Orações coordenadas

Orações coordenadas são aquelas em que o período é composto por orações sintaticamente independentes, conectadas por pontuação ou por conjunções.

A frase é um enunciado (nominal ou verbal) que estabelece comunicação. A oração é uma frase verbal que tem como núcleo um verbo ou locução verbal. O período é uma frase com uma ou mais orações, subdividindo-se em simples (oração absoluta, com apenas um verbo) e composto (mais de uma oração). Os períodos são compostos por coordenação e subordinação. A seguir, saiba como se caracterizam e classificam as orações coordenadas.

O que são orações coordenadas

A coordenação expressa uma relação de independência; assim, as orações coordenadas ficam lado a lado mantendo uma ligação de sentido, mas sem uma relação de dependência gramatical, pois apresentam estrutura sintática completa (sujeito e predicado). Logo, uma oração não depende da outra para existir nem exerce função sintática na outra. As orações coordenadas podem ser classificadas como assindéticas ou sindéticas.

Orações assindéticas

As orações assindéticas são justapostas (postas uma ao lado da outra) e não iniciadas por conjunção. Assim, elas são conectadas por uma pausa representada por pontuação, como vírgula, ponto e vírgula, dois pontos ou travessão.

Exemplos

  • Não me meto na vida alheia, os problemas dos outros não me interessam.
  • O pai se encontra muito ansioso; já a mãe está tranquila.
  • Tudo passa: o tempo é o melhor remédio!
  • Melhorei a ansiedade de um paciente – não fui bem-sucedido com os outros.

Conforme visto, as orações assindéticas mantêm uma relação semântica entre os conteúdos que expressam sem precisar de conjunção para isso.

Orações sindéticas

As orações sindéticas são justapostas e iniciadas por uma conjunção coordenativa. Assim, são classificadas de acordo com as ideias transmitidas entre as orações. Acompanhe abaixo!

Aditivas

As orações sindéticas aditivas expressam a adição, ou seja, a soma de uma ou mais ideias à oração anterior. Veja as conjunções comuns que iniciam essas orações: e, nem, mas também, como também, bem como.

Exemplos

  • Passei no vestibular e consegui um emprego.
  • As crianças não comem espinafre nem bebem suco de manga.
  • Maria gosta de resorts, mas também de acampar.

Adversativas

As orações sindéticas adversativas expressam a adversidade, ou seja, uma oposição à ideia exposta na oração anterior. Conjunções que transmitem tal sentido: contudo, entretanto, mas, não obstante, no entanto, porém, todavia.

Exemplos

  • Os compradores estão satisfeitos com a obra, mas isso só durará até se mudarem.
  • Trabalhou muito durante toda a vida, entretanto não conseguiu comprar a casa própria.
  • Lauro adorou o presente, porém a camisa não lhe serviu.

Alternativas

As orações sindéticas alternativas expressam a alternância de ideias ou de situações. Conjunções comuns a essas orações são “ou” e os seguintes pares: já… já, ora… ora, quer… quer, seja… seja.

Exemplos

  • A mulher não entendeu a informação ou fingiu não entender.
  • O namorado ora a agradava, ora a irritava.
  • Irei à festa quer você queira, quer não.

Conclusivas

As orações sindéticas conclusivas expressam as ideias de conclusão ou de consequência em relação à oração anterior. Confira conjunções comuns nesse tipo de oração: assim, portanto, então, logo, pois (depois de verbo), por conseguinte, por isso.

Exemplos

  • Compramos uma pizza pré-assada, assim o jantar ficará pronto logo.
  • A automedicação é perigosa, portanto consulte um médico!
  • Meus filhos leem pouco, por isso preciso incentivá-los a fazer da leitura um hábito.

Explicativas

As orações sindéticas explicativas expressam uma explicação ou uma justificativa para a ideia exposta na oração anterior. Conjunções que apresentam esse sentido: que, porque, pois (antes de verbo), porquanto, por isso.

Exemplos

  • Mariana pegou sarampo, pois não havia tomado a vacina.
  • O bebê estava doente, porquanto chorava muito.
  • Não gosto de conversar com o Eduardo, porque ele é muito grosseiro.

Diferentemente das orações sindéticas, as assindéticas precisam de conjunção para expressar a relação de sentido entre os conteúdos que enunciam. Desse modo, elas são classificadas de acordo com a ideia transmitida pela relação e as conjunções utilizadas para isso.

Vídeos sobre os usos da coordenação

A seguir, selecionamos vídeos que explicam este conteúdo e apresentam a resolução de alguns exercícios. Confira:

Orações coordenadas no ritmo de “Morro do Dendê”

Nesse vídeo, o professor Noslen faz um aulão sobre as orações coordenadas e ainda apresenta a paródia “Morro do Dendê” para resumir o conteúdo.

Exercícios sobre orações coordenadas

Nessa outra videoaula, o professor Noslen apresenta a resolução de exercícios sobre o tema. Acompanhe!

Conjunções coordenativas

A professora Aline explica a aplicação das conjunções coordenativas nas orações a partir de exemplos. Confira no vídeo!

Tomou nota de todas as explicações? Para aprofundar seus estudos sobre as orações coordenadas, aprenda também a respeito das conjunções coordenativas.

Referências

Curso de Gramática aplicada aos textos (2006) – Ulisses Infante

Érica Paiva Rosa
Por Érica Paiva Rosa

Professora, redatora e produtora cultural. Mestre em Letras pela UEM.

Como referenciar este conteúdo

Paiva Rosa, Érica. Orações coordenadas. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/portugues/oracoes-coordenadas. Acesso em: 22 de September de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indicado pelo(a):

A) emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final.
B) uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e efeito entre as ações.
C) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos.
D) utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do filho em relação à “mãe”.
E) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações.

Resposta: A

Justificativa: a primeira oração transmite a ideia de que a preguiça é algo negativo (um vício a ser evitado). Entretanto, a segunda oração transmite uma ideia diferente, que quebra a expectativa ao indicar que é preciso respeitar a preguiça pelo fato de ela ser considerada uma “mãe”.

2. [ENEM]

“Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de infarto, mas também de problemas como morte súbita e derrame. Significa que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos, com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável”.
ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009.

As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que:

A) a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias.
B) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste.
C) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma generalização.
D) o termo “Também” exprime uma justificativa.
E) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol e de glicose no sangue”.

Resposta: A

Justificativa: a expressão “Além disso” marca uma sequência de ideias, pois acrescenta informações ao que já havia sido dito sobre as recomendações para manter um estilo de vida saudável.

Compartilhe

TOPO