Rococó

O rococó foi um estilo artístico que surgiu na França do século XVIII e rapidamente se estendeu a outros países europeus como Alemanha e Áustria.

A palavra rococó é uma adaptação da palavra francesa “rocaille” que pode significar tanto rocha quanto concha. Essa palavra foi adotada para designar inicialmente um estilo de marcenaria que se inspirava nas pedras naturais e suas formas côncavas, no início do século XVIII, e influenciou principalmente as artes decorativas, a arquitetura e a pintura da época.

Ao contrário das artes e decoração famosas do período, principalmente na corte do rei francês Luís XIV, com seus adornos dourados e com pedras preciosas, utilizava de elementos mais simples, mas nem por isso menos delicados.

De fato, os especialistas em artes sugerem que o rococó tenha surgido como uma reação aos excessos e à ostentação do Rei Sol. No entanto, o rococó não se trata de uma estilo sóbrio ou discreto. Esse estilo é caracterizado pelos ornamentos como espelhos, tapeçarias, pequenas esculturas e também pela preferência das formas naturais em detrimento das artificiais.

Principais artistas rococó

Muitos artistas do século XVIII que até então se identificavam com o estilo barroco, foram atraídos para esse novo estilo. Aqui elencamos alguns de seus principais expoentes.

Jean Honoré Fragonard (1732-1806)

Fragonard – O Balanço (1767)

Ao longo de toda sua vida, Fragonard produziu mais de 550 pinturas. Em geral, essas obras retratam com particular sensibilidade a intimidade e o erotismo de suas musas, como também cenas de amor e da natureza.

Fraçois Boucher (1720-1770)

Fraçois Boucher – L’odalisque Brune (1749)

François Boucher é considerado o maior pintor do estilo rococó. Suas pinturas em geral cultuam cenas pastoris, a vida das senhoras na corte e o imaginário mitológico. Em 1765, foi nomeado o pintor oficial do rei francês Luís XV.

Antoine Watteau (1684-1721)

Antoine Watteau – Diana at her bath (1716)

Watteau buscou inspirações na commedia del’arte. No entanto, suas inspirações também vinham das lembranças de sua cidade natal, Valenciennes, na França, a qual buscava retratar de modo colorido e cheio de luz.

Jean-Baptiste Oudry (1786-1755)

Jean-Baptiste Oudry – Missy and Lutinne (1729)

Jean-Baptiste Oudry ficou conhecido pelas suas obras que retratavam os animais da corte. Tanto que o próprio rei Luís XIV encomendou de Oudry quadros de seus cães de caça. Além das imagens pastoris e de animais, Oudry no final de sua carreira também pintou grandes chefes de estado e ilustrou as famosas Fabulas de La Fontainne.

Jean-Baptiste-Siméon Chardin (1699-1779)

Jean-Baptiste-Siméon Chardin – Bulles de savon (1735)

O pintor francês Jean-Baptiste-Siméon Chardin ganhou notoriedade ao retratar o vida cotidiana doméstica das famílias burguesas nas quais combinava cores fortes com técnicas refinadas de acabamento.

Pietro Longhi (1701-1785)

Pietro Longhi – Un noble embrasse la main de la dame (1746)

O pintor italiano Pietro Longhi buscou retratar de modo cômico e intimista cenas da vida doméstica em Veneza do século XVIII. Além de pintor, Longhi também foi desenhista e no início de sua carreira retratou temas religiosos e mitológicos.

William Hogarth (1697-1964)

William Hogarth – Gerard Anne Edwards in His Cradle (1733)

O britânico Willian Hogarth possuía muito interesse na vida da metrópole londrina e buscou retratá-la imprimindo seus traços pessoais que incluíam até mesmo sátiras políticas. Hogarth também buscou representar cenas da vida cotidiana, como na obra acima.

Manifestações da arte rococó

iStock

O rococó foi particularmente empregado nas artes decorativas e arquitetura mas também teve algum destaque na música e no teatro do período.

Arquitetura

A arquitetura rococó é reconhecida pela grande quantidade de curvas, muitas vezes assimétricas e pelo uso de uma paleta de cores que vai das mais luminosas às cores mais claras e sutis.

Diferentemente de outros estilos artísticos, o rococó não possui preocupações religiosas em sua arquitetura, sendo mais influenciado por temas como a natureza, mitologia e até a sensualidade humana.

Não é muito difícil reconhecer uma fachada rococó, já que estas quase sempre possuem balcões arredondados e são fortemente ornamentadas com estruturas de metal forjado, retorcido e sinuoso. A altura das construções no estilo rococó é reduzida e as janelas constantemente vão até o assoalho. Esse tipo de janela virou um marco do estilo rococó e ficou conhecido como “janela francesa”.

