Semana de Arte Moderna de 1922

Uma semana que mudou os rumos da arte e da identidade nacional.

A Arte Moderna transformou o conceito estabelecido de arte que a precedia em diversos contextos e nas mais diversas linguagens. No Brasil, a Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco para o desenvolvimento do modernismo e para a transformação dos referenciais em arte, inspirados pelas vanguardas europeias, construindo uma identidade brasileira.

Resumo: Semana da Arte Moderna de 22

Cartaz da Semana de Arte Moderna – Fonte: Wikipédia

A Semana de Arte Moderna foi um evento de grande importância para o movimento Modernista no Brasil. O evento foi responsável por sediar e apresentar ao público novos ideais para a produção de uma arte moderna brasileira que se opôs a produção e compreensão artística parnasiana vigente. Foi fundamental para a construção de uma identidade genuinamente nacional.

Contexto histórico

A semana aconteceu durante a República Velha, na política de Café com Leite e no contexto mundial, pós Primeira Guerra Mundial. Esse cenário indica a transformação de um mundo formalista e tradicionalista, para a um mundo que preza pela praticidade e funcionalidade. Mas principalmente, um período de questionamento sobre a arte formalista que era produzida nas escolas de belas artes e nos romances literários.

Influências e objetivos

Com influências do movimento das vanguardas europeias, principalmente o Futurismo de Marinetti, o evento pretendeu expor e provocar uma ruptura na arte puramente estética, de caráter parnasiano importado da Europa e produzido no Brasil, criando uma identidade nova e com caráter brasileiro, não romantizado, como propagavam os parnasianos e romanistas.

O evento

O evento foi realizado no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. Com apoio da elite e alguns nomes notáveis, foram expostas obras de pintores e escultores e o evento foi acompanhado de apresentações musicais e com a leitura de alguns textos de escritores relevantes.

A inspiração para o modernismo, lançado a grande público no evento, foi proveniente das obras de Lasa Segall e de uma exposição de Anita Malfatti, que tiveram grande repercussão entre a classe artística, devido a inovação estética. Os escritores Oswald de Andrade e Mario de Andrade, foram importantes para a concretização do modernismo, tanto na literatura, quanto nas artes visuais.

Artistas e obras

Diversos artistas de grande e médio porte estiveram envolvidos na semana e também no movimento modernista que se desenvolveu na sequência. Todavia, alguns nomes se destacam devido ao envolvimento e relevância para a realização do evento, tanto escritores como artistas plásticos. Vejamos a seguir.

Mário de Andrade (1893 – 1945)

ODE AO BURGUÊS
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampeões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns milreis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam o “Printemps” com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!”

Escritor, poeta e musicólogo, Mário foi um dos idealizadores da semana, com o seu livro Paulicéia Desvairada. Teve grande importância na consolidação do modernismo, tanto na literatura, quanto na música. Prezou por uma identidade nacional mergulhando na representação das realidades das regiões do Brasil.

Anita Malfatti (1899-1964)

O homem amarelo (1917) – Anita Malfatti – Fonte: WikiArt

Mario de Andrade (1922) – Anita Malfatti – Fonte: WikiArt

A boba (1916) – Anita Malfatti – Fonte: WikiArt

Paulista e artista plástica, estou Belas Artes fora do país, na Alemanha e em Nova Iorque, por consequência foi influenciada pelo movimento modernista europeu. No Brasil, associou a liberdade de criação das estéticas modernistas a uma representação nacional e realiza sua exposição individual com obras modernista em 1917, disparando os debates sobre esse movimento no país.

Di Calvacanti (1897 – 1976)

Pierrete (1922) – Di Cavalcanti – Fonte: WikiArt

Samba (1925) – Di Cavalcanti – Fonte: WikiArt

Artista plástico e jornalista, o carioca foi um dos organizadores da semana onde expôs algumas de suas obras. Seu trabalho como ilustrador teve influência de artistas ingleses. Cavalcanti elaborou o cartaz de divulgação do evento.

Victor Brecheret (1894 – 1955)

Monumento das Bandeiras (1921 – 1954) – Victor Brecheret – Fonte: WikiArt

Escultor paulista que também teve suas obras expostas durante o evento. Com formação em São Paulo, também estudou em Paris, onde conheceu grandes nomes da escultura. Seus trabalhos eram admirados pelo grupo de modernistas envolvido na semana.

Vicente Rego (1899 – 1970)

M. Maunier Et Sa Fille (1922) – Vicente d Rego – Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural

A crucifixão (1922) – Vicente Rego – Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural

Artista plástico de Recife, estudou no Rio de Janeiro e em Paris, estando em contato com grandes nomes brasileiros e europeus. Na semana, expôs algumas de suas aquarelas.

