Luís de Camões

Camões é um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa. É autor da obra “Os Lusíadas”, considerada um símbolo da identidade de Portugal.

Luís Vaz de Camões (Lisboa, 1524 – Lisboa, 1580) foi um escritor português, considerado um grande poeta ocidental e um dos maiores nomes da literatura lusófona, ou seja, da literatura em língua portuguesa. É autor da obra “Os Lusíadas”, um marco da cultura de Portugal que o tornou conhecido mundialmente. A seguir, acompanhe mais informações sobre sua biografia e suas obras:

Biografia

Retrato de Camões – Fonte: Wikimedia

Não há precisão sobre os fatos de sua vida; acredita-se que é originário de família fidalga imigrante da Galiza. Camões nasceu em Lisboa, viveu a juventude em Coimbra e foi militar no continente africano, quando perdeu o olho direito, decorrente de um ferimento. De volta a Portugal, foi preso por desordem e desacato, depois ficou exilado no continente asiático. Nos últimos anos, adoeceu de peste e faleceu em Lisboa.

A importância da literatura camoniana

Camões enquadra-se no Classicismo e sua obra apresenta características fundamentais para a construção de uma nacionalidade: tradição, linguagem e território. Por isso, a produção literária do autor tornou-se um símbolo português e foi difundida em todos os países colonizados por Portugal. Em sua homenagem, foi instituído, em 1986, o “Prêmio Camões”, dedicado aos escritores de literatura lusófona.

Características literárias

Separamos abaixo os principais elementos que compõem a obra literária de Camões. Confira:

  • Escreveu poemas, epopeias e peças de teatro;
  • Valorizou as referências culturais da Antiguidade Clássica na composição de seus textos;
  • Prezou pelo rigor formal, com versos regulares em termos de metrificação e rima;
  • Também aplicou a inversão na ordem dos sintagmas em seus poemas;
  • Engrandeceu o homem e sua racionalidade nas obras;
  • Versou sobre temas universais, como amor platônico, descobertas, conquistas, ser humano, Deus, pátria e atividade poética;
  • Tratou seus temas com harmonia, vivacidade e perfeição.

Camões escreveu sobre Portugal, sua gente e seu tempo. Assim, o contexto de desenvolvimento do país reflete nas principais características da produção desse escritor.

Principais obras

Poemas e epopeias de inspiração clássica, canções, elegias, redondilhas e obras de dramaturgia compõem a obra camoniana. A seguir, conheça melhor a produção literária do autor:

Os Lusíadas


Capa da edição de 1572 da obra “Os Lusíadas” – Fonte: Wikimedia

Os Lusíadas (1572) é uma epopeia dividida em dez cantos que narra fatos heroicos do povo português em suas navegações e guerras, além de apresentar tradições da história portuguesa, como o Milagre de Ourique e o naufrágio da Ilha dos Amores. A obra colaborou para a afirmação da nacionalidade portuguesa e foi dedicada a D. Sebastião, rei de Portugal (1557-1578) que, em gratidão, concedeu uma pensão a Camões.

Poemas e sonetos

A lírica de Camões une as concepções do Mundo Antigo e as inovações de artistas modernos, como o italiano Petrarca, que inspirou o escritor. A antítese e o paradoxo caracterizam a poesia camoniana, que versa sobre uma sociedade movida pela razão e pelo ato de conquistar, mas limitada frente ao “desconcerto do mundo” – tema comum a alguns poemas. A maioria dos sonetos apresenta a medida nova (versos decassílabos, rimados e ritmados).

Ao Desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim

O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o Mundo concertado.

O eu-lírico expressa sua indignação frente à injustiça, pois as pessoas de boa índole enfrentam tormentos, enquanto as de má índole usufruem de benefícios.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Com versos decassílabos, comparações e anáforas, o soneto versa sobre a mudança – um tema que afeta a natureza, as pessoas, o mundo e a vida em sua totalidade.

Outras obras de Camões

  • El-Rei Seleuco (1545) – peça de teatro
  • Filodemo (1556) – comédia de moralidade
  • Anfitriões (1587) – comédia em forma de auto
  • Rimas (1595) – coletânea de poemas
  • Sonetos de Camões (1595) – coletânea de sonetos

A lírica de Camões ficou muito conhecida pelos seus sonetos, sendo que não se sabe com precisão quantos textos desse estilo ele escreveu ao longo da vida.

