Manifesto Comunista

O Manifesto Comunista mantém ainda hoje sua importância histórica, analítica e política, sobretudo para a vertente marxista de pensamento.

O Manifesto Comunista foi publicado em 1848 por Karl Marx e Friedrich Engels, em Londres. O texto foi escrito em um momento em que se acreditava que a Europa estava prestes a encarar uma revolução. Logo, esse texto ficou conhecido como um marco para o objetivo político comunista. A seguir, saiba mais sobre esse intrigante texto.

Manifesto comunista: resumo

Capa da primeira edição do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels
Primeira edição brasileira da obra, publicada em 1924

O Manifesto Comunista de 1848, de autoria de Marx e Engels, é dividido em quatro partes. O texto é escrito de forma didática e não é longo, então é recomendável que ele seja lido integralmente para que você entenda seu conteúdo. Apesar disso, apresentamos aqui um resumo introdutório, seguindo sua divisão:

1. Burgueses e proletários

Marx e Engels iniciam o texto com uma famosa frase: “A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes.” Assim, o objetivo desta parte é apresentar as transformações das sociedades pré-capitalistas até a contemporaneidade.

Conforme os autores, todas as sociedades até o presente enfrentaram um conflito entre pelo menos duas classes: uma, mais poderosa e abastada, e outra, subjugada. Seja entre senhores e escravos, senhores feudais e servos, ou, agora, entre burguesia e proletariado, essa oposição sempre existiu.

Nesse sentido, é também a luta de classes que permite o desenvolvimento da sociedade. Enquanto o primeiro lado quer manter o outro submisso, o outro deseja desfrutar dos privilégios do primeiro, fazendo com que ocorram transformações, como foi a Revolução Francesa.

2. Proletários e comunistas

No contexto apresentado acima, os comunistas se alinham ao lado dos proletários. Todavia, além de serem defensores dos direitos operários, os grupos comunistas argumentam também a respeito de uma versão da história: ou seja, aquela em que o conflito entre burguesia e proletariado deve gerar uma transformação.

Em outras palavras, os comunistas defendem uma visão mais ampla dos movimentos políticos. Logo, a luta é pela abolição dos privilégios dos burgueses, do capitalismo e da produção de bens baseada na exploração dos que nada possuem.

3. Literatura socialista e comunista

Na época de Marx e Engels, era mais forte o embate entre o socialismo e o comunismo. De um lado, o socialismo seria o projeto de uma pequena parte da burguesia que pretendia reformar o sistema da época, sem mudá-lo por completo.

Do outro lado, o comunismo visava a transformação completa do modo de produção da sociedade capitalista, uma vez que tal sociedade se baseia na exploração da maioria da população para benefício de uma minoria. A fim de alcançar um outro tipo de relação social, o comunismo se apresenta como uma necessidade radical.

4. Posição dos comunistas diante dos diversos partidos de oposição

Marx e Engels defendiam a especificidade e o contexto próprio de cada sociedade em sua luta de classes. Portanto, cada localidade também possuía partidos políticos e movimentos sociais diferentes, e os comunistas se aliariam a cada um conforme os seus objetivos.

Ou seja, o objetivo comunista, de transformação radical da sociedade capitalista, é o que une pessoas que se identificam com essa luta política em todo o mundo, independentemente de sua nacionalidade.

O objetivo do Manifesto Comunista

É possível listar diversos objetivos do texto do Manifesto Comunista. Um deles, entretanto, diz respeito à possibilidade de analisar a realidade socioeconômica e avaliar as possibilidades de transformação da sociedade.

Com isso, seria possível delinear também objetivos mais específicos de uma luta política. No momento de escrita do texto, as diversas crises políticas e o fortalecimento do movimento operário traziam a esperança de uma revolução.

Embora uma revolução comunista nunca tenha se concretizado na visão marxista, os autores deixaram uma contribuição analítica sobre a sociedade. Atualmente, essa teoria já foi revisada e transformada, mas continua relevante.

