Danças Circulares

São manifestações de práticas corporais dançantes realizadas em círculos, envolvendo características e tradições culturais de diferentes povos, comunidades e grupos.

Também chamadas de danças do povo, as danças circulares se constituem por diversas manifestações de danças tradicionais e/ou folclóricas, oriundas de diferentes povos do mundo. Nesse direcionamento, esta matéria apresenta características e benefícios associados à prática dessas danças. Além disso, comenta a respeito das principais manifestações do Brasil e de outros países. Acompanhe.

Origens

As danças circulares se configuram como práticas dançantes coletivas voltadas à experiência de integração grupal. O termo refere-se ao estilo da dança, em que as movimentações coreográficas são construídas e realizadas em círculo ou roda. Assim, sua principal característica é o direcionamento das intenções e energias pessoais para o espaço circular do grupo, construído e partilhado pelos participantes de forma unitária.

As origens dessas danças são milenares, aludindo a cerimônias ritualísticas de diversos povos ancestrais, em ocasiões como plantios, colheitas, casamentos, nascimentos, mortes e outros momentos da vida. Contudo, sua sistematização ocorreu com a criação das chamadas “Danças Circulares Sagradas”, produto de estudos do bailarino e professor de dança clássica, Bernhard Wosien, voltados a danças folclóricas e étnicas da Europa ocidental e oriental.

Dedicado às expressões artísticas do corpo, em 1976, Bernhard Wosien foi convidado a demonstrar seus conhecimentos a respeito de danças folclóricas à Comunidade de Findhorn, na Escócia. Nessa ocasião, propôs uma atividade experimental acerca de uma coletânea de danças populares. Ali nasceram as danças circulares sagradas – assim adjetivadas em função da simbologia de elevação do espírito humano, associada à prática da dança.

Danças circulares no Brasil

O ensino das danças circulares no Brasil foi focalizado e se popularizou com as intervenções do mineiro Carlos Solano, em 1984, quando começou a partilhar a experiência vivida em na Comunidade de Findhorn. Assim, as danças circulares foram se difundindo e sendo dançadas em parques e instituições educacionais, hospitalares e empresariais, penetrando também outros segmentos sociais.

Em parte, a rápida difusão e a grande popularidade das danças circulares no País se devem à simplicidade na composição dos movimentos. Esse fator, somado à cooperação e ao respeito à individualidade dos participantes, foi de grande importância para a adesão popular a essa modalidade de dança no Brasil.

Benefícios

As danças circulares podem ser suaves ou animadas, reflexivas ou enérgicas, dependendo dos participantes. Nesse sentido, a harmonia entre corpo, mente e emoções é o benefício mais vivenciado pelos praticantes da modalidade. Desse modo, o papel do focalizador (quem direciona as atividades) é orientar as movimentações e contextualizar as danças, priorizando o bem-estar, o aproveitamento e os objetivos do grupo e de seus integrantes.

Além disso, destacam-se como benefícios adquiridos com a prática de danças circulares o autoconhecimento, a empatia e o cuidado com o outro. Isso porque, implicitamente, a experiência dançante ensina, de modo harmonioso, integrado, inspirador e agradável, o respeito ao próximo e a suas diferenças. Com isso, essa modalidade de dança promove entre os participantes também a compreensão e o sentimento de pertencimento.

Danças circulares brasileiras

Como mencionado, as danças circulares são manifestações populares, ou seja, constituídas por caracteres do ambiente e da comunidade em que se desenvolvem. Desse modo, formas e elementos coreográficos, bem como instrumentais e musicais, são definidos, organizados e instituídos oralmente, na perpetuação da prática. Assim se formam e instituem as danças circulares brasileiras, dentre as quais, as mais tradicionais:

Ciranda

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A ciranda é um estilo de dança e música originária da região Nordeste do Brasil, tradicionalmente praticada por mulheres de pescadores enquanto esperam o retorno dos cônjuges. Caracteriza-se por uma grande roda, geralmente formada em praias e praças. Nesse formato, a dança acontece em ritmo lento e constante, sendo o compasso marcado pelo bumbo (ou zabumba), acompanhado do tarol, ganzá e maracá. Os movimentos são criados pelos cirandeiros.

Toré

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O toré é uma dança ritualística comum a todos os povos indígenas, embora apresente, entre eles, variações de ritmos e toantes (músicas). Por meio dessa manifestação, realizada ao ar livre, os participantes buscam integrar-se com as forças da natureza e de antepassados. Nessa dança, o tom das pisadas é ditado pelo maracá (chocalho feito de cabaça seca, preenchida com sementes ou pedras).

Xirê

sharlene ventura

Xirê é um ritual de extrema importância no candomblé, pois cria um momento de dignificação, louvor e evocação de todos os Orixás, simultaneamente. Esse momento precede a cerimônia e possui organização própria, com palavras, ordens e formas de saudação específicas, ou seja, um ritual. Portanto, há uma dança e uma saudação específica para cada um dos quinze principais Orixás cultuados, conduzidas pelas batidas dos tambores.

Outras manifestações de danças circulares tradicionalmente praticadas e de grande importância para a cultura popular no Brasil são:

  • Carimbó;
  • Umbigada;
  • Capoeira;
  • Samba de roda;
  • Coco de roda.

Essas são as principais danças circulares brasileiras, as quais compõem também o patrimônio histórico e cultural do País, além de seu folclore.

Danças circulares tradicionais

As danças circulares sagradas podem ser referidas como um fenômeno global, uma vez que se apresentam como espaço de manifestação da cultura popular, tornadas tradições pelos povos. Desse modo, agora que você conhece as principais danças circulares do Brasil, veja também algumas das tradicionalmente praticadas, aqui e em outros países do globo.

