Antissemitismo

Antissemitismo significa hostilidade ou discriminação contra os judeus como um grupo religioso ou racial.

O termo “antissemitismo” surgiu 1879 para designar as campanhas antijudaicas que ocorriam na Europa Central naquela época.

Porém, essa nomenclatura pode ser inadequada, pois implica uma discriminação contra todos os semitas (árabes e outros povos também são semitas, e ainda assim não são alvos do antissemitismo).

Antissemitismo na história

Estrela de Davi, símbolo do judaísmo.

Apesar do termo não ser novo, o ódio ao povo judeu é ainda mais antigo, remontando mais precisamente ao início da Era Cristã em Roma.

Devemos ter em mente que o judaísmo como religião não crê que Jesus Cristo seja o filho de Deus enviado à Terra e que o judaísmo é uma religião anterior ao cristianismo, ou seja, já existia como religião monoteísta bem antes.

Ainda nos primeiros séculos depois de Cristo, quando a igreja cristã se tornou dominante no Império Romano, seus imperadores criaram várias leis com o objetivo de perseguir, segregar e restringir a liberdade dos judeus.

Como consequência, os judeus foram cada vez mais forçados às margens da sociedade europeia. No entanto, onde eles eram necessários, os judeus eram tolerados.

Mesmo marginalizados, os judeus desempenhavam funções econômicas que eram vitais para a economia medieval como agiotas (empréstimo de dinheiro com juros) e comerciantes, já que não podiam possuir terras.

Onde eles foram autorizados a participar da sociedade maior, os judeus prosperaram, o que serviu para alimentar ressentimentos entre os não-judeus.

Este ressentimento econômico, aliado ao tradicional preconceito religioso, levou à expulsão forçada de judeus de vários países e regiões durante a Idade Média, incluindo Inglaterra (1290), França (século XIV), Alemanha (1350) e Portugal (1496).

Dessa maneira, por negar a Cristo e depois por suas habilidades financeiras, o povo judeu se transformou em “bode expiatório” em muitos episódios da nossa História, sendo o mais cruel o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.

Nazismo

O Partido Nazista, fundado em 1919 na Alemanha e liderado por Adolf Hitler, deu expressão política às teorias antissemitas.

De fato, o Partido Nazista ganhou parte de sua popularidade disseminando propaganda antijudaica e milhões de pessoas compraram o livro de Hitler, Mein Kampf (Minha Luta), que pedia a remoção de judeus da Alemanha.

Com a ascensão dos nazistas ao poder em 1933, o partido ordenou boicotes econômicos antijudaicos, queimou livros sagrados para o povo judeu e criou uma nova legislação antijudaica.

Pouco tempo depois, em 1935, as Leis de Nuremberg definiram racialmente os judeus por “sangue” e ordenaram a separação entre “arianos” (povos europeus de etnia branca-caucasiana) e “não-arianos”, legalizando assim uma hierarquia racista na qual o povo ariano era superior.

Na noite de 9 de novembro de 1938, os nazistas destruíram sinagogas e vitrines de lojas de propriedade de judeus em toda a Alemanha e Áustria.

Esse evento ficou conhecido como Noite dos Cristais e marcou uma transição para uma era de destruição, em que o genocídio se tornaria o auge do antissemitismo nazista.

O Holocausto

O Holocausto é um dos capítulos mais tristes de todo a nossa história. Estima-se que cerca de 6 milhões de pessoas foram mortas em toda a Europa durante esse período no qual o antissemitismo foi levado a um outro nível.

O Holocausto foi o assassinato em massa premeditado de milhões de civis inocentes que ocorreu durante a Alemanha nazista impulsionada por uma ideologia racista que considerava os judeus como “vermes parasitas”, dignos apenas da erradicação.

Assim, a partir de 1939, os nazistas implementaram um genocídio sem precedentes do povo judeu: ricos, pobres, ortodoxos, cristãos convertidos, idosos, jovens e até mesmo crianças não escaparam dos campos de concentração.

