo social fiou satisfeito com a reforma na legislação.

A intensificação da crise abriu espaço para o surgimento da tirania. Os tiranos eram governantes autoritários que tomavam o poder em nome do restabelecimento da ordem pública.

A tirania foi o tipo de governo predominante em Atenas durante grande parte do século VI a. C. Os abusos cometidos pelos tiranos provocaram em 510 a. C., uma revolta liderada por Clístenes que acabou com a tirania e fundou a democracia na pólis ateniense.

Esparta: a pólis militar

Na Grécia Antiga, cada pólis se organizava de acordo com os interesses de sua classe dominante. Em Esparta sobressaiu o caráter militar do dórios que colonizaram a Lacônia, região da Grécia onde se localizava a cidade-Estado espartana.

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A sociedade espartana era divida em três classes:

  • Espartanos: também chamados de espartíatas, eram a elite fundiária, descendente dos conquistadores dórios. Detinham o privilégio sobre os direitos políticos e civis. A principal atividade dos espartanos era a carreira militar.
  • Periecos: Eram pessoas livres, descendentes dos antigos habitantes da Lacônia que foram conquistados pelos dórios. Não tinham direitos políticos; dedicavam-se ao comércio e a produção de pequenas manufaturas e formavam os escalões inferiores do exército.
  • Hilotas: Eram a base da sociedade espartana e viviam em condições servis. Trabalhavam e moravam nas propriedades dos espartanos; eram obrigados a pagar uma taxa anual referente à produção agrícola e não podiam abandonar a terra.

A vida familiar, como tudo em Esparta, era organizada em função das atividades militares. Os valores cultuados pelos espartanos eram todos próprios dos homens naquela sociedade: a guerra, a força física, o heroísmo na ação militar. A principal função das mulheres era procriar filhos saudáveis para garantir futuros oficiais do exército.

Em Esparta, adultos e crianças pertenciam ao Estado. De acordo com a sua filosofia militarista, a obediência, a disciplina e a hierarquia, além da valentia física, eram qualidades muito apreciadas. Por isso, a educação das crianças que pertenciam à classe dominante objetivava esses valores, deixando de lado questões éticas e morais.

Atenas: A pólis política

A sociedade ateniense era divida em três classes:

  • Cidadãos (ou eupátridas). Eram aqueles nascidos de pai e mãe atenienses e tinham a cidadania como direito de nascimento. As mulheres atenienses tinham a tarefa de cuidar das crianças pequenas e dos idosos. Sua condição era de submissão aos homens.
  • Metecos: Eram os estrangeiros e seus descendentes. Não tinham direitos civis nem políticos e tinham que pagar impostos por sua permanência em Atenas.
  • Escravos: Eram a base de sustentação de Atenas. Faziam trabalhos domésticos, artesanais, agrícolas, pastoris, e de mineração. Uma pessoa tornava-se escrava por dívidas, por nascimento ou por ser prisioneira de guerra.
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A democracia ateniense

Após quase um século de tirania, as reformas de Clístenes implantaram a democracia de Atenas. A cidade foi dividida em dez tribos e em uma centena de demos (os distritos que compunham a cidade a cidade de Atenas).

O novo sistema político ampliou o grupo dos cidadãos, no qual foram incluídos os atenienses que haviam enriquecido, mas que não tinham direitos políticos porque não pertenciam às antigas famílias aristocráticas. Mas esse direito não se estendeu a toda a população ateniense, mantendo a exclusão dos estrangeiros, mulheres e escravos.

No caso da democracia ateniense, para ter direito à cidadania era preciso ser homem, ter atingido a maioridade, ser ateniense e filho de ateniense. No século V a. C., esse grupo representava aproximadamente 10% da população de Atenas.

A guerra do Peloponeso

As cidades gregas se organizaram a partir de princípios de autonomia que faziam de cada uma delas um Estado independente. No início do século V a. C., os ideias de autonomia tiveram de ser rompidos por causa da ameaça persa. Sob o comando de Atenas, algumas cidades se uniram para combater os exércitos persas que pretendiam anexar a Grécia ao seu império.

O período de lutas entre gregos e persas, conhecido como Guerras Médicas, ou Guerras Persas, constitui-se de uma série de batalhas durante os anos de 492 a 479 a.C. Os gregos saíram vitoriosos, e Atenas, que se destacou na luta pela expulsão dos persas, tornou-se a principal potência entre as cidades-Estado, rompendo o equilíbrio de forças que havia entre elas.

