Ariano Suassuna

Escritor, poeta, ensaísta e dramaturgo brasileiro, Ariano Suassuna compôs uma obra que articula criatividade e imaginação com o folclore nordestino em uma poética completamente única e original.

Um dos grandes nomes da literatura brasileira com suas obras adaptadas para o teatro e o cinema, Ariano Suassuna ficou conhecido mundo afora pela obra Auto da Compadecida. Nascido no interior da Paraíba, o autor compôs uma poética que mescla a tradição dos autos medievais com a cultura popular do sertão nordestino. Neste texto, você conhecerá sobre este autor e suas principais obras.

Biografia

Ariano Suassuna
Escritor Ariano Suassuna em 2011. Fonte: Felipe Rau/Estadão Conteúdo.

Infância

O autor Ariano Vilar Suassuna nasceu na cidade de Nossa Senhora das Neves, conhecida atualmente por João Pessoa, na Paraíba. Era filho de Cássia Villar e João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, um político brasileiro que exerceu o papel de presidente do Estado da Paraíba (conhecido hoje como governador) entre 1924 a 1928. No ano após o nascimento do escritor, João Suassuna deixou o cargo político e se mudou para a fazenda Acauhan, no sertão paraibano.

Devido à Revolução de 30, João Suassuna foi morto no Rio de Janeiro por questões políticas, fato que marcaria para sempre a vida e a obra do filho. Com apenas cinco anos, Ariano Suassuna mudou-se com a família para Taperoá, onde viveu até os nove anos de idade. Foi em Taperoá que o autor teve seu primeiro contato com a cultura popular e assistiu a uma peça de mamulengos (espetáculo de fantoches muito comum no Nordeste e que possui cunho crítico) e um desafio de viola. Essas manifestações artísticas inspirariam as suas peças teatrais pelo aspecto da improvisação.

Carreia como escritor

Em 1945, terminou os estudos em Recife, para onde se mudou aos 15 anos, e ingressou na faculdade de Direito em 1946. Na faculdade, teve contato com Hermilo Borba Filho com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, época próxima a que escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de sol (1947). Além disso, teve duas peças, Cantam as harpas de Sião e Os homens de Barro, montadas pelo Teatro do Estudante de Pernambuco nos anos 1948 e 1949. Ganhou o prêmio Martins Pena por Auto de João da Cruz no ano seguinte.

Formou-se em Direito em 1950 e voltou a residir em Taperoá para tratar de uma doença pulmonar, mas logo em 1952 voltou para Recife. Ocupou-se com a advocacia e escreve sua mais conhecida obra O Auto da Compadecida em 1955 que seria considerada “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro” nas palavras de Sábato Magaldi, no ano de 1962. Em 1956, dedicou-se integralmente à profissão de professor, lecionando a matéria de Estética na Universidade Federal de Pernambuco.

Já em 1959, fundou o Teatro Popular do Nordeste com Hermilo Borba Filho. No ano seguinte, ocupou-se somente em dar aulas. Defendeu sua tese de livre-docência A onça castanha e a ilha Brasil: Uma reflexão sobre a cultura brasileira em 1976.

Outros méritos

O escritor também foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura em 1967, o que culminou no início do Movimento Armorial, em 1970. Nele, buscava-se conhecer as diferentes formas de expressão popular tradicional e criar uma arte erudita a partir delas. O concerto Três Séculos de Música Nordestina, em 1970, foi fruto do movimento.

Ariano Suassuna não se dedicou somente ao teatro. Também escreveu romances em prosa como o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue Vai-e-Volta (1971) e a História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão (1976). Foi membro da Academia Paraibana de Letras (sexto ocupante da Cadeira n° 32), além de ser condecorado com o título de Doutor Honoris Causa da Faculdade Federal do Rio Grande do Norte, no ano 2000. Faleceu no dia 23 de julho de 2014, em Recife, vítima de uma parada cardíaca. É classificado pelos estudiosos como parte da “geração de 45” ou da terceira geração modernista.

Características da obra

Agora que você conheceu mais sobre a vida do autor, é importante compreender as principais características de suas obras. O escritor paraibano é conhecido por valorizar a cultura nordestina e ter um senso crítico apurado.

  • Valorização da cultura popular;
  • Engrandecimento das pessoas simples;
  • Sátira direcionada às altas classes e aos poderosos;
  • Retomada de elementos presentes no teatro popular;
  • Valorização da cultura sertaneja nordestina;
  • Temáticas religiosas;
  • Humor e comédia.

Para compreender melhor as características gerais da obra do autor, é importante visitar algumas de suas obras. Abaixo, você poderá ler o comentário sobre algumas delas.

Principais obras de Ariano Suassuna

Abaixo você poderá conferir as principais obras do autor paraibano.