Mesmo com grande ênfase nas artes visuais e na literatura, o evento contou com a participação de diversos artistas de diferentes linguagens, que complementaram as apresentações realizadas nos três dias. Veja alguns desses nomes:

  • Graça Aranha
  • Oswald de Andrade
  • Vila Lobos
  • Sérgio Millet
  • Cassiano Ricardo
  • Menotti Del Pichia

Nos três dias de evento foram mais de 100 obras expostas e muitas apresentações, leituras de textos e músicas executadas para o público que não recebeu de forma positiva as proposições, causando grande rebuliço e transformação a nível nacional.

Repercussão e legado

A Semana de Arte Moderna contribuiu, conforme seu principal objetivo, para a consolidação de uma identidade nacional verdadeira, sem ideais românticos. Apesar da resistência inicial e críticas duras recebidas de nomes importantes, o estopim do evento provocou a existência do movimento antropofágico e as criações que surgiram posteriormente.

A partir do evento, outros artistas visuais despontaram suas produções mundo a fora, transformando a arte brasileira, agora moderna, com identidade viva, colorida e expressiva, alargando os conceitos de belo impostas por uma cultura europeizada, tradicional e parnasiana.

Vídeos sobre a semana mais comentada da arte brasileira

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um evento rico em detalhes durante a realização e posteriormente, principalmente quanto a críticas e repercussões na época. Esses vídeos vão te ajudar a contextualizar todo o evento e conhecer um pouco sobre o pós semana.

Semana de Arte Moderna: deu o que falar

Nesse vídeo, a Vivi vai comentar sobre as respostas, comentários e críticas de artistas, críticos e jornalistas ao que foi produzido e apresentado durante a semana de arte, além de retomar a formação e importância desse evento.

Resumindo tudo o que aconteceu

Nesta aula, o Pedro faz uma grande contextualização histórica do que precedeu a semana e principalmente, retoma o que levou os artistas brasileiros a produzirem esse evento significativo.

Esse marco em cinco minutos

Para pontuar e frisar todo o conteúdo desse tema, o episódio do assunto literário pontua os principais acontecimentos da semana e destaca os principais nomes envolvidos.

A semana é um marco importante para história das artes visuais no país, foi fundamental para a consolidação de outros artistas, como Tarsila do Amaral, que você pode conferir clicando aqui e aprofundar seus estudos sobre o Modernismo no Brasil.

Referências

ANITA Malfatti. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: . Acesso em: 24 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.

DI Cavalcanti. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: . Acesso em: 24 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.

História da Arte (2012) – Graça Proença
MÁRIO de Andrade. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: . Acesso em: 24 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.

SEMANA de Arte Moderna. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: . Acesso em: 24 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.

VICTOR Brecheret. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: . Acesso em: 24 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.

Por Vanderlei Bachega Junior
Como referenciar este conteúdo

Bachega Junior, Vanderlei. Semana de Arte Moderna de 1922. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/artes/semana-de-arte-moderna-de-1922. Acesso em: 22 de September de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [IFPA]

Lasar Segall (1891-1957) e Anita Malfatti no início de século XX tiveram contato com a arte inovadora que estava em voga na Europa. Segall ao chegar ao Brasil realizou uma exposição em 1913 e não provocou polêmicas por ser estrangeiro, mas a exposição de 1913 de Anita Malfatti (1896-1964), pintora brasileira e, a sua exposição mais famosa de 1917, provocou o artigo com o título: “Paranóia ou mistificação?”, de Monteiro Lobato, criticando suas obras. Lassar Segall e Anita Malfatti foram os precursores da arte moderna no Brasil. Depois dessas exposições, estes dois artistas, juntamente com outros artistas mais inovadores e solidários, resolveram se reunir em torno da realização de uma mostra coletiva, que apresentasse a sociedade brasileira, o que havia de mais moderno em termos de arte, isso resultou na Semana de Arte Moderna de 1922 (PREOENÇA, 2005). Dentre os artistas a seguir, quem não participou da Semana de Arte Moderna de 1922:

A) Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo (1897-1976).
B) Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).
C) Tarsila do Amaral (1886-1973).
D) Oswaldo de Andrade (1890-1954).
E) Graça Aranha (1868-1931).

Resposta: C

2. [PMRJ]

Após a Semana de Arte Moderna foi formado, em São Paulo, o Grupo dos Cinco. Um grupo marcado pela sintonia de pensamentos que ampliou a compreensão do fenômeno moderno. Os artistas que integraram este grupo foram:
A) Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Villa-Lobos, Vicente do Rego Monteiro e Anita Malfatti
B) Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Ronald de Carvalho e Anita Malfatti
C) Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Menotti Del Picchia e Anita Malfatti
D) Tarsila do Amaral, Guiomar Novaes, Fructuoso Viana, Menotti Del Picchia e Anita Malfatti

Resposta: C

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