Marginalização

A marginalização é um efeito da desigualdade social instituída nas sociedades, responsável pela separação de grupos de indivíduos.

Nesta matéria, são abordados alguns tipos de marginalização, sua relação com a desigualdade social e como se apresenta quanto a grupos marginalizados no Brasil. Confira!

Tipos de marginalização

Diferentes tipos de marginalização são utilizados para a compreensão de relações específicas de exclusão social. Alguns deles são:

1. Marginalização social

Associado à exclusão social de indivíduos, o conceito de marginalização social refere-se à inferiorização destes, considerados indignos de transitar por determinados espaços ou desempenhar certos papeis sociais. Assim, esses indivíduos são qualificados como marginais, tendo papeis sociais negados e sendo excluídos de tais espaços sociais, sendo, assim, delegados às margens das relações.

2. Marginalização cultural

Diz respeito à exclusão cultural e ao afastamento de determinadas culturas de espaços de debate, visibilidade e reconhecimento social. Os indivíduos que sofrem violência cultural são considerados alheios às crenças, aos costumes, às tradições e às heranças de uma outra cultura, associada a quem exerce essa violência. Desse modo, é considerado parte de uma minoria étnica e cultural vista como apêndice social e, portanto, não integral, distante do reconhecimento de sua legitimidade cidadã, enquanto parte de um todo social.

3. Marginalização espacial

Faz menção à atribuição de valor, geralmente de caráter moralmente negativo, a determinados lugares. Essa atribuição pode ser de ordem econômica, política ou cultural, contribuindo para a marginalização de lugares específicos em relação à rede de outros lugares à qual se vinculam. Esse tipo de marginalização tende a perpetuar preconceitos e discriminações, não apenas em relação aos lugares, mas principalmente às pessoas que os frequentam.

4. Marginalização urbana

Devido à tendência redutiva do mercado de trabalho, há uma precariedade habitacional e das condições de sobrevivência dos indivíduos. Com isso, muitas pessoas não possuem condições econômicas para sustentar o estilo de vida incitado pelos grandes centros urbanos. Desse modo, tendem a migrar para as regiões periféricas, constituindo conglomerados habitacionais, tipicamente conhecidos no Brasil como favelas. Assim, esse movimento migratório forçado pelas condições de desigualdade econômica distingue esses indivíduos dos que habitam os grandes centros urbanos, significados como superiores à população periférica.

5. Marginalização escolar

Está relacionada com a evasão de alunos da escola. As causas são diversas, entre elas: falta de transporte escolar ou responsável para acompanhar o aluno até a instituição, situação econômica da família, falta de interesse por descontextualização do conteúdo com a realidade vivida pelo aluno. Essas são precariedades do ensino, especificamente relacionadas à educação púbica, que prejudicam as experiências de aprendizagem formal dos alunos, levando-os, por vezes, ao abandono da formação básica escolar.

6. Marginalização infantil

Grande parte das crianças marginalizadas são abandonadas na fase inicial da vida, geralmente por pais toxicodependentes ou envolvidos com alcoolismo e prostituição. As crianças são condicionadas a viver de caridade, pedindo esmolas, ou mesmo se prostituindo e se envolvendo com atividades criminosas. Sofrem preconceitos e crescem sem amparo ou acesso a direitos básicos, como alimentação, saúde e educação dignas.

7. Marginalização produtiva

Diz respeito ao valor atribuído ao indivíduo que produz e ao produto produzido nas relações de trabalho. É característica do modelo de produção capitalista, que exige pessoas produtivas e, portanto, gera rupturas com o processo autoral na produção de objetos. Com a perda de valor do trabalhador no processo produtivo industrializado, perde-se também parte da sua identidade. Isso gera uma ruptura na sensação de pertencimento a um grupo social (trabalhador autor da própria obra), considerado como a exclusão do indivíduo desse grupo.

A identificação e o reconhecimento de grupos sociais marginalizados é de suma importância para formular estratégias de combate à desigualdade social. Vejamos a relação entre marginalização e desigualdade.

Marginalização e desigualdade social

O conceito sociológico de marginalização designa aquele indivíduo que foi impossibilitado de participar do centro das decisões civis e, portanto, afastado e colocado à margem delas, sendo excluído dessas relações. Essa ação de afastamento, escassez, falta ou privação de pessoas e grupos sociais em diferentes esferas acaba por negá-los o direito à cidadania, bem como de participação na vida política. Essa exclusão social é inerente ao modelo de produção capitalista e é dela que decorre a marginalização, pois, com a exclusão social, os grupos de indivíduos são distinguidos e separados, logo, marcados por uma ruptura de classes sociais.

Tal ruptura é representativa das desigualdades sociais no Brasil e no mundo. A partir da exclusão e da separação de indivíduos, grupos e parcelas da população passam a atribuir valores positivos e negativos a práticas, lugares e tipos de pessoa, conforme características de ordem, principalmente, econômica. Desse modo, todo um conjunto de relações se desenvolve em torno da distinção e da separação de sujeitos em grupos diferentes e sobrepostos, portanto, hierarquicamente desiguais.

Nessa relação hierárquica de desigualdades, política, economia, educação, saúde, saneamento, trabalho e outros aspectos da vida civil são qualificados e organizados. Tal organização reforça valores e significados atribuídos aos indivíduos, atuando na manutenção das desigualdades sociais e, portanto, das formas de marginalização dos indivíduos.

