Pop Art

A Pop Art foi um movimento que se iniciou na Europa e logo foi difundido nos Estados Unidos entre as décadas 1950 e 1960.

Os artistas da Pop Art emprestaram imagens da cultura popular, tais como televisão, revistas em quadrinhos e publicidade impressa, buscando desafiar os valores convencionais da mídia de massa, bem como criticar as noções de feminilidade, domesticidade, consumismo e patriotismo.

As estratégias de apropriação da Pop Art estendiam-se a seus materiais e métodos de produção, que eram muitas vezes extraídos do mundo comercial.

Pop art: origens e objetivos

O contexto histórico da Pop Art se dá após a Segunda Guerra Mundial. Nesse período, enquanto a Europa se encontrava em reconstrução, os Estados Unidos viviam um desenvolvimento acelerado.

Nesta época, os Estados Unidos contavam com uma classe média em expansão, que por sua vez, tinha um apetite pelos bens disponibilizados pela indústria – televisores e eletrodomésticos passavam a ser cada vez mais comuns nos lares americanos.

Até este ponto, a arte americana tinha sido vista como sendo de importância secundária em comparação com a arte europeia.

Entretanto, com o advento da Pop Art, a arte americana descobriu seus pontos fortes e ganhou sua própria voz.

Influenciado pelo expressionismo abstrato e pelo neo-dadaísmo, o movimento que se iniciou mais precisamente da Grã-Bretanha com o artista ítalo-escocês Eduardo Paolozzi em 1947 com a obra “Eu era o brinquedo de um ricaço”, tem sua data oficial em janeiro de 1958 com a exposição dos trabalhos de Jasper Johns e Raushenberg em Nova York.

A partir de então, a Pop Art seria cada vez mais reconhecida como um movimento artístico autêntico com suas próprias características e indagações.

Assim, se apropriando dos elementos da cultura de massa, a Pop Art se firmou como um movimento político e crítico do consumo transformando a cidade de Nova York em centro artístico e cultural mundial.

Dessa forma, menos obcecados por si próprios do que os surrealistas, dadaístas e expressionistas e mais voltados para o mundo a sua volta, os artistas da Pop Art buscavam refletir e discutir a realidade em que estavam inseridos.

Pop art: características

O uso de novas técnicas misturadas com as tradicionais, o repertório imagético popular e as cores intensas deram o tom da pop art:

  • Imagens reconhecíveis: a Pop Art utilizou imagens e ícones de mídias e produtos populares. Isso incluiu itens comerciais tais como latas de sopa, placas de trânsito, fotos de celebridades, etc.
  • Cores brilhantes: a Pop Art é caracterizada por cores vibrantes e brilhantes em predominância, além de ter traços que lembram quadrinhos.
  • Ironia e sátira: a irreverência era um dos principais componentes da Pop Art. Artistas a utilizavam para fazer uma declaração sobre eventos atuais, desafiar e zombar da sociedade.
  • Diferentes tipos de mídia: os artistas pop muitas vezes misturaram materiais e utilizaram uma variedade de diferentes tipos de mídia.
  • Inovação técnica: muitos artistas pop estavam envolvidos em processos de impressão, o que lhes permitiu reproduzir rapidamente imagens em grandes quantidades.
  • Principais artistas e obras da Pop Art

    Entre os principais artistas da Pop Art, estão Andy Warhol, considerado por muitos especialistas seu maior expoente, assim como Roy Lichtenstein, Robert Rauschenberg e David Hockney.

    Andy Warhol (1928 — 1987)

    O nome de Andy Warhol tornou-se sinônimo de Pop Art. Os trabalhos de Warhol tipificam muitos aspectos do movimento, tais como a obsessão por celebridades, repetição de imagens e o uso da publicidade. Entre seus trabalho mais notáveis, estão a “Campbell’s Soup Cans” e representações de Marilyn Monroe.

    Warhol abriu um estúdio chamado “The Factory”, que servia tanto como seu ateliê quanto ponto de encontro para a classe artística em Nova York.

    Obras importantes

    Big Campbell’s Soup Can – Andy Warhol (1962)

    Marilyn – Andy Warhol (1964)
    Mao – Andy Warhol (1964)

    Roy Lichtenstein (1923 — 1997)

    Conhecido por seu uso de cores primárias e contornos arrojados, o estilo de assinatura de Lichtenstein referenciava as histórias em quadrinhos.

    Obras importantes

    Forget it! Forget me! – Roy Lichtenstein (1962)

    Spray – Roy Lichtenstein
    (1962)
    Hopeless – Roy Lichtenstein (1963)

    Robert Rauschenberg (1925 — 2008)

    Rauschenberg misturou materiais e métodos para criar colagens de Pop Art, incorporando imagens populares do época.

    É considerado um artista precursor da Pop Art principalmente por seus trabalhos que misturavam de garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos e animais empalhados em sua criação.

