Função emotiva

A função emotiva é usada quando objetivo da mensagem é a expressão das emoções, atitudes, estados de espírito, do emissor em relação ao que fala.

A função emotiva ou expressiva é uma das funções da linguagem estudadas pelo linguista russo Roman Jakobson.

O linguista russo tornou-se famoso pelas seis funções que apontou para a linguagem. São elas: referencial, emotiva, conativa (ou apelativa) poética, fática e metalinguística.

Essas funções, segundo ele, não esgotariam o papel da língua, pois tais funções dizem respeito ao papel maior, que é o da comunicação.

As funções da linguagem, apontadas por Jakobson, dizem respeito, na verdade, aos usos particulares da língua que podem estar total ou parcialmente presentes em uma situação comunicativa.

Função emotiva ou expressiva – ênfase no emissor

Quando o objetivo da mensagem é a expressão das emoções, atitudes estados de espírito do emissor com relação ao que fala, diz-se que que a função predominante no texto é a emotiva.

Exemplificando

No trecho abaixo, um repórter narra o que sentiu ao visitar, pela primeira vez, o Museu Judaico de Berlim, inaugurado em 2001.

função emotiva
Imagem: Reprodução

“Tomado pela costumeira pressa de repórter, eu tinha que fazer, a toque de caixa, imagens do museu para compor a minha matéria.

[…] Quando […] chegamos ao primeiro corredor, o eixo da continuidade, tentei pedir algo a Bárbara, funcionária do museu que nos acompanhava. Não consegui falar. Tudo foi se desfazendo, todos os sentimentos e emoções, e também as racionalizações, reflexões ou desalentos mediados pelo intelecto. Tudo foi se desvanecendo dentro de mim — e um grande vazio, um vácuo que sugava a si próprio, se formou qual redemoinho em m eu peito, até explodir num jorro de pranto, num colapso incontrolável.

Não tive condições de prosseguir com o cinegrafista Fernando Calixto. Procurei um lugar onde esgotar as lágrimas e tentava me explicar, repetindo, aos soluços: “Pela metade, não. Não vou conseguir fazer meia visita. Pela metade, não. Ou encaro todo o périplo ou vou embora”.

Não consegui nem uma coisa nem outra. Nem parei de chorar, nem me recompus; não me atrevi a percorrer todos o s corredores, nem tampouco resisti a penetrar nos espaços desconcertantes do Museu Judaico de Berlim.”
(BIAL, Pedro. Quando o passado é um pesadelo. Almanaque Fantástico, são Paulo: globo, n. 1, p. 61-62, nov. 2005)

Conclusão

Neste fragmento podemos observar a função emotiva da linguagem. O emissor, no caso o repórter, narra os fatos acontecidos porém, não se atém a eles, mas os extrapola indo para o campo das suas próprias emoções e sentimentos fazendo com que o receptor (leitor) possa participar dessa experiência.

Referências

Roman Jakobson – Adriano Steffler

Gramática: texto e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontara

Almanaque Fantástico – Pedro Bial

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01. [ENEM]:

Desabafo

Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.

CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).

Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois

a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.

b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.

c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.

d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais.

e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação.

 

02. [ENEM]:

Aula de Português

A linguagem

na ponta da língua

tão fácil de falar

e de entender.

A linguagem

na superfície estrelada de letras,

sabe lá o que quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

e vai desmatando

o amazonas de minha ignorância.

Figuras de gramática, esquipáticas,

atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,

em que pedia para ir lá fora,

em que levava e dava pontapé,

a língua, breve língua entrecortada

do namoro com a priminha.

O português são dois; o outro, mistério.

Carlos Drummond de Andrade. Esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.

Explorando a função emotiva da linguagem, o poeta expressa o contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em

a) situações formais e informais.

b) diferentes regiões dos pais.

c) escolas literárias distintas.

d) textos técnicos e poéticos.

e) diferentes épocas.

01. [ENEM]

Resposta: B

É possível observar que a atitude do enunciador sobrepõe-se àquilo que está sendo dito, com predominância da função emotiva da linguagem, já que a mensagem está voltada para aspectos subjetivos do enunciador.

 

02. [ENEM]

Resposta: A

Na poesia proposta,  o poeta expressa o contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em  situações formais e informais. Assim como dito na alternativa A.

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