Honoré de Balzac

As vidas pública e privada da sociedade burguesa são abordadas com detalhes na obra de Honoré de Balzac, um cronista de costumes.

Honoré de Balzac é aquele autor que, literalmente, passou a vida escrevendo! Com uma obra composta por mais de 100 títulos, ele descreveu com maestria e muitos detalhes a sociedade francesa do século XIX em suas diversas camadas, construindo um panorama sobre as mudanças sociais, políticas e econômicas desse momento. Conheça melhor o escritor e a sua obra a seguir!

Índice do conteúdo:

Biografia

(Fonte: Wikipedia)

Honoré de Balzac (Tours, 1799 — Paris, 1850) foi um importante escritor francês. Ele cresceu afastado de seus pais, aos oito anos foi enviado a um colégio interno onde ficou por sete anos. Por não se acostumar a rotina do local, era frequentemente levado a uma masmorra como castigo para alunos desobedientes. Lá teve muito tempo para ler e escrever, mas também desenvolveu sérios problemas de saúde.

A partir de 1814, passou a viver com a família em Paris e entrou para a universidade. Convencido pelo pai a segui-lo no direito, Balzac trabalhou alguns anos na área, mas desistiu. Já escrevendo, investiu em um negócio tipográfico no qual só contraiu dívidas. Ativo na vida parisiense, o escritor teve vários relacionamentos e um caso amoroso com Ewelina Hańska, uma polonesa rica e casada com quem trocou correspondências por 15 anos.

Após a morte do marido de Ewelina em 1841, o autor conseguiu se casar com a amada, mas faleceu cinco meses depois. Balzac é considerado o fundador do Realismo na literatura ao fazer descrições detalhadas de pessoas, ambientes e objetos para retratar a vida de seus personagens e fenômenos sociais como: hipocrisia familiar, dívidas, usura e costumes da vida burguesa.

Principais obras

Balzac produziu uma extensa obra com romances, novelas, contos, peças e estudos filosóficos que tematizam a sociedade francesa do século XIX, em especial a burguesia. Veja algumas produções abaixo!

Ilusões Perdidas

Escrito entre 1835 e 1843, o livro retrata a história de Lucien de Rubempré, um jovem que sai do interior da França rumo a Paris com o sonho de ser escritor. Com a ilusão de conseguir sobreviver da escrita na cidade luz, o personagem começa a trabalhar na imprensa e se depara com casos de corrupção, suborno e trapaças políticas no universo jornalístico. O livro foi inspirado nas experiências de Balzac no mercado tipográfico e editorial.

A Comédia Humana

A Comédia Humana nomeia o conjunto da obra de Balzac (com exceção apenas de alguns romances iniciais), composta por 95 livros e 48 projetos incompletos, assim, divide-se em diversos romances, novelas e contos. Na edição brasileira, ela foi dividida em 17 volumes que apresentam em média 4 livros cada. Em suma, a obra retrata a ascensão da burguesia na França e o seu modo de vida em mais de 2.500 personagens.

Outras obras de Honoré de Balzac

  • Fisiologia do Casamento (1829)
  • A Mulher de 30 anos (1831)
  • A Obra-Prima Ignorada (1831)
  • A Menina dos Olhos de Ouro (1833)
  • A Duquesa de Langeais (1834)
  • O Pai Goriot (1834)
  • Esplendores e Misérias das Cortesãs (1838)
  • Memórias de Duas Jovens Casadas (1842)
  • Os Camponeses (1844)
  • O Primo Pons (1847)

Balzac foi inovador na história da literatura ao colocar seus personagens em vários livros. Logo, é comum encontrar o mesmo personagem em diferentes estágios da vida ao longo d’A Comédia Humana: ora ele pode aparecer jovem e rico, depois, velho e pobre; como personagem principal em um livro e coadjuvante em outro, por exemplo.

7 frases de Honoré de Balzac

Separamos algumas frases e trechos das publicações do autor para que você perceba como ele descreve a sociedade francesa e a sua relação com o mundo literário.

  1. “Você acredita que eu seria capaz de deixar o mundo das idéias […] pelo mundo político, se eu não pressentisse que eu posso ser qualquer coisa de grande servindo ao meu país?” (Trecho de uma carta para sua amiga Zulma Carraud).
  2. “Paris tem seu Coliseu como a antiga Roma; mas seus gladiadores são os escritores; suas hienas, seus tigres, são os jornalistas” (Trecho de À Paris).
  3. “Acaso os jornalistas não teriam pertencido, como os marqueses, os financistas, os médicos e os procuradores, a Molière e a seu Teatro? Por que então A comédia humana, que corrige os costumes rindo, iria excetuar uma potência, quando a Imprensa parisiense não excetua nenhuma?” (Dedicatória de Ilusões Perdidas a Victor Hugo).
  4. “… considero a família e não o indivíduo ‘como o verdadeiro elemento social'” (Prefácio de A Comédia Humana).
  5. “A Imprensa, como a mulher, é admirável e sublime quando conta uma mentira. Não o deixa em paz até tê-lo forçado a acreditar nela, e emprega as maiores qualidades nessa luta em que o público, tão tolo quanto um marido, sucumbe sempre” (Trecho de Monografia da Imprensa Parisiense).
  6. “Existe apenas um animal. O criador serviu-se de um único e mesmo modelo para todos os seres organizados. O animal é um princípio que toma sua forma exterior, ou para falar mais exatamente, as diferenças da sua forma, no meio onde é chamado a se desenvolver” (Trecho de A Comédia Humana).
  7. “Chegar pelo lícito e pelo ilícito ao paraíso terrestre do luxo e dos prazeres vãos, petrificar o coração e macerar o corpo em busca de posses passageiras, como outrora se sofria pelo martírio da vida em busca de bens eternos, eis a idéia geral! Idéia aliás inscrita por toda a parte, até nas leis, que perguntam ao legislador: ‘Que pagas?’, ao invés de: ‘Que pensas?’. Quando essa doutrina tiver passado da burguesia para o povo, que será do país?” (Trecho de Eugênia Grandet).

