Apropriação Cultural

Apropriação cultural é um conceito da antropologia que se refere quando alguns elementos de uma determinada cultura são adotados por outra sem consciência de seus significados.

O termo “apropriação cultural” é um conceito da antropologia e se refere ao momento em que alguns elementos específicos de uma determinada cultura são adotados por pessoas ou um grupo cultural diferente.

A apropriação cultural passa a ter uma conotação negativa especialmente quando a cultura de um grupo que foi oprimido é adotada por um grupo de uma cultura dominante.

Assim, a apropriação cultural esquece as práticas rituais e torna invisíveis as lutas desses povos.

E pessoas começam a usar roupas e acessórios sem saber seus significados e origens. Ou seja, dá margem para que elementos de uma cultura sejam banalizados, estereotipados ou simplesmente reduzidos a “exóticos”.

apropriação cultural
Imagem: Reprodução

Quando um símbolo de um povo marginalizado é tomado pelo elemento dominante, isso se torna uma relação de privilégio de uma cultura em relação à outra.

Trata-se, portanto, de um processo entre colonizador e colonizado que envolve desigualdade e desrespeito à cultura oprimida.

A apropriação cultural na atualidade

Atualmente os questionamentos sobre a apropriação cultural são inerentes ao consumo cultural. Isto é, passado o período colonial, o século XX foi marcado pela produção em massa dos bens de consumo que inclui cada vez mais itens de outras etnias colocados à venda como “exóticos”.

Turbantes e véus são exemplos de como o ocidente incorpora a cultura oriental em sua moda, se apropriando culturalmente, bem como o sushi abrasileirado que encontramos nos fast-foods, por exemplo.

A apropriação cultural e a pós-modernidade

O processo de globalização intensificou o comércio e a comunicação entre os países. Para o sociólogo Zygmunt Bauman, esse é um processo sem volta: “Na pós-modernidade, as comunidades não têm como manter puras as suas tradições, elas não podem mais manter intransponíveis as fronteiras que separam o ‘dentro’ e o ‘fora’”.

Esse debate continua, pois, se de um lado vemos o esvaziamento de outras culturas diferentes da nossa cultura ocidental, por outro lado, há quem veja sua propagação.

Nos parece bastante complexo definir o momento em que o uso de símbolos e costumes de um povo torna-se uma ofensa

Diante disso, o problema parece estar no ato de consumir sem a reflexão ou sem o devido respeito, o que esvazia o sentido.

Podemos concluir que não é o ato de usar um turbante que ofendem esses grupos, mas o fato de usar o turbante sem ter consciência de seu valor simbólico para as comunidades tradicionais.

E mais ofensivo ainda seria utilizar um símbolo para fins econômicos e que não tragam retorno para a comunidade “de origem”.

Referências

Apropriação cultural: uma mesa redonda – Salome Asega, Homi K.Bhabha, Gregg Bordowitz, Joan Kee, Michele Kuo, Ajay Kurian, Jacolby Satterwhite

A Era do Vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo – Gilles Lipovetsky

O mal estar da pós-modernidade – Zygmunt Bauman

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

A hibridez descreve a cultura de pessoas que mantêm suas conexões com a terra de seus antepassados, relacionando-se com a cultura do local que habitam. Eles não anseiam retornar à sua “pátria” ou recuperar qualquer identidade étnica “pura” ou absoluta; ainda assim, preservam traços de outras culturas, tradições e histórias e resistem à assimilação.

CASHMORE, E. Dicionário de relações étnicas e raciais. São Paulo: Selo Negro, 2000 (adaptado).

Contrapondo o fenômeno da hibridez à ideia de “pureza” cultural, observa-se que ele se manifesta quando:

a) criações originais deixam de existir entre os grupos de artistas, que passam a copiar as essências das obras uns dos outros.

b) civilizações se fecham a ponto de retomarem os seus próprios modelos culturais do passado, antes abandonados.

c) populações demonstram menosprezo por seu patrimônio artístico, apropriando-se de produtos culturais estrangeiros.

d) elementos culturais autênticos são descaracterizados e reintroduzidos com valores mais altos em seus lugares de origem.

e) intercâmbios entre diferentes povos e campos de produção cultural passam a gerar novos produtos e manifestações.

Resposta: E
A hibridez cultural resulta do fenômeno da aculturação, uma vez que uma cultura que absorve aspectos de outra e mantém características que herdou de sua convivência “original” não é “pura”. O texto argumenta que a hibridez surge no momento em que o grupo absorve traços culturais de sua nova convivência, enquanto mantém suas conexões com suas raízes culturais.

2. [ENEM ]

A recuperação da herança cultural africana deve levar em conta o que é próprio do processo cultural: seu movimento, pluralidade e complexidade. Não se trata, portanto, do resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo nostálgico, mas de procurar perceber o próprio rosto cultural brasileiro. O que se quer é captar seu movimento para melhor compreendê-lo historicamente.

MINAS GERAIS. Cadernos do Arquivo 1: Escravidão em Minas Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988.

Com base no texto, a análise de manifestações culturais de origem africana, como a capoeira ou o candomblé, deve considerar que elas

a) permanecem como reprodução dos valores e costumes africanos.

b) perderam a relação com o seu passado histórico.

c) derivam da interação entre valores africanos e a experiência histórica brasileira.

d) contribuem para o distanciamento cultural entre negros e brancos no Brasil atual.

e) demonstram a maior complexidade cultural dos africanos em relação aos europeus.

Resposta: C
O texto chama atenção para a abordagem que se faz dos projetos que resgatam e contemplam o passado cultural brasileiro e sua diversidade. Ao nos aproximarmos dos valores culturais africanos, aproximamo-nos de parte essencial da cultura brasileira, construída dentro de um processo generalizado de trocas mútua de diversos aspectos culturais entre as etnias que conviveram e ainda convivem em um mesmo espaço.

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