Metáfora

Metáfora é uma figura de linguagem na qual uma palavra é usada para comparar sem que sejam empregado termos comparativos.

A linguagem não tem uma existência em si, bem como a metáfora, sendo desvinculada de seu uso. Ela é uma atividade humana. Por esse motivo, podemos manipulá-la, em função de objetivos específicos: comunicar-nos, expressar emoções, impressionar, persuadir, etc. Para que esses objetivos possam ser alcançados, precisamos aprender a utilizar recursos que criem efeitos em sentidos variados. Para produzir certos efeitos, utilizamos as figuras de linguagem, como a já dita metáfora.

Figuras de Linguagem

As figuras de linguagem são recursos estilísticos utilizados no nível dos sons, palavras, das estruturas sintáticas ou do significado para dar maior valor expressivo à linguagem.
As figuras de linguagem podem ser:

  • Aliteração
  • Alusão
  • Ambiguidade
  • Anáfora
  • Antítese
  • Apóstrofe
  • Cacofonia
  • Catacrese
  • Elipse
  • Eufemismo
  • Hipérbato
  • Hipérbole
  • Metonímia
  • Onomatopeia
  • Paradoxo
  • Pleonasmo
  • Prosopopeia
  • Sinestesia

Metáfora: formas de uso

A mais conhecida das figuras de linguagem, a metáfora baseia-se na transferência (a palavra grega metáfora significa transporte) de um termo para um contexto que não lhe é próprio. As metáforas são criadas a partir de uma relação de semelhança que pressupõe um processo anterior de comparação.

Pode-se dizer, portanto, que a comparação está na base da formação das metáforas.
Jornais e revistas costumam usar metáforas em manchetes e títulos de reportagens para resumir a essência do que será dito, ou para chamar a atenção dos leitores.

Imagem: Reprodução

“Para Cesária Evora, Alegria e tristeza são vizinhas”

Tanto a identificação do presidente americano George W. Bush com uma raça de cães (pit bulls) conhecida pela agressividade, como a aproximação entre sentimentos aparentemente opostos, como alegria e tristeza (vizinhas), são feitas por meio das metáforas.

Metáfora na propaganda

A metáfora também está presente em propagandas e comerciais veiculados pela mídia. A todo momento nos deparamos com outdoors, panfletos e cartazes nos revelando características semânticas entre termos ou expressões.
Um bom exemplo é a propaganda da Ruffles que brinca com a palavra onda:

Imagem: Reprodução

Observe como a palavra onda é tomada em diferentes sentidos. Na primeira figura” onda” faz referência à moda, ao momento atual. A palavra não está em seu sentido real (onda do mar), mas sim em sentido figurado. A marca aproveita o formato em ondas, da batata que comercializa para associá-lo à onda do mar. Na segunda figura a batata é colocada como se fosse uma das ondas do mar. Uma tentativa de mostrar o lado literal.

O uso das metáforas é tão frequente que na linguagem que há até quem afirme que através dela compreendemos o mundo.

Mais exemplos de metáfora:

Ela me encarou e seu olhar era “pedra”. – A dureza e rigidez da pedra está sendo atribuída ao olhar. Podemos observar que a palavra pedra está sendo usada de forma figurativa e não no sentido literal da palavra.

Aquela menina é uma “flor”. – Subtende-se que a menina é meiga, bonita, cheirosa, delicada. Ou seja possui características de flor. Mas, sabemos que aqui o vocábulo “flor” não se refere ao órgão de reprodução de uma planta.

Concluindo

Entendemos por metáfora a palavra está sendo empregada fora de seu sentido concreto, real, literal. Trata-se de uma comparação implícita, subentendida no texto. Se caracteriza por comparar sem que sejam empregados termos comparativos.

Referências

Gramática: texto e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontarra

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Como referenciar este conteúdo

Bernardes, Luana. Metáfora. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/portugues/metafora. Acesso em: 07 de January de 2022.

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01. [Unicamp]:

Morro da Babilônia

À noite, do morro

descem vozes que criam o terror

(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,

e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua

Geral).

Quando houve revolução, os soldados

espalharam no morro,

o quartel pegou fogo, eles não voltaram.

Alguns, chumbados, morreram.

O morro ficou mais encantado.

Mas as vozes do morro

não são propriamente lúgubres.

Há mesmo um cavaquinho bem afinado

que domina os ruídos da pedra e da folhagem

e desce até nós, modesto e recreativo,

como uma gentileza do morro. 

(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.19.)  

No poema “Morro da Babilônia”, de Carlos Drummond de Andrade,

a) a menção à cidade do Rio de Janeiro é feita de modo indireto, metonimicamente, pela referência ao Morro da Babilônia.   

b) o sentimento do mundo é representado pela percepção particular sobre a cidade do Rio de Janeiro, aludida pela metáfora do Morro da Babilônia.   

c) o tratamento dado ao Morro da Babilônia assemelha-se ao que é dado a uma pessoa, o que caracteriza a figura de estilo denominada paronomásia.   

d) a referência ao Morro da Babilônia produz, no percurso figurativo do poema, um oxímoro: a relação entre terror e gentileza no espaço urbano.   

 

02. [FUVEST]: 

São Paulo gigante, torrão adorado/ Estou abraçado com meu violão/ Feito de pinheiro da mata selvagem/ Que enfeita a paisagem lá do meu sertão 

Tonico e Tinoco, São Paulo Gigante.

Nos versos da canção dos paulistas Tonico e Tinoco, o termo “sertão” deve ser compreendido como

a) descritivo da paisagem e da vegetação típicas do sertão existente na região Nordeste do país.

b) contraposição ao litoral, na concepção dada pelos caiçaras, que identificam o sertão com a presença dos pinheiros.

c) analogia à paisagem predominante no Centro-Oeste brasileiro, tal como foi encontrada pelos bandeirantes no século XVII.

d) metáfora da cidade-metrópole, referindo-se à aridez do concreto e das construções.

e) generalização do ambiente rural, independentemente das características de sua vegetação.

01. [A]

A menção à cidade do Rio de Janeiro é feita de modo indireto, metonimicamente, pela referência ao Morro da Babilônia.

02. [E]

A  generalização do ambiente rural, independentemente das características de sua vegetação.

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