Escolástica

A Escolástica é um método de ensino e de pensamento filosófico que esteve presente na Europa durante a Alta Idade Média.

A Escolástica, ou pensamento escolástico, é uma corrente filosófica nascida na Europa da Idade Média, que dominou o pensamento cristão entre os séculos XI e XIV e teve como principais nomes São Tomás de Aquino e Santo Ancelmo da Cantuária.

O termo scholasticus se referia àqueles que ensinavam as sete artes liberais do trivium e do quadrivium:

  • Trivium: Gramática, retórica e lógica
  • Quadrivium: música, geometria, aritmética e física

Algum tempo depois, passou-se a se chamar escolástico o professor ou mestre de teologia ou filosofia que se dedicava ao ensino nas escolas, os mesmos que mais tarde passaram a ensinar também nas universidades.

Escolástica
Imagem: Reprodução

Comumente, as lições dadas pelos mestres pautavam-se por método em que alunos e professores se punham a discutir, em forma de disputa, sobre os temas tratados, em sua maioria, questões religiosas.

Escolástica e Patrística

A questão central da Escolástica era a mesma da Patrística: compreender racionalmente o que dizia a fé. Nesse sentido, era necessário que os novos clérigos fossem devidamente formados e educados com os conhecimentos necessários ao exercício de suas funções pastorais.

Essa formação só era possível dentro de um escola, de uma instituição que tivesse as prerrogativas necessárias para prover tal formação.

É importante esclarecer que a Escolástica não tem as mesmas características da filosofia grega, ou seja, não busca a investigação filosófica de forma autônoma e desvinculada da religião e da fé.

Pelo contrário, a tradição religiosa é, para a Escolástica, o fundamento e a razão de ser. A verdade, revelada por Deus por meio da sua Igreja, da tradição e dos Santos e Padres da Igreja, não deve ser colocada em xeque.

As funções

A função do pensamento produzido na Escolástica é o de explicar, na medida do possível, tal verdade por meio da inteligência humana e da ajuda de Deus.

Portanto, para o pensamento escolástico, tudo o que ultrapassar essa intenção deixa de ser verdadeiro, e quem julga a verdade é a Igreja, mãe e mestra dos homens.

É por isso que, constantemente, se recorria à autoridade para que a verdade não fosse abandonada, entendendo-se por autoridade os Concílios, que emitiam decisões inquestionáveis sobre todo e qualquer assunto.

Outro aspecto importante da Escolástica é o fato de que seus representantes não se dedicavam a criar nada de novo, ou seja, não havia, absolutamente, a intenção de obter novas verdades, novos conceitos ou novas doutrinas.

O principal objetivo se restringia a compreender a verdade já existente, dada pela Revelação. Tal como na Patrística, os instrumentos para tal explicação e compreensão são retirados da filosofia clássica, principalmente de Platão e Aristóteles.

Desse modo, a filosofia é somente um caminho, uma trilha que serve à fé, daí o porquê dessa filosofia ser considerada escrava da fé.

A divisão do pensamento escolástico

O pensamento escolástico pode ser dividido em fases distintas:

  • 1ª fase: Séculos VIII e IX – Identidade ou harmonia perfeita entre razão e fé;
  • 2ª fase: Séculos XI e XII – Antítese ou surgimento das grandes diferenças entre razão e fé;
  • 3ª fase: Século XIII – Organização dos grandes sistemas filosóficos, entre eles o de Santo Tomás de Aquino, que buscavam explicar a fé por meio da razão, principalmente aristotélica;
  • 4ª fase: Século XIV – dissolução da Escolástica, em que se deu o aparecimento de grandes questões que defendem a insolubilidade entre razão e fé, ou seja, que razão e fé não podem estar juntas por tratarem de questões diametralmente opostas.

A corrente escolástica perdeu seu destaque na filosofia européia por volta do século XVII, com o nascimento da filosofia moderna, que trouxe pensadores e cientistas como Galileu Galilei e René Descartes.

Referências

A Escolástica como Filosofia e Método de Ensino na Universidade Medieval: uma reflexão sobre o Mestre Tomás de Aquino – Terezinha Oliveira

História – Divalte Garcia Figueira

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01. [FAAP]: A doutrina de Platão influenciou os primeiros filósofos medievais, Santo Agostinho, bispo de Hipona (354 a 430) e Boécio (480 a 524), autores de “Confissões” e “Consolação da Filosofia”, respectivamente. Mas a Filosofia que predominou na Idade Média foi a:

a) Sofística

b) Epicurista

c) Escolástica

d) Existencialista

e) Fenomenológica

 

02. [PUCCAMP]: Dentre as obras do filósofo escolástico São Tomás de Aquino, aquela que se tornou mais famosa, na qual são tratados todos os temas de ordem teológica e filosófica, desde as provas para existência de Deus, a criação do mundo e do homem até discussões sobre as virtudes, a ética e a política, é:

a) Suma Contra os Gentios.

b) Tractatus Lógico-Filosófico.

c) Crítica da Razão Pura

d) Suma Teológica

e) A Cidade de Deus

01. [FAAP]

Resposta: C

A filosofia escolástica, desenvolvida a partir do século XII, é a mais completa e complexa das correntes filosóficas medievais. Seu principal expoente foi São Tomás de Aquino, que combinou a tradição teológica cristã com a filosofia de Aristóteles.

 

02. [PUCCAMP]

Resposta: D

A obra mais conhecida de São Tomás de Aquino é a Suma Teológica, apesar de a Suma Contra os Gentios também ter sido muito difundida. Na Suma Teológica estão as discussões sobre todos os assuntos filosóficos e teológicos debatidos até então.

 

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