Oito frases famosas de Camões

Separamos para você frases que ficaram conhecidas nas obras de Camões, principalmente presentes em seus poemas. Acompanhe:

  1. O fraco rei faz fraca a forte gente.
  2. Que a verdadeira afeição na longa ausência se prova.
  3. Amor é fogo que arde sem se ver.
  4. O amor… que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê.
  5. Amar é um cuidar que se ganha em se perder.
  6. Transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar.
  7. Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos.
  8. Basta um frade ruim para dar que falar a um convento.

Agora que você conhece um pouco da escrita de Camões, confira vídeos sobre suas produções literárias!

Vídeos sobre um grande poeta de todos os tempos

Confira, nos vídeos, falas sobre a vida de Camões e seu estilo de escrita, além da discussão de duas obras muito lidas no Brasil: “Os Lusíadas” e “Sonetos de Camões”.

Os Lusíadas

Nesse vídeo, o professor Beto Brito explica alguns aspectos da produção literária de Camões. Mais especificamente, apresenta as características de “Os Lusíadas” e analisa um trecho da obra. Confira!

Resumão sobre “Sonetos de Camões”

Tatiana Feltrin fala sobre o livro “Sonetos de Camões” com informações sobre o contexto histórico, influências do autor, temas abordados e interpretações de alguns textos.

Forma e conteúdo dos sonetos

Nessa videoaula, o professor André explica um pouco sobre os sonetos de Camões a partir da forma e do estilo adotados pelo poeta, além dos temas tratados em seus textos. Acompanhe!

Agora que você já conhece Camões e sua obra, aprenda um pouco mais sobre o soneto – gênero que ficou famoso pela obra desse poeta!

Referências

Historia de Camões (1873) – Teófilo Braga
Os Lusíadas (1572) – Luís Vaz de Camões

Érica Paiva Rosa
Por Érica Paiva Rosa

Professora, redatora e produtora cultural. Mestre em Letras pela UEM.

Como referenciar este conteúdo

Paiva Rosa, Érica. Luís de Camões. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/literatura/luis-de-camoes. Acesso em: 21 de October de 2020.

Exercícios resolvidos

1. [Mackenzie]

Assinale a alternativa correta sobre Camões.

a) Além de usar metros mais populares, utilizou-se da medida nova, especialmente nas redondilhas que recriam, poeticamente, um quadro harmônico da vida e do mundo.
b) O tema do desconcerto do mundo é um dos aspectos característicos de sua poesia, presente, por exemplo, nos sonetos de inspiração petrarquiana.
c) Introduziu o estilo cultista em Portugal, em 1580, explorando antíteses e paradoxos nos poemas de temática religiosa.
d) Autor mais representativo da poesia medieval portuguesa, produziu, além de sonetos satíricos, a obra épica Os lusíadas.
e) Influenciado pelo Humanismo português, aderiu ao cânone clássico de composição poética, afastando-se, porém, das inovações métricas e dos modelos greco-romanos.

Resposta: B

Justificativa: A alternativa B é a única que apresenta todas as informações corretas. Camões foi muito influenciado pelo poeta Francesco Petrarca, e o tema do desconcerto do mundo caracteriza muitos poemas de ambos os autores.

2. [Insper]

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Assinale a alternativa em que se analisa corretamente o sentido dos versos de Camões.

a) O foco temático do soneto está relacionado à instabilidade do ser humano, eternamente insatisfeito com as suas condições de vida e com a inevitabilidade da morte.
b) Pode-se inferir, a partir da leitura dos dois tercetos, que, com o passar do tempo, a recusa da instabilidade se torna maior, graças à sabedoria e à experiência adquiridas.
c) Ao tratar de mudanças e da passagem do tempo, o soneto expressa a ideia de circularidade, já que ele se baseia no postulado da imutabilidade.
d) Na segunda estrofe, o eu lírico vê com pessimismo as mudanças que se operam no mundo, porque constata que elas são geradoras de um mal cuja dor não pode ser superada.
e) As duas últimas estrofes autorizam concluir que a ideia de que nada é permanente não passa de uma ilusão.

Resposta: D

Justificativa: Na segunda estrofe, o eu-lírico expõe com pessimismo sua visão sobre as mudanças. A partir do verso “Do mal ficam as mágoas na lembrança”, pode-se compreender que a dor não é superada, pois é sempre recordada pela lembrança.

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