7 frases do Manifesto Comunista

No Manifesto, existem diversas frases marcantes, visando a consciência e a mobilização política das pessoas. Confira algumas delas a seguir:

  1. “A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes”.
  2. “As armas com as quais a burguesia abateu o feudalismo se voltam agora contra ela mesma”.
  3. “[…] a burguesia não forjou apenas as armas que a levarão à morte; produziu também os homens que usarão essas armas: os trabalhadores modernos, os proletários”.
  4. “[…] os operários não tem pátria”.
  5. “[…] o desenvolvimento internacional do capitalismo determina o caráter internacional da revolução proletária”.
  6. “Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser os seus grilhões”.
  7. “Proletários de todos os países, uni-vos!”.

Os objetivos políticos do comunismo são explanados com cuidado por Marx e Engels nessa obra, em um momento em que diversos movimentos sociais eclodiam em diferentes países. Assim, é produtivo debater sobre o quanto suas reflexões são interessantes ainda hoje.

Vídeos sobre o Manifesto

O Manifesto Comunista, embora alguns considerem desatualizado, pode trazer discussões e reflexões produtivas para o tempo atual. Sendo assim, confira a seguir alguns vídeos que apresentam debates interessantes a respeito da obra:

Sobre a obra

Esse vídeo traz uma resenha sobre o livro de Marx e Engels. Ela possibilita que revisemos alguns aspectos gerais já trabalhados.

Trechos do Manifesto

Algumas citações da obra são consideradas bastante impactantes ou explicativas. Confira nesse vídeo a leitura de alguns trechos do livro.

O que é consciência de classe

Uma das principais ideias do Manifesto é a da luta de classes. Para compreendê-la, é importante desenvolver a chamada “consciência de classe”. Saiba mais o que isso significa nesse vídeo.

Uma visão sobre o Manifesto

As opiniões sobre o Manifesto e o comunismo em si são bastante variadas. Acima, confira um posicionamento possível a respeito da obra.

Acerca do comunismo

Para uma visão mais ampla sobre o comunismo e o marxismo, veja a sugestões de livros que aprofundarão o conteúdo do assunto.

O Manifesto Comunista é uma obra que nos leva a diversos outros debates importantes na sociologia. Assim, confira também nossa matéria sobre classe social.

Referências

Análise do Manifesto Comunista à luz dos dias atuais – Letícia Gomes Maia;

Manifesto Comunista – Karl Marx; Friedrich Engels;

O Manifesto Comunista: qual sua relevância hoje? – James Petras.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Cientista social pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [UNIMONTES]

A questão das classes sociais ocupa um papel fundamental na teoria de Karl Marx. Para ele, existem condicionantes e determinantes na complexa relação entre indivíduo e sociedade e entre consciência e existência social. Considerando as reflexões de Karl Marx sobre esse tema, marque a alternativa INCORRETA.
a) As classes sociais sustentam-se em equilíbrios dinâmicos e solidários, sendo a produção da solidariedade social o resultado necessário à vida em sociedade.
b) A luta de classes desenvolve-se no modo de organizar o processo de trabalho e no modo de se apropriar do resultado do trabalho humano.
c) A luta de classes está presente em todas as ações dos trabalhadores quando lutam para diminuir a exploração e a dominação.
d) Em meio aos antagonismos e lutas sociais, o indivíduo pode repensar a realidade, reagir e até mesmo transformá-la, unindo-se a outros em movimentos sociais e políticos.

Resposta: A
Justificativa: a resposta incorreta é a “A”, que afirma que a relação entre as classes sociais são solidárias e harmônicas. Para Marx, essa relação é, como a própria expressão diz, uma “luta de classes”. A classe dominante e a classe dominada sempre mantém uma conexão conflituosa.

2. [UFUB]

De acordo com a teoria de Marx, a desigualdade social explica-se:
a) Pela distribuição da riqueza de acordo com o esforço de cada um no desempenho de seu trabalho.
b) Pela divisão da sociedade em classes sociais, decorrente da separação entre proprietários e não proprietários dos meios de produção.
c) Pelas diferenças de inteligência e habilidade inatas dos indivíduos, determinadas biologicamente.
d) Pela apropriação das condições de trabalho pelos homens mais capazes em contextos históricos, marcados pela igualdade de oportunidades.

Resposta: B
Justificativa: para Marx, a história da humanidade é a história da luta de classes, ou seja, entre proprietários e não proprietários. Assim, ele retira também a ideia liberal de que os bens e a riqueza que os indivíduos possuem são explicados totalmente a partir de seus esforços ou capacidades.

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