Artes plásticas

Embora possua suas próprias características, a pintura do estilo Rococó foi frequentemente integrada à decoração. Se tratava de um estilo de pintura mais preocupado com a vida intimista nas cortes, constituindo principalmente um retrato delicado da elite do século XVIII, sem se preocupar com questões sociais.

Música

A música rococó não é generosa como em períodos artísticos anteriores. De forma efetiva, existiu principalmente na França e foi definida por estilos musicais como os minuetos e sarabandas.

Porém, um fato curioso sobre a música rococó é que um de seus principais compositores, senão o principal, seja o filho mais novo do grande artista Johan Sebastian Bach. Christian Bach se apresentou nas principais cortes europeias daquela época.

Teatro

No teatro, esse estilo se manifestou de modo que a vida aristocrática com seus dilemas e angústias estivessem em evidência. Assim, as relações sociais e, sobretudo, o estilo de vida dessa classe privilegiada estiveram em alta enquanto o rococó dominava a estética do período.

Rococó no Brasil

Rolo

O estilo rococó chegou ao Brasil por volta de 1760 com os portugueses. Devemos lembrar que nesse período ainda éramos colônia de Portugal e, portanto, o que estava em alta na Europa, se tornava algo a ser copiado por aqui.

O rococó no Brasil foi sentido principalmente na arquitetura, em ambientes sacros como catedrais e igrejas. Nos projetos arquitetônicos creditados a Aleijadinho pode-se ver muita influência do estilo rococó europeu.

Especialmente em Minas Gerais, esse estilo ainda pode ser facilmente identificado no entalhe e decoração de ambientes interiores, valorizados por detalhes que misturavam o dourado com tons pastéis.

Algumas construções rococó de destaque são a igreja de São Francisco de Assis, em São João del Rey, e as igrejas de Nossa Senhora do Carmo e São Francisco de Assis, em Ouro Preto.

Qual a diferença entre o estilo barroco e o rococó?

É comum a confusão do estilo barroco com o rococó, pois existem diferenças muito sutis entre um movimento e outro. Do ponto de vista estético, o rococó é caracterizado pela abundância de formas, ornamentos e curvas.

Por outro lado, enquanto o barroco estava preocupado em representar o poder absolutista, em cenas heroicas ou civis, o rococó se ocupava em representar a burguesia e a aristocracia de modo mais delicado.

E se o barroco escolheu cenas de pessimismo e escuridão, o rococó ficou encarregado de mostrar alegria e a felicidade aristocrática.

Referências

História da Arte – E. H. Gombrich
Renascença e Barroco – Heinrich Wolfflin
Barroco e Rococó – Germain Bazin

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [EPBAZI]

O estilo Rococó vem da palavra francesa rocaille, que significa concha. Este movimento artístico durou do início ao fim do século XVIII e tinha como principais características o exagero na ornamentação e o afastamento dos temas religiosos. Analise as sentenças a seguir:

I- Temas banais fizeram do Rococó um estilo superficial e fútil.

II- O Rococó, assim como o Barroco, surgiu na Itália.

III- Podemos destacar elementos mais rudes nas composições do Rococó.

IV- O estilo Rococó era conhecido por usar cores escuras, sombrias, revelando o espírito da época.

Agora, assinale a alternativa CORRETA:

a) As sentenças I e II estão corretas.

b) As sentenças I, II e IV estão corretas.

c) A sentença I está correta.

d) As sentenças I e III estão corretas.

Resposta: C
Por sua falta de preocupação com questões sociais e maior apego a temas cotidianos aristocráticos, o rococó ficou conhecido como um estilo frívolo e desinteressado da sociedade.

2. [ENEM]

Com contornos assimétricos, riqueza de detalhes nas vestes e nas
feições, a escultura barroca no Brasil tem forte influência do rococó
europeu e está representada aqui por um dos profetas do pátio do
Santuário do Bom Jesus de Matosinho, em Congonhas (MG),
esculpido em pedra-sabão por Aleijadinho. Profundamente religiosa,
sua obra revela

a) liberdade, representando a vida de mineiros à procura da salvação.

b) credibilidade, atendendo a encomendas dos nobres de Minas Gerais.

c) simplicidade, demonstrando compromisso com a contemplação do divino.

d) personalidade, modelando uma imagem sacra com feições populares.

e) singularidade, esculpindo personalidades do reinado nas obras divinas.

Resposta: D
As obras de Aleijadinho são conhecidas pelo modo como aproximava temas sacros da realidade popular. Imprimir em suas obras sacras feições populares é um exemplo disso.

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