Grécia Antiga

Reconhecida como a base da cultura ocidental, a civilização da Grécia Antiga influenciou áreas como a linguagem, política, filosofia e arte da Europa ocidental.

A origem da Grécia Antiga remonta ao período Pré-Homérico (séculos XX – XII a.C.), quando, a partir de inúmeras migrações, populações arianas passaram a ocupar a região denominada, atualmente, como península Balcânica. Longe de ser unificada, a civilização grega era formada por cidades-Estados que possuíam língua, costumes e leis em comum.

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O que foi a Grécia Antiga?

Mapa dos territórios e colônias da Grécia durante a época Arcaica

A civilização grega originou-se ao sul da península Balcânia, nas ilhas dos mares Jônico, Egeu e Mediterrâneo, bem como na costa ocidental da Ásia Menor. A partir de migrações que ocorreram nessas regiões desde 2000 a.C., os gregos são oriundos do contato e da miscigenação de diversos povos.

A civilização cretense é a mais antiga de todas. Desde 3000 a.C., os cretenses habitavam a ilha de Creta, destacando-se por seus artesanatos e atividades comerciais marítimas. Apesar de estarem protegidos pelo mar, por volta de 1400 a.C., esse povo sofreu com a invasão dos aqueus que, vindos do norte, ocuparam o litoral do mar Egeu.

Após se estabelecerem na região, os aqueus incorporaram a cultura cretense. A partir de então, formou-se a civilização conhecida como creto-micênica. Responsável por originar duas cidades importantes no Peloponeso, Micenas e Tirinto, a civilização creto-micênica expandiu-se pela península graças ao comércio de azeite de oliva e vinho.

Creta foi novamente ocupada, no início do século XII a.C., por novas migrações arianas advindas da Europa centro-oriental. Primeiro, chegaram os jônios e eólios e, depois, os dórios, um povo conhecido por sua grande habilidade guerreira, que incluía armas de ferro.

Grande parte dos conquistados, especialmente após a destruição de Micenas e Tirinto pelos dórios, buscou refúgio no mar. A organização de novas colônias na Ásia Ocidental e nas ilhas do mar Egeu ficou conhecido como a primeira diáspora grega.

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Características da Grécia Antiga

A formação da civilização grega não pressupõe a organização de uma grande unidade homogênea. Ao contrário, a Grécia Antiga caracterizou-se por apresentar cidades-Estados independentes e com diversas diferenças entre si, incluindo rivalidades, como foi o caso de Esparta e Atenas.

Apesar disso, é evidente que as cidades gregas possuíam características em comum, visto que, somente assim, poderiam ser consideradas pertencentes a uma mesma civilização. Dentre tais características, destacam-se:

  • Religião politeísta: os gregos acreditavam em vários deuses com características divinas e humanas ao mesmo tempo. O politeísmo grego era fortemente marcado pelo humanismo e defendia o culto aos deuses e semideuses (heróis gregos, filhos de deuses e humanos). Além de Zeus (senhor dos deuses), outros deuses importantes, como Atena (deusa das artes), Deméter (deusa das colheitas), Afrodite (deusa do amor), Ártemis (deusa da caça), Apolo (deus do Sol) e Hermes (o mensageiro dos deuses) também eram cultuados.
  • Arquitetura grega: os gregos são lembrados até hoje por causa de suas enormes construções. Monumentos, como palácios, templos e acrópoles, caracterizavam suas cidades. Os teatros também apareciam com muita frequência, pois poesia, arte e história eram áreas admiradas por eles.
  • Filosofia grega: a filosofia também era muito valorizada pelos gregos. Durante o período Clássico, especialmente em Atenas, a filosofia passou por um grande desenvolvimento. Dentre os nomes mais conhecidos da época, estão Platão e Sócrates.
  • Jogos olímpicos: para homenagear os deuses, os gregos criaram os primeiros jogos olímpicos, além disso, era uma maneira de comemorar a aliança entre os povos. Olímpia era a sede dos jogos, por isso a nomenclatura, que permanece nas Olimpíadas atuais.
  • Esculturas gregas: além de ornamentarem os ambientes, as esculturas gregas eram vistas como uma forma de agradar os deuses. As obras valorizavam a harmonia dos corpos humanos considerados belos. Dentre os escultores gregos famosos, está Fídias, conhecido por esculpir as imagens de Atena e de Zeus.

