Eça de Queirós

Precursor do realismo português, odiado pela Igreja Católica e um dos maiores escritores do século XIX.

Eça de Queirós é um dos principais representantes do realismo português. Suas obras, com forte caráter social e predominantemente antirromânticas, causaram escândalo na sociedade puritana do século XIX, pois essa não aceitava a abordagem pública de alguns assuntos, por exemplo, o adultério. A seguir, saiba mais sobre esse grande romancista.

Índice do conteúdo:

Biografia

Eça de Queirós nasceu em 25 de novembro de 1845, em Póvoa do Varzim, Portugal. Filho de pai brasileiro e mãe portuguesa que não eram casados oficialmente, fato mal visto pela sociedade, por isso, durante quatro anos, a família ocultou o nascimento do filho.

Longe da família, Eça de Queirós cresceu com seus avós paternos. Em 1855, ingressou no Colégio Interno da Lapa e formou-se em Direito em 1866 na Universidade de Coimbra. Por muitos anos, o escritor trabalhou como advogado e escreveu para vários jornais, bem como realizou viagens internacionais e foi nomeado cônsul em Paris.

No início de sua carreira literária, Eça de Queirós publicava folhetins na Gazeta de Portugal. Em 1871, participou do grupo “Cenáculos”, formado por intelectuais que realizavam conferências públicas para disseminar suas ideias sobre religião, filosofia, arte e política. A crítica social, a hipocrisia da burguesia e a corrupção da Igreja Católica são temas recorrentes em suas obras, abordagem essa que o caracteriza como o precursor do realismo em Portugal. Em 16 de agosto de 1900, faleceu na sua casa em Neuilly-sur-Seine, perto de Paris.

Principais obras

Eça de Queirós tem uma vasta publicação literária. Sua obra pode ser dividida em três fases: na primeira fase, foi influenciado pelo romantismo; na segunda, seus romances são realistas; e na terceira fase; há textos experimentais que testam os limites dos estilos literários. Além disso, ele também publicou literatura de viagem. Confira alguns de seus títulos:

  • O Crime do Padre Amaro (1875)
  • O Primo Basílio (1878)
  • O Mandarim (1880)
  • A Relíquia (1887)
  • Os Maias (1888)
  • A Ilustre Casa de Ramires (1900)
  • A Cidade e as Serras (1901)

Fugindo do estilo clássico, a literatura produzida por Eça de Queirós foi considerada inovadora. Sua obra foi traduzida em mais de 20 línguas. Entretanto, romances como “O Crime do Padre Amaro” e “O Primo Basílio” sofreram repressão da Igreja Católica.

Curiosidades

Ao lado de Machado de Assis, Eça de Queirós é considerado um dos maiores escritores em Língua Portuguesa do século XIX. Para conhecer mais alguns fatos interessantíssimos da vida desse escritor, veja algumas curiosidades abaixo:

  • O nome completo de Eça de Queirós era José Maria Eça de Queirós.
  • Eça de Queirós considerava uma humilhação ser filho de pais não casados, por isso, nunca falou sobre sua infância.
  • Foi um grande amigo do poeta Antero de Quental.
  • Em 2001, a obra “Os Maias” foi adaptada para uma minissérie brasileira de grande sucesso na rede Globo.
  • Em 1886, em busca de uma vida disciplinada, casou-se com a jovem aristocrata D. Emília, filha dos Condes de Resende.
  • Em 1865, encenou a personagem Correia Garção na peça Poeta por Desgraça.
  • Em 1990, foi criada a Fundação Eça de Queiroz com o objetivo de perpetuar a obra do autor.

Apesar de ser considerado à frente do seu tempo, a obra de Eça é permeada por mulheres desonestas e adúlteras, com forte caráter misógino, aspecto que reflete a sociedade da época. A seguir, saiba um pouco mais sobre os seus romances.

7 frases de Eça de Queirós

Nessa seleção de frases, confira algumas das características marcantes da obra de Eça, por exemplo, a ironia, a crítica social e a crítica à religião. Acompanhe:

  1. O mal por vezes vem de onde menos se espera. (O Crime do Padre Amaro)
  2. Aos políticos: menos liberalismo e mais caráter; aos homens de letras: menos eloquência e mais ideia; aos cidadãos em geral: menos progresso e mais moral. (Os Maias)
  3. O amor é essencialmente perecível, quando nasce começa a morrer. (O Primo Basílio)
  4. O justo que, penetrado do esplendor de Deus, ensine a adoração em espírito ou cheio do amor dos homens, proclame o reino da igualdade! (A Relíquia)
  5. Que outros desejem a fortuna, a glória, as honras, eu desejo-te a ti! Só a ti, minha pomba. (O Primo Basílio)
  6. Um lírio é tão natural quanto um percevejo. (Os Maias)
  7. Caramba, bendito seja o dinheiro! (A Cidade e as Serras)

A realidade é exposta claramente na obra de Eça! Que tal aprender um pouco mais? Então, a seguir, confira os melhores vídeos que te ajudarão nos estudos.