Conforme você viu, Balzac apresenta uma profunda análise psicológica dos indivíduos em suas obras, elemento que se tornou uma característica do Realismo.

Vídeos sobre um analista da sociedade

Assista aos 3 vídeos que separamos sobre a vida e a obra de Balzac para ampliar seu repertório!

5 curiosidades sobre Balzac

Descubra as curiosidades sobre Balzac que a Mel Duarte, do Literature-se, conta nesse vídeo a respeito da vida e da produção literária do autor!

Ao Chat Qui Pelote

Nesse vídeo, a Tatiana Feltrin explica o conjunto da obra “A Comédia Humana” e fala sobre a primeira novela Ao Chat Qui Pelote que gira em torno de uma família burguesa. Confira!

Ilusões Perdidas

Nesse vídeo, o Thiago Honorato faz um resumão sobre o romance Ilusões Perdidas e comenta algumas curiosidades da obra, como seu teor biográfico que dialoga com elementos da vida de Balzac.

Agora que você já conhece um pouco da extensa obra de Balzac, veja outro importante autor da literatura mundial em nossa matéria sobre William Shakespeare!

Referências

O significado do dinheiro em Balzac (2010) – Sara Regina Cordeiro
Ilusões Perdidas (2016) – Honoré de Balzac

Érica Paiva Rosa
Por Érica Paiva Rosa

Professora, redatora e produtora cultural. Mestre em Letras pela UEM.

Como referenciar este conteúdo

Paiva Rosa, Érica. Honoré de Balzac. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/honore-de-balzac. Acesso em: 17 de April de 2021.

Exercícios resolvidos

1. [UPE]

“Embora tenha vivido numa época em que o Romantismo era quem ditava as regras na literatura mundial, Honoré de Balzac (1799-1850) foi o escritor que lançou as bases para o Realismo, movimento que encontrou o seu apogeu com a publicação da obra de Flaubert”.

MARTINS, Rafael Chaves. Eugência Grandet: a triste história de uma mulher inaugural. Revista Historiador nº 04. Ano 04. Dezembro de 2011 (Adaptado)

No contexto apresentado, a obra de Balzac teve como principal característica histórica:

a) a produção de uma única classe social, o operariado.
b) o desenho do retrato da nobreza como soberana e única.
c) o retrato do amor romântico sem influência do contexto social.
d) a representação da vida burguesa com uma crítica à industrialização.
e) o estilo impressionista com uma forte relação com os movimentos sociais.

Resposta: D

Justificativa: O Realismo surgiu em meados do século XIX junto com o movimento de industrialização, por isso essa estética literária foi marcada pela crítica à burguesia e à desigualdade social.

2. [UNESP]

“Nenhum dos filmes que vi, e me divertiram tanto, me ajudou a compreender o labirinto da psicologia humana como os romances de Dostoievski – ou os mecanismos da vida social como os livros de Tolstói e de Balzac, ou os abismos e os pontos altos que podem coexistir no ser humano, como me ensinaram as sagas literárias de um Thomas Mann, um Faulkner, um Kafka, um Joyce ou um Proust. As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu imediatismo e efêmeras por seus resultados. Prendem-nos e nos desencarceram quase de imediato, mas das ficções literárias nos tornamos prisioneiros pela vida toda. Ao menos é o que acontece comigo, porque, sem elas, para o bem ou para o mal, eu não seria como sou, não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que me fazem viver”.

(Mario Vargas Llosa. “Dinossauros em tempos difíceis”. www.valinor.com.br. O Estado de S. Paulo, 1996. Adaptado.)

Segundo o autor, sobre cinema e literatura é correto afirmar que:

a) a ficção literária é considerada qualitativamente superior devido a seu maior elitismo intelectual.
b) suas diferenças estão relacionadas, sobretudo, às modalidades de público que visam atingir.
c) as obras literárias desencadeiam processos intelectualmente e esteticamente formativos.
d) a escrita literária apresenta maior afinidade com os padrões da sociedade do espetáculo.
e) as duas formas de arte mobilizam processos mentais imediatos e limitados ao entretenimento.

Resposta: C

Justificativa: O excerto apresentado reflete sobre como a literatura propicia processos de conhecimento e de formação acerca da sociedade.

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