Surfe

O surfe é um esporte de aventura na natureza praticado com pranchas no mar.

Esta matéria apresenta características do surfe, uma modalidade de esporte de aventura na natureza praticado no mar. Desse modo, comenta a respeito de sua história e de aspectos associados à sua prática, como fundamentos, regras e equipamentos. Além disso, aborda também curiosidades acerca da modalidade. Acompanhe!

Origens do surfe

O surfe (do inglês surf) é um esporte de aventura na natureza, realizado na superfície marítima e caracterizado pelo deslize nas ondas por meio de uma prancha. A narrativa histórica mais difundida acerca da modalidade atribui seu surgimento a pescadores da Polinésia (conjunto de ilhas do Oceano Pacífico). Assim, a prática teria surgido do uso de tábuas de madeira por pescadores nativos para retornarem das embarcações até a margem.

Logo a prática se tornou parte da cultura polinésia, sendo realizada na forma de ritual de oferenda e agradecimento. Nesse sentido, passou a ser desenvolvida conforme a estrutura hierárquica da sociedade – ou seja, foi restrita aos membros da realeza e proibida aos demais. Assim, reis e familiares utilizavam grandes pranchas e surfavam em pé, enquanto outros membros da realeza surfavam em pranchas menores e nunca em pé.

A história dessa modalidade começou a ganhar uma nova configuração em 1778, quando o navegador inglês James Cook chegou ao arquipélago do Havaí (um dos vértices do triangulo polinésio) e teve contato com a prática. Ao retornar para a Europa, Cook introduziu a prática na cultura ocidental, tornando-a apreciada, principalmente, no estado da Califórnia.

Popularização

Embora introduzido no mundo ocidental por James Cook, o surfe tornou-se conhecido ao redor do mundo por meio do nadador e embaixador havaiano Duke Kahanamoku, após representar os EUA na natação das Olimpíadas de Estocolmo 1912. Com isso, Duke agregou visibilidade à prática, levando-a consigo a países como Austrália e Nova Zelândia e potencializando a disseminação e a popularização da modalidade enquanto prática esportiva.

Os primeiros campeonatos da modalidade foram organizados durante as décadas de 1970 e 1980, ocorrendo em 1964 o primeiro Campeonato Mundial de Surfe, na Austrália. Nesse mesmo ano, foi fundada a International Surfing Association (ISA) e, posteriormente, em 1976, a World Surf League (WSL). Atualmente, ambas as entidades atuam na regulamentação esportiva do surfe, cuja estreia como esporte olímpico ocorrerá na edição dos Jogos de Tóquio 2020.

O surfe no Brasil

O surfe é praticado no Brasil desde a década de 1930 na cidade de Santos, tendo o ano de 1938 como um marco devido à construção da primeira prancha brasileira, produzida em madeira. Já na década de 1960, houve o surgimento de surfistas cariocas e a chegada de pranchas da Califórnia, feitas de fibra de vidro, o que potencializou a popularização da prática em seu caráter esportivo no país.

Desse modo, em 1987, foi fundada a Associação Brasileira de Surf Profissional (ABRASP), vindo a modalidade a ter o reconhecimento do Conselho Nacional de Desportos no ano seguinte. Com isso, foi realizado o primeiro Campeonato Brasileiro Feminino de Surfe em 1997, destacando-se ao longo dos anos as surfistas Tita Tavares (Ceará) e Andressa Lopes (Rio de Janeiro).

Como se pratica o surfe

A seguir, são apresentados fundamentos, regras e linhas do surfe, a fim de demonstrar como a modalidade é praticada. Confira!

Fundamentos

O surfe objetiva o deslize pelas ondas com uma prancha para a realização de manobras. Para isso, os principais fundamentos da modalidade são a remada (para o deslocamento no mar até uma boa posição), o joelhinho (mergulho feito com a prancha no deslocamento para ultrapassar as ondas), o drop (movimento de transição da remada para a posição em pé) e a cavada (direcionamento do surfista para um lado da onda).

Linhas do surfe

  • Linha Clássica: importa mais o estilo desenvolvido pelo surfista do que a força empreendida nas manobras.
  • Linha Moderna: a força e a radicalidade são mais importantes do que o estilo do surfista.

Regras

  • A prioridade, na hora de pegar uma onda, deve ser do surfista que estiver esperando há mais tempo.
  • Se o surfista rema até a onda, mas não consegue pegá-la, deve esperar os demais para então tentar a próxima onda.
  • Caso mais de um surfista pegue a mesma onda, a prioridade é daquele que estiver mais próximo do pico da onda.
  • Quando houver mais de um surfista em uma onda que quebre para os dois lados, eles devem se organizar para que ambos (no caso de dois) ou dois (no caso de mais) surfistas peguem a onda, direcionando-se um para cada lado dela.
  • Se um surfista estiver remando para o mar e defrontar-se com outro em uma onda, deve dar a volta nela e não voltar para a praia, liberando assim o caminho para o surfista que está na onda e evitando um confronto acidental.
  • O surfista jamais deve soltar a prancha, pois ela pode se perder e gerar acidentes.
  • Em competições, os surfistas devem tentar permanecer nas ondas durante o maior tempo possível e realizar o maior número de manobras que conseguirem.
  • As competições oficiais, em geral, possuem baterias de 4 surfistas, dos quais ao menos 50% avançam para a fase seguinte.
  • As baterias são organizadas por tempo mínimo, sendo este de 15 minutos para as baterias iniciais e de 20 minutos para as finais.
  • O limite de ondas por bateria, assim como quantas ondas serão pontuadas em cada uma, fica a critério da direção técnica e jurídica de cada campeonato.
  • Os surfistas são avisados quando faltam a eles duas ondas, uma onda e quando completam o limite de ondas permitidas para a bateria.
  • Caso um surfista surfe em mais ondas do que o permitido, pode ser punido em valor equivalente ao da inscrição do campeonato para cada onda extra.

Equipamentos

  • Prancha
  • Leash
  • Parafina

Esses são os fundamentos, as regras e as linhas do surfe – elementos por meio dos quais a prática é organizada e possibilitada enquanto modalidade esportiva. Veja, a seguir, algumas curiosidades a respeito do esporte.

Curiosidades sobre o surfe

Veja curiosidades sobre o surfe e compreenda melhor a história desse esporte:

  • No dia 20 de junho, o esporte celebra o Dia Internacional do Surf. A data foi criada em 2004, por iniciativa da Surfrider Foundation em parceria com a Surfing Magazine, com o intuito de celebrar o esporte em seu estilo de vida e trazer uma importante conscientização quanto à relação de sustentabilidade com os recursos naturais.
  • No Brasil, a modalidade possui um museu. O Museu do Surfe foi idealizado por Diniz Iozzi, arquitetado por Ruy Ohtake e inaugurado em 26 de janeiro de 2009. Está localizado em Santos, no Rio de Janeiro, e conta com um acervo de pinturas artísticas, documentos, fotos, troféus, vestes de atletas e painéis informativos, além da exposição de pranchas – desde a primeira produzida no país.
  • As pranchas de surfe produzidas antigamente eram fabricadas por cada surfista, pois acreditava-se que esse era um momento mágico em que suas energias positivas eram transmitidas à prancha.
  • Nas Olimpíadas da Suécia 1912, Duke Kahanamoku bateu o recorde de 100 metros no nado livre. Com a visibilidade adquirida, passou a divulgar o surfe e a popularizá-lo no meio esportivo.
  • A australiana Isabel Letham é considerada a primeira mulher a praticar o surfe, em 1915, surfando com Duke Kahanamoku. Depois dela, a californiana Mary Ann Hawkins apresenta-se como importante nome feminino na modalidade, pois foi a primeira mulher a competir em um campeonato do esporte, em 1938.

Essas são algumas curiosidades a respeito do surfe para que você se aproxime mais da modalidade. Para saber mais a seu respeito, confira os vídeos a seguir.

Saiba mais sobre o esporte

Na sequência, você encontra vídeos complementares a respeito das características da modalidade. Confira para compreender melhor a prática!

Campeonato

Esse vídeo explica como funcionam os campeonatos de surfe, comentando a respeito da organização da modalidade nas baterias em seus aspectos classificatórios. Não deixe de assistir!

Surfe nas Olimpíadas

Aqui, comenta-se a respeito das regras propostas pelo International Olympic Comitee (COI) como regulamento para a prática olímpica do surfe. Assista para compreender quais as perspectivas para a disputa desse esporte na próxima edição dos Jogos Olímpicos.

Glossário

Nesse vídeo, são explicadas algumas terminologias específicas da modalidade, usadas pelos praticantes para comunicarem entre si as condições e as situações relacionadas à prática do surfe. Confira para conhecê-las!

Comportamentos e regras básicas

Esse vídeo trata de comportamentos e regras básicas para a prática do surfe, ressaltando medidas de segurança e respeito para com os demais.

Esta matéria apresentou elementos característicos do surfe, comentando a respeito de sua história e também de aspectos associados à sua prática, como fundamentos, regras e equipamentos. Continue estudando os esportes disputados em meio aquático aprendendo também sobre a natação!

Referências

Associação Brasileira de Surf Profissional [on-line] – Disponível em: http://www.abrasp.com/. Acesso em: 16 dezembro 2020
Comitê Olímpico Brasileiro [on-line] – Disponível em: https://www.cob.org.br/pt/. Acesso em: 16 dezembro 2020
Confederação Brasileiira de Surf [on-line] – Disponível em: https://cbsurfe.org.br/. Acesso em: 16 dezembro 2020
International Olympic Committee [on-line] – Disponível em: https://www.olympic.org/. Acesso em: 16 dezembro 2020
International Surfing Association [on-line] – Disponível em: https://www.isasurfe.org/. Acesso em: 16 dezembro 2020
Surfe: da prática corporal a esporte (2017) – Keila Aparecida Pereira Bastos

João Paulo Marques
Por João Paulo Marques

Professor mestrando em Educação Física formado pela Universidade Estadual de Maringá. Pesquisador integrante do Grupo de Pesquisa Corpo, Cultura e Ludicidade (GPCCL/UEM/CNPq) e do Grupo de Estudos Foucaultianos (GEF/ UEM/CNPq). Temáticas estudadas envolvem corpo, subjetividade, discurso, cultura e saúde.

Como referenciar este conteúdo

Marques, João Paulo. Surfe. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/educacao-fisica/surfe. Acesso em: 19 de June de 2021.

Exercícios resolvidos

1.

Analise as afirmações a seguir:

I) O surfe é um esporte de aventura urbano, praticado em meios aquáticos com ondas, como o mar e piscinas artificiais.
II) De acordo com a narrativa histórica mais difundida a respeito do surfe, ele teria se originado de embarcações de pescadores nativos do triângulo polinésio, as quais eram constituídas por tábuas de madeira.
III) Os fundamentos do surfe correspondem a ações que os surfistas devem adotar para conseguirem deslizar sobre as ondas, variando conforme as linhas dos surfistas.
IV) As regras do surfe orientam os surfistas tanto em relação às competições quanto em relação aos comportamentos mais adequados para se promover a ética esportiva entre os praticantes e demais envolvidos.

Considerando essas assertivas a respeito do surfe, estão corretas:

A) As assertivas I e II.
B) As assertivas II e IV.
C) As assertivas II e III.
D) As assertivas I e IV.

A resposta correta é a alternativa B.

A afirmação I é falsa, pois o surfe é um esporte de aventura praticado na natureza, não no meio urbano, embora piscinas artificiais reproduzam condições favoráveis para o treinamento de seus fundamentos.
A afirmação III é falsa, pois os fundamentos da modalidade não variam conforme as linhas do esporte. Ao contrário, são essenciais para qualquer estilo.

2. [PNLD-2019]

Marque um X na alternativa correta a respeito do surfe.

A) Os surfistas experientes não necessitam utilizar a cordinha presa na prancha e em seu tornozelo.
B) O Brasil tem muitos atletas que disputam a elite do surfe mundial.
C) O surfe no Brasil chegou pela região Nordeste, especialmente nos estados da Bahia e de Pernambuco.
D) A modalidade surfe começou a ser disputada em Olimpíadas nos Jogos de Londres, em 2012.

A resposta correta é a alternativa B.

Atualmente, encontram-se na elite do esporte os seguintes atletas brasileiros: Jadson André, Yago Dora, Alex Ribeiro, Miguel Pupo, Deivid Silva, Peterson Crisanto, Caio Ibelli, Italo Ferreira, Gabriel Medina e Filipe Toledo.

Compartilhe

TOPO