Teve início então um processo de aglutinação das cidades-Estado e a formação de dois grupos rivais:

  • A Confederação Marítima (ou Liga de Delos): Reunia as ilhas do Mar Egeu e as cidades jônicas, sob a liderança de Atenas, Defendia a democracia dos eupátridas e se caracterizava como um império marítimo.
  • Liga do Peloponeso: Formada pelas cidades de Corinto, Tebas, e Mégara, sob a liderança de Esparta. Defendia o Estado controlado pela aristocracia militar e queria formar um império continental.

Em 461 a. C. teve início o confronto militar entre as duas confederações de cidades-Estado. Intercalando períodos de guerra e de trégua, caracterizados pelo equilíbrio de forças entre os dois lados em combate, essa fase durou até 445 a.C., quando foi assinada uma trégua que deveria durar trinta anos.

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Em 431 a. C., rompendo o acordo, as duas confederações voltaram a se enfrentar, dando início à Guerra do Peloponeso que, após muitas mortes e destruição material, terminou em 404 a. C., com a derrota de Atenas e seus aliados.

Apesar de sua vitória na Guerra do Peloponeso, Esparta não conseguiu a hegemonia nas demais cidades (dominá-las). A cidade de Tebas, sua antiga aliada, rebelou-se, e os tebanos expulsaram os espartanos do seu território. Em 377 a. C., Esparta, Atenas e Tebas começaram a lutar entre si, acabando por eliminar as poucas forças que haviam sobrado das antigas cidades-Estado, poderosas e independentes.

Em 335 a.C., quando os exércitos da Macedônia invadiram Tebas, as cidades gregas não conseguiram resistir, pois, encontravam-se seriamente debilitadas por causa da luta interna; dessa forma, caíram sob o domínio dos macedônios.

Alexandre Magno e o Helenismo

O enfraquecimento das cidades gregas coincidiu com a expansão do reino da Macedônia, que se localizava ao Norte da Grécia. A conquistada Grécia pelos macedônios começou com o Rei Filipe, que, em 338 a. C., começou a investida militar contra os gregos.

Com a morte de Filipe, o trono da Macedônia passou a ser ocupado por seu filho, Alexandre, que deu continuidade à ação militar-imperialista e conquistou todo o Império Persa.

O novo monarca, depois conhecido como Alexandre Magno, ou Alexandre, o Grande, destruiu Tebas e sufocou as tentativas de reação dos espartanos e atenienses.

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Alexandre conseguiu conquistar um vasto império, que não sobreviveu à sua morte, em 323 a. C. As áreas conquistadas foram dividas entre três generais que não conseguiram manter seu império.

A maior importância histórica das conquistas de Alexandre diz respeito à difusão da cultura grega e à sua fusão com os valores do Oriente, que resultou em uma nova expressão cultural denominada helenismo.

A cultura helenística se originou da expansão da cultura grega para as regiões onde viviam os povos considerados bárbaros, o helenismo foi possível graças à expansão imperialista de Alexandre Magno.

Aspectos culturais da Grécia Antiga

A civilização grega viveu um alto grau de criação artística e intelectual. De tudo o que foi produzido, conhecemos apenas o que resistiu ao tempo. De qualquer forma, o que foi recuperado permite-nos perceber o brilhantismo dessa civilização.

A religião na Grécia

Na Grécia havia duas formas de expressão religiosa. As elites cultuavam um panteão de deuses como Zeus, Afrodite e Atena. As histórias desses deuses são conhecidas através da mitologia que é um conjunto de crenças que explicam a criação do mundo e da humanidade.

As populações pobres cultuavam crenças ligadas ao misticismo e às forças da natureza. A devoção popular envolvia práticas rituais que tinham o objetivo de conseguir auxílio imediato para as dificuldades do cotidiano.

Literatura

As duas maiores obras literárias que conhecemos são a Ilíada, que conta um episódio da Guerra de Tróia, e a Odisséia, que narra as aventuras de Ulisses, que retorna à Grécia após a Guerra de Tróia. Ambas são atribuídas a um poeta lendário de nome Homero.

