Graça Aranha

Importante nome do pré-modernismo, Graça Aranha retratou a sociedade, a cultura, a natureza e os problemas do Brasil no início do século XX.

Interessado em uma renovação estética do campo literário, Graça Aranha introduziu novas formas e temas que não foram bem recebidos por seus colegas escritores. Entretanto, ele marcou a história da literatura brasileira com sua escrita e sua atuação nos movimentos artísticos. Conheça melhor esse autor a seguir!

Biografia

(Fonte: Wikimedia)

José Pereira da Graça Aranha (São Luís, 1868 — Rio de Janeiro, 1931) foi um escritor e diplomata brasileiro. Durante a infância, acompanhou o trabalho de seu pai, que mantinha em casa a redação do jornal “O País”. Em 1882, ingressou na Faculdade de Direito de Recife e, depois, atuou como juiz no Rio de Janeiro (RJ) e em Cachoeiro de Santa Leopoldina (ES), cenário de seu primeiro romance, “Canaã” (1902).

Em 1897, participou da fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL). De 1900 a 1921, trabalhou como diplomata na Europa acompanhando as vanguardas artísticas. Assim, tentou introduzir o modernismo na literatura brasileira com uma proposta de renovação que não foi aceita pela ABL, por isso rompeu com a instituição em 1924. Organizou a Semana de Arte Moderna de 1922, na qual proferiu o discurso de abertura: “A emoção estética na arte moderna”.

Características

Como entusiasta do pré-modernismo, Graça Aranha construiu, em suas obras, uma “cor local” para o Brasil, mas não chegou a aderir à estética modernista de fato, apresentando um estilo muito particular. Acompanhe as características de sua obra:

  • Denúncia da realidade brasileira com a exploração, os preconceitos e o racismo.
  • Emprego de temas sociais e filosóficos.
  • Caráter humanitário e universalista.
  • Técnica impressionista na descrição da natureza brasileira.
  • Tematização dos folclores indígena e europeu para mostrar a diferença cultural.
  • Valorização da imaginação como característica da cultura brasileira.

Algumas dessas características, como a construção da imagem do brasileiro e a valorização do folclore e da natureza, vão configurar a literatura modernista nos anos seguintes. Agora que você conhece os principais traços da escrita de Graça Aranha, veja as suas obras!

Principais obras

Graça Aranha produziu diversos textos no Brasil e no exterior. Seu livro mais conhecido é “Canaã”, símbolo da literatura pré-modernista que renovou a forma e o conteúdo com temas ligados ao nacionalismo, ao regionalismo e à realidade sócio-histórica brasileira. Confira mais informações sobre a obra:

Canaã (1902)

(Fonte: Biblioteca Pública do Paraná)

Com traços de romance, novela e ensaio, Canaã é a primeira e mais famosa obra de Graça Aranha. O enredo se passa em Cachoeiro de Santa Leopoldina (Espírito Santo) e aborda o contexto de imigração alemã no Brasil a partir do conflito entre dois colegas, Milkau e Lentz, que apresentam diferentes visões sobre as relações sociais. Enquanto Milkau defende a integração entre os povos e a democracia, Lentz prega o eugenismo e a supremacia.

Outras obras

  • Malazarte (1911)
  • A estética da vida (1920)
  • A correspondência de Joaquim Nabuco e Machado de Assis (1923)
  • O Espírito Moderno (1924)
  • Manifesto de Marinetti e seus companheiros (1926)
  • A viagem maravilhosa (1930)
  • O meu próprio romance (1931)

Conforme você viu, Graça Aranha escreveu romances, textos autobiográficos e até peças de teatro – como “Malazarte”, interpretada em 1911 em Paris.

Vídeos sobre uma literatura que retrata o Brasil

Para ampliar o seu repertório, selecionamos três vídeos sobre a vida e as produções de Graça Aranha, com destaque para a sua principal obra e a forma como ela constrói imagens sobre o Brasil. Assista!

Milkau e Lentz: um romance de contrastes

A professora Dani apresenta o escritor Graça Aranha e o seu contexto de produção, explorando os temas abordados em Canaã, as ideias defendidas pelos protagonistas e as características do pré-modernismo presentes na obra. Acompanhe!

