Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa foi um romancista brasileiro, contista e diplomata, considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira.

Guimarães Rosa publicou quatro livros de conto em sua vida, todos eles girando em torno da vida no sertão, mas abordando temas da literatura universal e da natureza existencial.

O autor só escreveu um romance, Grande Sertão: Veredas, um texto revolucionário por sua mistura de prosa arcaica e coloquial e uso frequente de neologismos, inspirando-se na linguagem falada do brasileiro.

É frequentemente considerado o equivalente brasileiro do Ulisses de James Joyce. Em uma pesquisa de 2002 da Biblioteca Mundial Bokklubben, “Grande Sertão: Veredas” foi nomeado entre os 100 melhores livros de todos os tempos.

Guimarães Rosa
Imagem: Reprodução

Biografia de Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa nasceu na pequena cidade de Cordisburgo, na província brasileira de Minas Gerais. Nascido em 27 de junho de 1908, ele foi o primeiro de seis filhos.

Quando criança, Guimarães Rosa era um menino talentoso. Aos sete anos, ele aprendera francês e muitas outras línguas como alemão, francês, inglês, espanhol e italiano.

Em 1925, aos 16 anos, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Após a formatura, alguns anos depois, iniciou sua prática médica na vila urbana local de Itaguara, no estado de Minas Gerais, onde permaneceu por dois anos.

Nesta aldeia, diz-se que Guimarães Rosa formou suas primeiras impressões sobre o sertão (sertão brasileiro semi-árido) que serviu de inspiração para muitos de seus grandes romances.

Uma vez que ele fez o exame para se tornar um funcionário público, ele foi para Barbacena para ser médico no 9º Batalhão Armado em 1933.

Logo depois, em 1938, foi nomeado como diplomata e foi indicado como Cônsul Associado em Hamburgo, Alemanha, onde conheceu Aracy Moebius de Carvalho, chefe da seção de passaportes.

Aracy e Rosa se casaram e, entendendo os perigos daquele momento, começaram a fornecer passaportes para os judeus entrarem no Brasil.

Prisão em meio a Segunda Guerra Mundial

Entretanto, em 1942, quando o Brasil rompeu suas relações com a Alemanha, Guimarães Rosa foi levado para o campo de concentração de Baden-Baden por forjar passaportes para judeus.

Guimarães Rosa serviu quatro meses no campo de concentração até ser libertado em troca de diplomatas alemães. Logo depois voltou ao Brasil para começar sua carreira de escritor.

O escritor faleceu três dias depois tomar de posse na Academia Brasileira de Letras em 16 de novembro de 1967.

Apesar de seu laude médico afirmar infarto, seu óbito é cercado de mistérios até hoje, pois, em Grande Sertão: Veredas, ele havia previsto sua própria morte.

Em seu discurso de posse na ABL, Rosa chegou a dizer:”…a gente morre é para provar que viveu.”

Guimarães Rosa morreu no auge de sua carreira diplomática e literária com apenas 59 anos.

Bibliografia selecionada

  • Caçador de camurças (1929)
  • Magma (1936)
  • Sagarana (1946)
  • Com o Vaqueiro Mariano (1947)
  • Corpo de Baile (1956)
  • Grande Sertão: Veredas (1956)
  • Primeiras Estórias (1962)
  • Tutaméia – Terceiras Estórias (1967)
  • Em Memória de João Guimarães Rosa (1968, obra póstuma)
  • Estas Estórias (1969, obra póstuma)
  • Ave, Palavra (1970, obra póstuma)

Referências

Academia Brasileira de Letras: João Guimarães Rosa
Releituras – Guimarães Rosa

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

“Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d‘angola, como todo o mundo faz? — Quero criar nada não… — me deu resposta: — Eu gosto muito de mudar… […] Belo um dia, ele tora. Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou proteção. […] Essa não faltou também à minha mãe, quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra. […] Gente melhor do lugar eram todos dessa família Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de-Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe.”

ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio (fragmento).

Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação decorrente de uma desigualdade social típica das áreas rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e pela relação de dependência entre agregados e fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o personagem-narrador

a) relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus agregados, uma vez que superou essa condição graças à sua força de trabalho.

b) descreve o processo de transformação de um meeiro — espécie de agregado — em proprietário de terra.

c) denuncia a falta de compromisso e a desocupação dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho da terra.

d) mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente.

e) mantém o distanciamento narrativo condizente com sua posição social, de proprietário de terras.

Resposta: D
No trecho citado do livro Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa expõe a realidade da desigualdade do Nordeste, ocasionada principalmente pela concentração de terras e pela dependência do sertanejo em relação a seu patrão. Apesar de ser um homem livre, Zé-Zim depende da proteção do patrão.

2. [PUCCAMP]

Leia o seguinte trecho de Guimarães Rosa:

“E desse modo ele se doeu no enxergão, muitos meses, porque os ossos tomavam tempo para se ajuntar, e a fratura exposta criara bicheira. Mas os pretos cuidavam muito dele, não arrefecendo na dedicação.

– Se eu pudesse ao menos ter absolvição dos meus pecados!…

Então eles trouxeram, uma noite, muito à escondida, o padre que o confessou e conversou com ele, muito tempo, dando-lhe conselhos que o faziam chorar.

– Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto pecado mortal?

– Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependimento nenhum…

E por aí a fora foi, com um sermão comprido, que acabou depondo o doente num desvencido torpor.”

O trecho acima representa a seguinte possibilidade entre os caminhos da literatura contemporânea.

a) ficção regionalista, em que se reelabora o gênero e se revaloriza um universo cultural localizado.

b) narrativa de cunho jornalístico, em que a linguagem comunicativa retoma e reinterpreta fatos da história recente.

c) ficção de natureza politizante, em que se dramatizam as condições de classes entre os protagonistas.

d) prosa intimista, psicologizante, em que o narrador expõe e analisa os movimentos da consciência reflexiva.

e) prosa de experimentação formal, em que a pesquisa linguística torna secundária a trama narrativa

Resposta: A
Uma das principais características da obra de Guimarães Rosa é a capacidade de transpor os limites do espaço regional para alcançar uma dimensão universal.

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