Domingo Sangrento

No dia 30 de janeiro de 1972, soldados britânicos abriram fogo contra manifestantes na cidade de Derry, no noroeste da Irlanda.

No dia 30 de janeiro de 1972, soldados britânicos abriram fogo contra manifestantes na cidade de Derry, no noroeste da Irlanda. Esse conflito ficou conhecido como Domingo Sangrento, “Bloody Sunday”, em inglês.

Vinte e seis manifestantes desarmados foram baleados, 13 morreram imediatamente ou em poucas horas e um morreu pouco mais de quatro meses depois.

A cidade de Derry estava na seção da Irlanda reivindicada pelo estado britânico e os tiroteios ocorreram no contexto da supressão de um crescente movimento pelos direitos civis exigindo igualdade para os católicos nos seis condados de Ulster reivindicados pela Grã-Bretanha.

O massacre de manifestantes desarmados naquele dia e o encobrimento do estado que se seguiu, asseguraram que a resposta ao estado britânico se tornasse cada vez mais militarista, aumentando a influência do IRA (Exército Republicano Irlandês), que defendia a violência contra o Reino Unido para forçá-lo a se retirar da Irlanda do Norte.

O início do conflito que ocasionou o Domingo Sangrento

O conflito começou como uma manifestação pacífica, porém ilegal, de cerca de 10 mil pessoas organizadas pela Associação de Direitos Civis da Irlanda do Norte, em oposição à política do governo britânico de prender suspeitos de membros do IRA sem julgamento.

No dia 30 de janeiro de 1972, os manifestantes marcharam em direção à Praça Guildhall, no centro da cidade, mas o exército britânico isolou grande parte da área, fazendo com que a maioria dos manifestantes alterasse seu curso e seguisse em outra direção.

domingo sangrento
O Domingo Sangrento foi precedido por uma marcha pelos Direitos Civis/Humanos. (Imagem: Reprodução)

Entretanto, alguns dos manifestantes confrontaram os soldados, atirando pedras e outros projéteis. As tropas britânicas responderam disparando balas de borracha e um canhão de água.

Com ordens de prender tantos manifestantes quanto fosse possível, o exército britânico passou a confrontar os manifestantes e a violência foi deflagrada.

Os mortos eram todos do sexo masculino, com idades entre dezessete e quarenta e um. Outro homem, aos cinquenta e nove anos, morreu alguns meses depois devido a ferimentos sofridos naquele dia.

Os feridos incluíam um menino de quinze anos e uma mulher. Foi devido ao grande massacre que o evento é lembrado como Domingo Sangrento.

Investigação e compensação

O Exército Britânico afirmou por muito tempo que suas tropas haviam reagido depois de serem atacadas, mas o povo irlandês sempre considerou os fatos ocorridos como um massacre.

Assim, uma investigação oficial foi instaurada para se averiguar as verdades sobre as circunstâncias do tiroteio.

Após muitas polarizações e dirigido pelo Lord Saville, o Bloody Sunday Inquiry levou 12 anos e só foi publicado no ano de 2010.

O inquérito finalmente estabeleceu a inocência das vítimas e responsabilizou-se pelo que aconteceu no dia 30 de janeiro de 1972.

Ainda em 2010, o primeiro-ministro britânico David Cameron foi ao Parlamento para pedir desculpas pelos tiroteios, chamou os assassinatos de “injustificados e injustificáveis”.

No ano seguinte, o governo britânico anunciou que ofereceria uma compensação financeira aos parentes das vítimas.

Referências

BBC – Bloody Sunday, Timeline of key events: details and archive clips.
O conflito na Irlanda do Norte o consocioativismo – Poliana G. Ribeiro, Raquel T. Spiri

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [FATEC]

“Palavras de ordem, símbolos, propaganda, atos públicos, vandalismo e violência são, atualmente, manifestações de hostilidade frequentes contra estrangeiros na Europa. Os países onde mais intensamente têm ocorrido conflitos são Alemanha, França, Inglaterra, Bélgica e Suíça.”

(MOREIRA, Igor e AURICCHIO, Elizabeth. Construindo o espaço mundial. 3.ª ed. São Paulo: Ática, 2007, p. 37. Adaptado.)

Sobre o fenômeno social enfocado pelo texto, é válido afirmar que se trata de conflitos:

a) civis e militares, relacionados às formas históricas de exploração dos países do chamado Terceiro Mundo.

b) ligados ao nacionalismo, ao racismo e à xenofobia, no contexto globalizado das grandes migrações internacionais.

c) entre imigrantes das diversas nacionalidades que invadem a Europa, atualmente, na disputa por empregos e por melhores condições de vida.

d) culturais, principalmente causados pelo conflito armado entre países católicos e protestantes, mas também, sobretudo, conflitos contra países islâmicos.

e) étnicos e sociais decorrentes das dificuldades de desenvolvimento de países europeus em continuar a sua industrialização nos setores tecnológicos de ponta.

Resposta: B
A xenofobia é a aversão ou intolerância a povos estrangeiros que migram de uma determinada região. Esse fenômeno vem sendo bastante corrente na Europa, por conta da grande quantidade de estrangeiros que migram para esse continente em busca de melhores condições de vida. Conforme ressalta o texto, em alguns países, os casos de xenofobia são mais acentuados.

2. [IBMEC]

Recentemente (julho de 2005) o IRA (Exército Republicano Irlandês) anunciou publicamente, depois de quase cem anos de sua fundação, o fim das ações terroristas. Esse grupo sempre empunhou a bandeira da reunificação da Irlanda e, portanto, a sua separação do Reino Unido. A imprensa nacional e internacional aventa que tal medida pode estar ligada:

a) à possibilidade, ainda neste ano, do primeiro-ministro Tony Blair assinar a definitiva separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e a sua tão esperada unificação com a República da Irlanda.

b) à percepção de que os atos terroristas não levam a lugar nenhum, uma vez que, depois de quase cem anos de existência, o IRA não conseguiu realizar nenhum acordo com o governo britânico.

c) à mudança dos membros do alto escalão do IRA, menos comprometidos com a causa da libertação da Irlanda do Norte e mais preocupados em manter acordos com guerrilheiros muçulmanos (Al-Qaeda) e colombianos (Farc).

d) aos ataques muçulmanos a Londres, pois esses teriam “roubado” do IRA o seu terreno de ação, levando as pessoas a confundir as organizações e a aumentar a aversão às práticas terroristas do grupo irlandês.

e) ao grupo unionista da Irlanda do Norte, liderado pelo pastor Ian Paisley, cada vez mais forte dentro do país, que vem gradativamente desmontando o grupo separatista e trazendo a público suas ligações com a máfia irlandesa.

Resposta: B
O IRA desistiu dos métodos terroristas em 28 de julho de 2005 e deu entrada em um processo de “entrega de armas” ao governo britânico, que demorou cerca de dois meses. Esse gesto denunciou certa compreensão por parte do grupo de que a luta violenta pela reunificação da Irlanda não lograria êxito se continuasse. Muitos dos membros do IRA optaram pela via política eleitoral, com forte tendência protestante.

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