    Obras importantes

    Collection – Robert Rauschenberg (1954/1955)

    Wooden Gallop – Robert Rauschenberg (1962/1962)

    David Hockney (1937)

    David Hockney ajudou a criar o movimento pop britânico na década de 1960, criando pinturas semiabstratas em mídias misturadas.

    Seu trabalho de 1967, A Bigger Splash, foi uma das várias pinturas de arte pop centradas em torno de piscinas, um fascínio que cresceu depois que ele se mudou para a Califórnia.

    Obras importantes

    A bigger splash – David Hockney (1967)

    Peter getting out of Nick’s pool – David Hockney (1966)

    A Pop Art no Brasil

    Ao chegar no Brasil na década de 1960, a Pop Art encontrou a ditadura militar e, por esse motivo, seus propósitos foram alterados.

    Se nos Estados Unidos esse movimento se manifestava como crítica à sociedade de consumo, aqui os elementos da Pop Art foram recrutados contra a ditadura e o militarismo vigente, predominado a temática social e fazendo da Pop Art, mais do que nunca, uma arte de protesto.

    • Wesley Duke Lee
    • Luiz Paulo Baravelli
    • Carlos Fajardo
    • Claudio Tozzi
    • José Roberto Aguilar
    • Antonio Henrique Amaral

    Atualmente, a arte pop brasileira é representada por artistas internacionalmente conhecidos como Vik Muniz, Nelson Leirner e Romero Britto.

    Referências

    Pop Art: past, present, and future – Nicole Justiniano
    Pop Art – MoMa
    Isso é arte? – Will Gompertz

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [UEL]

“Podemos dizer que as origens da Pop Art remetem ao Dadaísmo, uma vez que a apropriação de produtos industrializados na execução dos trabalhos artísticos era frequente. O artista Dadaísta Raoul Hausmann, por exemplo, usava embalagens de produtos comerciais em suas colagens. O imaginário fantasmagórico de Max Ernst foi construído com recortes de ilustrações populares.” (Adaptado: HONNEF, K. Pop Art. Alemanha: Paisagem, 2004. p. 15.)

Nesse contexto, assinale a alternativa correta.
a) O caráter de apropriação dos elementos da cultura popular para os artistas Pop se aproximava do Dadaísmo por imitação, na tentativa de releitura dos trabalhos Dadá.

b) Artistas Pop como Roy Lichtenstein, ao utilizarem a tira de quadrinhos – elemento da cultura popular – em grande escala, faziam crítica irônica ao Dadaísmo, uma vez que este era descomprometido política e culturalmente e com trabalhos que se voltavam sobre sua própria construção formal.

c) Embora o Dadaísmo esteja na origem da Pop Art, as diferenças ficam evidentes à medida que se nota a relação harmônica de Dadá com a tradição da pintura neoclássica, enquanto os artistas Pop eram essencialmente experimentalistas.
d) Há uma distinção muito clara nas intenções dos dois movimentos, dado o fato que a Pop Art utiliza-se da linguagem popular de forma despretensiosa, sem críticas, e o Dadaísmo é uma crítica ácida, entre outras coisas, ao “bom gosto” burguês.

e) Apesar da aproximação formal da Pop Arte com Dadá, o artista Dadaísta Marcel Duchamp fazia crítica a ela por seu caráter “retiniano”, ou seja, devido aos apelos puramente visuais e decorativos.

Resposta: B
Diferentemente do dadaísmo, os artistas da Pop Art estavam mais comprometidos com a sociedade ao seu redor utilizando em suas obras de elementos popularmente conhecidos para criticá-la.

2. [UFC]

Leia a frase a seguir.

“Contra todos os importadores de consciência enlatada.”
ANDRADE, Oswald de. “Manifesto antropófago”. “Revista de Antropofagia”, São Paulo, ano I, n. 1, mai. 1928.

O Movimento Antropofágico, lançado em 1928, celebrizou-se pela radicalização de alguns princípios apregoados durante a Semana de Arte Moderna (1922). Sobre ele, é correto dizer que:

a) Defendia a apropriação crítica das ideias estrangeiras, em prol da constituição de uma cultura brasileira.

b) Simpatizava, politicamente, com o nazismo e o fascismo, ascendentes na Europa, e desaprovava o comunismo.

c) Aliou-se ao Movimento Verde-Amarelo, de Plínio Salgado e Menotti del Picchia, na defesa de uma cultura xenófoba.

d) Propunha a necessidade do isolamento cultural do país, para proteger-se da influência externa, que poderia transformar nossos valores.
e) propugnava uma cultura assentada nos valores do homem do campo, verdadeiro ícone da brasilidade, recusando os valores do mundo urbano

Resposta: A
Os artistas brasileiros da década de 1930 estavam grandemente influenciados pelas vanguardas europeias do início do século XX.
Dessa forma, defendiam a apropriação dessas ideias mas de modo crítico, transpondo-as para a cultura brasileira.

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