Estrangeirismo

O estrangeirismo ocorre quando agregamos palavras prontas de outro idioma à nossa língua. Esse fenômeno é encontrado em várias expressões que utilizamos diariamente em conversas do cotidiano.

A globalização e a frequente expansão dos meios tecnológicos nos aproxima de muitas culturas. Essa aproximação é tão forte que traz traços de outras culturas para a nossa, um grande exemplo é a apropriação de palavras estrangeiras para o nosso vocabulário. Esse fenômeno é conhecido como estrangeirismo. Acompanhe!

Índice do conteúdo:

O que é estrangeirismo

O estrangeirismo ocorre quando há forte e presente influência de cultura, dos costumes e da língua – inclusão ou apropriação de palavras, expressões ou até mesmo a forma de conversar – de uma nação sobre outra. Considera-se o uso dessas palavras estrangeiras como um vício de linguagem.

Estrangeirismo X Neologismo

A diferença entre os termos se dá porque o estrangeirismo ocorre quando agregamos palavras ou expressões prontas de outro idioma à nossa língua. Enquanto o neologismo é a criação ou uma nova significação às palavras, derivadas ou formadas da nossa própria língua, ou não: ação de atribuir novos significados à palavras que já existem.

O uso de estrangeirismos no Brasil

É muito fácil encontrar palavras estrangeiras nas ruas de qualquer cidade do Brasil, além do grande uso nas redes de TV e na internet. Essa invasão de palavras estrangeiras no cotidiano de nossas conversas preocupa alguns gramáticos mais conservadores, prova disso foi a criação do projeto de Lei 1676/99, o qual trata o estrangeirismo como uma forma de dominação de um povo sobre o outro.

Entretanto, para os linguistas, o estrangeirismo está presente na língua brasileira desde a colonização, a qual impôs a língua portuguesa aos índios, cidadãos nativos das terras brasileiras. Nesse sentido, a visão dos linguistas mostra que a língua não muda para o bem ou para o mal, mas que muda para atender às necessidades de seus falantes, tornando-a assim cada vez mais democrática e, atualmente, mais global.

O estrangeirismo oferece perigo às línguas nativas?

Uma língua única que não aceita ou desenvolve novas palavras seria uma língua elitista, porque poucas pessoas teriam acesso a ela, aos dicionários e às normas estudadas em gramáticas. O estrangeirismo reforça, nesse sentido, a democratização e a pluralidade da língua, deixando-a mais acessível a todos os falantes que utilizam essa língua em seu dia a dia.

Por isso não há perigo de um empobrecimento da língua portuguesa por conta do estrangeirismo, muito pelo contrário, há um aumento de vocabulário, que ocorre por meio de trocas culturais com outras nações. Ainda mais com o acesso à internet, a serviços de ‘streaming’ e, principalmente, com o mercado de trabalho que busca constantemente por aperfeiçoamento e indivíduos atualizados. Assim, cada vez mais pessoas são fluentes em outras línguas e essas novas palavras passam a ser usadas no meio familiar e social e, com o tempo, seu uso é normalizado e agregado na sociedade.

Exemplos de estrangeirismos

O idioma mais falado no mundo atualmente é o inglês, dessa forma é a língua estrangeira que mais faz parte do nosso cotidiano e, por isso, os principais estrangeirismos da nossa língua são referentes a ele. A seguir, veja exemplos que utilizamos no dia a dia:

  • Carlos vai arrumar a internet hoje.
  • Agora sou fitness, faço exercícios regularmente!
  • Você viu o designer que foi contratado?
  • Mais tarde vamos ao shopping, você quer ir?
  • O melhor hot dog é o da lanchonete da esquina.
  • Qual look você vai usar na festa?
  • Meu delivery chega em vinte minutos.
  • Estou usando um shampoo em barra incrível!
  • Vou te mandar um e-mail com a proposta.
  • Fiz o download do arquivo no seu notebook.

Além desses exemplos, nos quais utilizamos a palavra em sua construção original, ou seja, sua construção na língua nativa, existem palavras do inglês e do francês que adaptamos para a nossa língua, como:

  • abat-jour (Francês): meu abajur não para de piscar!
  • Omelette (Francês): a omelete desse restaurante é divina.
  • Pic nic (Inglês): adorei o nosso piquenique!
  • Folklore (Inglês): O folclore é essencial para a cultura do país.
  • Crème (Francês): A fragrância desse creme é maravilhosa!

Com esses exemplos é visível como o estrangeirismo faz parte da nossa comunicação e ainda vai muito além, nós utilizamos palavras estrangeiras para expressar nosso estado de vida, humor e até mesmo para definir nomes de profissões que surgiram na era do mundo globalizado!

A nossa língua vai muito além de textos escritos e normatizados por regras, porque ela é viva! Se você se interessa e quer saber mais sobre a pluralidade da língua, vai adorar estudar sobre o preconceito linguístico, descobrir porque ele ocorre e como evitá-lo!