Teatro

O teatro, que a princípio tinha significado religioso, com o passar do tempo adquiriu o caráter de crítica sócia e política. Os autores teatrais e suas principais obras foram:

  • Ésquilo: As Suplicantes e Prometeu Acorrentado
  • Sófocles: Antígona, Electra e Édipo Rei
  • Eurípedes: Medéia, Orestes e Hipólito Coroado
  • Aristófanes: Lisístratas, As Rãs, As Nuvens e As Vespas

Filosofia

Os textos dos filósofos gregos da Antiguidade são, até hoje, objeto de estudo e fundamentam o pensamento ocidental. Os problemas diante dos quais os filósofos gregos se colocavam, como a origem e a razão da vida, as relações entre o público e o privado, a natureza do homem e a justiça social, são assuntos ainda atuais. Os mais importantes filósofos gregos foram:

    • Sócrates: Sua principal preocupação era o comportamento moral dos cidadãos. Por causa das críticas que fazia ao comportamento de alguns cidadãos atenienses, Sócrates foi condenado à morte.
    • Platão: Discípulo de Sócrates, dedicou sua vida ao ensino da filosofia. Platão entendia que o mundo sensível (realidade), é apenas um conjunto de aparências falsas, de sombras. O mundo real seria o das ideias, o qual o homem atinge pelo conhecimento.
    • Aristóteles: Acreditava na pesquisava e na experimentação científicas para se chegar ao conhecimento e à verdade.

História

Na Grécia, a narrativa histórica tinha uma função muito importante. Os gregos entendiam que no mundo tudo é eterno, menos os homens. A terra, os mares, as rochas estavam sempre nos mesmos lugares; as plantas morriam para depois renascer, assim como os outros animais.

Apenas as pessoas desapareciam. A narrativa histórica tinha então a função de garantir a imortalidade aos homens. Através do registro de suas ações, que seriam contadas às gerações posteriores, o ser humano permaneceria vivo após a sua morte. Os dois mais importantes historiadores da Grécia Antiga foram Heródoto e Tucídides.

Escultura

A escultura grega valorizava a beleza e a harmonia dos corpos humanos saudáveis e bem cuidados. A função da escultura também era principalmente a ornamentação do ambiente. Também era comum a colocação de imagens esculpidas em lugares próximos aos templos com o objetivo de agradar aos deuses.

O maior escultor grego que conhecemos foi Fídias, que esculpiu as imagens de Atena e de Zeus. Suas obras exprimem uma grande harmonia, sustentada na simplicidade e altivez com que retratava as figuras.

Referências

A Cidade Antiga – Fustel de Coulanges

História, uma abordagem integrada – Nicolina Luiza de Petta. Eduardo Aparicio Baez Ojeda

História, Volume único – Divalte Garcia Ferreira

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01.[IFG]: A Grécia Antiga não conheceu um Estado centralizado. Organizou-se por meio de cidades-estados, denominadas de pólis. A esse respeito, assinale a alternativa incorreta:

a) A pólis era uma construção social e política autodeterminada; todavia, a disputa pela hegemonia na antiga Grécia a movia.

b) Na pólis, não havia espaço para cultos, deuses e santuários, nem mesmo para consulta aos oráculos anteriormente à tomada de decisões.

c) A pólis expressava uma cultura e uma identidade próprias, marcadamente urbanas, denominadas de ethos.

d) Nas pólis, a norma jurídica (lei), promulgada nos regimes democráticos ou outorgada nos regimes aristocráticos, era reconhecida como ato orientado pela razão e, portanto, humano.

e) A experiencialização social e cultural que o grego antigo viveu nas pólis permitiu a capacidade de explicar os problemas da comunidade no âmbito dela própria, fundamentalmente apartada dos deuses.

 

02.[PUC-PR]: A Civilização Grega apresentou unidade cultural e fragmentação política. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta:

a) Quando as tribos arianas ou indo-europeias dos aqueus, eólicos, jônios e dóricos penetraram na Grécia, encontraram a região desabitada, o que facilitou-lhes a fixação.

b) A conquista da Grécia por Felipe II da Macedônia foi anterior ao domínio romano na região.

c) Atenas e Esparta, as principais pólis gregas, foram igualmente fundadas pelos descendentes dos eólicos, o que explica serem suas economias iguais, baseadas na pesca, artesanato e intenso comércio, inclusive marítimo.

d) Tanto Atenas quanto Esparta implantaram governos tipicamente democráticos nos séculos V e IV a.C., tendo a primeira, contudo, mantido a forma monárquica de governo.

e) A agressividade das pólis, ou cidades-estados de Tebas e Corinto, provocou a primeira onda colonizadora grega, que povoou, inclusive, as ilhas do mar Egeu.

01.[IFG]:

Resposta: B

A alternativa B está incorreta porque era fundamental, na pólis grega, os espaços para os cultos aos deuses, consultas a oráculos, bem como para espetáculos como o teatro, entre outras atividades. A religião tinha um papel vital na estrutura das cidades-estados.

 

02.[PUC-PR]:

Resposta:B

O domínio da Macedônia, primeiro com Felipe II e depois com Alexandre Magno, sobre as demais cidades-estados gregas começou na década de 330 a.C. A dominação romana só ocorreu quase dois séculos após isso.

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