URSS

A URSS protagonizou no cenário político mundial do século XX. Além de propagar a ideologia comunista, a União Soviética enfrentou dilemas que colocaram a nação em crise.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi uma das maiores potências mundiais existentes no século XX, tanto do vista territorial quanto ideológico, por ter aplicado, difundido e representado a ideologia socialista em suas vertentes. Seu fim modificou o cenário mundial.

Publicidade

Índice do conteúdo:

O que foi a URSS

Wikipedia

URSS é a sigla de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, conhecida também como União Soviética. A nação surgiu na década de 1920, como resultado da Revolução Russa de 1917, com a implantação do socialismo e a modificação da ordem política vigente. Ao todo, 15 repúblicas fizeram parte da URSS:

Relacionadas

Fim da União Soviética
O fim da União Soviética se deu em setembro de 1991 com o acordo de Minsk assinado pela Rússia, Ucrânia e Bielorussia, criando a Comunidade de Estados Independentes (CEI)
Revolução Russa
A Revolução Russa foi um período de lutas e rupturas políticas entre grupos que faziam oposição aos ideais monárquicos e capitalistas no início do século XX. Abaixo, saiba mais sobre esse momento!
  • Rússia;
  • Ucrânia;
  • Belarus;
  • Estônia;
  • Letônia;
  • Lituânia;
  • Armênia;
  • Geórgia;
  • Moldávia;
  • Azerbaijão;
  • Cazaquistão;
  • Tadjiquistão;
  • Quirguistão;
  • Turcomenistão;
  • Uzbequistão;

A Rússia era a maior e a mais influente república. Além disso, havia uma grande diversidade étnica e cultural no território da URSS, que ainda pode ser observada.

História da URSS: revolução e crise

Para compreender a história da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, é preciso lançar olhar ao passado e recuperar a gênese de seu surgimento. Por isso, a seguir, acompanhe um percurso histórico:

Como surgiu

O surgimento da União Soviética está ligado com a Revolução Russa de 1917, também denominada de Revolução de Outubro. Liderada por Vladimir Lenin, o movimento pôs fim radicalmente ao czarismo, regime político vigente na Rússia desde o século XVI, inaugurando uma nova ordem social.

Além de derrubar o governo provisório e vencer a Guerra Civil, que se estendeu do ano 1918 até 1921, os bolcheviques implantaram o comunismo no interior do território soviético, a fim de unificar todas as regiões, dando início à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas no final de 1922.

Publicidade

A ascensão de Stalin ao poder

Logo após a tomada do poder político pelos bolcheviques, a URSS foi liderada por Vladimir Lenin, até meados de 1924. Muitas políticas foram implantadas com o objetivo de realizar mudanças na estrutura social, entre elas, a Nova Política Econômica (NEP).

Em 1922, Lenin sofreu um forte AVC e precisou se retirar das suas funções. Com sua morte, em 1924, iniciou-se uma disputa política pelo poder. Assim, Stalin assume a liderança e expulsa seus adversários do Partido Comunista, um em especial, Trotsky, foi exilado no México e morto em 1940 por um espião que cumpria ordens do novo líder soviético.

Importante mencionar que, após Stalin, outros líderes também governaram a URSS; ao todo foram sete líderes diferentes, sendo eles: Vladimir Lenin (1917 – 1924), Josef Stalin (1924 – 1953), Nikita Kruschev (1953 – 1964), Leonid Brejnev (1964 – 1982), Yuri Andropov (1982 – 1984), Konstantin Chernenko (1984 – 1985) e Mikhail Gorbachev (1985 – 1991).

Publicidade

Stalinismo

O stalinismo diz respeito ao governo de Josef Stalin, entre 1924 e 1953. Como característica desse regime, pode-se apontar: o culto à personalidade, o emprego do terror, o abuso do poder, a utilização da ameaça como mecanismo de força e opressão da oposição, uso da propaganda de modo a mobilizar as massas etc.

O período foi tão sombrio que até hoje é conhecido como o “Grande Terror“. No campo econômico, Stalin implantou os Planos Quinquenais – medidas econômicas que visavam a atuação efetiva do Estado na garantia de uma industrialização contínua. Outra medida foi a coletivização das terras da União Soviética: tornar as terras produtivas, porém nas mãos do Estado. Os proprietários viram tal ação com suspeita, resistiram, foram presos, destinados ao trabalho forçado e até mortos.

Segunda Guerra Mundial

O desfecho da Segunda Guerra Mundial e a derrota do Nazismo tiveram relação, mesmo que indiretamente, com a entrada da União Soviética no conflito. Mesmo tendo ficado de fora entre 1939 e 1941, a URSS envolveu-se no conflito por causa das ameaças de invasão alemã.

Com a invasão dos alemães ao território soviético, na Operação Barbarossa, em 1941, a URSS entra oficialmente na Segunda Guerra Mundial. Sem uma reação ativa inicialmente, os soviéticos sofreram inúmeras derrotas dos alemães que, ao norte, haviam cercado Leningrado, e ao sul, tentaram dominar Stalingrado e Cáucaso.

O exército soviético, na região de Stalingrado, deu uma reviravolta nos nazistas. Outra batalha importante aconteceu em Kursk, quando os nazistas foram derrotados na frente da batalha oriental. A Batalha de Berlim marca a reconquista do território soviético e a derrota do exército alemão.

Publicidade

Guerra Fria

A Guerra Fria (1939-1945) foi travada entre as duas maiores potências mundiais: os Estados Unidos, protagonista do bloco capitalista, e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, líder do bloco socialista. A disputa era pela hegemonia ideológica, com o objetivo de conquistar a liderança mundial. No cenário internacional, a oposição provocou uma bipolarização política, ideológica, militar e, sobretudo, simbólica, com a construção do muro de Berlim.

A tentativa de conquistar a hegemonia mundial levou os soviéticos a realizarem muitos investimentos em diversas áreas, destacando-se a indústria bélica e a tecnologia. Por outro lado, o bloco comunista ficou conhecido por propagar o totalitarismo. Seja na restrição da liberdade política ou na perseguição de seus opositores, a URSS se fechou para o mundo, o Muro de Berlim é a mais alta representação dessa trama.

URSS após a morte de Stalin

Com a queda do regime Stalinista, em 1953, iniciou-se uma série de transformações políticas. O governo de Nikita Khrushchev denunciou dezenas de práticas políticas consideradas criminosas e autoritárias, mostrando o quão fechada era a União Soviética e como suas práticas contradiziam a utopia socialista.

Contudo, em 1964, o governo de Khrushchev cai e há uma retomada gradual ao centralismo estatal com a ascensão de Leonid Brejnev ao poder. O líder retornou com uma política interna altamente burocrática e centralista, usando mecanismos de força para impor o monolitismo do bloco comunista.

Após a morte de Brejnev, em 1982, sucederam curtos governos, dentre eles: o de Iúri Andropov (1982-1984) e Kontantin Tchernenko (1984-1985). Entretanto, a deterioração e o desgaste político e econômico se acentuavam significativamente. Algumas medidas foram tomadas para tentar reverter esse quadro. Elas foram inauguradas por Mikhail Gorbatchev, em 1985.

Governo Gorbachev: perestroika e Glasnost

O governo Gorbatchev foi responsável por implantar profundas mudanças na política soviética, tendo como ponto de partida o afastamento dos velhos líderes burocratas do partido. O estadista Gorbachev, por meio de suas reformas, implantou, ainda em 1985, duas medidas: a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência).

As medidas tinham por objetivos realizar mudanças econômicas, sociais e no próprio sistema socialista. A perestroika visada diminuir a intervenção do Estado na economia; já a glasnost pretendia diminuir a presença do governo nas decisões e questões civis. Nas palavras de Gorbatchev, “[…] o socialismo da perestroika é uma maneira de construir uma sociedade com economia eficaz, ciência, tecnologia e cultura avançadas, estruturas sociais humanizadas e democratizadas. Uma sociedade que crie as premissas para a existência criativa das pessoas”.

Em 1990, o governo Gorbatchev reformula o papel dos órgãos militares, culminando no enfraquecimento das forças do Pacto de Varsóvia em 1991. Ainda, a democratização produzida pela glasnost pôs fim ao monolitismo comunista e abriu espaço para o multipartidarismo. Lentamente, os países pertencentes à União Soviética foram se democratizando e exigindo mudanças.

Como a URSS acabou?

Uma série de protestos eclodiu em diversas regiões soviéticas durante a década de 80. Os movimentos nacionalistas ganharam voz e vez. Dentre esses movimentos, destacam-se as manifestações separatistas. Em agosto de 1991, membros da burocracia conservadora soviética tiraram o Gorbatchev do poder, por meio de um golpe político.

Bóris Yeltsin, presidente da principal república soviética, a Rússia, convocou uma greve geral, contando com o apoio de milhares de civis e militares que, com muito esforço, derrotaram os golpistas. Com essa investida, Yeltsin foi muito prestigiado, ganhando lugar de destaque.

Com a retomada de Gorbatchev ao poder, o Partido Comunista da União Soviética (PCUS) é dissolvido, e sua liderança se torna o presidente da União. Em setembro de 1991, Gorbatchev reconhece a independência e soberania das repúblicas bálticas (Estônia, Lituânia e Letônia). Além disso, nesse mesmo mês, a Rússia, a Ucrânia e Bielorussia assinaram o acordo de Minsk, declarando o fim da União Soviética e criando a Comunidade de Estados Independentes (CEI). Dias depois, em 25 de dezembro de 1991, Gorbatchev renuncia o cargo de presidente.

A URSS hoje

Como mencionado, a crise política e econômica, agravada pelas tentativas de reformas do governo Gorbachev, incentivou o desenvolvimento e ação dos movimentos nacionalistas em busca por autonomia e independência.

Com a dissolução da União Soviética, as antigas repúblicas soviéticas tiveram suas soberanias reconhecidas, dentre elas a própria Rússia. As 15 repúblicas que integravam a URSS até 1991 se desmembraram em Armênia, Azerbaijão, Bielorússia (hoje Belarus), Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão.

Os efeitos temporais da extinção da União Soviética permanecem até hoje e o mais evidente é a invasão russa ao território ucraniano, justificada pelo governo russo como uma forma de manter a influência no território. Uma tentativa que fere a própria soberania nacional dos ucranianos. São as influências de um passado mal resolvido.

Vídeos sobre uma nação dissolvida

Com essa seleção de vídeos, você compreenderá melhor o contexto histórico da URSS e aprenderá mais sobre as suas principais mudanças e desdobramentos. Confira!

Ascensão e queda da URSS

Nesse documentário curto, confira as principais causas do surgimento e declínio da Uniã Soviética, perpassando pelos principais líderes e governos.

Quais foram os principais responsáveis pelo fim?

Nesse vídeo, o professor João explica brevemente o colapso da União Soviética, ainda, fala sobre os principais responsáveis pela cadeia de eventos que culminou no fim da URSS.

Quais foram os impactos do fim da URSS no mundo?

Confira os principais impactos que o fim da União Soviética trouxe para o cenário mundial, especialmente para as antigas repúblicas.

O exercício de voltar os olhos para o passado é essencial para compreender as raízes das crises políticas e sociais da atualidade. Gostou da matéria? Para saber mais dos desdobramentos do assunto no mundo contemporâneo, conheça uma das principais figuras responsáveis pelas disputas geopolíticas que envolvem a Rússia, Vladimir Putin.

Referências

Camaradas: uma história do comunismo mundial (2015) – Robert Service
A construção do Stalinismo (2017) – Lewis Siegelbaum
Por que o liberalismo fracassou? (2020) – Patrick J. Deneen

Thiago Abercio
Por Thiago Abercio

Historiador e mentor educacional formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Professor de História e de Repertório cultural e Ideias, redator e analista de conteúdo. Atualmente realiza pesquisas na área de História da arte e das mentalidades.

Como referenciar este conteúdo

Abercio, Thiago. URSS. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/urss. Acesso em: 01 de July de 2022.

Exercícios resolvidos

1. [FGV]

“… com a subida de Gorbatchov ao poder, em 1985, a União Soviética iniciou a renovação de seus quadros dirigentes e pôs em prática a reformulação da legislação eleitoral, da administração popular e da economia…”

Das reformas a que o texto se refere surgiu a Glasnost:

a) um ousado plano de reestruturação da política e da economia que reduziu a participação soviética em conflitos fora da Europa.

b) uma doutrina da “soberania limitada” que previa a existência de governos coniventes com o monopólio de Moscou.

c) uma política de abertura, traduzida na campanha contra a corrupção e ineficácia administrativa, maior liberdade política, econômica e cultural.

d) uma forma mais liberal de comunismo que incluía a ampliação das liberdades sindicais e individuais na Rússia e excluía das mudanças os Estados satélites.

e) um plano quinquenal que priorizou a reforma agrária, a formação de cooperativas camponesas e adotou a educação obrigatória para todo o povo.

c) uma política de abertura, traduzida na campanha contra a corrupção e ineficácia administrativa, maior liberdade política, econômica e cultural.

Justificativa: ao lado da Perestroika (Reestruturação), que pretendia reformular o sistema político-econômico da URSS, tornando-o mais aberto ao mercado internacional, Gorbatchov também lançou como elemento-chave o plano da Glasnost (Transparência), que consistia em procedimentos para tornar mais ágil, transparente e eficaz a política e a economia da URSS.

2. [UERJ]

“Camaradas, a vida de nosso bem-amado Stálin pertence ao povo inteiro. Stálin é nosso guia, nosso sol. Morte a todos os restos do bando fascista. Sokorine, militante do Partido Comunista da URSS, 1936.” (Apud FERREIRA, Jorge. O socialismo soviético. In: REIS, Daniel Aarão Filho (org.) O século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.)

O terror e a propaganda foram dois lados complementares do regime stalinista. Contudo, muitos historiadores afirmam que eles não são suficientes para explicar o grau de aprovação conseguido por este regime tanto dentro como fora da União Soviética. O apoio político dado a Stálin dentro da URSS também é explicado pela:

a) eclosão da segunda revolução russa, que modificou as bases ideológicas do bolchevismo e excluiu lideranças como a de Trótski.

b) manipulação estatal do nacionalismo, que possibilitou a mobilização popular e revitalizou o caráter messiânico da cultura russa.

c) entrada de capitais estrangeiros após a Segunda Guerra Mundial, que facilitou a retomada da industrialização e permitiu a diminuição do desemprego.

d) introdução da Nova Política Econômica, que permitiu a manutenção da pequena propriedade privada e assegurou a permanência da aliança operário-camponesa.

e) promoção do livre mercado e da liberdade de expressão

b) manipulação estatal do nacionalismo, que possibilitou a mobilização popular e revitalizou o caráter messiânico da cultura russa.

Justificativa: o domínio totalitário desenvolvido na União Soviética aliou o uso da propaganda com o estímulo ao nacionalismo e ao destino mítico do povo russo, baseado no terror e na deificação do líder governamental.

Compartilhe

TOPO