B. F. Skinner

A teoria de Skinner dá um novo sentido ao conceito de comportamento, oferecendo um modo de estudar cientificamente a psicologia.

B. F. Skinner foi um dos psicólogos mais importantes do século XX, inaugurando uma teoria que está lado a lado com outras grandes teses, como a da psicanálise de Freud. Embora ela leve o nome de behaviorismo (que vem de “behavior” em inglês, ou seja, “comportamento”) ou comportamentalismo, ela é da vertente radical. Saiba mais sobre o autor a seguir.

Biografia: quem foi Skinner?

Fotografia de B. F. Skinner, por The New York Times.
Fotografia de B. F. Skinner, por The New York Times.

Burrhus Frederic Skinner (B. F. Skinner) nasceu em 20 de março de 1904, no estado de Pennsylvania, nos Estados Unidos. Sua cidade natal, Susquehanna, era pequena, rural, e permaneceu lá até entrar na universidade em New York, onde se formou em Literatura.

Contudo, o seu sonho inicial – o de ser escritor – não vingou. Em meio às frustrações, teve contato com as ideias de Bertrand Russell, John B. Watson e Jacques Loeb, o que fizeram com que ele decidisse ingressar em Harvard para estudar filosofia e psicologia.

A partir disso, quem foi Skinner para a psicologia? Sobretudo, ele foi responsável por criar uma filosofia que sustenta a ciência do comportamento. Logo, foi possível criar também metodologias e ferramentas de análise para estudar e explicar as ações humanas e de outros organismos.

Assim, Skinner escreveu sobre diversos temas – desde a aprendizagem até a velhice. O autor morreu em agosto de 1990, oito dias após realizar uma palestra na American Psychological Association. Até o fim, defendeu sua psicologia e sua função social.

Principais conceitos

Assim como Freud formulou uma filosofia e conceitos imprescindíveis para a psicanálise, Skinner baseou a ciência comportamentalista que seguiu novos rumos a partir de suas ideias. Portanto, entenda algumas teses principais do autor:

Behaviorismo radical

O behaviorismo radical ou comportamentalismo radical é a filosofia da ciência do comportamento de Skinner. Em contrapartida, existem outros tipos de behaviorismo, como o metodológico, inaugurado por John B. Watson, antes de Skinner formular a sua vertente.

E por qual razão a teoria de Skinner seria radical? No behaviorismo de Watson, a palavra “comportamento” estava ligada ao modelo de estímulo e resposta. Portanto, o autor fugia de explicar eventos “internos”, como o pensamento e as emoções.

Por outro lado, o behaviorismo radical considera o comportamento como um conceito que explica a psicologia humana e de outros organismos. Ou seja, os sonhos, as ideias e até os sentimentos são explicados como comportamentos.

No entanto, é necessário entender que comportamento, para Skinner, não é somente uma mera ação: é também o contexto e as consequências que estão envolvidas. Entenda mais no subtópico a seguir.

Tríplice contingência

Para Skinner, de nada vale descrever uma ação que alguém está realizando – roer as unhas, por exemplo. Para que uma análise seja possível, é necessário entender qual é o contexto em que esse ato é feito e quais são as consequências ou modificações no mundo ocorrem ao realizá-lo.

Tomando o exemplo de roer as unhas: toda vez que Maria está ansiosa antes de uma prova, ela rói as suas unhas, de modo que, ao fazer isso, ela esquece temporariamente das razões do nervosismo, o tempo passa, ela realiza a prova, e tanto a ansiedade como o roer as unhas cessam.

No caso acima, a ação de Maria de roer as unhas é reforçado pela consequência de controlar temporariamente a ansiedade, e o ato para de acontecer logo que o contexto motivador do nervosismo também passa.

Esse é o modelo de tríplice contingência: contexto (ou estímulo), ação (ou resposta) e consequência. Ela é representada pelo seguinte esquema: S – R – C.

