Galileu Galilei

Galileu Galilei, considerado o pai da ciência moderna, foi pioneiro da matemática aplicada, da física e da astronomia.

Galileu Galilei nasceu em Pisa, em 15 de fevereiro de 1564.

Filho de Vincenzo di Michelangelo Galilei, um músico que fazia experiências com cordas instrumentais buscando comprovação de suas teorias musicais, e Giulia di Cosimo di Ventura degli Ammannati da Pescia.

Galileu entrou para a universidade de Pisa em setembro de 1581, para estudar medicina. Lá ficou por quatro anos (1581-84).

Imagem: Reprodução

Durante as férias iniciou o estudo da geometria sob a direção de Ostilio Ricci, de Fermo, mestre que servia na corte toscana.

Primeiros inventos e experiências de Galileu Galilei

Mas em 1585, por falta de recursos, interrompeu o curso em Pisa e voltou a Florença. Lecionou na academia florentina e em 1586 publicou um ensaio descrevendo a balança hidrostática, invento que tornou seu nome conhecido na Itália.

Em 1587 faz sua primeira viagem a Roma. Em 1589 realizou algumas experiências e demonstrações sobre o centro de gravidade dos sólidos, o que lhe valeu passar a lecionar matemática na universidade de Pisa.

Nos anos 1590 e 1591 realizou seus famosos experimentos sobre a queda livre dos corpos e a gravidade, segundo a tradição efetuadas do alto da Torre de Pisa. Fez imprimir o opúsculo “Le Operazioni del compasso geometrico et militare.”

Imagem: Reprodução

Em 1592 conseguiu ingressar na universidade de Pádua, da República de Veneza, como professor de geometria euclidiana, e lá ficou 18 anos.

A invenção da luneta de Galileu e sua importância para a Astronomia

Em 1609, teve notícia da invenção do telescópio pelo holandês Zacharias Janssen, efetuada em 1608, e imediatamente interessou-se em aperfeiçoar o instrumento.

No mesmo ano construiu seu telescópio em Pádua, duplicando a capacidade de aumento do aparelho, e começou em fins de 1609 a realizar com ele suas observações astronômicas.

Imagem: Reprodução

Do alto do campanário de São Marco mostrou a alguns venezianos o funcionamento de sua luneta, a qual ofereceu ao governo de Veneza, salientando a importância do instrumento no campo marítimo e bélico.

Nesse momento, foi confirmado professor vitalício de matemática na universidade de Pádua com expressivo aumento de salário.

Em janeiro de 1610 descobriu os quatro satélites de Júpiter e escreve sobre as montanhas da lua. Batizando os quatro satélites “Astri Medicei” em homenagem à casa reinante em Florença.

Os grande anúncios

Anunciou ao mundo suas descobertas astronômicas no opúsculo “Sidereus Nuncius”, publicado em Veneza em maio de 1610, no qual descrevia o aspecto montanhoso da superfície lunar, revelava a existência de inúmeras estrelas até então desconhecidas e mostrava que Júpiter possuía quatro satélites.

Estas descobertas desacreditavam o sistema ptolomaico da astronomia de então, pois acreditava-se que os corpos celestes descreviam órbitas circulares uniformes ao redor da terra, e eram compostos exclusivamente de um elemento, o éter, e eram, consequentemente, homogêneos e perfeitos.

O movimento dos astros era tido como “natural”, não tinha agente externo, pertencia ao corpo, e também uma força não atuava à distância mas somente por contato e os corpos possuíam peso como parte de sua essência e sua “atualização”.

Embasamento em Aristóteles

Buscava-se, de acordo com a filosofia de Aristóteles, conhecer a “essência imutável do real”.

Em 1611 foi a Roma fazer demonstrações do telescópio para as autoridades eclesiásticas. Devido ao seu talento para expor suas idéias, Galileu tornou-se rapidamente conhecido e discutido na Itália, e muitos peritos eclesiásticos em doutrina ficaram de seu lado.

Imagem: Reprodução

Outros porém viam na sua tese uma destruição da perfeição do céu e uma negação dos textos bíblicos. Os professores aristotélicos uniram-se contra ele, e com a colaboração dos dominicanos, que fulminavam sermões contra os “matemáticos”, secretamente o denunciaram à inquisição por blasfêmia.

