A oração subordinada adverbial faz parte do grupo das orações subordinadas, em que uma das orações é dependente de uma principal. A característica primária desse tipo de construção é que a oração subordinada tem valor de adjunto adverbial e complementa o sentido da oração principal.
“As orações subordinadas adverbiais têm a função dos adjuntos adverbiais, isto é, exprimem circunstâncias de tempo, modo, fim, causa, condição, hipótese etc.” (CEGALLA, 2008, p.396)
1. Classificação das orações subordinadas adverbiais
Causais
Exprimem causa, motivo, razão.
- O tambor soa porque é oco.
- Como não me atendessem, repreendi-os severamente.
- Como ele estava armado, ninguém ousou reagir.
- Não posso ir hoje, tanto mais que meu filho está doente.
Comparativas
Representam o segundo termo de uma comparação.
a. Orações comparativas com o verbo expresso.
- Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o verbo.
- Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram.
- O lugar é tal qual você descreveu.
b. Orações comparativas com o predicado ou o verbo subentendido.
- O esquilo é tão ágil quanto o macaco.
- Nenhum nadador treinou tanto como Ricardo.
- Ela recendia perfumes que nem um ramo de manacá florido.
c. Orações comparativas hipotéticas.
- O homem parou perplexo, como se esperasse um guia.
- Os cavalos iam à toda, como se mil demônios os esperassem.
- O zunido espalhou-se na sala como se um inseto estivessem voejando.
Concessivas
Exprimem um fato que se concede, que se admite, em oposição ao da oração.
- Admirava-o muito, embora não o conhecesse pessoalmente.
- Embora não possuísse informações seguras, ainda assim arriscou uma opinião.
- Os louvores, pequenos que sejam, são ouvidos com agrado.
- O responsável deve ser punido, quem quer que seja.
Condicionais
Exprimem condição, hipótese.
- Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos ofensores.
- Se o conhecesses, não o condenarias.
- A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência tenha êxito.
- Não fosse a perícia do guia, talvez teríamos perecido todos.
Conformativas
Exprimem acordo ou conformidade de um fato com o outro.
- O homem age conforme pensa.
- Relatei os fatos como os ouvi.
- Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas.
- Vim hoje, conforme lhe prometi.
Consecutivas
Exprimem uma consequência, um efeito ou resultado.
- Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
- De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.
- As notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolongar minha viagem.
- Ontem estive doente, de sorte que não saí de casa.
Finais
Exprimem finalidade, objetivo.
- Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor.
- O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.
- Instara muito comigo não deixasse de frequentar as recepções da mulher.
Proporcionais
Denotam proporcionalidade.
- À medida que se vive, mais se aprende.
- Quanto mais se tem, mais se deseja.
- Um empreendimento só poderá ter êxito na medida em que for bem concebido e executado.
Temporais
Indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na oração principal.
- Formiga, quando quer se perder, cria asas.
- Enquanto foi rico, todos o procuravam.
- Um dos garimpeiros falou, enquanto os outros escutavam silenciosos.
- Mal chegamos ao local, vimos toda a extensão da catástrofe.
Modais
Exprimem modo, maneira.
- Aqui viverás em paz, sem que ninguém te incomode.
- Entrou na sala sem que nos cumprimentasse.
Orações adverbiais locativas
Equivalem a um adjunto adverbial de lugar e são iniciadas pelo advérbio onde (que pode vir precedido de preposição), sem antecedente.
- Onde me espetam, fico.
- Não pode haver reflexão onde tudo é distração.
- Quero ir aonde estás.
- Venha por onde eu passar.
Esse tipo de estudos é mais aprofundado, pois aplica diversos conhecimentos sobre a gramática para fazer as devidas classificações. Dessa forma, uma oração é considerada subordinada adverbial quando se encaixa na oração principal, funcionando como um adjunto adverbial. Pela lógica, são introduzidas por conjunções subordinativas e classificadas de acordo com as circunstancias que exprimem.
Referências
CEGALLA, Domingos P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48o ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.