René Magritte se destacou por questionar a realidade a partir de sua própria representação. Ele produziu obras que retratam cenas cotidianas, mas apresentam elementos irreais, por isso, os detalhes das telas provocam outras leituras. Leia esta matéria e conheça mais sobre este artista surreal!
Biografia

René François Ghislain Magritte (Lessines, 1898 ― Bruxelas, 1967) foi um pintor, desenhista, escultor, fotógrafo e cineasta belga. Filho de um alfaiate e de uma modista, passou a infância em constante relocação porque os negócios da família iam mal. Devido a essa situação, sua mãe se suicidou por afogamento no rio Sambre em 1912. Magritte iniciou na pintura em 1910 e suas primeiras obras em estilo impressionista datam de 1915.
De 1916 a 1918, estudou na Academia Real de Belas Artes onde teve contato com pintores simbolistas. Em Bruxelas também conheceu o cubismo e o futurismo. Em 1920, realizou sua primeira exposição em Bruxelas e passou a introduzir elementos cubistas e surrealistas nos anúncios publicitários que produzia. Já em 1926, o artista pintou sua primeira tela surrealista, O Jóquei Perdido, que não teve boa aceitação do público e foi muito criticada.
Magritte morou em Paris de 1927 a 1930, quando conheceu o grupo surrealista parisiense que influenciou fortemente a sua obra. A partir de então, produziu telas aclamadas pela crítica e fez diversas exposições, além de gravações experimentais. Seu reconhecimento mundial ocorreu na década de 1960, quando realizou uma retrospectiva de sua carreira no Museu de Arte Moderna de Nova York. O artista faleceu em 1967 em decorrência de um câncer.
Características
A representação da subjetividade é uma das maiores marcas do Surrealismo e da obra de Magritte. A seguir, conheça outras características do artista:
- Abandono de padrões lógicos e de formas que imitam a realidade, assim há uma preferência por elementos que expressam a ausência de racionalidade.
- Apresentação em uma mesma obra de figuras ligadas à fantasia e à magia junto com outras relacionadas à vida cotidiana.
- Desconstrução das relações que os seres e os objetos mantêm com a realidade através da representação de imagens mentais.
- Promoção de ilusão de ótica a partir da distorção e da sobreposição de imagens, além de jogos de luzes e da escolha por determinadas cores não convencionais aos elementos.
- Questionamento sobre os limites entre um objeto e a sua representação no plano artístico.
- Exploração do inconsciente, do desejo, do sonho, do mistério e do impulso, dentre outras subjetividades.
- Disposição de objetos no espaço sem relações com o cenário, além da criação de legendas irônicas e títulos provocativos para as obras.
Magritte questionou a própria natureza da pintura enquanto obra de arte, assim como a ação do pintor sobre a imagem que não se limita em descrever algo do mundo real, por isso, é sempre única.
Principais obras
A obra de René Magritte renovou a linguagem das artes plásticas, pois a busca pela imagem poética nas pinturas gerou reflexões sobre o próprio processo de representação. Veja isso nos exemplos que separamos a seguir:
A Traição das Imagens

Uma das obras-primas do surrealismo, A Traição das Imagens é considerada um ícone da arte moderna. Pintada em 1929, a tela leva o espectador à reflexão a partir da frase ”Ceci n’est pas une pipe”, em português “Isso não é um cachimbo”, para lembrar que a pintura de um objeto é uma pintura e não o objeto real.
O Filho do Homem

O quadro foi pintado em 1964 como um autorretrato. A maçã verde está suspensa no ar escondendo o rosto do homem, mas é possível ver seus olhos na borda da maçã, além disso, o braço esquerdo dele (lado direito da tela) transmite a sensação de que dobra para trás na região do cotovelo.
Golconda

Pintada em 1953, a tela retrata uma espécie de “chuva de homens”, apesar de o céu estar azul e sem nuvens. As figuras são muito parecidas, vestem sobretudos escuros e chapéus de coco, como no quadro anterior. O homens estão suspensos no ar e também é possível visualizar algumas das figuras como sombras.
Agora, confira mais 10 obras de René Magritte produzidas ao longo de sua vida e influenciadas por diferentes movimentos estéticos:










As produções de Magritte fogem ao senso comum, provocando outros pontos de vista sobre os mundos palpável e mental. Para Magritte, a pintura nunca é a representação de um objeto real, mas a ação do pensamento do pintor sobre esse objeto.
Vídeos sobre um pintor surreal
Para reforçar os seus conhecimentos sobre René Magritte e o surrealismo, separamos três vídeos acerca da vida do pintor e dos sentidos provocados por sua produção artística. Assista!
50 fatos sobre René Magritte
Veja as inspirações, os amigos e amores, as curiosidades e algumas obras importantes de Magritte que a Vivi apresenta a partir de 50 fatos sobre a sua vida.
A Traição das Imagens
Magritte provocou reflexões sobre a arte e a realidade, mostrando que elas não se equivalem, assim como as imagens e as palavras. A Patrícia Camargo analisa isso na tela A Traição das Imagens. Acompanhe!
Golconda
Gabriel Freitas faz a análise visual da obra Golconda mostrando seus diferentes planos compositivos e como a disposição das figuras causa uma sensação de confusão no espectador. Confira!
Conforme você viu, René Magritte criou uma linguagem muito particular no mundo da arte. Para continuar estudando o Surrealismo, leia a nossa matéria sobre Joan Miró.
Referências
René Magritte: Pintor-Escritor-Crítico (2012) – Ilza Matias de Sousa e Maria Eliane Souza da Silva
As metáforas picturais de René Magritte (2007) – Márcia Arbex

