Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade foi o grande poeta modernista que se destacou, sobretudo, após a consolidação do movimento no Brasil.

Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos maiores poetas do Brasil. Participando da segunda geração modernista do movimento que teve início em 1922, com a Semana de Arte Moderna. Nasceu no ano de 1902, na cidade de Itabira do Mato Dentro, no interior de Minas Gerais.

Como filho de proprietários de terra na zona rural é destinado para estudos em colégios internos. Primeiramente na capital Belo Horizonte, em seguida para o Rio de Janeiro. Ao retornar para a capital mineira, começa a publicação de seus artigos, no Diário de Minas, em 1921.

Tal como os modernistas da época, defende a liberdade com as palavras. Uma forma de protesto e proclamação por um idioma que autoriza modelação perante à poesia. Além disso, breca o avanço das vanguardas europeias, que ainda serviam como influências na arte nacional.

carlos drummond de andrade
(Imagem: Reprodução)

Com a proposta do verso livre, segue às ideias de Oswald e Mário de Andrade. Contudo, implementa um ritmo mais despojado, liberto e sem dependência direta da metrificação.

Uma característica forte de Carlos Drummond de Andrade era sua dependência do ritmo, mas sempre deixando de lado a métrica. Ou seja, o fluxo moldava sua escrita.

Vida de Carlos Drummond de Andrade

A carreira de Carlos Drummond de Andrade começa a alçar voos altos quando, em 1922, conquista um prêmio estadual. O Concurso Novela Mineira premia o conto “Joaquim do Telhado” com o primeiro lugar.

Oriundo de família privilegiada, esta sempre incentivou Drummond na formação acadêmica. Ingressa, então, no curso de Farmácia, da Escola de Odontologia e Farmácia da capital, formando-se em 1925.

Após casar-se com Dolores Dutra de Morais, no mesmo ano funda, junto de outros escritores, “A Revista”. O veículo tinha como objetivo a consolidação do Modernismo no Brasil.

Depois de anos de publicações, é em 1928 que Drummond ganha destaque, com o poema “No Meio do Caminho”. Os versos repetitivos soaram como um deboche pela crítica, que desagradou do trabalho.

Quarenta anos depois Carlos Drummond de Andrade reúne material para a publicação de uma obra que contaria a história de outra. Assim, “Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de Um Poema” é lançada. A obra tinha por objetivo contar cada detalhe da construção do poema que popularizaria Drummond.

Características de Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade é um destaque do ponto de vista de unicidade. Isso porque se trata do primeiro poeta a se firmar e consolidar como grande artista modernista após os modernos.

Ou seja, das estrelas que surgiam à época, Drummond foi a estrela maior num período que sucedeu o movimento no país. Isso não tira o fato de muitas das características do poeta terem sido oriundas do modernismo. Entre elas, inclusive, estavam:

  • O indivíduo como tema central. O eu lírico da poesia de Drummond abrange as angústias humanas e os sentimentos;
  • Interrogatórios constantes acerca do conservadorismo presente;
  • Homenagens constantes às figuras de admiração do poeta (tal como Mário de Andrade ou Charles Chaplin);
  • Choques e contrastes sociais;
  • Jogo constante com palavras;
  • Pauta no existencialismo constante;
  • O fazer poético como reflexão;
  • Liberdade linguística, linguagem coloquial, verso livre, metrificação pessoal e temáticas do dia a dia;

Referências

História da literatura brasileira: Das origens ao romantismo Livro – Massaud Moisés

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Como referenciar este conteúdo

Bunde, Mateus. Carlos Drummond de Andrade. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/carlos-drummond-de-andrade. Acesso em: 30 de July de 2021.

Teste seu conhecimento

01. [ENEM]

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e

[comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e

[sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa…

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!

ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.

Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima

a) representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de expressões e usos linguísticos típicos da oralidade.

b) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatos e dados históricos.

c) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens que representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.

d) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em comparação com as prendas resgatadas de Itabira.

e) apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infância e do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.

 

02. [ENEM]

Aquele bêbado

— Juro nunca mais beber — e fez o sinal da cruz com os indicadores. Acrescentou: — Álcool.

O mais ele achou que podia beber. Bebia paisagens, músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana. Tomou um pileque de Segall. Nos fins de semana, embebedava-se de Índia Reclinada, de Celso Antônio.

— Curou-se 100% do vício — comentavam os amigos.

Só ele sabia que andava mais bêbado que um gambá. Morreu de etilismo abstrato, no meio de uma carraspana de pôr do sol no Leblon, e seu féretro ostentava inúmeras coroas de ex-alcoólatras anônimos.

ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 1991.

causa mortis do personagem, expressa no último parágrafo, adquire um efeito irônico no texto porque, ao longo da narrativa, ocorre uma

a) metaforização do sentido literal do verbo “beber”.

b) aproximação exagerada da estética abstracionista.

c) apresentação gradativa da coloquialidade da linguagem.

d) exploração hiperbólica da expressão “inúmeras coroas”.

e) citação aleatória de nomes de diferentes artistas.

01.  [C]

02. [A]

Compartilhe

TOPO