Auto da Compadecida (1955)

Obra mais famosa de Ariano Suassuna já adaptada para as telas do cinema, o Auto da Compadecida é protagonizada por João Grilo e Chicó que são muito amigos e vivem aventuras desencadeadas pela morte do cachorro da mulher do padeiro para quem trabalhavam. Valendo-se da tradição religiosa popular católica, a obra é ambientada no sertão nordestino e divida em três atos. Similar ao Auto da Barca do Inferno, do dramaturgo português Gil Vicente, a trama se vale de um julgamento, no qual a forças do bem do mal se confrontam para decidir o destino de pessoas já falecidas conforme a vida que levaram. Aborda temas como a fome, a seca, a violência e a pobreza, sem deixar de lado o bom humor e esteriótipos contemplados no imaginário popular para desferir críticas.

O Santo e a Porca (2002)

A obra O Santo e a Porca é uma peça teatral que narra a história de Euricão Árabe, um velho avarento, que era devoto de Santo Antônio e guardava todo seu dinheiro em uma porca de madeira. A peça é dividida em três atos e trata sobre a avareza, além de misturar o sagrado e profano em uma composição repleta de humor e crítica.

O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971)

O romance narra a história de Quaderna, Dom Pedro Dinis Ferreira, que ao ser preso por subversão em Taperoá-PA, apresenta seu memorial de defesa para o corregedor. O narrador-personagem fala sobre sua família e se diz descendente de legítimos reis brasileiros que nada têm a ver com os imperadores estrangeiros e falsos da Casa Bragança; antes, eram “castanhos e cabras” da Pedra do Reino do Sertão. Além disso, comenta sobre o seu envolvimento com as lutas políticas, literárias e filosóficas.

Outras obras de Ariano Suassuna

  • Uma mulher vestida de sol (1947);
  • O castigo da soberba (1953);
  • O rico avarento (1954);
  • O casamento suspeitoso (1957);
  • O homem da vaca e o poder da fortuna (1958);
  • A pena e a lei (1959);
  • Farsa da boa preguiça (1960).

Como visto ao longo do texto, Ariano Suassuna é um expoente da literatura brasileira. Ele possui uma obra robusta em quantidade, temas e qualidade, principalmente relacionado ao gênero dramático. Não deixe de aprofundar seus estudos sobre o modernismo no Brasil e conhecer mais autores da terceira geração modernista, como Nelson Rodrigues, apelidado de anjo pornográfico pelo humor politicamente incorreto.

Referências

Curso de literatura brasileira – Sergius Gonzaga;
História concisa da literatura brasileira – Alfredo Bosi;
Literatura – Fábio D’Ávila e Danton Pedro dos Santos.

Leonardo Ferrari
Por Leonardo Ferrari

Graduando em Letras pela Universidade Estadual de Maringá onde desenvolve pesquisa na área de Literatura Pós-Colonial e participa do projeto de extensão Letras na Web. É professor assistente em colégio de ensino médio. Nas horas livres dedica-se à família, aos amigos, à sétima arte e à leitura.

Como referenciar este conteúdo

Ferrari, Leonardo. Ariano Suassuna. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/ariano-suassuna. Acesso em: 15 de August de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [UFOP]

Sobre a construção das personagens do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar que:

a) João Grilo, como protagonista, é um herói no sentido mais clássico do termo, uma vez que combina peculiaridades do herói trágico (a grandeza, p. ex.) e do herói épico (a coragem, p. ex.).
b) o Diabo é uma alegoria que detém uma grande funcionalidade, contrastando vivamente com Manuel e com a Compadecida.
c) o Padeiro e sua mulher demonstram claramente que o sistema moral da sociedade está totalmente comprometido com o sistema econômico.
d) a Compadecida, justificando a metonímia com a qual é designada, apresenta-se como a maior e a melhor advogada de João Grilo.
e) o Padre e o Bispo são verdadeiras caricaturas dos maus sacerdotes, o que justifica os traços fortes com que são compostos.

Resposta: a.

Justificativa: As obras de Ariano Suassuna são caracterizadas pela valorização da simplicidade e cultura popular, bem como pela sátira, logo os protagonistas de suas obras também são pessoas simples.

2. [CEDERJ]

“A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto […] Nunca vi um gênio com gosto médio.” (Ariano Suassuna)

Considerado um dos maiores dramaturgos do Brasil, Ariano Suassuna tem seu nome identificado por sua obra mais conhecida, O Auto da Compadecida, de 1955, e reputada, já em 1962, como um dos textos mais representativos da história do teatro brasileiro. Sobre o papel desse autor e de sua obra, assinale a alternativa correta.

a) A atualização do teatro nacional reuniu valores europeus, num movimento conhecido como “Os discípulos da Compadecida”.
b) A obra de Ariano Suassuna se confunde com a modernização do teatro brasileiro, incorpora e dá especial destaque à chamada cultura popular nordestina.
c) Ariano Suassuna tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, mas jamais conseguiu projeção nacional, a despeito da divulgação de suas obras.
d) O Auto da Compadecida é, em síntese, uma exaltação dos poderosos e uma crítica aos pobres, identificados como ignorantes e preguiçosos.

Resposta: b.

Justificativa: A obra de Ariano Suassuna é conhecida justamente por dar palco para a cultura nordestina.

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