Saiba mais sobre Eça de Queirós

Esta seleção de vídeo traz informações e características sobre a obra do maior escritor do realismo português. Os vídeos servem de apoio para você guiar a sua leitura, compreender os romances e se surpreender com o estilo único de escrita. Assista!

Revisando o conteúdo: vida e obra de Eça de Queirós

Nesse vídeo, Bruna Martiolli apresenta as características mais marcantes da vida e obra de Eça de Queirós. Assista e aproveite para revisar e fixar todo o conteúdo aprendido até agora.

Os Maias: o romance mais incrível do século XIX

Os Maias, de Eça de Queirós, é leitura obrigatória de muitos vestibulares. Para te ajudar a compreender esse romance, confira a explicação de Tatiana Feltrin.

O Crime do Padre Amaro: uma leitura surpreendente!

O Crime do Padre Amaro é a obra precursora do realismo em Portugal. Nesse vídeo, você compreenderá o contexto histórico da época e as críticas presentes no romance. Confira!

Eça de Queirós é leitura obrigatória para a vida! Agora que você já conhece algumas características desse grande escritor, confira também a matéria sobre o Romantismo e aprofunde seus estudos em literatura.

Referências

Romantismo-Realismo (1998) – Massaud Moisés
A Literatura Portuguesa (1999) – Massaud Moisés

Por Suélen Domingues
Como referenciar este conteúdo

Domingues, Suélen. Eça de Queirós. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/eca-de-queiros. Acesso em: 04 de September de 2021.

Exercícios resolvidos

1. [UFMT]

Sobre a nudez forte da verdade – o manto diáfano da fantasia, epigrafe do romance A Relíquia, de Eça de Queiros, explicita uma crítica:
a) À hipocrisia religiosa e ao falseamento dos princípios do Cristianismo, percebidos por Teodorico Raposo na peregrinação que empreende até a Terra Santa.
b) À hipocrisia religiosa, com a menção da venda de relíquias, sobretudo a coroa de espinho de Cristo, que Teodorico Raposo encontra na Terra Santa e com que presenteia sua tia beata.
c) Aos preconceitos religiosos, através dos pressupostos do Naturalismo, expostos pelo sábio Topsius à personagem principal, Teodorico Raposo.
d) Aos princípios estéticos do Romantismo que, ao valorizarem a ideia de fuga da realidade, levavam o homem à alienação.
e) À hipocrisia religiosa, presente na sociedade oitocentista portuguesa, por meio da incursão pelo mundo dos sonhos, que simbolicamente acontece durante a peregrinação do Teodorico Raposo pela Terra Santa.

Resposta: E

Em “A Relíquia”, há uma forte crítica à hipocrisia religiosa que assolava a sociedade portuguesa. Para realizar essa crítica, o narrador usa o artifício do sonho em uma peregrinação simbólica pela Terra Santa.

2. [UFAM]

Leia as afirmativas abaixo, feitas sobre a obra de Eça de Queirós, o principal nome da ficção realista-naturalista portuguesa. Em seguida, assinale aquela que NÃO está correta.
a) Desenvolveu o romance histórico de tendência medieval, escrevendo nessa vertente a obra Eurico, o presbítero.

b) O romance Os Maias narra um caso de incesto involuntário, envolvendo os irmãos Carlos e Maria Eduarda.

c) Em A Cidade e as serras, o escritor defende a tese segundo a qual o homem só pode ser feliz longe da civilização e das máquinas.

d) O triângulo amoroso constituído por Jorge, sua mulher Luísa e o primo desta é o tema do famoso romance O Primo Basílio.

e) O Crime do padre Amaro é obra que, de acordo com os ideais reformistas da época, combate uma das mais poderosas instituições: a Igreja.

Resposta: A

O romance Erico, o presbítero não foi escrito por Eça de Queirós, mas sim por Alexandre Herculano em 1844.

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