Marginalização no Brasil

Mais de um quarto da população brasileira se encontra em condições precárias. 42% dos municípios do país possuem alto índice de exclusão social, sendo o município de Uiramutã, em Roraima, o que apresenta o maior índice. De acordo com dados do Atlas da Exclusão Social no Brasil (2004), destacam-se violência, escolaridade, alfabetização, desigualdade social, emprego e pobreza. Vale ressaltar que esses índices são utilizados para traçar um panorama que indique a ocorrência de formas de marginalização no Brasil.

Dos municípios do Brasil, os indicadores de maior marginalização são da região norte, como Jordão, no Acre, e Guarajá, no Amazonas. Além disso, o estado da Bahia, no Nordeste, possui o maior número de municípios com piores índices de exclusão social. Nota-se que as regiões mais marginalizadas do Brasil são o Nordeste e o Norte, devido a uma velha exclusão social marcada pela baixa densidade populacional e níveis de escolaridade. Entretanto, a exclusão social também se apresenta em regiões mais desenvolvidas do país, como o Sul e o Sudeste. Essas duas regiões são marcadas, principalmente, pela marginalização decorrente da violência e do emprego formal.

No Brasil, os principais grupos excluídos do centro das decisões civis, também chamados de minorias sociais, são: idosos, crianças, LGBTQIA+, mulheres, índios, negros, deficientes físicos, himunodeficientes, populações de baixa renda/abaixo da linha da pobreza e populações ribeirinhas. Desses grupos, mulheres e negros somam mais de 60% de desempregados por período superior a 1 ano. Em relação à comunidade LGBTQIA+, os indivíduos mais excluídos do mercado de trabalho são transexuais e travestis, pois não possuem legislação trabalhista específica. Em decorrência disso, a maior parte desse grupo recorre à prostituição como fonte de renda.

Vídeos sobre marginalização para entender de vez o conceito

Para você aprender de uma vez por todas os tipos de marginalização, separamos alguns vídeos que irão esclarecer melhor o conceito desse termo. Confira!

Marginalização cultural

Neste vídeo, você verá exemplos dos marginalização cultural, atrelada à marginalização periférica. O vídeo reforça ainda a importância da cultura e de sua diversidade para a formação da nossa sociedade.

Exclusão social

Esse vídeo comenta sobre a exclusão social, relacionando-a com a marginalização de grupos sociais e explorando o conceito do termo marginalização.

Desigualdade social nas provas do ENEM

Esse vídeo aborda o tema da desigualdade social com dicas para a realização de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Aqui você verá alguns tipos de marginalização, apontando alguns dados dessas formas de desigualdade social no Brasil. Continue estudando sobre as condições de organização da vida em sociedade, confira as matérias sobre interação social, sociedade do consumo e cultura brasileira.

Referências

SANTOS, George Cruz. BARBOSA, Tatiana da Rocha. A marginalização espacial no espaço urbano o caso do bairro da união em Parintins-AM. 2017.

GUERRA, Alexandre; POCHMANN, Marcio; SILVA, Ronnie Aldrin. Atlas da exclusão social no Brasil: dez anos depois. 2014.

NEVES, Milena Gonçalves. Marginalização Social: a atualidade do debate clássico do
pensamento crítico latino americano. 2005.

João Paulo Marques
Por João Paulo Marques

Professor de Educação Física graduado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Pesquisador integrante do Grupo de Pesquisa Corpo, Cultura e Ludicidade (GPCCL/UEM/CNPq) e do Grupo de Estudos Foucaultianos (GEF/ UEM/CNPq). Pesquisas focalizando corpo, subjetividade, discurso e cultura física.

Como referenciar este conteúdo

Marques, João Paulo. Marginalização. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/sociologia/marginalizacao. Acesso em: 28 de November de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [Unicentro]

Em relação ao sistema de castas de uma sociedade, assinale a alternativa correta.

a) Existe mobilidade social dentro de uma sociedade de castas.

b) A exogamia faz parte dos casamentos realizados em sociedades de castas.

c) Não existe mobilidade social dentro de uma sociedade de casta.

d) Dentro de um sistema de castas não é importante a hereditariedade.

e) Em um sistema de casta não existe a divisão entre castas superiores e inferiores.

A resposta correta é c) Não existe mobilidade social dentro de uma sociedade de casta.

2.

O Brasil é um país subdesenvolvido e que ainda possui uma significativa quantidade de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Sobre os fatores que contribuem para a construção e permanência da pobreza no Brasil, assinale a alternativa incorreta:

a) A pobreza no Brasil não é causada por um episódio único, sendo resultado de uma série de fatores históricos, sociais, conjunturais e políticos.

b) O tipo de colonização ao qual o Brasil foi submetido no passado exerce influência até os dias atuais na distribuição da riqueza no país.

c) Fatores históricos possuem influência insignificante na expressiva quantidade de pessoas que vivem na pobreza no Brasil. O principal fator reside em uma tradição cultural de desvalorização do trabalho. A maior parte dessas pessoas opta por não trabalhar, por comodismo ou escolha.

d) O desenvolvimento tardio do país configura-se como uma das causas do quadro de pobreza brasileiro.

e) A histórica dependência econômica que nosso país tem em relação às nações desenvolvidas e organismos financeiros internacionais agrava ainda mais a desigualdade social e a pobreza existentes no Brasil.

A resposta correta é c) Fatores históricos possuem influência insignificante na expressiva quantidade de pessoas que vivem na pobreza no Brasil. O principal fator reside em uma tradição cultural de desvalorização do trabalho. A maior parte dessas pessoas opta por não trabalhar, por comodismo ou escolha.

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