A Vinda da Família Real para o Brasil

A vinda da família real para o Brasil trouxe diversos avanços para o país em infraestrutura, porém trouxe também alguns malefícios e transformou a história.

Com a ameaça de Napoleão Bonaparte de invadir Portugal com as tropas francesas, o príncipe regente, sem condições de combater a invasão francesa, decidiu enviar a corte portuguesa para a colônia mais importante, que seria o Brasil. Com a ajuda dos aliados ingleses, em Janeiro de 1808, em 14 navios, a família real, funcionários, criados, assessores e pessoas relacionadas à corte vieram para o Brasil, trazendo bens pessoais, documentos, obras de arte, entre outras coisas. Alguns navios, após uma tempestade e 54 dias de viagem em condições insalubres, chegaram ao Rio de Janeiro, enquanto outros chegaram a salvador, e a corte, em março do mesmo ano, foi instalada no Rio de Janeiro.

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As tropas inglesas se instalaram na Ilha da Madeira, e Portugal se comprometeu a assinar um tratado de comércio com a Inglaterra. Havia no Brasil poucos alojamentos disponíveis para realizar a acomodação da comitiva palaciana e, por isso, residências receberam a inscrição em suas fachadas de “P.R.” que significava “Príncipe Regente”, indicando que os moradores deveriam desocupar o local para que fosse ocupado. A população interpretou, em decorrência disso, o sinal como remetendo a “Ponha-se na Rua”.

Além das casas, muitos quartéis e conventos foram usados para acomodar a corte, contribuindo para que muitas mudanças ocorressem na cidade. Uma delas foi a tendência da arquitetura, que passou a seguir o padrão europeu, da mesma forma como a moda e o mobiliário. No comércio, as mudanças foram relativamente positivas no que se refere à diversificação, passando, a partir de então, a oferecer serviços que antes eram escassos ou inexistentes, como é o caso de modistas, joalheiros e cabeleireiros, por exemplo. Sem sombra de dúvidas, entretanto, o setor que mais recebeu o impacto com a vinda da família real para o Brasil, foi a cultura. A biblioteca do rei também foi transferida de Lisboa para o Rio de Janeiro, contando com cerca de 60 mil volumes inicialmente, e foi esse acervo que deu base para a atual Biblioteca Nacional.

Enquanto colônia, o Brasil não possuía meios de comunicação, sendo esta uma proibição de Portugal. Foi pelas mãos de Dom João que isso mudou no ano de 1808, quando foi inaugurada ainda a Imprensa Régia, que gerou a Gazeta do Rio de Janeiro, e foram criadas ainda escolas de cirurgia, academia da Marinha e Militar, o Jardim Botânico, o Observatório Astronômico e o laboratório de química. No ano de 1813, Dom João fundou ainda o Teatro São João, chamado nos dias atuais Teatro João Caetano, que foi criado para trazer entretenimento aos integrantes da corte portuguesa.

Os cariocas, entretanto, sofreram no processo, tendo que arcar com os custos e sendo coagidos a doar alimentos e tecidos para que a mordomia da corte fosse mantida. Os institutos criados, inclusive, foram criados como uma forma de “compensação” para essas pessoas, gerando emprego para elas.

Imagem: Reprodução

A independência do Brasil

O processo de independência do Brasil, entretanto, foi, de longe, o fator mais marcado pela vinda da família real para o Brasil. No ano de 1815, o Brasil foi declarado Reino Unido ao de Portugal e Algarves, deixando, portanto, de ser uma colônia, mas com a permanência da família real em territórios brasileiros, o caminho era para a unificação do Brasil. Dom João tomou algumas medidas em território brasileiro que acentuou o interesse do comércio da Inglaterra com o Brasil, inclusive ficando este fato marcado pela abertura dos portos às Nações Amigas.

Diante desse processo, Portugal acabou perdendo o monopólio sobre o comércio com o Brasil, e a elite agrária passou a sonhar com a Independência. O Brasil, entretanto, não perdeu com essa abertura, passando a ser para a Inglaterra um mercado consumidor e fornecedor bastante promissor. Dom João, após um determinado período, necessita retornar à Portugal em decorrência das revoltas dos Portugueses na Revolução do Porto. Além disso, pediam para que os administradores estrangeiros fossem banidos e que somente Portugal e seus mercantes controlassem o comércio brasileiro. Diante dessas exigências, Dom João voltou para Portugal em 26 de abril de 1821, deixando Dom Pedro I, seu filho, responsável pelo país como governante, gerando satisfação para os portugueses e para os brasileiros. Este tem uma aproximação com a elite agrária, que se preocupava com a recolonização. Foi em 7 de Setembro de 1822 que Dom Pedro I declara a Independência do Brasil, e o país mantém a escravidão, a exclusão do povo nas decisões políticas, além do absolutismo monárquivo.

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Referências

História do Brasil – Gianpaolo Dorigo, Claudio Vicentino

Natália Petrin
Por Natália Petrin

Formada em Publicidade e Propaganda. Atualmente advogada com pós-graduação em Lei Geral de Proteção de Dados e Direito Processual Penal. Mestranda em Criminologia.

Como referenciar este conteúdo

Petrin, Natália. A Vinda da Família Real para o Brasil. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/vinda-da-familia-real-para-o-brasil. Acesso em: 01 de July de 2022.

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01. [FUND. CARLOS CHAGAS] O translado do governo português para o Brasil (1806) decorreu, entre outros fatores:

a) da ameaça de destruição da Monarquia em Portugal pela Espanha de Fernando VII;
b) da fuga de D. João à Revolução Constitucionalista do Porto;
c) da necessidade de manter a sobrevivência do Sistema Colonial;
d) das imposições do Tratado de Methuen sobre Portugal;
e) do conflito entre a Inglaterra e o expansionismo napoleônico.

 

02. [MACKENZIE] Podem ser consideradas características do governo joanino no Brasil:

a) a assinatura de tratados que beneficiam a Inglaterra e o crescimento do comércio externo brasileiro devido à extinção do monopólio;
b) o desenvolvimento da indústria brasileira graças às altas taxas sobre os produtos importados;
c) a redução dos impostos e o controle do déficit em função da austera política econômica praticada pelo governo;
d) o não envolvimento em questões externas sobretudo de caráter expansionista;
e) a total independência econômica de Portugal com relação à Inglaterra em virtude de seu acelerado desenvolvimento.

01. [E]

02. [A]

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