Parnasianismo

O Parnasianismo é uma escola literária que surgiu na França em meados do século XIX, que tinha como objetivo rimas e métricas perfeitas.

Surgido na França no século XIX, em oposição ao romantismo, o Parnasianismo foi um movimento literário que representou na poesia o espírito positivista e científico da época.

Uma das maiores preocupações na composição poética dos parnasianos era a precisão das palavras. Esses poetas chegaram ao ponto de criar verdadeiras línguas artificiais para obter o vocabulário adequado ao tema de cada poema.

Correspondente ao realismo e ao naturalismo na prosa, o termo parnasianismo deriva de uma antologia, Le Parnasse contemporain (O Parnaso contemporâneo), publicada em fascículos, de março a junho de 1860, com os versos dos poetas Théophile Gautier, Théodore de Banville, Leconte de Lisle, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, entre outros.

Parnaso originalmente é o nome de um monte da Grécia central onde na antiguidade acreditava-se que habitariam o deus Apolo e as musas.

Outros precursores, como Banville e Baudelaire, pregaram o culto da arte da versificação e da perfeição clássica. À época, eram muito valorizados e vistos com curiosidade os estudos arqueológicos e filológicos, a mitologia, as religiões primitivas e as línguas mortas.

Parnasianismo
Imagem: Reprodução

Principais características do parnasianismo

1. Esteticismo

A poesia parnasiana estava preocupada com o belo, com a parte estética, daí a palavra esteticismo. Era uma poesia
descompromissada com os problemas sociais. Sua única preocupação era a arte pela arte, ou seja, a arte deveria existir em função dela mesma.

2. Impassibilidade

A impassibilidade é a negação do sentimentalismo exagerado presente no Romantismo. Os parnasianos negavam qualquer
expressão de subjetividade em favor da objetividade temática.

3. Poesia descritiva

A poesia parnasiana é marcadamente descritiva, freqüentemente aparecem descrições pormenorizadas de objetos e
cenas da natureza.

4. Retomada dos modelos clássicos

O Parnasianismo, assim como fez o Classicismo, também se voltou para a Antigüidade greco-romana, tida como modelo de perfeição e beleza.

Parnasianismo características
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5. Perfeição formal

A maior preocupação dos poetas parnasianos era a forma, o conteúdo ficava num segundo plano. O importante era a palavra, a aparência e a sonoridade. Tamanha era a preocupação formal que os parnasianos ficaram conhecidos como “poetas de dicionário”.

Ao contrário da liberdade romântica, em que apareciam os versos livres e brancos, ou seja não rimados, os parnasianos valorizaram a utilização das rimas, buscando principalmente as rimas ricas e raras.

As rimas ricas ocorrem quando as palavras rimadas pertencem a classes gramaticais diferentes:

“Sonha … Porém de súbito a violento
Abalo acorda. Em torno as folhas bolem …
É o vento! E o ninho lhe arrebata o vento”.
(Alberto de Oliveira)

As rimas raras ou perfeitas ocorrem quando as palavras rimadas apresentam terminações incomuns:

“Que ouço ao longe o oráculo de Elêusis.
Se um dia eu fosse teu e fosses minha,
O nosso amor conceberia um mundo
E de teu ventre nasceriam deuses”.
(Raul de Leôni)

O Parnasianismo no Brasil

O movimento parnasiano teve grande importância no Brasil, não apenas pelo elevado número de poetas, mas também pela extensão de sua influência. Seus princípios doutrinários dominaram por muito tempo a vida literária do país.

Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.

As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. Desta maneira,o parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (1880; Sonetos e rimas) e Teófilo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias).

O parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas.

Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo.

Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Augusto de Lima e Luís Murat.

A partir de 1890, o simbolismo começou a superar o parnasianismo. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo.

Poesias parnasianas

Plena Nudez

Eu amo os gregos tipos de escultura;
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.
Quero em pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: da carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas …
Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
Da transparente túnica através:
Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus … toda nua, da cabeça os pés!
(Raimundo Correia)

Profissão de Fé
(…)
Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com ele, em ouro, o alto-relevo
Faz de uma flor.
Imito-o. E, pois, nem de Carrara
A pedra firo:
O alvo cristal, a pedra rara,
O ônix prefiro.
Por isso, corre, por servir-me,
Sobre o papel
A pena, como em prata firme
Corre o cinzel.
Corre; desenha, enfeita a imagem,
A idéia veste:
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem
Azul-celeste.
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito.
(…)
Assim, procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!”
(Olavo Bilac)

Referências

O Parnasianismo no Brasil: variações sobre um mesmo tema – Sergio Alves Peixoto

Literatura brasileira: Dos primeiros cronistas aos últimos românticos – Luiz Roncari

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01. [CEFET]:  Leia os versos:

Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhantes copa, um dia,
Já de  aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia.
Então e, ora repleta ora esvaziada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Todas de roxas pétalas colmada. 

(Alberto de Oliveira)

Assinale a alternativa que contém características parnasianas presentes no poema:

a) busca de inspiração na Grécia Clássica, com nostalgia e subjetivismo;

b) versos impecáveis, misturando mitologia clássica com sentimentalismo amoroso;

c) revalorização das ideias iluministas e descrição do passado.

d) descrição minuciosa de um objeto e busca de um tema ligado à Grécia antiga.

e) vocabulário preciosista, de forte ardor sensual.

 

02. [UFPE]: É incorreto afirmar que, no Parnasianismo:

a) a natureza é apresentada objetivamente;

b) a disposição dos elementos naturais (árvores, estrelas, céu, rios) é importante por obedecer a uma ordenação lógica;

c) a valorização dos elementos naturais torna-se mais importante que a valorização da forma do poema;

d) a natureza despe-se da exagerada carga emocional com que foi explorada em outros períodos literários;

e) as inúmeras descrições da natureza são feitas dentro do mito da objetividade absoluta, porém os melhores textos estão permeados de conotações subjetivas.

01. [CEFET]

Resposta: D

A estética parnasiana apresentava grande preocupação com a técnica no momento de composição do poema, além disso, considerava todo tema ligado à Grécia antiga como fonte valiosa de inspiração.

 

02. [UFPE]

Resposta: C

Na estética parnasiana, a valorização dos elementos naturais da paisagem nacional apenas serviam para ocultar as verdadeiras qualidades da poesia que, segundo seus principais escritores, consistiam no culto à forma, além de uma temática universalizante.

 

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