Anita Malfatti

Anita Malfatti ficou conhecida por fazer parte do movimento modernista brasileiro, produzindo pinturas que quebravam com a tradição canônica da arte acadêmica.

Anita Malfatti foi uma artista brasileira que fez parte do movimento modernista, representado pela Semana de Arte Moderna em 1922. Ela estudou no exterior, na Alemanha e nos Estados Unidos, tendo uma influência diversificada em sua pintura. Esse fator favoreceu para que sua arte viesse a figurar na vanguarda dos novos tempos.

No ano de 1914, em São Paulo, ela passa a expor aos poucos suas pinturas. No entanto, suas obras não são bem recebidas pela crítica paulistana que reconhece seu talento, mas não o seu estilo. Conheça mais sobre essa artista brasileira:

Biografia resumida de Anita Malfatti

Anita Catarina Malfatti nasceu em 1889, em São Paulo – alguns dias após a proclamação da República. Veio de uma família de ascendência alemã e foi estudar pintura em Berlim, na Alemanha. Nessa jornada de aprendizagem, ela também foi para os Estados Unidos. Assista ao vídeo abaixo para entender melhor sobre a obra da artista:

Anita nasceu com uma atrofia no seu braço direito e, por isso, aprendeu a usar com habilidade seu membro esquerdo. Seu talento, ao final, foi reconhecido até pelos seus maiores críticos, como Monteiro Lobato.

O fato de não ter estudado em Paris fez com que Anita não aprendesse a reproduzir os grandes cânones tradicionais da pintura. Pelo contrário, sua obra mostra um desprendimento em relação aos moldes acadêmicos.

Em 1917, por incentivo de seus amigos, dentre eles Di Cavalcanti, fez uma exposição que chamou a atenção da crítica e foi um marco para o movimento modernista. Em 1922, participou da Semana da Arte Moderna – um ponto alto desse movimento que almejava produzir uma arte legitimamente brasileira.

Além disso, junto com outros artistas como Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, formou o Grupo dos Cinco da Arte Moderna. Ela faleceu em novembro de 1964, alguns meses após o início da Ditadura Militar.

Técnica e características da pintura de Anita

A exposição de Anita em 1917 foi tão importante que é considerado o marco inicial do modernismo brasileiro. Além disso, ela inspirou o movimento futurista, que negava a arte do passado e pretendia se desligar das tradições. Assim, em 1922, foi realizada a Semana de Arte Moderna, onde ela fez uma exposição de suas obras.

As obras de Anita quebraram com o modelo tradicional e acadêmico de pintura, que valorizava o real. O estilo de pintura da artista era interpretativo, dando destaque para alguns traços, revelando expressões e colocando mais cores. Essas características mostravam sua relação com o expressionismo alemão, que aprendeu durante seus estudos. Tal ruptura com o modo canônico chamou a atenção dos artistas do modernismo. Conheça algumas dessas características:

  • Cores vibrantes;
  • Pinceladas visíveis;
  • Destaque nas expressões;
  • Descompromisso com o real;
  • Quebra com o modelo artístico da academia;
  • Temas pessoais e do cotidiano.

Assim, é notável como Anita foi capaz de fazer uma cisão com o modo de fazer arte nos moldes de sua época. No entanto, a obra da artista não se restringiu ao ponto alto da Semana da Arte Moderna. Ela ainda foi capaz de inovar e variar os estilos em suas pinturas, recebendo críticas até mesmo de alguns admiradores do modernismo.

Principais obras

As obras de Anita Malfatti podem ser bastante variadas. Por exemplo, no final de sua vida, se dedicou a pintar cenários populares. Entretanto, o que está presente com frequência em suas pinturas é um estilo que não é aquele canônico e, por isso, foi alvo de críticas. Abaixo, selecionamos algumas de suas obras principais.

O Farol (1915)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

A Estudante Russa (1915)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

A Boba (1916)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

O Homem de Sete Cores (1916)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

O Homem Amarelo (1917)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

Mário de Andrade I (1922)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

Mulher do Pará (1927)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

Samba (1945)

Reprodução da obra
Reprodução da obra

Anita Malfatti esteve na vanguarda de um movimento que quebrava com os paradigmas artísticos de sua época. A variedade de suas obras revela como ela continuou produzindo suas pinturas por muitos anos. Vale a pena conhecê-la mais profundamente para entender a história da arte brasileira.

Referências

Anita Malfatti: o início de uma ruptura das mais radicais na pintura brasileira do século XX – Roney Jesus Ribeiro;

A crítica de arte no entorno de Anita Malfatti e seu reflexo na história da arte brasileira – Renata Gomes Cardoso;

Os cadernos de desenho de Anita Malfatti. Um diário de criação à revelia e índices de um projeto pictórico em Paris – Roberta Paredes Valin;

Algumas considerações sobre a pintura de Anita Malfatti do início do séc. XX – Renata Gomes Cardoso.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Cientista social pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti e outros modernistas

a) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a originalidade e os temas nacionais.
b) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a criação artística nacional.
c) representavam a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa.
d) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada à tradição acadêmica.
e) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados.

Resposta: a

Justificativa: os moldes tradicionais da academia copiavam um cânone europeu, prezando pelo realismo e técnicas consideradas refinadas. Anita Malfatti causou uma polêmica porque suas pinturas, apesar de belas, não se compromissava com a realidade e buscava dar ênfase nas expressões e nas cores. Assim, ela também trouxe temas do seu cotidiano, nacionais, de forma que fosse uma arte legitimamente brasileira.

2. [PUC-SP]

A Semana de Arte Moderna (1922), expressão de um movimento cultural que atingiu todas as nossas manifestações artísticas, surgiu de uma rejeição ao chamado colonialismo mental, pregava uma maior fidelidade à realidade brasileira e valorizava sobretudo o regionalismo. Com isso, pode-se dizer que:
a) romance regional assumiu características de exaltação, retratando os aspectos românticos da vida sertaneja.
b) a escultura e a pintura tiveram seu apogeu com a valorização dos modelos clássicos.
c) movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os temas nacionais e reinterpretando nossa realidade.
d) os modelos arquitetônicos do período buscaram sua inspiração na tradição do barroco português.
e) a preocupação dominante dos autores foi com o retratar os males da colonização.

Resposta: c

Justificativa: o movimento modernista pretendia trazer temáticas brasileiras e se desvincilhar dos modelos tradicionais europeus, feitos no exterior. Afinal, até então tudo o que era considerado belo era sinônimo da tradição europeia – que, inclusive, ela mesma estava se transformando. Anita Malfatti foi uma integrante do movimento modernista que estudou no exterior e tentou produzir uma arte que fosse de fato brasileira.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO