Catacrese

A catacrese é uma figura de linguagem utilizada quando é necessário nominar algo que não possui uma denominação própria.

A catacrese funciona como uma figura de palavra, sendo considerada por muitos como um tipo de metáfora. A explicação se dá por seu uso ser destinado à nominação de algo que, propriamente, não possui denominação real.

Nela, utiliza-se de um termo fora do sentido real e literal. Sendo empregada de forma natural, ela existe devido ao nome adequado e/ou específico, a fim de identificar aquilo que é de desejo expressar, criando uma comunicação concreta.

Exemplos pontuais de catacrese

  • Manga da camisa;
  • Pé da mesa;
  • Cabeça do alho;
  • Costas da cadeira;

Em alguns casos, a catacrese pode ser confundida com a personificação ou prosopopeia. O caso das “costas da cadeira”, por exemplo, acaba muitas vezes trazendo confusão.

Entretanto, a fim de diferenciar, a catacrese expõe uma nominação que não existe para aquele objeto. A personificação ou prosopopeia, por outro lado, trata mais da questão sentimental como característica.

Etimologicamente, a catacrese já ajuda a encontrar um norte para seu uso e significação. Do latim, catachresis, originário do grego Katakhresis, com significado de “mau uso”. Ou seja, apesar de correto, o uso é, ao mesmo tempo, incorreto.

Como identificar

Denominada com uma figura de palavra dentro das figuras de linguagem, a catacrese emprega vocábulos em sentido figurado e/ou conotativo. A linguagem figurada corresponde à representação de uma sentença que não há em seu sentido real.

A catacrese é totalmente subjetiva e válida somente se inserida no contexto ao qual é empregada. Desta maneira, é possível pensar nesta figura de linguagem como o termo conotativo utilizado para atender uma necessidade do idioma.

O uso é considerado como necessário, pois ela substitui o vocábulo que é inexistente.

Basicamente, a catacrese é um empréstimo de palavras.

Toma-se, por exemplo, a “manga da camisa”. A palavra manga não está empregada da forma como seu sentido real é sabido e compreendido.

Entretanto, não existe outra palavra para referir-se àquela parte de uma roupa. Então, toma-se um empréstimo de uma palavra, a fim de adquirir um novo significado; um novo sentido.

Diversas palavras que a catacrese utiliza são emprestadas, como também originadas de tantas outras. Isso é explicado pela semelhança conotativa que apresentam e que pode representar aquilo que se deseja nominar.

Referências

Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Exercícios resolvidos

1. [CESGRANRIO]

Na frase “O fio da ideia cresceu, engrossou e partiu-se” ocorre processo de gradação. Não há gradação em:

a) O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.
b) O avião decolou, ganhou altura e caiu.
c) O balão inflou, começou a subir e apagou.
d) A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.
e) João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.

Resposta: E

2. [FUNCAB]

As figuras de linguagem são usadas como recursos estilísticos para dar maior valor expressivo à linguagem.

No seguinte trecho “Tu és a chuva e eu sou a terra […]” predomina a figura, denominada:

a) onomatopeia
b) hipérbole
c) metáfora
d) catacrese
e) sinestesia

Resposta: C

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