Todas essas características em comum foram responsáveis por formar a identidade de uma civilização constituída a partir da miscigenação de muitos povos. Como será apresentado adiante, os gregos compartilhavam características sociais, econômicas e políticas muito particulares que os diferenciavam de outros povos.

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Como era a Grécia Antiga

Os termos Grécia e grego, utilizados até hoje para definir essa civilização antiga, derivam do latim, a língua dos romanos. Na época, as populações, que habitavam a atual península Balcânica, não empregavam tais palavras como autorreferência. Na realidade, elas se reconheciam como parte de uma comunidade cultural, cuja denominação, antes da conquista romana, era Hélade.

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Sociedade

O Parthenon, na Acrópole de Atenas, Grécia. Fonte: Wikimedia

Mais de uma centena de cidades gregas (pólis) foi fundada durante o período Arcaico (séculos VIII a.C. e VI a.C.). Como já explicado, essas cidades se entendiam como pertencentes a uma mesma cultura, já que falavam a mesma língua e compartilhavam a religião politeísta.

A formação de uma nação unificada, no entanto, nunca chegou a existir. Os gregos se organizavam em núcleos políticos autônomos, conhecidos como cidades-Estados, que surgiram como monarquias e foram se transformando em oligarquias-aristocráticas com o passar do tempo.

O termo pólis não era utilizado pelos gregos antigos apenas para definir uma dimensão territorial, mas englobava toda a vida política existente na comunidade. Dentre os principais locais dessas cidades, destacam-se a ágora, uma praça central onde cidadãos se encontravam para falar sobre a vida política e tomar decisões, e a acrópole, uma parte alta da cidade onde ficavam os templos e as construções nobres que apresentavam segurança em caso de ataques invasores.

As sociedades gregas eram estratificadas. Em Atenas, por exemplo, havia três classes sociais distintas: os eupátridas, aristocratas atenienses; os metecos, estrangeiros residentes em Atenas; e os escravos, que poderiam ser prisioneiros de guerra ou pessoas endividadas. É importante destacar que, diferentemente do que aconteceu no mundo moderno, a escravidão presente na Antiguidade não apresentava um caráter étnico.

O conceito de cidadania também era reservado a uma pequena parcela da população grega. Em Atenas, somente os cidadãos podiam participar da política. Isso significa que apenas homens, com mais de 21 anos, nascidos em Atenas e filhos de pais atenienses, participavam das decisões políticas.

Cultura

“Escola de Atenas” (1509–1511) de Raffaello Sanzio da Urbino. Fonte: Wikimedia

A cultura grega é considerada a base do mundo ocidental. Sua influência atingiu diferentes áreas, entre elas, linguagem, filosofia, política, literatura, arte e arquitetura da Europa ocidental. Mas qual foram as condições históricas que propiciaram um desenvolvimento cultural tão grande nessa civilização antiga?

De acordo com pesquisadores, um dos pontos importantes para o desenvolvimento cultural grego foi o contato com diferentes povos por meio da navegação. Por conta da escassez de solo fértil, os gregos viajavam muito em busca de suprimentos e expansão de suas atividades comerciais e militares. Os trajetos marítimos permitiram a interação com diferentes povos que somaram saberes ao conhecimento de mundo que os gregos possuíam.

O desenvolvimento da literatura e da filosofia foram fundamentais nesse processo. Enquanto a primeira contava os feitos de heróis e narrava os mitos para a população, a segunda exercitava o pensamento e levava os gregos a questionarem a realidade na qual estavam inseridos.

