A carta argumentativa se caracteriza por constituir uma correspondência com receptor específico, apto a atender à solicitação e/ou a solucionar o problema em questão. Nela, o emissor deve persuadir o leitor acerca de determinado assunto.
O que é carta argumentativa
Trata-se de um texto dissertativo-argumentativo, escrito na primeira pessoa do singular ou do plural, que possui receptor específico capaz de acolher a demanda. Quanto à estrutura, revela-se idêntica à de uma carta convencional: deve apresentar local, data, remetente e destinatário. A linguagem empregada é, normalmente, formal. No corpo do texto, apresenta-se uma reclamação, uma sugestão ou um tipo de requisição a alguém.
Poderíamos dizer, portanto, que se trata de um gênero textual cuja finalidade é persuadir o leitor. A carta argumentativa distingue-se de outros tipos de carta devido à sua principal característica: a argumentação. Em outras palavras, a combinação da estrutura epistolar com a tipologia argumentativa resulta em um texto que tem por objetivo a defesa de um ponto de vista de um remetente relativamente a um destinatário.
Características essenciais
É fundamental, portanto, ter em vista as peculiaridades do gênero argumentativo. Assim, além da ordenação comum a todas as cartas (que vimos previamente), devemos considerar algumas diretrizes ao redigir uma carta argumentativa.
Na introdução, desenrolada no primeiro parágrafo (ou primeiros parágrafos) do texto, apresentamos o tema de que trataremos e a maneira particular a partir da qual o consideramos, ou seja, a tese. Já nos parágrafos seguintes, elaboramos a argumentação propriamente dita: a defesa do ponto de vista, bem como a apresentação de fatos, informações, apreciações, estudos e críticas que atestem a credibilidade da tese.
Para a conclusão, deve-se apresentar a síntese dos argumentos, assim como a reiteração dos posicionamentos assumidos ao longo da carta e, se adequado, a sugestão de soluções. Além disso, a retomada do ponto de vista, posto em relação com os argumentos apresentados, mostra-se como a finalização ideal.
É aconselhável também ponderar acerca do uso da norma culta da Língua Portuguesa na redação da carta argumentativa. Assim, é preciso levar em conta o destinatário, as circunstâncias em que se escreve e também seus propósitos.
Por fim, é importante mencionar (ainda que se trate de algo evidente) que, nas cartas, dá-se a interlocução, quer dizer, o diálogo marcado e direto com o receptor. Isso é caracterizado pelo uso de verbos flexionados na segunda pessoa e por invocações, seja através da nomeação expressa do remetente, seja pela utilização de outros vocativos.
Estrutura da carta argumentativa
Ainda que, presentemente, seu valor seja mais circunstancial, a estrutura epistolar básica é comum nos mais diversos subgêneros – da carta aberta à carta pessoal, por exemplo. Quando se trata de vestibulares e provas em geral, é exigida maior rigidez. Sendo assim, acompanhe os elementos listados abaixo:
Localização espaço-temporal (cabeçalho)
Logo na primeira linha da carta, identifica-se o local e a data em que a estamos redigindo. A necessidade disso é compreensível se levarmos em conta que a carta é preexistente às trocas instantâneas de mensagem. Desse modo, a fim de orientar melhor o leitor da carta – já que ele não a receberá imediatamente –, informamos quando e de onde escrevemos.
Vocativo
Após indicarmos local e data, devemos informar a quem nos dirigimos pelo uso de vocativo – que identifica o destinatário. Um detalhe importante é o uso do pronome de tratamento adequado, a depender de quem seja o receptor.
Corpo do texto
Trata-se do texto em si. Nas linhas que se seguem ao vocativo, dá-se o desdobramento da argumentação propriamente dita. É nesse espaço, ordenado a partir de uma introdução, do desenvolvimento e da conclusão, que apresentamos o que motivou a redação da carta.
Fechamento (saudação com assinatura)
Ao final, despedimo-nos com uma saudação cordial (“Atenciosamente”, por exemplo) e, na sequência, assinamos. Nas provas, entretanto, costuma-se pedir ao candidato que não escreva o próprio nome, por uma questão de preservação da imparcialidade dos corretores no momento da avaliação dos textos.
Um exemplo de carta argumentativa
Vejamos, a seguir, uma carta endereçada ao então presidente do Senado – o ex-presidente da República, José Sarney:
Brasília, 30 de julho de 2009.
Excelentíssimo Senhor Presidente José Sarney,
Com as minhas considerações, venho tratar de um assunto bastante recorrente na mídia nos últimos meses, o qual envolve diretamente V. Exa., como Presidente do Senado Federal, Casa pela qual tenho o maior respeito. Trata-se de denúncias de favorecimento a vários senadores, por via de Atos Secretos, fato que envergonha a todos nós, brasileiros.
A minha visão é de que o Senhor Presidente deveria pedir afastamento do cargo. Sem querer fazer um julgamento precipitado, até porque todos são inocentes até que se prove o contrário, o fato é que as denúncias existem e não são simples. São muitos os indícios de beneficiamento ilícito, como casos de nepotismo e aumento de verba indenizatória, sem publicação nos devidos órgãos de imprensa oficiais. Vossa Excelência aparece ligado a diversos desses Atos e, por isso, acho que sair, pelo menos temporariamente, seria uma prova de que pretende colaborar com as investigações.
Tais investigações constituem um elemento decisivo para a transparência pública, uma vez que a sociedade precisa ter conhecimento de como o dinheiro de seus impostos e tributos estão sendo aplicados. Num país em que a educação e saúde, só para citarmos duas áreas, costumeiramente vão de mal a pior, é inadmissível aceitarmos que ocorrências dessa natureza sejam consideradas normais. Por esse motivo, entendo que o Excelentíssimo Senador deve pedir licença, visando sempre ao interesse público.
Como cidadão brasileiro, consciente de minhas obrigações e direitos, é este o meu posicionamento. Se quem não deve não teme, dê-se a chance de esclarecer o que Senhor mesmo chama de “denúncias infundadas”, e isso só pode ser feito a partir do momento em que não mais ocupar a Presidência dessa Egrégia Casa, pois a sua imagem estará desvinculada de toda e qualquer “manobra” que porventura exista para não prolongar o caso.
Com os meus respeitos.
Povo Consciente.
Para revisar e fixar o conteúdo
A seguir, encontraremos uma breve coletânea de vídeos que nos ajudarão a prosseguir com nossos estudos. Acompanhe:
Como escrever uma carta argumentativa?
O vídeo permite retomar o que aprendemos até aqui, com rico conteúdo ilustrativo que possibilita uma percepção mais ampla da estrutura da carta argumentativa.
A carta argumentativa dentre os outros tipos de carta
Esse vídeo apresenta as peculiaridades da carta argumentativa, relacionando-a com outros tipos epistolares.
Características gerais
Com esse vídeo, temos a oportunidade de examinar mais a fundo as características gerais do gênero em questão. Confira!
Avance em seus estudos e refine sua capacidade de redigir uma carta argumentativa. Para isso, entenda mais sobre o texto argumentativo e aprenda também sobre coesão textual.
Referências
Guia prático de produção de texto (2011) – Zulemay Ramos
Plataforma Anísio Teixeira – Disponível em: http://pat.educacao.ba.gov.br/
Portal do professor – Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/