Referências

Estrangeirismo: Guerras em torno da língua – Carlos Alberto Faraco (2001).
História Sociopolítica da Língua Portuguesa – Carlos Alberto Faraco (2016).
O uso do estrangeirismo na Língua Portuguesa – Cláudia Aparecida Ferreira Gonçalves et al., (2011).

Por Ana Carolina
Como referenciar este conteúdo

Carolina, Ana. Estrangeirismo. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/portugues/estrangeirismo. Acesso em: 18 de October de 2021.

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

Só falta o Senado aprovar o projeto de lei [sobre o uso de termos estrangeiros no Brasil] para que palavras como shopping center, delivery e drive-through sejam proibidas em nomes de estabelecimentos e marcas. Engajado nessa valorosa luta contra o inimigo ianque, que quer fazer área de livre comércio com nosso inculto e belo idioma, venho sugerir algumas outras medidas que serão de extrema importância para a preservação da soberania nacional, a saber:

Nenhum cidadão carioca ou gaúcho poderá dizer “Tu vai” em espaços públicos do território nacional;

……….

Nenhum cidadão paulista poderá dizer “Eu lhe amo” e retirar ou acrescentar o plural em sentenças como “Me vê um chopps e dois pastel”;

……….

Nenhum dono de borracharia poderá escrever cartaz com a palavra “borraxaria” e nenhum dono de banca de jornal anunciará “Vende-se cigarros”;

……….

Nenhum livro de gramática obrigará os alunos a utilizar colocações pronominais como “casar-me-ei” ou “ver-se-ão”.

(PIZA, Daniel. Uma proposta imodesta. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8/04/2001.)

No texto acima, o autor:

a) mostra-se favorável ao teor da proposta por entender que a língua portuguesa deve ser protegida contra deturpações de uso.
b) ironiza o projeto de lei ao sugerir medidas que inibam determinados usos regionais e socioculturais da língua.
c) denuncia o desconhecimento de regras elementares de concordância verbal e nominal pelo falante brasileiro.
d) revela-se preconceituoso em relação a certos registros linguísticos ao propor medidas que os controlem.
e) defende o ensino rigoroso da gramática para que todos aprendam a empregar corretamente os pronomes.

Resposta:
A alternativa correta é a letra “b”, pois o autor considera como absurda tal medida e ironiza e tece uma crítica, o que pode ser percebido claramente pelas medidas que ele também apresenta (proibir os usos regionais e socioculturais da língua portuguesa existentes no Brasil).

2. [UFPR 2020)]

O que aprendi sobre dor, vícios e fugas
Zé Luiz perdeu a mãe e o pai ainda na adolescência. Buscou refúgio no álcool, em remédios e aprendeu a duras penas que não é possível fugir da dor ou do luto.
Desde muito cedo, somos incentivados a “tomar uma”.

Se não for em família ou com a tonelada de influências de filmes e TVs que nos cercam, há também o círculo de amigos. Pô! Todo mundo que é cool na escola ou no bairro bebe. Há certa emoção em quebrar a lei e conseguir arrumar bebida antes dos 18. Volta e meia, sempre tem um amigo que diz: “Vai lá! Não seja frouxo”.

É algo comum. E em certos casos pode até ser apenas isso, algo corriqueiro. Mas nem sempre.
Todos os anos, de acordo com um levantamento da OMS, um total de 3,3 milhões de pessoas morrem pelas consequências da bebida. O mesmo estudo também constatou que, para além dos casos críticos, o abuso de álcool também pode ser apontado como causa para mais de 200 doenças, incluindo mentais. Na casa de Zé Luiz, as duas coisas aconteceram.

Ainda adolescente, ele e sua irmã se viram sozinhos em meio ao luto. Pouco depois de perderem a mãe, tiveram de lidar também com a ausência do pai – que faleceu por conta de complicações de saúde ligadas ao alcoolismo. Sem repertório para enfrentar as questões que vivia, o filho seguiu o mesmo caminho.

A mistura entre luto mal resolvido, silêncio, álcool (e outras substâncias químicas) foi perigosa. Depois de um surto, Zé Luiz foi internado por dois meses em uma instituição psiquiátrica.

Durante essa experiência internado e nos meses que se seguiram, entendeu a duras penas que você até consegue mascarar os sintomas de uma depressão ou algo assim por um tempo, mas que, a longo prazo, fugir da dor não mexe no cerne do problema.
A dor não é causa. É sintoma.

Ismael dos Anjos

No terceiro parágrafo, o vocábulo cool está em itálico por ser um/uma:

a) gíria.
b) informalidade.
c) coloquialidade.
d) estrangeirismo
e) neologismo

A alternativa correta é a letra “d”. Cool é uma palavra da língua inglesa que faz parte do nosso vocabulário.

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