Revolução Pernambucana

A Revolução Pernambucana ocorreu em 1817 e uniu a elite rural e a classe média a favor da independência do Brasil. Porém, essa união não durou muito tempo.

A Revolução Pernambucana foi um conflito de causa e efeito. Uma forte demonstração da intenção de ruptura com Portugal aconteceu em 1817, na capitania de Pernambuco.

Pernambuco sofria, como toda a colônia, as dificuldades originadas do aumento do custo de vida provocado pela presença da corte portuguesa no Brasil.

Aliado a essa dificuldade geral, dois anos de seca, 1815 e 1816, haviam comprometido a lavoura daquela que era a principal área de cultivo de produtos tropicais.

Essa situação era agravada pelos privilégios que negociantes portugueses ainda mantinham no comércio local, em particular na compra e na exportação do algodão.

A aristocracia rural pernambucana, acostumada a vários séculos de riqueza, insurgiu-se contra a Coroa portuguesa que, no seu entender, era a responsável por seus prejuízos.

 

 

Revolução Pernambucana
Imagem: Reprodução 

A Revolução Pernambucana ganha aporte popular

Ao se colocar a favor da independência, a elite rural acabou se aproximando das camadas médias de Recife que, havia muito tempo, conspiravam pela Revolução.

Nos centros urbanos mais desenvolvidos era comum a presença de lojas maçônicas que divulgavam as ideias iluministas, pregando a liberdade política e a criação de Estados com base na democracia representativa.

Com a adesão da aristocracia pernambucana, a conspiração ganhou força e tornou-se pública. Os partidários da independência manifestavam-se publicamente contra a presença dos portugueses no Brasil.

O movimento que se formava marcou um levante para o dia 16 de março de 1817, que seria o início da guerra de independência.

Mas houve uma denúncia ao governador, que era fiel a Portugal, e acabou por prender os civis e militares apontados como lideres da conspiração.

Os militares envolvidos não aceitaram a ordem de prisão e reagiram matando um oficial português. A partir desse episódio o levante tomou conta da cidade de Recife.

Os revolucionários dominaram a cidade e, no dia 8 de março, instalaram um governo provisório independente de Portugal e do restante do Brasil.

A revolução de alastrou e as capitanias da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí também aderiram ao movimento.

Imagem: Reprodução

Mas, antes mesmo que as tropas reais chegassem para combater essa revolução que só crescia, esta começou a fracassar por questões internas.

O fim da Revolução

O novo governo inspirava-se no Diretório francês de 1795, isto é, no governo que privilegiou as camadas superiores da sociedade.

O poder estava concentrado nas mãos dos latifundiários, dos grandes comerciantes e das altas patentes do exército.

Essa parcela da sociedade apesar de ser a favor da independência política, não era favorável a mudanças da estrutura social. Por exemplo, pretendiam manter a escravidão.

O caráter elitista e escravista do novo governo afastou as camadas médias influenciadas pelo Iluminismo e enfraqueceu a revolução, facilitando o trabalho das tropas leias à Coroa, que partiram do Rio de Janeiro e de Salvador para sufocar o movimento.

Em 19 de maio de 1817 os revolucionário foram derrotados. A repressão foi muito severa: os principais líderes foram presos, muitos foram fuzilados, outros foram enforcados.

Apesar do fracasso, a Revolução Pernambucana, mostrou que a independência era iminente e expôs o risco de um desses levantes populares contagiar toda a população pobre, tornando a situação incontrolável tanto para a elite rural quanto para os portugueses.

Referências

História, uma abordagem integrada – Nicolina Luiza de Petta, Eduardo A. Baez Ojeda

História – Divalte Garcia Ferreira

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Como referenciar este conteúdo

Bernardes, Luana. Revolução Pernambucana. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/revolucao-pernambucana. Acesso em: 01 de September de 2021.

Teste seu conhecimento

01. [UNESP-SP]: Leia os itens a respeito da Revolução Pernambucana de 1817:

I – Possui forte sentimento antilusitano, resultante do aumento dos impostos e dos grandes privilégios concedidos aos comerciantes portugueses;

II – Teve participação apenas de sacerdotes e militares, não contando com o apoio de outros segmentos da população;

III – Foi uma revolta sangrenta que durou mais de dois meses e deixou profundas marcas no Nordeste, com os combates armados passando do Recife para o sertão, estendendo-se também a Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte;

IV – A Revolta foi sufocada apenas dois anos depois por tropas aliadas, reunindo forças armadas portuguesas, francesas e inglesas;

V – Propunha a República, com a igualdade de direitos e a tolerância religiosa, mas não previa a abolição da escravidão.

É correto apenas o afirmado em:

a) I, II e III.

b) I, III e V.

c) I, IV e V.

d) II, III, IV.

e) II, III, V.

 

02. [UNB]: A Inconfidência Mineira não foi um fato isolado. Ela está integrada ao contexto social, político e econômico do Brasil colonial. Na Capitania de Minas Gerais, houve muitos outros, e também importantes movimentos rebeldes. Considerando a História do Brasil como um todo, a Inconfidência Mineira também não foi única: ela se coloca ao lado de movimentos como a Conjuração dos Alfaiates (Bahia, 1798), a Conjuração do Rio de Janeiro (1794) e a Revolução Pernambucana de 1817, entre outros que também enfrentaram o domínio colonial.

Adaptado de ANASTASIA, Carla. Os temas da liberdade e da República na Inconfidência Mineira. São Paulo: Ática, 1995.

A esse respeito é incorreto afirmar que:

a) Ao contrário do movimento de Vila Rica, fortemente marcado pela participação das elites locais, a Conjuração Baiana teve um cunho essencialmente popular.

b) Todos os movimentos citados no texto inscrevem-se no quadro geral do antigo sistema colonial, quadro esse que também refletia as transformações vividas pela Europa a partir da Revolução Industrial e das revoluções liberais burguesas.

c) A Revolução Pernambucana de 1817, que eclodiu durante a permanência do Estado Português no Brasil, traçou uma linha libertária que teve prolongamento na Confederação do Equador, dois anos após a Independência.

d) A imagem de Tiradentes, cultuada durante o período monárquico, sofreu forte oposição por parte daqueles que proclamaram a República, pelo que poderia inspirar contra o novo regime.

01. [UNESP-SP]

Resposta: B

Além de padres e militares, proprietários de terras estiveram na liderança da Revolução no primeiro momento. A Revolução durou 74 dias, proclamando a República na região.

 

02. [UNB]:

Resposta: D

Ao contrário do que afirmou a alternativa, Tiradentes foi considerado herói nacional pelos republicanos.

 

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