Ambientes da pólis, como a ágora, estimulavam as capacidades racionais dos que podiam participar da vida política. Nas reuniões, os cidadãos desenvolviam suas habilidades de oratória, argumentação e debate.

Nesse sentido, os gregos foram responsáveis por criar ideias importantes, como os conceitos de justiça, democracia e cidadania. Apesar de a maioria da população não estar inserida nos direitos políticos da época, a forma de pensar essas questões contribuiu para o nascimento da filosofia e o desenvolvimento de conceitos políticos.

Religião

Dioniso e sátiros. Interior de vaso com figuras vermelhas, 480 a.C. Fonte: Wikimedia

Os gregos antigos compartilhavam de uma mesma religião politeísta, ou seja, eles acreditavam em vários deuses. Cada um representava uma virtude ou um fenômeno da natureza. Acreditava-se que os deuses mais poderosos habitavam o Olimpo, eram eles: Zeus, Hera, Poseidon, Deméter, Dionísio, Afrodite, Apolo, Ares, Ártemis, Atena, Hefesto e Hermes.

A mitologia grega era composta por um conjunto de lendas que explicava questionamentos abstratos, por exemplo, a origem da vida e os fenômenos da natureza, bem como transmitia os conhecimentos populares.

Apesar de imortais, os deuses gregos eram representados sob formas humanas e também possuíam sentimentos, como amor, ódio, inveja, bondade e egoísmo. Assim, o antropomorfismo era uma forma de promover a religião dentro da civilização grega, uma vez que os deuses se pareciam com os humanos.

Além dos deuses, outros seres compunham a mitologia dos gregos antigos. Entre os mais conhecidos, destacam-se: os heróis ou semideuses, filhos dos deuses com os humanos; as ninfas, figuras femininas responsáveis por protegerem as florestas; os sátiros, representados com o corpo de homem e patas de bodes; as sereias, figuras femininas com corpo de peixe que cantavam e encantavam os humanos; e as górgonas, também figuras femininas, mas com cabelos de serpente, como a famosa Medusa.

Economia

Homens pesando mercadorias, lado B de uma ânfora ática de figuras negras. Fonte: Wikimedia

A economia da Grécia Antiga dependia enormemente do comércio marítimo. Apesar de não contarem com solos férteis, os gregos estavam uma posição privilegiada em relação ao controle de alguns dos mais importantes portos marítimos e rotas comerciais do mundo antigo.

Os principais produtos cultivados pela agricultura grega foram as oliveiras e videiras. Suas produções seguiam o ritmo das estações do ano e empregavam cerca de 80% da população grega. Somava-se a isso, a criação de animais de pequeno porte (ovelhas e cabras), bem como o cuidado com as abelhas, utilizadas para produzir mel.

Além da agricultura e comércio, os gregos se dedicavam ao artesanato e à confecção de cerâmicas, comercializados ou destinados ao uso doméstico e religioso. Havia também a confecção de produtos em metal, coro e tecidos.

Atenas

Atena Giustiniani, cópia romana de um original grego do século IV a.C. Fonte: Wikimedia

Considerada uma das cidades mais antigas de todo o mundo, Atenas foi fundada por jônios, que habitavam a região da Ática, península banhada pelo mar Egeu. O porto de Pireu, localizado nas proximidades, serviu à cidade-Estado e auxiliou em seu desenvolvimento.

Atenas tornou-se uma das pólis mais importantes da Grécia no primeiro milênio a.C. Assim como a maioria das cidades-Estados gregas, a princípio, ela era governada por um pequeno grupo de proprietários de terras, que se reunia em conselhos para definir o futuro da cidade.

Contudo, a partir do século VI a.C., Atenas passou por profundas transformações sociais. Grupos excluídos das decisões políticas pressionaram os legisladores atenienses para promoverem reformas. Assim, pouco a pouco, construíram um modelo de governo diferente em Atenas, a democracia.

No ano de 620 a.C., o arconte Drácon codificou as leis orais de Atenas, garantindo uma previsibilidade jurídica para os habitantes da cidade. As penas aos transgressores, entretanto, eram consideradas muito duras, pois utilizavam a sentença de morte para todos os crimes praticamente.