Em meados de 1612 publicou em Florença o “Discorso intorno alle cose che stanno in su l’ acqua” (“Discurso sobre as coisas que estão sobre a àgua”), no qual ridiculariza a teoria aristotélica dos quatro elementos sublunares e do éter, suposto componente único dos corpos celestes e responsável por sua “perfeição”.

Em 1613, no pontificado de Paulo V (1605-1621), publicou “Istoria e dimostrazioni intorno alle macchie solari” (“História e Demonstração sobre as Manchas Solares”), onde apóia a teoria de Copérnico.

A descoberta das manchas solares foi criticada violentamente pelos teólogos, que viam na tese de Galileu um audacioso e pertinaz confronto com a religião.

Galileu e o confronto com a Igreja

Galileu Galilei foi a Roma dar pessoalmente explicações. As autoridades, contudo, limitavam-se a instruí-lo para que não defendesse mais as idéias copernicanas do movimento da Terra e estabilidade do Sol, por serem contrárias às escrituras sagradas.

Pareceu ao Cardeal Roberto Belarmino, influente teólogo da ordem jesuíta, que era necessário evitar escândalos que comprometessem a luta dos católicos contra os protestantes.

Num ato de consideração, o Cardeal concedeu uma audiência a Galileu e informou-o de um decreto que seria promulgado declarando falso e errôneo o copernicanismo, e que ele não devia nem sustentar nem defender tal doutrina, embora ela pudesse ser discutida como suposição matemática.

O Papa Paulo V declarou a teoria falsa e errônea pouco depois, em 1616.

Durante alguns anos Galileu permaneceu em silêncio. Os sete anos seguinte viveu em Bellosguardo, próximo a Florença.

Ao fim desse tempo, em outubro de 1623 ele respondeu a um panfleto de autoria de Orazio Grassi, sobre a natureza dos cometas, com a obra “Saggiatore”, na qual expunha sua idéia de método científico e dizia que o livro da natureza está escrito em letras matemáticas.

A obra foi dedicada ao novo Papa, Urbano VIII, seu amigo, que recebeu a dedicatória com entusiasmo.

Em 1624, já falecido o Cardeal Belarmino, Galileu volta a Roma, para pedir a Urbano VIII (1623-1644), a revogação do decreto de 1616.

O acordo com a Igreja

Apenas conseguiu uma licença do papa para discutir os dois sistema, Ptolomaico e Copernicano, imparcialmente, colocando no final uma nota que lhe foi ditada: que o homem não pode pretender conhecer como o mundo é feito de verdade… porque Deus podia chegar aos mesmos efeitos por caminhos não imaginados por ele.

Feito este acordo, voltou a Florença e escreveu, em 1632 o “Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo tolemaico, e copernicano” (“Diálogo a respeito dos dois maiores sistemas: Ptolomaico e Copernicano”).

Porque nenhum editor desejava correr maiores riscos, apesar da impressão garantida pelos censores, “O Diálogo” de Galileu somente é publicado em Florença em 1632, ainda sob Urbano VIII e foi recebido com aplauso em toda a Europa como um obra prima de literatura e filosofia.

O trabalho, porém, não respeitava a imparcialidade requerida: era inteiramente favorável ao sistema de Copernico. Então foi colocado para o Papa que, apesar do titulo neutro, o trabalho era inteiramente favorável ao sistema Copernicano, o que fazia inútil o texto final exigido no acordo feito com o autor.

Os Jesuítas insistiram que o livro teria piores conseqüências sobre o sistema de ensino que Lutero e Calvino colocados juntos. O papa, irritado, ordenou o processo inquisitorial.

A condenação de Galileu

Em outubro do mesmo ano o autor foi convocado para enfrentar o tribunal do Santo Ofício. Foi julgado culpado de ter adotado e ensinado a doutrina copernicana e condenado em junho de 1633.

Foi no entanto tratado com indulgência e não foi colocado na prisão. Obrigado a abjurar suas teses sob pena de ser queimado como herege, Galileu Galilei recitou uma fórmula em que renegava, amaldiçoava e repudiava seus erros passados.

O Papa reduziu a pena a prisão domiciliar, que durou o resto de sua vida. Galileu continuou, no entanto, a trabalhar secretamente ainda sob Urbano VIII (1623-1644), e em junho de 1635 o príncipe Mattias de Medici levou os originais do Discorsi e dimostrazioni matematiche intorno a due nuove scieze attenenti alla meccanica et i movimenti locali (“Discurso a Respeito de Duas Novas Ciências”) contrabandeados da Itália para serem publicado em Leiden, na Holanda em 1638.