Condicionamento operante

Com a breve explicação acima, é possível notar que o modelo teórico de Skinner é diferente daquele de estímulo e resposta (S – R). Ao contrário, o autor deu ênfase no papel das consequências como o fator que faz os comportamentos se repetirem.

Sendo assim, Skinner formulou a tese do condicionamento operante, ou seja, o tipo de comportamento que não se forma a partir de estímulos, mas da ação no mundo e dos efeitos que ela causa no ambiente.

Por essa razão, o autor realizou diversos experimentos com animais testando como a apresentação de diferentes consequências para determinadas ações modificava o comportamento, fazendo-o aumentar, parar ou ser reduzido. Ele chamou esses processos de reforçamento, punição e extinção.

Nessa ideia está implicada também a de seleção por consequências. Ou seja, alguns comportamentos se mantêm ou são extinguidos a depender dos seus efeitos. Certamente, existem aqui também influências de Charles Darwin no pensamento de B. F. Skinner.

Três histórias de variação e seleção

Conforme Skinner, existem três fontes históricas dos nossos comportamentos. A primeira é a ontogenética, ou seja, a que se refere ao passado do indivíduo. Como a história de cada pessoa é diferente, seus comportamentos devem ser entendidos em cada contexto.

Outra fonte é a filogenética: a história da espécie. Nesse âmbito, estão a origem de comportamentos principalmente ligados ao que se convenciona chamar de “instintos”, reflexos, ou automáticos.

Por fim, a terceira fonte histórica dos nossos comportamentos é a cultura. Assim como as demais, o contexto cultural que o indivíduo está inserido cria variações no ambiente – fazendo surgir novos comportamentos – e seleciona determinadas ações, a depender das consequências.

Desse modo, a teoria de Skinner é bastante ampla. Logo, deve ser entendida com cuidado, evitando preconceitos e procurando uma leitura direta do autor.

Teoria de Aprendizagem de Skinner

A essa altura, é possível notar que Skinner levou bastante a sério o conceito de comportamento. No entanto, as pessoas geralmente entendem essa palavra como simplesmente um sinônimo de “ação”, fazendo parecer que a teoria do autor é supérflua ou reducionista.

Por essa e outras razões, Skinner é bastante criticado e alvo de preconceitos nas teorias da educação e da aprendizagem. Entretanto, ele propôs diversas metodologias para auxiliar no ensino infantil, como na matemática, em que criou uma “máquina de ensinar”.

Conforme o autor, ensinar é arranjar as contingências de reforçamento propícias para que os alunos aprendam. Ou seja, para que as pessoas se engajem ativamente em sua aprendizagem, é necessário ter um ambiente propício e uma resposta também ativa e reforçadora.

Frases de Skinner

Para entender mais sobre como Skinner pensava seu comportamentalismo e como ele impactaria os problemas sociais, veja abaixo algumas citações do autor:

  • “Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano.”
  • “A educação é o estabelecimento de comportamentos que serão vantajosos para o indivíduo e para outros em algum tempo futuro.”
  • “Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente.”
  • “Os homens agem sobre o mundo, modificando-o e são, por sua vez, modificados pelas consequências de sua ação.”
  • “A ciência é uma disposição de aceitar os fatos mesmo quando eles são opostos aos nossos desejos.”
  • “Os métodos da ciência têm tido um sucesso enorme onde quer que tenham sido experimentados. Apliquemo-los, então, aos assuntos humanos.”
  • “O que é o amor se não outro nome para reforçamento positivo?”.
  • “Felizmente, o ponto a ser atacado é mais facilmente acessível. É o ambiente que deve ser mudado.”

Assim, a psicologia inaugurada por B. F. Skinner era comprometida com os problemas sociais e as questões humanas. Atualmente, suas ideias já foram criticadas e desenvolvidas, mas sua contribuição ainda é bastante relevante.

Vídeos sobre a vida e a obra de Skinner

B. F. Skinner foi um psicólogo que, além de ser uma importante fonte teórica, impactou também o público norte-americano quando estava vivo. Assim, saiba mais sobre essa figura e mais de suas obras nos vídeos selecionados:

Quem foi B. F. Skinner

No vídeo acima, entenda brevemente sobre a vida do autor, sua biografia, e retome as ideias principais tratadas no texto. É importante considerar que a teoria skinneriana é ampla e, por isso, é necessário estudar pontos específicos para compreendê-la.

O que é behaviorismo

O behaviorismo, particularmente na sua modalidade radical, é a filosofia do comportamento formulada por Skinner. Ela traz uma contribuição original e ideias provocadoras para pensar o modo como nós e outros organismos agimos.

Diferença: behaviorismo metodológico x radical

Certamente, há bastante confusão entre as vertentes metodológica e radical do behaviorismo. Frequentemente, pessoas criticam a primeira, colocando Skinner na mesma categoria erroneamente. Portanto, saiba mais sobre essa diferença.

O behaviorismo na educação

O comportamentalismo radical de Skinner já foi bastante aplicado no campo educacional. Atualmente, alguns grupos consideram suas ideias ultrapassadas, mas é necessário se despir de alguns preconceitos para entender melhor suas propostas.

Os estereótipos com a teoria de Skinner

Entenda como a teoria skinneriana acaba cercada de estereótipos e interpretações equivocadas de suas ideias. Além disso, é importante notar que o próprio Skinner – assim como qualquer autor – foi amadurecendo seu pensamento ao longo do tempo.

Consequentemente, Skinner e seu behaviorismo são partes importantes da ciência ocidental, sobretudo a psicologia. Com inspiração no autor, diversas pesquisas são realizadas e desenvolvidas para ampliar nosso entendimento sobre o comportamento.

Referências

Ciência e comportamento humano – B. F. Skinner;

Frederic Skinner – Ministério da Educação;

Notícia: centenário de B. F. Skinner (1904-1990): uma ciência do comportamento humano para o futuro do mundo e da humanidade – Rachel Nunes da Cunha; Luciana Patrícia Silva Verneque;

Sobre o behaviorismo – B. F. Skinner;

Uma análise da Política Nacional de Educação segundo as propostas de Skinner – Natália de Mesquita Matheus.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Cientista social pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Como referenciar este conteúdo

Oka, Mateus. B. F. Skinner. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/sociologia/b-f-skinner. Acesso em: 27 de September de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [FEPESE]

A respeito do behaviorismo, assinale a alternativa correta.

a) Buscou definir o fato ou fenômeno psicológico, de modo concreto, a partir da noção de comportamento (behavior).
b) Sustentou-se em negar e refutar a fragmentação das ações e processos humanos propugnada pela psicologia científica do século XIX.
c) Recuperou para a Psicologia a importância da afetividade nas relações e postulou o inconsciente como objeto de estudo.
d) Originou-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das ideias – das mais simples às mais complexas.
e) Buscou compreender a consciência, em seus aspectos estruturais, com uso do método experimental de produção do conhecimento.

Resposta: a

Justificativa: o comportamento é o conceito central na teoria behaviorista, que foi reformulada por Skinner.

2. [ACEP]

Segundo Skinner, em seu pensamento behaviorista, o comportamento humano pode ser explicado a partir da observação e da experimentação sistemática. Com seu conjunto de princípios, estruturou diversos termos específicos. Assinale a alternativa que apresenta o termo correspondente a seguinte definição: “é capaz de fortalecer uma reação quando esta remove algum estímulo aversivo”.

a) Condicionamento operante.
b) Reforço Positivo
c) Reforço Negativo.
d) Condicionamento respondente.

Resposta: c

Justificativa: as consequências que aumentam a frequência de um comportamento são reforçadoras. Aquelas relacionadas à remoção de um estímulo aversivo são reforçadores negativos.

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