Di Cavalcanti

Produção artística e compromisso social são potências que andam juntas na obra desse artista.

Diferentes movimentos artísticos e períodos históricos na Arte trazem nomes relevantes e de grande contribuição para uma produção artística rica e de grande valor social e estético. No Brasil, os artistas modernistas desempenharam um importante papel para a constituição da identidade cultural do país e, dentre eles, está Di Cavalcanti. Acompanhe mais informações sobre ele a seguir:

Biografia de Di Cavalcanti

Fotografia de Di Cavalcanti – Fonte: WikiArt

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo (1897-1976), conhecido como Di Cavalcanti, foi um grande nome da arte moderna brasileira. Carioca, era ilustrador, caricaturista, pintor, jornalista e escritor. Foi um artista multifacetado que demonstrou, por meio de suas obras, sua preocupação com temas sociais e com a formação de um repertório visual genuinamente brasileiro.

Iniciando sua carreira por volta de 1914 como caricaturista e ilustrador de uma revista, Di Cavalcanti, alguns anos depois, mudou-se para São Paulo, onde esteve em contato com Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (1890-1954) e outros nomes relevantes do modernismo brasileiro. Esteve entre os idealizadores da Semana de Arte Moderna de 1922 e foi um incentivador do modernismo no país.

Em 1923, viajou para a França, onde estudou na Academia Ranson e conheceu artistas vanguardistas do século XIX, como Pablo Picasso (1881-1973), Georges Braque (1882-1963) e Henri Matisse (1869-1954), que influenciaram o seu desenvolvimento artístico a partir daí. Suas obras apresentam grandes influências das estéticas vanguardistas, contudo as temáticas retratadas pelo pintor são do cotidiano e do subúrbio brasileiro.

Características de suas obras

Mesmo com oportunidades de aprendizagem e troca com diversos artistas modernistas europeus, Di Cavalcanti apropriou-se das técnicas e das tendências estéticas para produzir obras com traços nacionais, simples e representativos da realidade brasileira e carioca. Veja as características recorrentes nas suas principais obras:

  • Temática nacional e cotidiana;
  • Uso de formas simples e traços curvilíneos;
  • Tendência de formas geometrizadas;
  • Cores acentuadas e quentes;
  • Poética lírica e tendência melancólica.

Ao observar com atenção as obras de Di Cavalcanti, é possível reconhecer características de diversos movimentos artísticos. O que surpreende na produção do artista é a sua capacidade de representar, por meio do seu traço, a realidade brasileira e suburbana.

Principais obras

Di Cavalcanti era pintor, ilustrador, caricaturista, gravador e muralista, dentre outras ocupações artísticas. Com suas distintas formas de expressão, produziu diversas obras, porém algumas se destacam pela preocupação em representar a cultura brasileira, como os outros artistas relacionados ao movimento modernista no início do século XX no Brasil. Vamos conhecer suas principais obras a seguir:

Samba

Samba – 1925 – Di Cavalcanti – Fonte: Itaú Cultural

Essa obra apresenta sua forma despojada, lírica e leve de pintar. A temática popular representa um estilo musical que estava por nascer e que fazia parte da cultura não elitizada do Rio de Janeiro no início do século XX. A forma como o artista apresenta os elementos, principalmente as figuras femininas, é considerada ousada.

Pierrette

Pierrete – 1922 – Di Cavalcanti – Fonte: WikiArt

Nessa obra, o movimento fluido da figura feminina remete à dança, como quem brinca fantasiada no Carnaval – festa de grande apreço popular no Brasil. O traço sinuoso de Di Cavalcanti é associado à Art Nouveau.

Mulheres, prostíbulos, retratos, festas, vida cotidiana e simples são outras figuras e momentos representados pelo pintor em suas obras. Veja:

Festa no Subúrbio – 1938 – Di Cavalcanti – Fonte: Itaú Cultural

Cinco Moças de Guratinguetá – 1930 – Di Cavalcanti – Fonte: Itaú Cultural

Devaneio – 1927 – Di Cavalcanti – Fonte: Itaú Cultural

Meninas Cariocas – 1926 – Di Cavalcanti – Fonte: Itaú Cultural

Ilustrações de Fantoches da Meia-Noite – 1922 – Di Cavalcanti – Fonte: Itaú Cultural

Essas são apenas algumas das centenas de obras produzidas pelo artista. Ao longo de sua trajetória, Di Cavalcanti também fez charges e muitas ilustrações para livros e jornais, além de retratos e caricaturas de pessoas próximas ou conhecidas. Seu acervo merece destaque e reconhecimento.

Algumas curiosidades sobre Di Cavalcanti

Sua história tem uma relevância imensurável para a constituição da identidade brasileira na pintura. Ao longo de sua vida, esteve em diferentes países e produziu trabalhos muito distintos. Conheça, a seguir, algumas curiosidades sobre Di Cavalcanti e suas obras:

  • Produziu o cartaz e o programa da Semana de Arte Moderna de 1922;
  • Criou um imenso mural para o Teatro Cultura Artística em São Paulo no ano de 1950, que foi restaurado após um incêndio em 2008;
  • No ano de 2012, a obra Samba foi destruída em um incêndio, após ser comprada por 10 milhões de dólares;
  • Em 1932, fundou o Clube dos Artistas Modernos (CAM), juntamente com Flávio de Carvalho, Antonio Gomide e Carlos Prado;
  • Retomou seus estudos na pintura após a exposição de Anita Malfatti (1889-1964) em 1917.