Ao formular sua ideologia de raça, Hitler e seus seguidores se basearam nas ideias dos darwinistas sociais alemães do final do século XIX que acreditavam que os seres humanos podiam ser classificados coletivamente como “raças” com características distintas.

Essas características se relacionavam não apenas à aparência externa e à estrutura física, mas também se relacionavam com a inteligência, força, habilidades sociais e até gostos culturais.

Desse modo, os nazistas definiram os judeus como uma “sub-raça” a qual atribuíram uma grande variedade de estereótipos negativos, o que os faria merecedores de perseguição, aprisionamento em campos de concentração e morte, muitas vezes em câmeras de gás.

Embora classificasse os judeus como “inimigos” prioritários, o conceito ideológico de raça nazista também visava o extermínio de outros grupos: pessoas com deficiências, poloneses, prisioneiros de guerra, afrodescendentes, Testemunhas de Jeová e homossexuais.

O extermínio das pessoas consideradas inferiores só terminou com o final da Segunda Guerra, e a consequente derrota da Alemanha de Hitler, em 1945.

O antissemitismo nos dias de hoje

Anthony Crider

Embora o Holocausto tenha acabado há várias décadas, o preconceito aos judeus ainda persiste e preocupa.

Nos últimos anos, muita atenção tem sido dada ao ressurgimento do antissemitismo na Europa, nos Estados Unidos e no Oriente Médio.

Desde o colapso dos acordos de paz de Oslo em 2000 e o lançamento de uma guerra terrorista contra Israel pelo Hamas e outros grupos palestinos, a hostilidade contra os judeus e especialmente contra o Estado judaico aumentou de maneira pouco esperada.

Em toda a Europa tem havido uma série de ataques violentos contra judeus e instituições judaicas em uma escala não vista desde a Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, o antissemitismo ganha forças na Europa e está geralmente está ligado ao antiamericanismo, ao mesmo tempo em que também demonstra todo o seu antissionismo.

Nos dias de hoje, a Grã-Bretanha perde apenas para a França como o local dos incidentes antissemitas mais numerosos.

Além das centenas de assaltos e profanações a lugares sagrados para o judaísmo, a Grã-Bretanha tem estado à frente das campanhas de boicote lideradas pela Igreja da Inglaterra e também pelo maior sindicato de professores do país.

E não acaba por aí, tem sido cada vez mais comum o surgimento de grupos neonazistas ao redor do mundo que glorificam e incentivam as políticas hitleristas incluindo o genocídio dos “povos inferiores”.

Após todos esses fatos, nos parece que o ódio ao povo judeu está longe de acabar, não é mesmo?

Antissionismo e antissemitismo: qual a diferença?

Para compreender as diferenças entre um termo e outro precisamos primeiramente entender o significado do sionismo. Vamos lá?

Resumidamente, o movimento sionista é um movimento político para o reestabelecimento, desenvolvimento e proteção de uma nação judaica no que é hoje a Palestina, surgido no final do século XIX.

Logo, ser antissionista significa ser contra o Estado de Israel e sua formação. No entanto, nem todos os judeus são sionistas e nem todos os sionistas são judeus.

Entenda mais sobre o assunto

A seguir, selecionamos três vídeos para você ficar craque no assunto.

Hannah Arendt: Povo, ralé e antissemitismo

Nesse vídeo, o professor Pedro Reno dá uma aula sobre a importante filosofa judia Hannah Arendt e seus principais conceitos bastante cobrados no ENEM e vestibulares.

Semitas: Quem foram?

O professor Rafael Silva, a fim de ensinar sobre os hebreus, também dá uma aula sobre a formação dos povos semitas.

Judaísmo: Origem e história

De forma descontraída, Leo Lousada e Bruno Lanaro explicam o judaísmo desde seu surgimento.

Sugestão de leitura

Anne Frank House

Para concluir, aqui vai uma dica de leitura. Trata-se do livro “O Diário de Anne Frank”, no qual a adolescente que dá nome ao livro narra os horrores da perseguição que sua família de origem judaica sofria durante o nazismo.

Anne escreveu o diário enquanto ela, seus pais e irmãos estavam escondidos contando com a solidariedade de quem quer que fosse para não morrerem de fome ou serem encontrados e mortos por soldados nazistas.

Por se tratar de um relato real, esse livro é muito comovente e com certeza vale a leitura.

Referências

As origens de uma obsessão: um estudo sobre o antissemitismo de Adolf Hitler – Vinícius Bivar M. Pereira

Antissemitismo medieval: o imaginário judaico que permanece na contemporaneidade – Jonatas Ferreira

Hannah Arendt: antissemitismo, imperialismo e totalitarismo – José João Neves Barbosa Vicente

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [FATEC]

Até setembro de 1944, não existiam crianças em Auschwits: eram todas mortas a gás na chegada. Depois dessa data, começaram a chegar famílias inteiras de poloneses: todos eles foram tatuados, inclusive os recém-nascidos.”

LEVI, Primo. Os afogados e os sobreviventes. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. p. 71-72.

O texto acima se refere:

a) ao chamado holocausto do povo palestino.

b) ao chamado holocausto do povo judeu.

c) à Primeira Guerra Mundial e à política de Anchluss.

d) à Segunda Guerra Mundial e à política de Anchluss.

e) ao terror retratado pelo palestino Levi ao ver seu povo sendo dominado pelos ingleses.

Resposta: B
Os campos de concentração nazistas foram criados para o rápido extermínio do povo judeu majoritariamente.

2. [UFU]

O depoimento a seguir, escrito por uma pesquisadora polonesa em 1985, relembra momentos de sua adolescência entre judeus em Varsóvia. Trecho 1: anos finais da década de 1930; trecho 2: meados da década de 1940.

Trecho 1

“Àquela época, era difícil para qualquer um ingressar na escola de medicina da Universidade de Varsóvia – para uma moça ou um rapaz judeu, era quase impossível. Embora as universidades polonesas não tivessem chegado a adotar a exclusão total, havia não obstante uma clara restrição extraoficial ao número de judeus admitidos como alunos, em especial nos cursos que preparavam profissionais liberais, como o de medicina.”

Trecho 2

“Os guardas obrigam mais e mais pessoas a entrarem, até que fica difícil respirar. Crianças gritam, homens praguejam e blasfemam, uma pessoa fica histérica.

– Vamos botar essas três judias pra fora! – exclama de repente uma mulher. – Estaremos bem melhor sem elas.

Uma forte reprimenda faz com que ela se cale.

– Mais uma palavra – um homem mutilado diz asperamente – e quem vai ser jogada pra fora é você.”

BAUMAN, Janina. “Inverno na Manhã. Uma jovem no Gueto de Varsóvia”. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005, p. 17 e 198.

Considerando a narrativa apresentada e o contexto a que se refere, assinale a alternativa correta.

a) A perseguição nazista aos judeus não causou inicialmente muita estranheza, pois diferentes práticas antissemitas eram comuns no dia a dia em várias partes da Europa.

b) O catolicismo e o anglicanismo eram muito difundidos na Polônia já naquela época. Fato este que justificava o forte preconceito contra outras religiões, até mesmo antes do surgimento do nazismo.

c) O convívio entre praticantes de diferentes religiões é indesejável sobretudo em regiões com culturas tradicionais ou em espaços muito habitados, devido ao risco de violências.

d) Hostilidades, restrições e perseguições são sempre lembradas por escritores que viveram o holocausto, mas não se repetem atualmente devido à grande tolerância religiosa.

Resposta: A
Desde o início do cristianismo os judeus são perseguidos, portanto, num primeiro momento, não havia estranheza quanto à perseguição antissemita nazista.

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