Em 594 a.C., o político e legislador Sólon recebeu a tarefa de organizar novas reformas e solucionar os conflitos. Ele fez uma ampla reforma político-social, cujas medidas mais importantes foram: a proibição da escravidão por dívida; a devolução de terras aos antigos proprietários endividados; a criação de uma República Censitária (os cidadãos podiam participar das instituições segundo suas rendas); bem como o incentivo ao comércio e ao artesanato a partir da criação de um padrão monetário fixo.

Sólon também foi responsável pela criação de três instituições importantes. A Bulé, reduto da aristocracia proprietária, era composta por quatrocentos membros (homens das quatro tribos da Ática) e, por isso, ficou conhecida como Conselho dos Quatrocentos. A Bulé era responsável por preparar os trabalhos para a Éclesia, uma assembleia popular que aprovava as medidas do Conselho. Por fim, havia o Helieu, um tribunal de justiça aberto a todos os cidadãos.

É importante lembrar que o conceito de cidadão da Grécia Antiga difere do termo utilizado atualmente. Para os atenienses, tornava-se um cidadão todo homem livre, maior de 18 anos, nascido em Atenas. Na Eclésia, todo cidadão tinha direto à fala (isegoria) e participava, direta e ativamente, das decisões políticas da pólis.

O conceito de democracia grega também se diferencia do termo contemporâneo. Em Atenas, a democracia era direta e não representativa. Isso significa que apenas os cidadãos atenienses compareciam às assembleias e votavam sobre as questões discutidas.

Esparta

Estátua de um hoplita do século V a.C. exposta Museu Arqueológico de Esparta. Fonte: Wikimedia

A cidade-Estado de Esparta ficava localizada no Peloponeso e foi fundada pelos dórios, após dominarem os aqueus que habitavam a região. Esparta apresentava uma estrutura política e social muito diferente da estrutura de Atenas, sua grande rival.

Os espartanos possuíam uma diarquia como sistema de governo, ou seja, eram governados por dois reis, ambos considerados descendentes de Hércules. Toda a terra pertencia ao Estado que distribuía lotes aos cidadãos.

A sociedade de Esparta era completamente militarizada. Desde os 7 anos de idade, as crianças ficavam sob a responsabilidade do governo para serem treinadas e educadas no campo. O serviço militar só acabava a partir dos 60 anos, quando os indivíduos se retiravam do exército e podiam participar do Conselho dos Anciãos.

Diferentemente do que acontecia com as mulheres atenienses, as espartanas não viviam reclusas e distantes dos espaços públicos. Elas participavam de atividades e treinos esportivos, ainda, algumas controlavam as finanças domésticas e frequentavam reuniões políticas.

Em resumo, pode-se dizer que a Grécia Antiga teve um grande desenvolvimento em aspectos sociais, econômicos, culturais e religiosos. Suas formas de organizações demostram o quão complexas foram essas as estruturas dentro do mundo antigo.

Períodos da Grécia Antiga

Com o objetivo de facilitar a compreensão dos acontecimentos, a história grega costuma ser dividida em 5 períodos: Pré-Homérico, Homérico, Arcaico, Clássico e Helenístico. Acompanhe as características de cada um abaixo.

Período Pré-Homérico (séculos XX – XII a. C.)

Distribuição geográfica dos dialetos do grego antigo. Fonte: Wikimedia

O primeiro período da Grécia Antiga é caracterizado pela origem do povo grego, formado a partir da miscigenação dos cretenses, aqueus, jônios, eólios e dórios.

Conhecido como a fase inicial de povoamento, o período Pré-Homérico durou desde o século XX a.C. até o século XII a.C. e contou com inúmeras migrações, que foram responsáveis por formar a civilização grega.

Período Homérico (séculos XII – VIII a.C.)

