Euclides da Cunha (1866-1909) foi um escritor brasileiro de destaque no Pré-Modernismo, termo cunhado por Tristão de Athaíde. O escritor é notório por sua obra Os Sertões (1902), escrita a partir de suas experiências de observação da Guerra de Canudos.
Biografia

Em 20 de janeiro de 1866, nasceu Euclides Rodrigues da Cunha em Cantagalo (RJ). Teve a vida marcada por complexas situações. Ficou órfão muito cedo, passando a ser criado por parentes próximos. Estudou no Colégio Aquino, onde se tornou adepto aos ideais republicanos. Editou com colegas o periódico O democrata, no qual publicou o artigo “A viagem” (1884). Posteriormente, foi matriculado na Escola Politécnica Fluminense, porém, desprovido de dinheiro, foi transferido a uma Escola Militar. No entanto, permaneceu na instituição por pouco tempo, uma vez que era contra o militarismo. Por fim, acabou expulso por rebeldia.
Posteriormente, mudou-se para São Paulo. Passou a escrever artigos para A Província de São Paulo e logo se casou com Anna Ribeiro, filha de um major. Formou-se em Engenharia Militar (1892) e atuou na construção da estrada de ferro Central do Brasil. Em 1896, foi desligado do Exército por questões políticas e ideológicas.
Tornou-se correspondente de guerra a convite do jornal A Província de São Paulo em 1897. Momento decisivo para sua carreira, uma vez que passou a cobrir o conflito de Canudos e produzir artigos fundamentais para a escrita do romance Os Sertões (1902). Além disso, auxiliou em demarcações de terra na Amazônia.

Além do que foi exposto, vale ressaltar que a vida amorosa do escritor também foi conturbada. Descobriu que a esposa o traía com um tenente do Exército, chamado Dilermando de Assis. Durante muito tempo, sentiu ódio da descoberta e adoeceu. Em 15 de agosto de 1909, entretanto, decidiu reagir: quis matar o amante, um especialista em tiro. Por fim, acabou falecendo nesse confronto por causa de uma bala no pulmão.
No meio literário, o autor tem destaque pela obra Os Sertões porque além de narrar o conflito de Canudos, retrata como os sertanejos eram negligenciados pela sociedade. Essa obra pertence ao período do Pré-Modernismo, que não é considerado uma escola literária, mas um período de transição para o Modernismo brasileiro. Não há uma unidade temática e formal nas obras dessa época, isto é, algo que caracterizaria uma estética específica.
Características literárias
A seguir, veremos algumas das características literárias de Euclides da Cunha a fim de que se compreenda melhor sua obra e o período em que está inserida:
- Determinismo: em sua obra-prima, o ser humano, sobretudo o homem, é apresentado por um viés determinista como produto de três fatores: meio ambiente, raça e momento histórico.
- Cientificismo: sua narrativa aponta a ciência como forma ideal de compreensão humana da realidade.
- Tom sombrio e duro: a narrativa de Os Sertões mostra a difícil vida que cerca o nordestino, distante do olhar atento e preocupado dos governantes, sem bens materiais à disposição e impossibilitados, desse modo, de uma melhor qualidade de vida.
- Aproximação entre Literatura e História: nota-se uma preocupação do autor em manter um diálogo entre a narrativa literária e o contexto histórico em uma tentativa de representação da realidade.
- Linguagem complexa: o escritor emprega frases densas as quais, muitas vezes, apresentam termos técnicos, deixando a linguagem complexa.
As características acima resumem a obra literária e podem ser melhor observadas por meio da leitura do romance.
Principais obras
Apesar de ser um autor de renome, Euclides da Cunha não publicou muitos livros, dentre obras de ficção e não ficção, destacam-se:
- Os Sertões (1902)
- Canudos: diário de uma expedição (1897)
- Amazônia: um paraíso perdido (sem data)
Os Sertões (1902)
Essa obra-prima de Euclides da Cunha é dividida em três partes: “A terra”, “O homem” e “A luta”. Na primeira, foi descrita a região de Canudos com foco nas características ambientais que integram o embate ocorrido. As descrições da terra são fortemente marcadas por um pensamento cientificista e determinista. Na segunda, o autor volta seu olhar para o homem sertanejo, suas formas de ser e agir, cultura, crenças, posições políticas, bem como seus desejos e sonhos. Na terceira, foi explicitada a violência e o autoritarismo com que foram tratados os cidadãos de Canudos, sendo dizimados.

Trata-se, ainda, de uma obra que busca denunciar a carnificina que foi Canudos, ao mesmo tempo, que analisa o ser humano, a terra e o contexto histórico de modo determinista. Em suma, o escritor apresentou o homem lutando contra as forças externas e contra a própria natureza.
Vídeos sobre Euclides da Cunha
Agora que já aprendemos sobre o autor de Os Sertões, aprofundaremos nossos conhecimentos a partir dos vídeos sugeridos.
O Pré-Modernismo no Brasil
Entenda o que foi o Pré-Modernismo, um período de transição entre Simbolismo e Modernismo.
As tragédias da vida de Euclides da Cunha
Além de ficar órfão muito jovem, ter sido correspondente da sangrenta Guerra dos Canudos, o escritor foi vítima de um crime passional.
A Guerra dos Canudos
Para entender melhor o romance Os Sertões, é importante saber mais sobre o contexto histórico no qual a narrativa é situada.
Para finalizar nossa breve exposição de Os Sertões, fiquemos com uma das frases mais famosas do livro: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Complemente seus estudos lendo sobre pré-Modernismo.
Referências
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. 44. ed. São Paulo: Cultrix, 2019. CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.