Com certeza, existem muitas outras curiosidades sobre a vida desse artista brasileiro. Assim, é preciso manter vivo o reconhecimento da relevância de Di Cavalcanti não apenas no modernismo, mas para toda a formação cultural brasileira nas artes visuais.

Vídeos sobre um defensor da identidade brasileira

Para que não passe nenhum detalhe sobre a vida e a produção do artista, separamos vídeos para complementar seus estudos e pontuar as principais informações sobre ele. Acompanhe a seguir:

Um pouco mais sobre a vida do artista

Nesse vídeo, a Renata Ramiro conta um pouco mais da história de vida de Di Cavalcanti e como ele se tornou um grande artista de renome nacional e reconhecimento internacional. Confira!

Di Cavalcanti e a música

O canal da USP fez uma visita ao acervo de obras do MAC e destacou a relevância da música como temática das obras do artista. O samba, representado frequentemente pelo pintor, é também um vestígio histórico do desenvolvimento do samba como parte da cultura urbana que nascia no Brasil após os anos de 1920.

Exposição de 120 anos

A Vivi, do canal Vivi eu Vi, foi convidada para visitar a exposição em comemoração aos 120 anos do pintor em São Paulo. Além de mostrar como foi a exposição, Vivi faz um apanhado de informações sobre Di Cavalcanti.

A biografia desse artista nos relembra um momento crucial para o desenvolvimento do modernismo no Brasil. Que tal complementar seus estudos lendo também sobre a Semana de Arte Moderna de 1922?

Referências

4 curiosidades sobre o painel de Di Cavalcanti no teatro Cultura Artística (2020) – Tatiane de Assis. Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/blog/arte-ao-redor/4-curiosidades-sobre-o-painel-de-di-cavalcanti-no-teatro-cultura-artistica/
Di Cavalcanti (2021) – Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras
História da Arte (2012) – Graça Proença

Por Vanderlei Bachega Junior
Como referenciar este conteúdo

Bachega Junior, Vanderlei. Di Cavalcanti. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/artes/di-cavalcanti. Acesso em: 26 de January de 2021.

Exercícios resolvidos

1. [UEL]

Observe a figura e leia o texto a seguir.

Emiliano Di Cavalcanti foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna de 1922. Nos períodos de 1923 a 1925, morou na capital francesa e teve contato com alguns artistas da Escola de Paris, entre eles, Pablo Picasso, que se evadia das linhas severas do cubismo para as curvas sensuais das madonas clássicas. O crítico Frederico Morais (2005) afirmou: “Di Cavalcanti deu à mulata brasileira a dignidade da madona renascentista, madonizou a nossa mulata.”

(Adaptado de: Mestres do Modernismo: exposição. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Fundação José e Paulina Nemirovsky e Pinacoteca do Estado, 2005. e In. MORAIS, F. . Acesso em: 12 abr. 2016.)

A partir dessa figura, da afirmação do crítico Frederico Morais e dos conhecimentos sobre o modernismo brasileiro, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.

( ) As mulatas de Di Cavalcanti são o resultado de uma interpretação pessoal das mulheres clássicas de Picasso.
( ) As mulheres de Di Cavalcanti não são sofridas e solitárias, expressam, plasticamente, o que há de ondulante, de macio, de materno e de sensual no corpo feminino.
( ) Di Cavalcanti reproduz, acriticamente, as lições que aprendeu com artistas da Escola de Paris.
( ) Em Paris, Di Cavalcanti, em contato com obras do passado e do seu presente, intensificou sua visão de um Brasil multicultural, nem exótico, nem folclórico.
( ) A representação da mulher nas obras de Di Cavalcanti revela que o belo na arte e a beleza feminina são universais e imutáveis.

Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.

a) V, V, F, V, F.
b) V, F, V, F, V.
c) V, F, F, F, V.
d) F, V, V, F, F.
e) F, F, V, V, F.

Resposta: A (V, V, F, V, F).

Di Cavalcanti reproduz o que aprendeu de forma crítica na realidade brasileira.
A figura feminina é mutável, inclusive nas diferentes obras do pintor.

2. [CESPE/CEBRASPE]

Considerando o texto acima, julgue o seguinte item a respeito das características dos estilos/movimentos artísticos:

O Movimento Modernista no Brasil se iniciou com os trabalhos de Anita Malfatti, expostos em 1917. A partir daí, artistas como Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro se uniram a ela e organizaram a Semana de Arte Moderna, em 1922, marco da arte moderna no Brasil.

C. Certo
E. Errado

Resposta: C (certo).

Vicente do Rego Monteiro, Di Cavalcanti e outros artistas foram inspirados pela exposição de Anita Malfatti para iniciar o pensamento que se transformou na Semana de Arte Moderna de 22.

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