Função metalinguística

A função metalinguística é usada quando o objetivo da mensagem é falar sobre a própria linguagem

A função metalinguística é uma das funções da linguagem estudadas pelo linguista russo Roman Jakobson.

O linguista russo tornou-se famoso pelas seis funções que apontou para a linguagem. São elas: referencial, emotiva, conativa (ou apelativa) poética, fática e metalinguística.

Essas funções, segundo ele, não esgotariam o papel da língua, pois tais funções dizem respeito ao papel maior, que é o da comunicação.

As funções da linguagem, apontadas por Jakobson, dizem respeito, na verdade, aos usos particulares da língua que podem estar total ou parcialmente presentes em uma situação comunicativa.

Função metalinguística

Quando o objetivo da mensagem é falar sobre a própria linguagem, diz-se que predomina no texto a função metalinguística.

Um exemplo evidente da função metalinguística são as definições de verbetes encontradas nos dicionários:

Pronome : Vocábulo que substitui ou modifica o nome ou um sintagma nominal;

Palavra que representa cada um dos três elementos do discurso ou determina os nomes substantivos em função desses elementos: falante, ouvinte e assunto. ( Dicionário Michaelis)

No caso acima vemos a Língua Portuguesa tratando da Língua Portuguesa, logo, um caso de metalinguagem.

Também ocorrem muito casos de metalinguagem na poesia e no cinema.

No cinema, quando o próprio filme se propõe a discutir cinema. Isto também é função metalinguística.

Grandes diretores se valeram desa função em seus filmes como o diretor Federico Felinni em uma de suas obras mais aplaudidas.

Em Oito e Meio, de 1963, o cineasta vivido por Marcelo Mastroianni está a ponto de rodar seu próximo filme mas ainda não tem ideia de como este será.

função metalinguística
Imagem: Reprodução

Mergulhado em uma crise existencial e pressionado pelo produtor, pela mulher, pela amante e pelos amigos, ele se interna em uma estação de águas e passa a misturar o passado com o presente, ficção com realidade. Ou seja, metalinguagem pura.

Outro caso bastante conhecido no cinema é o do filme Cantando na Chuva, dirigido por Gene Gene Kelly e Stanley Donen, em 1952.

Na película, que se passa em 1927, Hollywood vive o caos da transição do cinema mudo para o falado.

Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hage), o casal mais querido do cinema mudo, prepara-se para rodar um musical.

Mas infelizmente Lina não só não sabe cantar, como tem uma voz horrível. A estreante Kathy Selden (Debbie Reynolds) é chamada a emprestar sua voz à estrela.

A tensão aumenta quando Don se apaixona pela doce Kathy. Ao lado de seu inseparável amigo, o compositor Cosmo Brown (Donald O’ Connor), ele tenta mostrar ao mundo o talento de Kathy.

Imagem: Reprodução

Assim podemos observar o cinema lidando com questões do cinema (bastidores, tensões, crises), se tratando também da função metalinguística da linguagem proposta por Roman Jakobson.

Referências

Roman Jakobson – Adriano Steffler

Gramática: texto e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontara

Dicionário Michaelis

Imdb.com

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01. [ENEM]:

O exercício da crônica

Escrever crônica é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de uma máquina, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um assunto qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. Se nada houver, restar-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

(MORAES, V. Para viver um grande amorcrônicas e poemas. São Paulo: Cia das Letras, 1991).

Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui

a) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista.
b) nos elementos que servem de inspiração ao cronista.
c) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica.
d) no papel da vida do cronista no processo de escrita da crônica.
e) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma crônica.

 

02. [ENEM]:

Aula de Português

A linguagem

na ponta da língua

tão fácil de falar

e de entender.

A linguagem

na superfície estrelada de letras,

sabe lá o que quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

e vai desmatando

o amazonas de minha ignorância.

Figuras de gramática, esquipáticas,

atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,

em que pedia para ir lá fora,

em que levava e dava pontapé,

a língua, breve língua entrecortada

do namoro com a priminha.

O português são dois; o outro, mistério.

Carlos Drummond de Andrade. Esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.

Explorando a função emotiva da linguagem, o poeta expressa o contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em

a) situações formais e informais.

b) diferentes regiões dos pais.

c) escolas literárias distintas.

d) textos técnicos e poéticos.

e) diferentes épocas.

01. [ENEM]

Resposta: E

Visto que a mensagem do texto é centrada em seu próprio código, no texto, o cronista apresenta, por meio de uma crônica, alguns impasses encontrados por quem produz esse gênero textual.

 

02. [ENEM]

Resposta: A

O autor explora a variação de usos da linguagem em situações formais e informais, conforme a alternativa A.

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