Representação idealizada de Homero feita no período helenístico (Museu Britânico). Fonte: Wikimedia

Por muito tempo as informações sobre o período Homérico foram fornecidas apenas por meio das obras de Homero, escritor de epopeias como Ilíada e Odisseia. Entretanto, desde o século XIX, pesquisas arqueológicas têm expandido os saberes acerca desse período grego, desmentindo muitas das informações presentes nas narrativas. O nome do período, porém, continua homenageando o escritor grego.

O período Homérico é caracterizado, especialmente, pela consolidação das populações tanto na porção continental (Ática e Peloponeso) quanto nas ilhas do mar Egeu. A princípio, as comunidades eram baseadas em sociedades rurais e autossuficientes, mas o aumento demográfico e as limitações da produção agrícola, causadas pelo clima seco e solo pedregoso, obrigaram os gregos a colonizar outras áreas do mar Mediterrâneo e Negro, além de se dedicarem à navegação comercial. Isso provocou o surgimento de pequenas comunidades isoladas ao longo de uma grande área litorânea.

Período Arcaico (séculos VIII – VI a.C.)

Antiga moeda ateniense do século V a.C. Fonte: Wikimedia

O período Arcaico é definido como o intervalo de tempo entre os séculos VIII a.C. e VI a.C. da história grega. Esse momento histórico é caracterizado, principalmente, pela fundação de mais de uma centena de pólis, como eram chamadas as cidades gregas.

Como apontado anteriormente, as cidades possuíam características em comum, entre elas, a religião e a língua, por isso, consideravam-se parte de uma comunidade cultural denominada Hélade. Os gregos antigos, contudo, nunca formaram uma nação ou um território unificado que estivesse submetido a uma mesma lei soberana.

Período Clássico (séculos V – IV a.C.)

Mapa com os eventos das Guerras Médicas.. Fonte: Wikimedia

O período Clássico durou cerca de 200 anos na história grega e influenciou, posteriormente, tanto o Império Romano quanto as bases da civilização ocidental em áreas como a política, o pensamento artístico, a literatura e a filosofia.

Em resumo, pode-se dizer que esse período foi caracterizado pela hegemonia grega sobre o mundo antigo, bem como pelo enfrentamento de forças entre Atenas e Esparta – as duas cidades-Estados que mais se destacavam naquele momento -, que culminou em diversas guerras.

Período Helenístico (séculos III – II a.C.)

Filipe II da Macedónia. Fonte: Wikimedia

O último período da Grécia Antiga é denominado de Helenístico e teve início a partir da conquista da Grécia pela Macedônia sob o comando de Filipe II. Um dos reinados mais marcantes e conhecidos desse momento foi o de Alexandre, o Grande, responsável por expandir as fronteiras do mundo grego, chegando até as regiões da atual Índia.

Esses são os períodos que compõem a história da Grécia Antiga. Originada a partir dos séculos XX – XII a.C., com o período Pré-Homérico, a civilização grega viu seu declínio a partir do domínio macedônico, conhecido também como período Helenístico.

Declínio da Grécia Antiga

A queda do domínio e prestígio dos gregos começou no período Helenístico, a partir de uma série de guerras travadas tanto externamente quanto internamente.

Os primeiros conflitos foram as Guerras Greco-Pérsicas, também denominadas de Guerras Médicas, entre os anos de 490 a.C. e 448 a. C. Nessas batalhas, gregos e persas lutaram pelo domínio do mundo antigo. Pela primeira vez, as cidades-Estados gregas se uniram para derrotarem um invasor comum.

Após a derrota dos persas, Atenas e Esparta criaram ligas militares que visavam expandir seus domínios e influências sobre a Grécia Antiga. A rivalidade entre as cidades-Estados, entretanto, acabou culminando na famosa Guerra do Peloponeso (431 a.C. – 404 a.C.), cuja vitória foi dos espartanos.

A derrocada de Atenas deu início a um período de conflitos entre as cidades gregas, sobretudo Esparta e Tebas. Enfraquecidas, as cidades-Estado gregas acabaram dominadas pelos macedônios, um povo que vivia ao norte da Grécia.

