Aliteração

A aliteração é uma figura de linguagem na qual a repetição das mesmas sonoridades possuem a intenção de criar um efeito sonoro significativo para o leitor.

O termo Aliteração se originou do vocábulo em latim alliteratio, que veio de littera e quer dizer “letra”.

A aliteração é uma figura de linguagem. Como toda figura de linguagem, é um recurso estilístico utilizado no nível dos sons das palavras, das estruturas sintáticas ou dos significados para dar maior valor expressivo à linguagem.

A aliteração é o que chamamos de “figura sonora”, assim como a onomatopeia, a assonância e a paronomásia.

Nessa categoria, a sonoridade das palavras e sílabas criam sentidos e expressões diversas. De modo geral, A sonoridade das palavras é sua característica principal.

A repetição de fonemas consonantais com a intenção de criar um efeito sonoro significativo é o que chamamos de aliteração.

Exemplos de Aliteração

A aliteração presente em ditados populares, versos folclóricos e brincadeiras infantis. Talvez sejam os melhores meios de fazer compreender este recurso estilístico. Vejamos:

rato roeu a roupa do rei de Roma.

A aliteração está presente no fonema /r/ no começo de todas as palavras.

peito do pé de Pedro é preto.

Nesse caso, a aliteração está na repetição do fonema /p/.

Um tigre, dois tigres, três tigres.

Aqui se repete a consoante “t” e o encontro consonantal “gr”.

Três pratos de trigo para três tigres tristes.

Temos a repetição do fonema /tr/

Aliteração na música e na poesia

As aliterações, por seu efeito sonoro, são especialmente utilizadas nas músicas e poesias. Veja os exemplos abaixo:

aliteração
Imagem: Reprodução

Segue o Seco – Marisa Monte e Carlinhos Brown

A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
Sem sacar que o espinho é seco
Sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino seca

Ô chuva, vem me dizer
Se posso ir lá em cima pra derramar você
Ó chuva, preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão

Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado

Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoar do céu
Pode ser coco derramado.

Observe que a letra da música é construída a partir da repetição dos fonemas consonantais /s/ e /k/, presentes em seca, o que ajuda a (re)produzir a sensação de aridez. Assim, a repetição desses fonemas surdos produz no plano sonoro, o aspecto tematizado no texto.

Referências

Gramática: texto e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontarra

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Como referenciar este conteúdo

Bernardes, Luana. Aliteração. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/portugues/aliteracao. Acesso em: 28 de November de 2020.

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01. [Enem]:

Canção do vento e da minha vida

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos, 

O vento varria as flores… 
E a minha vida ficava 
Cada vez mais cheia 
De frutos, de flores, de folhas.

[…]

O vento varria os sonhos
E varria as amizades… 

O vento varria as mulheres… 
E a minha vida ficava 
Cada vez mais cheia 
De afetos e de mulheres.

O vento varria os meses 
E varria os teus sorrisos… 
O vento varria tudo! 
E a minha vida ficava 
Cada vez mais cheia 
De tudo.

BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

Na estruturação do texto, destaca-se:

a) a construção de oposições semânticas.

b)  a apresentação de ideias de forma objetiva.

c) o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo.

d)  a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes.

e)  a inversão da ordem sintática das palavras.

 

02. [Enem]:

Para o Mano Caetano

O que fazer do ouro de tolo
Quando um doce bardo brada a toda brida, 

Em velas pandas, suas esquisitas rimas? 
Geografia de verdades, Guanabaras postiças 
Saudades banguelas, tropicais preguiças?

A boca cheia de dentes 
De um implacável sorriso 
Morre a cada instante 
Que devora a voz do morto, e com isso, 
Ressuscita vampira, sem o menor aviso

[…]

E eu soy lobo-bolo? lobo-bolo 
Tipo pra rimar com ouro de tolo? 
Oh, Narciso Peixe Ornamental! 
Tease me, tease me outra vez 
Ou em banto baiano 
Ou em português de Portugal 
De Natal

[…]

* Tease me (caçoe de mim, importune-me).

LOBÃO. Disponível em: http://vagalume.uol.com.br. Acesso em: 14 ago. 2009 (adaptado).

Na letra da canção apresentada, o compositor Lobão explora vários recursos da língua portuguesa, a fim de conseguir efeitos estéticos ou de sentido. Nessa letra, o autor explora o extrato sonoro do idioma e o uso de termos coloquiais na seguinte passagem:

a)  “Quando um doce bardo brada a toda brida” (v. 2)

b)  “Em velas pandas, suas esquisitas rimas?” (v. 3)

c)  “Que devora a voz do morto” (v. 9)

d)  “lobo-bolo//Tipo pra rimar com ouro de tolo? (v. 11-12)

e)  “Tease me, tease me outra vez” (v. 14)

01. [Enem]

Resposta: D

Na estruturação do texto se destacam a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes, conforme a alternativa D.

 

02. [Enem]

Resposta: D

O autor explora o extrato sonoro do idioma e o uso de termos coloquiais na seguinte passagem:  “lobo-bolo//Tipo pra rimar com ouro de tolo?” (v. 11-12).

 

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