Etnocentrismo

Etnocentrismo refere-se à crença de que a cultura e os ideais de um determinado povo ou religião são corretos, em detrimento dos outros.

De raiz grega, a palavra etnocentrismo vem de “ethnos”, que significa nação, povo, e de “centrismo” que significa centro. É usado como conceito antropológico para definir a crença de que as atitudes e os hábitos comuns a um determinado povo é superior ao de outros. A compreensão de existência do ser humano dificulta a percepção da diferença como algo normal, gerando choques culturais e o etnocentrismo.

etnocentrismo
Imagem: Reprodução

O que é etnocentrismo?

Trata-se de algo que afeta a todos, e a todas as culturas do mundo, quando vistas pelos outros, mas isso, certamente, em graus bastante distintos. Julga-se, como se fosse certo ou errado, com a maior naturalidade, posicionamentos políticos ou quanto ao homossexualismo, feminismo, questões de drogas e raciais, entre outros. A dinâmica cultural de cada um acaba fazendo com que surjam preconceitos que levam os indivíduos a adotar padrões culturais familiares e criticar àqueles que não são. É bastante válido frisar, entretanto, que o fenômeno do etnocentrismo está diretamente relacionado à dimensões intelectuais e afetivas.

Esse tipo de pensamento é bastante perigoso quando espalha ideais de que há superioridade racial e cultural ao colocar o grupo como o centro, como o certo, e dificultando ou até mesmo prejudicando (de forma pacífica ou não) a existência de outros grupos que pensem de outra forma.

Durante o descobrimento, por exemplo, a cristandade declarou uma missão sagrada, a de levar a fé pela ação dos missionários e conquistadores à povos que possuiam culturas e religiões bastante peculiares e próprias. Outro exemplo, é o Iluminismo, que afirmou a razão como medida de progresso. Durante este período, teve-se o “eurocentrismo”, ou seja, a crença de que o homem europeu seria modelo de “homem civilizado”, enquanto os outros eram submetidos à mudanças.

A inevitabilidade do choque cultural é fatídica, uma vez que é bastante claro que as culturas apresentam, de forma natural, bases e estruturas diferentes. São grandes e intensas as discussões em torno dos direitos humanos e das questões de gênero no que tange culturas distintas, como é o caso, por exemplo, de países em que mulheres são vistas como submissas e inferiores, e submetidas à situações não aceitas pela maioria em determinados países.

Relativismo Cultural

A linha de pensamento da Antropologia denominada relativismo cultural, vem como uma forma de relativizar as culturas, instituindo a teoria da relatividade cultural. Ou seja, tinha como objetivo analisar os modelos culturais distintos deixando de lado o determinismo da visão etnocêntrica. Visavam, ainda, mostrar e trazer a compreensão de que ainda que os outros sigam valores e culturas diferentes, não são inferiores e tampouco precisam se adaptar ao que seguimos, eliminando a ideia de certo e errado.

Referências

http://www.febac.edu.br/site/images/biblioteca/livros/O%20que%20e%20Etnocentrismo%20-%20Everardo%20P%20Guimaraes%20Rocha.pdf

O que é etnocentrismo – Everardo Rocha

Por Natália Petrin
Como referenciar este conteúdo

Petrin, Natália. Etnocentrismo. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/etnocentrismo. Acesso em: 04 de December de 2020.

Teste seu conhecimento

01. [UNESP] Cada cultura tem suas virtudes, seus vícios, seus conhecimentos, seus modos de vida, seus erros, suas ilusões. Na nossa atual era planetária, o mais importante é cada nação aspirar a integrar aquilo que as outras têm de melhor, e a buscar a simbiose do melhor de todas as culturas.

A França deve ser considerada em sua história não somente segundo os ideais de Liberdade-Igualdade-Fraternidade promulgados por sua Revolução, mas também segundo o comportamento de uma potência que, como seus vizinhos europeus, praticou durante séculos a escravidão em massa, e em sua colonização oprimiu povos e negou suas aspirações à emancipação.

Há uma barbárie europeia cuja cultura produziu o colonialismo e os totalitarismos fascistas, nazistas, comunistas. Devemos considerar uma cultura não somente segundo seus nobres ideais, mas também segundo sua maneira de camuflar sua barbárie sob esses ideais.

(Edgard Morin. Le Monde, 08.02.2012. Adaptado.)

No texto citado, o pensador contemporâneo Edgard Morin desenvolve

a) reflexões elogiosas acerca das consequências do etnocentrismo ocidental sobre outras culturas.

b) um ponto de vista idealista sobre a expansão dos ideais da Revolução Francesa na história.

c) argumentos que defendem o isolamento como forma de proteção dos valores culturais.

d) uma reflexão crítica acerca do contato entre a cultura ocidental e outras culturas na história.

e) uma defesa do caráter absoluto dos valores culturais da Revolução Francesa.

 

02. [UEG]“Não quero que a minha casa seja cercada de muros por todos os lados, nem que minhas janelas sejam tapadas. Quero que as culturas de todas as terras sejam sopradas para dentro de minha casa, o mais livremente possível. Mas recuso-me a ser desapossado da minha por qualquer outra.”

GANDHI, M. Relatório do desenvolvimento humano 2004. In: TERRA, Lygia; COELHO, Marcos de A. Geografia geral. São Paulo: Moderna, 2005. p.137.

Considerando-se as ideias pressupostas, o texto

a) afirma que a globalização aumentou, de modo sem precedente, os contatos e a união entre os povos e seus valores, reforçando o respeito às diferenças socioculturais.

b) critica a intolerância com relação a outras culturas, gerando assim os conflitos comuns neste novo século.

c) indica o reconhecimento à diversidade cultural, além das necessidades de afirmação e de identidade, seja étnica, seja cultural, seja religiosa.

d) nega a existência da exclusão cultural e ressalta a homogeneização mundial e a superação/eliminação de fronteiras culturais.

01. [D]

02. [C]

 

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