Cacofonia

A cacofonia trata-se de uma forma de vício de linguagem acústico, isto é, quando o som de palavras lidas em sequência geram outro sentido geralmente inadequado, obsceno ou engraçado.

A cacofonia é uma categoria que compõe os vícios de linguagem.

Os vícios de linguagem são alterações defeituosas que sofre a língua em sua pronúncia e escrita devidas ao não conhecimento da norma culta ou ao descaso de alguns escritores.

São devidas, em grande parte, à suposta ideia da afinidade de forma ou pensamento.

Em outras palavras, podemos dizer que os vícios de linguagem ocorrem quando se desvia da norma-padrão gramatical e que, em ambientes formais de comunicação devem ser evitados.

E que normalmente ocorrem por distração/descontração, ou ainda por desconhecimento. Os mais comuns vícios de linguagem são:

  • Barbarismo
  • Ambiguidade ou anfibologia
  • Cacofonia
  • Eco
  • Arcaísmo
  • vulgarismo,
  • Estrangeirismo
  • Solecismo
  • Obscuridade
  • Hiato
  • Colisão
  • Neologismo
  • Preciosismo
  • Pleonasmo

A definição de Cacofonia

O termo “cacofonia” provém do grego (kako = ruim + fonia = som). Acontece quando a junção de dois ou mais sons presentes na frase torna-se desagradável aos ouvidos, podendo até mesmo soar como outra palavra, se a frase for lida de forma muito rápida.

cacofonia
Imagem: Reprodução

Trata-se portanto de um vício de linguagem caracterizado pelo encontro ou repetição de fonemas ou sílabas que produzem efeito desagradável ao ouvido. A cacofonia também pode ser chamada de “cacófato”.

Assim, a cacofonia se revela no som. Isto é, este vício de linguagem se manifesta ao pronunciarmos as palavras, por isto é considerado um efeito precisamente acústico.

Acontece devido ao encontro de determinados fonemas em palavras próximas. Ao serem pronunciados juntos, formam outras palavras de sentido inadequado, muitas vezes com significado engraçado ou obsceno.

Exemplos de cacofonia

  • Uma mão lava a outra. (mamão)
  • Não pense nunca nisso. (caniço)
  • Já que tinha resolvido. (jaquetinha)
  • Meu coração por ti gela. (tigela)
  • Dei um beijo na boca dela. (cadela)
  • Ela tinha uma bolsa de couro. (latinha)
  • Uns têm fé de menos. (fede menos)
  • Por cada álbum. (porcada)
  • O nosso hino é belo e culto. (suíno).
  • Ela até tinha contado sobre isso ontem (tetinha).
  • Eu amo ela mais que tudo nesse mundo. (moela)

Como notamos, a cacofonia está mais presente na linguagem coloquial, ou seja, na linguagem que usamos no cotidiano. Porém, nem o famoso poeta português Luiz Vaz de Camões escapou na cacofonia em seus versos. Confira o exemplo abaixo retirado do poema Alma Minha Alma Minha Gentil, que te Partiste:

“Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste”

No poema como podemos analisar, a junção dos termo “alma minha” gerou o cacófato “maminha”, que seguramente não era a intenção do autor.

Referências

Gramática: Texto análise e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontara.

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [UNITAU]

Em “Envie-me já o catálogo de vendas”, temos

a) ambiguidade
b) pleonasmo
c) barbarismo
d) colisão
e) cacofonia

Resposta: E
A cacofonia está presente em “envie-me já.

2. [UFOP]

Qual o vício de linguagem que se observa na frase: “Eu não vi ele faz muito tempo”.

a) solecismo
b) cacófato
c) arcaísmo
d) barbarismo
e) colisão

Resposta: A
Solecismo, que são os erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.

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