Influências da Grécia Antiga

Os gregos ficaram conhecidos por formarem uma das maiores civilizações da Antiguidade. Suas influências ajudaram a construir conceitos e ideias importantes até os dias atuais. Dentre os principais aspectos da influência grega, destacam-se:

  • Estabelecimento da escrita alfabética em esferas administrativas e políticas: as leis escritas surgiram a partir das reformas da legislação ateniense, tornando-as objeto de discussão dos poucos privilegiados que sabiam ler. Atualmente, os países democráticos utilizam de legislações escritas em suas esferas políticas.
  • Surgimento do teatro: o teatro popularizado e conhecido até hoje em todo o Ocidente nasceu no século IX a.C. na Grécia Antiga. Foi durante uma das grandes celebrações ao deus do vinho, Dionísio, que o primeiro diálogo apareceu.
  • Origem da filosofia: a filosofia também surgiu na Grécia Antiga a partir da constituição das cidades-Estado. Pensadores como Aristóteles, Sócrates e Platão constituem a base de toda a filosofia atual.
  • Criação do conceito de democracia: a democracia praticada em Atenas pode ser considerada como direta, pois os cidadãos se reuniam para debater, votar e decidir por si mesmos. O conceito é empregue até hoje, embora com um sentido diferente. Na maioria das democracias atuais, como ocorre no Brasil, o modelo praticado é o representativo ou indireto. Isso significa que os cidadãos elegem representantes que governam e tomam as decisões em seu lugar.
  • Criação do conceito de cidadania: assim como a democracia, o conceito de cidadania atual difere do concebido na Grécia Antiga. É importante ressaltar que os gregos foram os primeiros a conceber a ideia de um cidadão, embora excluíssem grande parte da sua população nesse processo (escravos, mulheres, estrangeiros e menores de dezoito anos não podiam participar das questões políticas). Atualmente, todas as pessoas nascidas ou nacionalizadas no Brasil são considerados cidadãs brasileiras, possuindo os mesmos deveres e direitos.

A partir desses levantamentos, pode-se afirmar que a Grécia legou contribuições importantes para a humanidade nas mais diversas áreas do conhecimento.

Videoaulas sobre a Grécia Antiga

Para complementar o conteúdo abordado até aqui, confira videoaulas que retratam características importantes da Grécia Antiga e de suas principais cidades-Estados.

Períodos da Grécia Antiga

Nessa primeira videoaula, o professor Pedro Rennó resume, de forma objetiva e didática, o que foi a Grécia Antiga, contextualizando os principais períodos de sua história.

A democracia ateniense

A compreensão do que foi a democracia ateniense é fundamental para entender como essa cidade-Estado se organizava no mundo antigo. Ao longo dessa aula, a professora Anelize apresenta um pouco dessa estrutura, diferenciando muito bem o que era a democracia ateniense da democracia atual.

Pólis grega

Nessa videoaula, relembre as principais características das cidades gregas, especialmente de Esparta e Atenas, que possuíam diferentes formas de organização política, social e econômica.

A Grécia Antiga foi uma das civilizações mais importantes da Antiguidade. Seus legados e influências permanecem até hoje na história ocidental, entre eles, a arte grega é uma das maiores heranças da humanidade.

Referências

A cidade antiga (1864) – Numa Denis Fustel de Coulanges.
Economia e sociedade na Grécia antiga (2013) – M. I. Finley.
Mito e religião na Grécia Antiga (2006) – Jean-Pierre Vernant.

Nathália Moro
Por Nathália Moro

Doutoranda, mestre e graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Nas horas vagas, costuma aproveitar seu tempo com a família ou em sua própria companhia. Adora viajar para lugares históricos, conhecer novas culturas, experimentar pratos típicos, conversar com pessoas mais velhas e bater um bom papo sobre alimentação.

Como referenciar este conteúdo

Moro, Nathália. Grécia Antiga. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/grecia-antiga. Acesso em: 29 de February de 2024.

Exercícios resolvidos

1. [UNICAMP 2018 1ª Fase]

Os gregos sentiram paixão pelo humano, por suas capacidades, por sua energia construtiva. Por isso, inventaram a polis: a comunidade cidadã em cujo espaço artificial, antropocêntrico, não governa a necessidade da natureza, nem a vontade dos deuses, mas a liberdade dos homens, isto é, sua capacidade de raciocinar, de discutir, de escolher e de destituir dirigentes, de criar problemas e propor soluções. O nome pelo qual hoje conhecemos essa invenção grega, a mais revolucionária, politicamente falando, que já se produziu na história humana, é democracia.

(Adaptado de Fernando Savater, Política para meu filho. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 77.)

Assinale a alternativa correta, considerando o texto acima e seus conhecimentos sobre a Grécia Antiga.

a) Para os gregos, a cidade era o espaço do exercício da liberdade dos homens e da tirania dos deuses.

b) Os gregos inventaram a democracia, que tinha então o mesmo funcionamento do sistema político vigente atualmente no Brasil.

c) Para os gregos, a liberdade dos homens era exercida na polis e estava relacionada à capacidade de invenção da política.

d) A democracia foi uma invenção grega que criou problemas em função do excesso de liberdade dos homens.

Alternativa correta: C.

Justificativa: as pólis possuíam espaços, como a ágora, que estimulavam as capacidades racionais dos que podiam participar da vida política. Nas reuniões, os cidadãos desenvolviam suas capacidades de oratória, argumentação e debates.

2. [UNESP 2018]

O aparecimento da filosofia na Grécia não foi um fato isolado. Estava ligado ao nascimento da pólis.

(Marcelo Rede. A Grécia Antiga, 2012.)

A relação entre os surgimentos da filosofia e da pólis na Grécia Antiga é explicada, entre outros fatores,

a) pelo interesse dos mercadores em estruturar o mercado financeiro das grandes cidades.

b) pelo esforço dos legisladores em justificar e legitimar o poder divino dos reis.

c) pela rejeição da população urbana à persistência do pensamento mítico de origem rural.

d) pela preocupação dos pensadores em refletir sobre a organização da vida na cidade.

e) pela resistência dos grupos nacionalistas às invasões e ao expansionismo estrangeiro.

Alternativa correta: D.

Justificativa: os gregos antigos foram responsáveis por criar ideias importantes como os conceitos de justiça, democracia e cidadania. Apesar de a maioria da população não estar inserida nos direitos políticos da época, a forma de pensar essas questões contribuíram para o nascimento da filosofia e o desenvolvimento de tais conceitos políticos.

3. [UNICAMP 2021 1ª Fase]

Leia o trecho do poema da poetisa grega Safo acerca da beleza de uma jovem chamada Anactória.

uns dizem que é uma hoste de cavalaria, outros de
infantaria;
outros dizem ser uma frota de naus, na terra negra,
a coisa mais bela: mas eu digo ser aquilo
que se ama.

(Adaptado de Luísa de Nazaré Ferreira, “Turismo e património na antiguidade clássica: o texto atribuído a Fílon de Bizâncio sobre as Sete Maravilhas”, em Espaços e Paisagens: Antiguidade Clássica e heranças contemporâneas. 2012. V. 1. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, p. 73.)

A partir da leitura do poema, assinale a alternativa correta sobre o conceito de beleza na Grécia Antiga.

a) Safo reconhece a beleza como conceito universal e destaca a sua independência em relação ao amor.

b) Safo exemplifica o conceito de belo e o define como inerente às conquistas militares e territoriais.

c) Safo constata a diversidade dos gostos humanos e evidencia o valor do amor para o conceito de beleza.

d) Safo exemplifica os gostos humanos a partir do conceito de amor e o define como inerente às conquistas militares.

Alternativa correta: C.

Justificativa: no poema, a poetisa grega Safo evidencia o valor do amor para o conceito de beleza.

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