Nessa obra, que seria a mais madura de todas que escreveu, Galileu mostra que o verdadeiro caminho para o conhecimento da natureza é a observação dos fenômenos tais como ocorrem e não como os explica a pura especulação; recapitula os resultados de suas primeiras experiências em Pisa e acrescenta algumas reflexões sobre os princípios da mecânica.

Importância além da vida

Aos poucos Galileu Galilei perdeu a visão em conseqüência de suas experiências com a luneta. Ele ditava a dois discípulos Vicenzo Viviani e Evangelista Torricelli suas idéias, quando veio a adoecer para morrer em Arcetri, perto de Florença, a 8 de janeiro de 1642.

As descobertas de Galileu Galilei foram resultados de uma nova maneira de abordar os fenômenos da natureza. Nisso, reside sua importância dentro da história da filosofia.

Referências

História, uma abordagem integrada – Nicolina Luiza de Petta, Eduardo Aparicio B. Ojeda

If.ufrgs.br

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Teste seu conhecimento

01. [ENEM]:

(…) Depois de longas investigações, convenci-me por fim de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de planetas que giram em volta dela e de que ela é o centro e a chama. Que, além dos planetas principais, há outros de segunda ordem que circulam primeiro como satélites em redor dos planetas principais e com estes em redor do Sol. (…) Não duvido de que os matemáticos sejam da minha opinião, se quiserem dar-se ao trabalho de tomar conhecimento, não superficialmente mas duma maneira aprofundada, das demonstrações que darei nesta obra. Se alguns homens ligeiros e ignorantes quiserem cometer contra mim o abuso de invocar alguns passos da Escritura (sagrada), a que torçam o sentido, desprezarei os seus ataques: as verdades matemáticas não devem ser julgadas senão por matemáticos.” (COPÉRNICO, Nicolau. De revolutionibus orbium coelestium.)

Aqueles que se entregam à prática sem ciência são como o navegador que embarca em um navio sem leme nem bússola. Sempre a prática deve fundamentar-se em boa teoria. Antes de fazer de um caso uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as experiências produzem os mesmos efeitos. Nenhuma investigação humana pode se considerar verdadeira ciência se não passa por demonstrações matemáticas.” (DA VINCI, Leonardo. Cartas.)

O aspecto a ser ressaltado em ambos os textos para exemplificar o racionalismo moderno é:

a) a fé como guia das descobertas.

b) o senso crítico para se chegar a Deus.

c) a limitação da Ciência pelos princípios bíblicos.

d) a importância da experiência e da observação.

e) o princípio da autoridade e da tradição.

 

02. [UVF]: No contexto da Revolução Científica, levada a cabo no século XVII, as pesquisas de Galileu Galilei foram decisivas. A respeito da vida e obra de Galilei, assinale a única alternativa que não está correta:

a) Galileu desenvolveu o telescópio a partir do aperfeiçoamento de lunetas e lentes.

b) Galileu elaborou teorias consistentes sobre o movimento dos corpos, sendo a Lei da Inércia uma expressão dessas teorias.

c) Galileu foi submetido ao tribunal da Inquisição para esclarecer suas opiniões a respeito do movimento do planeta Terra em torno do Sol.

d) Galileu colaborou diretamente com Isaac Newton na elaboração do livro “Philosophiae naturalis principia mathematica (1678).

e) Galileu conseguiu observar, por meio do telescópio, as imperfeições da Lua, como as crateras que nela existem.

01. [ENEM]

Resposta: D

No contexto da Revolução Científica do século XVII, as operações da observação e da experiência (entendida no sentido de experimentação) foram cruciais. A descrição dos fenômenos implicava a necessidade de uma elaboração teórica explicativa, que, por sua vez, exigia testes e comprovações. Tais comprovações eram obtidas por meio dos experimentos. Uma teoria, para ser considerada estritamente científica, deveria obedecer a esses procedimentos. Esse esquema segue vigente até os nossos dias.

 

02. [UVF]

Resposta: D

Newton não chegou a conhecer Galileu, dada a distância temporal entre um e outro. As influências que Newton recebeu de Galileu foram indiretas, a partir de suas obras.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO