Sionismo

O sionismo é a ideologia por trás da formação do Estado de Israel.

Sionismo é a ideologia nacional de Israel a qual defende o judaísmo como uma religião e também uma nacionalidade.

Logo, os sionistas acreditam que os judeus merecem seu próprio estado em sua pátria ancestral, Israel, da mesma forma que o povo brasileiro merece o Brasil e os japoneses merecem o Japão, por exemplo.

Origem e contexto histórico

iStock
Para entender como o movimento sionista começou é preciso saber que os judeus costumam relacionar o surgimento da sua nação aos reinos bíblicos de Davi e Salomão, por volta de 950 a.C.

Assim, o sionismo se baseia no antigo desejo judeu de um “retorno a Sião”, a Terra Prometida de Davi e Salomão, atual região da Palestina, Oriente Médio.

O sionismo começou no século XIX – exatamente na época em que o nacionalismo começou a crescer na Europa.

Quem fundou o sionismo?

Um jornalista judeu austríaco, Theodor Herzl, foi o primeiro a transformar os rumores do nacionalismo judaico em um movimento internacional por volta de 1896.

Herzl testemunhou o forte antissemitismo europeu e se convenceu de que o povo judeu nunca poderia sobreviver fora de um país próprio.

Então esse jornalista começou a escrever ensaios e reuniões organizadas que estimularam a emigração judaica em massa da Europa para Israel / Palestina.

Em 1897, na Suíça, Theodor Herzl fundou a Organização Sionista Mundial que visava fortalecer o nacionalismo judaico através da união do povo judeu ao redor do mundo.

Em 1948, após a Segunda Guerra Mundial e com forte apoio do movimento sionista, a ONU aprovou a criação do Estado de Israel, apesar da resistência muçulmana.

E logo uma permanente zona de conflito entre judeus e muçulmanos seria criada, assim como veremos mais adiante.

Sionismo e Cabala

Apesar de esses dois termos terem relação com o judaísmo, sionismo e Cabala não são sinônimos.

Enquanto o sionismo é uma ideologia política secular e nacionalista que defende o estabelecimento e manutenção de um Estado judeu, a Cabala é a tradição mística dentro da religião judaica que envolve a tentativa de se desenvolver uma compreensão mais próxima de Deus e da criação do universo.

E, embora existam judeus sionistas e judeus antissionistas, ambos se baseiam nos preceitos da Torá e do Talmud, livros sagrados para o judaísmo, cada qual com a sua interpretação.

Sionismo e Islã

O Islã costuma não apoiar o sionismo por questões que envolvem a história religiosa do povo árabe islâmico.

De modo geral, podemos dizer que tanto judeus quanto muçulmanos reverenciam a mesma terra sagrada por motivos diferentes.

Assim, da mesma forma que o movimento sionista defende que a Terra Prometida pertence ao povo judeu, os muçulmanos acreditam que essa região também lhes pertence.

Desse modo, os árabes muitas vezes veem o sionismo como uma espécie de colonialismo e racismo que visa se apropriar da terra palestina e sistematicamente privar os palestinos que lá permanecem.

Essa questão está no centro dos conflitos que ocorrem constantemente entre Israel e Palestina, nações diferentes que disputam o mesmo território.

Sionismo e maçonaria

Há ainda quem diga que a maçonaria, aquela sociedade secreta que inspira várias teorias da conspiração, esteja por trás do sionismo e que exista uma conspiração judaico-maçônico-comunista internacional na qual maçons, judeus e comunistas são aliados para dominar o mundo.

Entretanto, essa teoria conspiratória carece de evidências que comprovem sua veracidade.

Divisões do sionismo

Podemos dividir em sionismo em duas vertentes principais: o sionismo político e o sionismo religioso.

Sionismo político

Muito embora os sionistas concordem que Israel deveria existir, há muitos que discordam sobre como deve ser seu governo.

Em termos mais gerais, a esquerda sionista, que dominou a política do país até o final dos anos 1970, está inclinada a negociar a terra controlada por Israel pela paz com os países árabes, quer mais intervenção do governo na economia e prefere um governo secular a um religioso.

Já a direita sionista, que atualmente possui posições mais altas no governo israelense e na opinião popular, tende a ser mais cética em relação a acordos de “terra por paz”, é mais liberal em termos econômicos e não se importa em misturar religião com política.

Sionismo religioso

Baseado em uma fusão de religião judaica e nacionalidade, o sionismo religioso visa restaurar a liberdade política judaica e a religião judaica à luz da Torá e seus mandamentos.

Para o sionismo religioso, o judaísmo baseado nos mandamentos é uma condição para a vida nacional judaica na Terra Prometida.

Dessa forma, o movimento sionista religioso se espalha por outros aspectos da vida de Israel. Principalmente, pela educação.

Bnei Akiva, O Movimento Juvenil Religioso Sionista, oferece atividades sociais e educacionais para jovens em idade escolar da mesma forma em que a Universidade Bar Ilan, fundada em 1955, permite que os alunos explorem a tradição judaica e ao mesmo tempo participem de estudos seculares.

O sionismo religioso também é cultural, pois defende, além da manutenção da religião judaica, o fortalecimento da língua hebraica e a revitalização da cultura judaica como um todo.

Sionistas famosos

As celebridades pró-Israel, como são chamadas, vão desde atores veteranos de cinema até músicos e comediantes. Confira abaixo uma lista com sionistas famosos que manifestaram publicamente apoio a Israel:

  • Jon Bon Jovi
  • Madonna
  • Kanye West
  • Scarlett Johansson
  • Seth Rogen
  • Adam Sandler
  • Arnold Schwarzenegger
  • Sylvester Stallone
  • Bill Maher
  • Sarah Silverman

Sionismo no Brasil

A comunidade judaica no Brasil é a segunda maior da América Latina e conta com aproximadamente 120 mil pessoas, cerca de 0,06% da população, que começaram imigrar para cá a partir do século XVI.

No Brasil, o movimento sionista teve êxito desde seu surgimento até a criação de Israel e foi particularmente importante na formação da comunidade judaico-brasileira durante as décadas de 1940 e 1950.

Concluindo, o sionismo alcançou seu objetivo de estabelecer um estado judeu na Palestina, mas, ao mesmo tempo, tornou-se alvo de nações árabes e organizações palestinas engajadas contra a criação do Estado de Israel. Sendo, portanto, uma questão ainda bastante controversa.

Referências

Sionismo – Instituto Brasil-Israel
Sionismo – Confederação Israelita do Brasil
Dirigentes e lideranças do movimento sionista no Brasil – Carlos Eduardo Bartel
Nações e Nacionalismo desde 1780: Programa, Mito e Realidade – Eric Hobsbawm

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [IFBA]

“Os Estados Árabes se consideram em estado de guerra com Israel e, desde 1948, não cessam de proclamar sua vontade de lançar os israelitas no mar e de riscar seu Estado do mapa do Oriente próximo (…).”

FRIEDMANN, Georges. Fim do povo judeu? São Paulo: Perspectiva, 1969, p. 243.

Iniciado em 1848, o conflito palestino-israelense constituiu, no Oriente Médio, o que se convencionou chamar de Questão Palestina, que está longe de ser resolvida, ainda hoje, e pode ser relacionada à

a) exigência, pelos países do Oriente Médio, de cumprimento do Plano da ONU de Partição da Palestina, que criava o Estado Palestino no final da Segunda Guerra Mundial.

b) incapacidade dos países vencedores da Segunda Guerra de garantir a paz no Ocidente nos anos posteriores ao conflito, provocando uma fuga em massa de judeus para a Palestina.

c) construção de um padrão de instabilidade nas relações internacionais pelo recém-criado Estado de Israel, que contava com o apoio dos Estados Unidos, da União Soviética e da ONU.

d) recusa árabe à partilha da Palestina, imposta pela ONU, que submeteu a maior parte do território ao controle do recém-criado Estado de Israel, sem que se respeitasse a soberania dos povos desta região.

e) extinção oficial do mandato britânico sobre a Palestina, no final da Segunda Guerra, com reconhecimento imediato pelos países vencedores da independência de todos os países do Oriente Médio.

Resposta: D

Desde a década de 1940, com a criação do Estado de Israel, judeus e muçulmanos se encontram em permanente conflito pela partilha do território palestino que privilegia judeus em detrimento dos povos árabes que já habitavam a região.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO