Tropicalismo

O Tropicalismo foi um movimento musical de contracultura que se desenvolveu no Brasil durante o Regime Militar. Uma nova estética musical.

O Tropicalismo foi um movimento musical que ocorreu entre 1967 e 1969 durante a Ditadura Militar no Brasil. Tornou-se um marco na música brasileira depois lançamento do álbum Panis et Circenses com a participação de diversos artistas. O movimento assimilou o conceito de antropofagia, unindo elementos da música internacional com os elementos da música popular brasileira.

Contexto histórico

O movimento é posterior a Bossa Nova e a Jovem Guarda que transformaram a música brasileira. Em resposta ao conservadorismo e ao avanço da música com identidade estrangeira, o Tropicalismo se alimentou de movimentos e influência de grupos – como Beatles, Rolling Stones, o Festival de Woodstock e a cultura hippie – para mesclá-los com elementos da cultura popular brasileira.

Ditadura militar

Ocorreu durante a consolidação do Golpe Militar (1964-1985) sendo uma resposta ao conservadorismo moral, ao controle cultural, social e político e à censura (AI-5) exercidos desde 1965. É considerado um movimento de resistência à alienação proposta pelo Estado para controle social e político.

Principais características

  • Movimento de Contracultura: a Tropicália rompe com a estrutura cultural burguesa e predominantemente sob influência estrangeira que podemos identificar na Bossa Nova e na Jovem Guarda. Trata-se de uma resposta aquilo que era considerado conservador e retrógrado, através de uma nova forma de se produzir música, considerando novos valores, comportamentos e pensamentos.
  • Inovação: O movimento sofreu grande influência do movimento hippie que propôs um novo parâmetro de liberdade comportamental, sexual e espiritual. Dessa forma, além de uma música inovadora, os artistas do movimento transmitiam um novo modo de comportamento.
  • Rebeldia: uma resposta à inconformidade da sociedade perante as condições impostas pela Ditadura Militar e pela propagação de uma moral conservadora.
  • Miscigenação: Com o sucesso de grupos internacionais e festivais, os tropicalistas incrementam ao samba e à bossa nova outras sonoridades – como a guitarra elétrica advinda da cultura europeia e o berimbau da capoeira – que representam uma parte da cultura brasileira. A miscigenação se dá pela apropriação da própria cultura do país acrescentada por tendências de outras culturas que foram popularizadas pelo mundo.

Estas características estabelecem uma sonoridade inovadora ao cenário musical do país que, posteriormente, influenciaram o desenvolvimento da Música Popular Brasileira.

Principais objetivos

  • Inovação da estética musical: o principal objetivo dos Tropicalistas era desenvolver uma nova estética musical considerada por si só revolucionária, já que rompia com os ideais retrógrados e conservadores propostos até então.
  • Libertação e revolução: as músicas somaram, em sua essência, a mensagem de libertação do conformismo, àquilo que parecia estagnado propondo um pensamento que buscasse a libertação dos contextos sociais e uma revolução nos conceitos políticos.
  • Crítica política e social: apesar de não ser um objetivo assumidamente declarado pelos artistas que fizeram parte do movimento, as composições destacam críticas à Ditadura Militar e à moral conservadora burguesa, fazendo uso do humor e ironia de maneira elaborada esteticamente e crítica.

O Tropicalismo, em sua essência, se demonstrou um movimento de inovação por meio da estética e da resistência ao contexto em que se desenvolveu.

O fim do tropicalismo

Considera-se que movimento chegou ao fim com a prisão e exílio de seus dois principais nomes: Gilberto Gil e Caetano Veloso. Ambos foram exilados pelo governo militar brasileiro no Reino Unido, onde passaram cerca de 12 anos. Caetano era considerado o fundador e Gil, seu principal seguidor e parceiro no movimento.

Principais artistas

Por mais que o movimento tenha durado poucos anos, grandes nomes da música reconhecidos por nós atualmente estiveram ligados aos intérpretes e compositores. Acompanhe os principais nomes:

  • Caetano Veloso
  • Gilberto Gil
  • Gal Costa
  • Maria Bethânia
  • Tom Zé
  • Os Mutantes
  • Torquarto Neto

Esses artistas contribuíram com a revolução e a transformação da figura jovem no país. Foram responsáveis por importantes canções que registraram a miscigenação brasileira nos anos 60.

Músicas

O principal marco do Tropicalismo é o lançamento do álbum Panis et Circenses com a participação de inúmeros artistas. Aqui, estão listadas algumas para te ajudar a compreender a potência sonora e a mensagem da Tropicália

  • Alegria, Alegria – Caetano Veloso
  • Bat Macumba – Os Mutantes
  • Aquele abraço – Gilberto Gil
  • Mamãe Coragem – Gal Costa
  • Geléia Geral – Gilberto Gil
  • Domingo no Parque – Gilberto Gil
  • Panis et Circenses – Os Mutantes
  • A Minha Menina – Os Mutantes
  • Parque Industrial – Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes
  • São, São Paulo, meu amor – Tom Zé

Vídeos sobre a música brasileira antropofágica

Como qualquer outro movimento artístico, é de extrema importância compreender o contexto histórico de cada período. Estes são alguns vídeos que poderão te ajudar a entender melhor o que o Tropicalismo na história música brasileira.

As influências pré e pós Tropicália

Acompanhe neste vídeo o contexto que político mundial e nacional que antecedeu as articulações do movimento.

Da Bossa Nova para a Jovem Guarda até chegar na Tropicália

Neste curto vídeo, você pode compreender o que motivou a mistura antropofágica da Tropicália.

Ah, os artistas…

Conheça com um pouco mais de profundidade os artistas que levantaram e compuseram esse movimento.

O Tropicalismo foi um movimento que bebeu do conceito de antropofagia proposto por Oswald de Andrade. Nas artes visuais, este conceito foi assimilado por Tarsila do Amaral no início do Modernismo Brasileiro.

Referências

TROPICÁLIA. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020.

Por Vanderlei Bachega Junior
Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

“Eu não tenho hoje em dia muito orgulho do Tropicalismo. Foi sem dúvida um modo de arrombar a festa, mas arrombar a festa no Brasil é fácil. O Brasil é uma pequena sociedade colonial, muito mesquinha, muito fraca”.

VELOSO, C. In: HOLLANDA, H. B.; GONÇALVES, M. A. Cultura e participação nos anos 60.São Paulo: Brasiliense, 1995 (adaptado).

O movimento tropicalista, consagrador de diversos músicos brasileiros, está relacionado historicamente:

a) à expansão de novas tecnologias de informação, entre as quais, a Internet, o que facilitou imensamente a sua divulgação mundo afora.
b) ao advento da indústria cultural em associação com um conjunto de reivindicações estéticas e políticas durante os anos 1960.
c) à parceria com a Jovem Guarda, também considerada um movimento nacionalista e de crítica política ao regime militar brasileiro.
d) ao crescimento do movimento estudantil nos anos 1970, do qual os tropicalistas foram aliados na crítica ao tradicionalismo dos costumes da sociedade brasileira.
e) à identificação estética com a Bossa Nova, pois ambos os movimentos tinham raízes na incorporação de ritmos norte-americanos, como o Blues.

Resposta: B

2. [ENEM]

“Mesmo tendo a trajetória do movimento interrompida com a prisão de seus dois líderes, o Tropicalismo não deixou de cumprir seu papel de vanguarda na música popular brasileira.
A partir da década de 70 do século passado, em lugar do produto musical de exportação de nível internacional prometido pelos baianos com a “retomada da linha evolutória”, instituiu-se nos meios de comunicação e na indústria do lazer uma nova era musical”.

TINHORÃO, J. R. Pequena história da música popular: da modinha ao Tropicalismo. São Paulo: Art, 1986 (adaptado).

A nova era musical mencionada no texto evidencia um gênero que incorporou a cultura de massa e se adequou à realidade brasileira. Esse gênero está representado pela obra cujo trecho da letra é:

a) A estrela d’alva / No céu desponta / E a lua anda tonta / Com tamanho esplendor. (As pastorinhas, Noel Rosa e João de Barro)
b) Hoje / Eu quero a rosa mais linda que houver / Quero a primeira estrela que vier / Para enfeitar a noite do meu bem. (A noite do meu bem, Dolores Duran)
c) No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo / Onde a dor e a saudade / Contam coisas da cidade. (No rancho fundo, Ary Barroso e Lamartine Babo)
d) Baby Baby / Não adianta chamar / Quando alguém está perdido / Procurando se encontrar. (Ovelha negra, Rita Lee)
e) Pois há menos peixinhos a nadar no mar / Do que os beijinhos que eu darei / Na sua boca. (Chega de saudade, Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

Resposta: D

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