A pluralidade de ideias em Canaã

Aqui, Carmem Lúcia faz uma leitura sobre o livro Canaã, discutindo profundamente o contexto histórico e as questões da política imigratória e da miscigenação no Brasil, abordadas pela obra. Confira!

O Brasil de Canaã

Nesse vídeo do Instituto Realitas, Edgard Leite analisa a obra de Graça Aranha, contextualizando com elementos históricos e políticos da sociedade brasileira no início do século XX – momento das produções do autor.

Agora que você já conhece o escritor Graça Aranha, aprofunde seus conhecimentos sobre o pré-modernismo lendo também a nossa matéria sobre Euclides da Cunha!

Referências

Canaã (1904) – Graça Aranha
Graça Aranha (2021) – Academia Brasileira de Letras

Érica Paiva Rosa
Por Érica Paiva Rosa

Professora, redatora e produtora cultural. Mestre em Letras pela UEM.

Como referenciar este conteúdo

Paiva Rosa, Érica. Graça Aranha. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/graca-aranha. Acesso em: 07 de May de 2021.

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

— Adiante… Adiante… Não pares… Eu vejo. Canaã! Canaã!
Mas o horizonte da planície se estendia pelo seio da noite e se confundia com os céus.
Milkau não sabia para onde o impulso os levava: era o desconhecido que os atraía com a poderosa e magnética força da Ilusão. Começava a sentir a angustiada sensação de uma corrida no Infinito…
— Canaã! Canaã!… suplicava ele em pensamento, pedindo à noite que lhe revelasse a estrada da Promissão.
E tudo era silêncio, e mistério… Corriam… corriam. E o mundo parecia sem fim, e a terra do Amor mergulhada, sumida na névoa incomensurável… E Milkau, num sofrimento devorador, ia vendo que tudo era o mesmo; horas e horas, fatigados de voar, e nada variava, e nada lhe aparecia… Corriam… corriam…

ARANHA, G. Canaã. São Paulo: Ática, 1998 (fragmento).

O sonho da terra prometida revela-se como valor humano que faz parte do imaginário literário brasileiro desde a chegada dos portugueses. Ao descrever a situação final das personagens Milkau e Maria, Graça Aranha resgata esse desejo por meio de uma perspectiva:

a) subjetiva, pois valoriza a visão exótica da pátria brasileira.
b) simbólica, pois descreve o amor de um estrangeiro pelo Brasil.
c) idealizada, pois relata o sonho de uma pátria acolhedora de todos.
d) realista, pois traz dados de uma terra geograficamente situada.
e) crítica, pois retrata o desespero de quem não alcançou sua terra.

Resposta: E

Justificativa: No excerto apresentado, a descrição da natureza e dos sentimentos dos personagens constrói uma imagem de ilusão e de desilusão em relação ao alcance da terra enquanto lar.

2. [SEDU/ES]

O contraditório de classificação de Canaã, de Graça Aranha, é reiterado em:

A. Grande parte das análises feitas da obra prefere caracterizá-la pela relevância temática, pelo debruçar sobre os problemas sociais e morais do país, o qual é apresentado sob uma perspectiva de antecipação ao movimento Modernista na medida em que se observa o interesse pela realidade.
B. Aproveitando criaturas e fatos reais, pondo em cena colonos e caboclos, não fez, contudo um livro realista e ainda menos regionalista. Não interessava ao autor o pitoresco nem se sentia inclinado a submeter-se passivamente à observação, um e outro entram na obra, mas no seu lugar como elementos de construção e nunca como fim.
C. Na historiografia Literária brasileira, o nome de Graça Aranha costuma abrir com todo o direito o capítulo do movimento de 1922, pela adesão entusiasta, determinante que essa grande personalidade, antes mesmo de grandes escritores, iria dar aos jovens de São Paulo na revolta contra as instituições.
D. Canaã reflete sobre situações novas como a imigração alemã no Espírito Santo, desembocando em discussões raciais, sociais e morais, prelúdio inequívoco ao Modernismo.
E. Embora estejam presentes na obra ideias pessimistas quanto ao Brasil e tons idílicos da colônia alemã, não há nenhuma tendência a provar a superioridade do colono branco sobre o mestiço.

Resposta: B

Justificativa: A alternativa B apresenta afirmações contraditórias, pois a obra apresenta características realistas e regionalistas, justamente, por ser inspirada em pessoas e em fatos reais observados pelo autor no período em que morou no Espírito Santo.

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