Quadrilha

Wikimedia Commons

Originária da Inglaterra do século XIII e difundida por meio das danças de salão, a quadrilha é uma dança circular tradicional, no Brasil e em outros países. É bastante associada à cultura sertaneja, simbolizando o festejo de boas colheitas e homenageando santos populares. Desse modo, adquire características próprias dos povos praticantes, expressas na ritualística da dança.

Bandertanz

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A Bandertanz é uma dança folclórica alemã datada do início do século XIII e perpetuada pela tradição de enfeitar um mastro, simbolizando a Maibaum (árvore de Maio), com fitas coloridas para a páscoa e início do verão. Tradicionalmente, é dançada com duas cores de fita, correspondentes às cores da cidade, com movimentações em torno do mastro, no topo do qual são fixas as fitas utilizadas para trançá-lo.

Além dessas, podem ser citadas como danças circulares tradicionais e típicas do folclore de outros países:

  • Berisoka (Rússia);
  • Siete saltos (Dinamarca);
  • Dança das palmas (Israel).

Além de expressar a diversidade cultural dos povos do mundo, como mencionado, as danças circulares apresentam diversos benefícios para os praticantes. Entre tais benefícios, a harmonia (do sujeito consigo, com os demais integrantes e com o ambiente) é um traço característico dessa modalidade de dança. Sendo assim, que tal conhecer mais sobre esses aspectos? Para isso, confira os vídeos a seguir.

Veja vídeos de danças circulares

Na sequência você encontra vídeos que comentam e demonstram danças circulares, complementando o conteúdo abordado nesta matéria e contribuindo para que você conheça mais características dessa prática corporal dançante. Confira!

Origens da dança circular sagrada

Nesse vídeo, o focalizador Gustavo Limeira explica as origens das danças circulares sagradas e comenta também a respeito de suas características e propostas. Além disso, ele demonstra algumas movimentações possíveis para a dança. Veja!

Toré

Esse vídeo apresenta o toré, uma dança circular tradicional de várias etnias nordestinas. Trata-se de uma filmagem da Segunda Corrida do Umbu dos Índios do Brejo dos Padres, realizada em 2012. Confira para conhecer essa manifestação da dança circular.

Bandertanz

Nesse vídeo você confere uma apresentação da dança circular alemã Bandertanz, realizada na 22ª Bauernfest – Festa do Colono anualmente realizada na Alemanha. Não deixe de conferir.

Esta matéria abordou características históricas e próprias das danças circulares, ressaltando, entre elas, seus benefícios para os praticantes. Além disso, apresentou manifestações tradicionais dessa modalidade, praticadas no Brasil e em outros países. Para continuar estudando acerca do universo das práticas corporais dançantes, confira a matéria de Danças Folclóricas.

Referências

A experiência do significado na dança circular (2018) – Ana L. Borges da Costa e Diane L. Cox.

Danças Circulares: uma proposta cultural de educação, saúde e integração (2017) – Álvaro Pantoja e Maria Barroso.

Memória social e patrimônio cultural nas danças circulares sagradas (2012) – Ana Lúcia Marques Ramires.

João Paulo Marques
Por João Paulo Marques

Bacharel em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Pesquisador integrante do Grupo de Pesquisa Corpo, Cultura e Ludicidade (GPCCL/UEM/CNPq) e do Grupo de Estudos Foucaultianos (GEF/ UEM/CNPq). Pesquisas focalizando Cultura Física, Discurso, Corpo e Subjetividade.

Como referenciar este conteúdo

Marques, João Paulo. Danças Circulares. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/educacao-fisica/dancas-circulares. Acesso em: 21 de October de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [FGV-2019]

Realizadas em roda e de mãos dadas, as danças circulares foram criadas por Bernhard Wosien e sintetizam danças de diferentes culturas pesquisadas por ele.

As afirmativas a seguir indicam corretamente características dessa modalidade de dança, à exceção de uma. Assinale-a.

A. Diálogo do próprio corpo com o dos demais.

B. Dinâmica de integração de indivíduos em grupos.

C. Exercício grupal de percepção espacial de lateralidade.

D. Experiência de comunhão entre as pessoas.

E. Prática coletiva inspirada em ritos e meditação.

A alternativa incorreta é C.

2. [NUCEPE-2016]

Os étimos gregos khorus (círculo) e graphe (escrita, representação), fundamentam a palavra coreografia. O elemento círculo é uma referência às danças circulares e à orquestra, local onde o coro teatral grego dançava. Coreografar é desenhar/gravar o espaço com o movimento corporal. Assim, pode-se afirmar que coreografia

A. é a arte de composição rígida metricamente organizada com movimentos estabelecidos a partir de uma ideia pré-estabelecida passando ao público pouca ou nenhuma emoção cênica, através de movimentos calistênicos.

B. é a arte de inventar movimentos com características circulares para representar sentimentos ou condições cênicas, que leva ao público interpretações duvidosas e variadas.

C. é a arte de criar movimentos espontâneos inspirados no acaso, com contagem de tempos musicais rígidos de uma história cênica, que leva ao público entendimento subjetivo das ideias.

D. é a arte da composição estética dos movimentos corporais, com uma ideia ou sentimento pré-estabelecido, passado ao público, através de movimentos corporais expressivos, ritualísticos, cênicos ou espetaculares.

E. é a arte de criar movimentos vanguardistas com inspiração ocasional e improvisada, com preocupação com a relevância métrica e sem muito interesse de levar ao público ideias prazerosas.

A alternativa correta é D.

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